Tuesday, December 28, 2004

Feliz Ano Novo





Comecei o ano inciando um novo (e estranho) ciclo em minha vida. No dia 22 de Dezembro de 2003 deixei a casa da minha mãe e a faculdade, em Campo Grande e vim morar sozinha em Porto Alegre, para viver muito mais do que um grande amor que começou pela internet quatro meses antes.



Alternei períodos de insegurança extrema com momentos em que eu simplesmente não sabia como havia vivido quase 24 anos longe daqui. Em Maio, o noivado. Não foi surpresa para nenhuma das famílias, eles já sabiam desde o começo que nós tínhamos pressa, afinal de contas, esperamos muitos anos para nos encontrar, não havia motivo para esperar mais.



Passei meses sem cama, sem geladeira, sem fogão e sem mesa. Dormia em um sofá-cama emprestado e meu único móvel era a mesa do computador. Isso porque eu sou uma maluca que resolveu ir morar sozinha a quase dois mil quilômetros de casa sem antes montar decentemente o apartamento.



Em Junho, o casamento e o início de um outro ciclo em minha vida. Não houve grandes adaptações a se fazer. O dia-a-dia continuou o mesmo e a única diferença é que começamos a dormir juntos. Aliás, minha primeira noite foi a de núpcias, como eu havia planejado, mesmo tendo quem dissesse que isso era burrice, maluquice ou anunciasse que adiar e planejar assim a primeira vez era causa de frigidez e anorgasmia. Posso lhes garantir que eles estavam errados :)



Sou a favor de que cada um escolha seu momento adequado para iniciar o que for, independente das pressões alheias. No meu caso, eu não poderia ter feito escolha melhor, mas daí a obrigar os outros a me seguir ou julgá-los e condená-los (por não terem a cabeça clonada da minha) como fizeram comigo, já é falta de respeito. Cada um sabe de si.



A lua-de-mel foi toda documentada e transformada na série de textos linkados à esquerda. Minhas irmãs saíram de Campo Grande e minha mãe ficou sozinha, o que me gerou uma certa preocupação, mas eu tinha certeza de que Deus cuidaria bem dela e Ele providenciou uma amizade que era exatamente o que ela precisava, o que me deixou bastante tranquila e feliz, embora nem todo mundo tenha ficado tranquilo e feliz, por pura falta de atenção. Felizmente, agora está tudo bem.



Em Setembro, o Rio de janeiro. Minha tia morreu, meu gatinho também morreu no mesmo mês, aos 14 anos; foi um mês de rupturas dramáticas. Logo comecei dois cursos: um de teatro e outro chamado "Internet e Literatura", ministrado pela Claudia Letti, que se tornou uma grande amiga, muito querida mesmo, companheira de tardes regadas a Coca Light e queimaduras de praia. Me ajudou, principalmente nos períodos em que o Dave estava entre trabalhos, provas e muito estudo.



Das noites na arteclara guardo, além das aulas, o café, antes de ir embora e as conversas com a Claudia e o Cat, entre xícaras de café, latas de coca-cola e gotas de saudosismo.



Dave e eu também ficamos mais próximos, nosso relacionamento tornou-se bem mais sólido e crescemos bastante, com algumas brigas e muita conversa. O saldo, no final das contas, foi bem positivo.



Conheci a Carla, Claudio Téllez, Larissa, Blanda (depois de dois anos de amizade virtual), Patrícia e Marcelo Daltro, amigos que fiz graças ao blog. Infelizmente não deu para conhecer a Gerusa, o Gladstone (que vergonha, estou em falta com ele) e o William...desta vez .



Entalei no blogger.br e vim parar aqui, a contragosto. Acabei gostando. O lançamento do livro da Claudia trouxe para o "mundo real" outra amizade que se iniciava na internet: Paula Foschia e Paulo Polzonoff, nossos vizinhos. Graças à proximidade de nossos apartamentos, eles viraram companhia para tudo o que se possa imaginar, desde lançamentos de livros até passeios no supermercado. Não, não é só culpa da proximidade física, porque se eles fossem uns chatos sem nada na cabeça a gente não teria se animado a passear um único dia com eles.



Nos últimos dias, os mais corridos e agitados de toda a viagem, minha mãe foi nos visitar, passamos momentos agradáveis e só conseguimos ir à praia um dia, já que o sol nos pregou algumas peças e se escondeu durante a semana inteira. Mas valeu a pena, colocamos a conversa em dia e passeamos um bocado, nem a metade do que havíamos combinado, mas fica para a próxima etapa.



Enfim, o ano termina com nossa volta a Porto Alegre, em um intervalo do curso. Bom para matar a saudade, rever a família, passear mais um pouco, comer churrasco a um preço entre dez e vinte Reais (rodízio, tá?), pegar uma sessão de cinema a cinco Reais no Bourbon, ao lado de casa. Sim, ao lado de casa, eu não preciso nem atravessar a rua para ir ao Shopping, estou no céu :) Matar a saudade do café colonial em Gramado, torcendo para poder ter a boa companhia dos amigos por aqui antes mesmo de voltar.



E, para completar, arranjar minha primeira doença pós-casamento: uma faringite conjugada com uma otite feliz. Sim, segunda-feira fui ao médico e já estou sendo medicada, o que me possibilitou levantar da cama e fazer uma escova no cabelo por um motivo nada estético: ficar mais tempo sem precisar lavar a cabeça sem parecer um espanador. Cheguei em casa com ele bem escorridinho, mas nunca consigo mantê-lo assim por muito tempo...risos...depois de uma noite de sono e um pouco de umidade, ele já está esquisito. Provavelmente amanhã tasco o baby-liss.:)



Mamãe chegou hoje aqui e vai amanhã para Caxias com o Félix, que é um cara muito legal, um amigo muito querido de quem gostei já na primeira conversa. Em Caxias nos encontramos com eles e com minhas irmãs para passar a virada do ano em família. É uma pena que meus irmãos não possam estar conosco também, nem minha avó e meu primo.



O ano passou depressa, mas também me pareceu muito mais do que doze meses, de tanta coisa que aconteceu, tanto que a retrospectiva que escrevi ano passado foi bem curtinha. O que se passou no mundo estamos vendo a cada retrospectiva e a cada noticiário, afinal de contas o ano ainda não acabou e algumas coisas boas e outras terríveis continuam acontecendo. Ao mesmo tempo, no micro-cosmo que é a vida de cada pessoa, milhares de alegrias, pequenas tragédias e dramas acontecem diariamente. Minha retrospectiva é bem egocêntrica, uma análise do que mudou, do que aprendi e do que aconteceu durante esses doze meses aqui, do lado de dentro.



Aprendi a confiar cem por cento em Deus ao ver que eu não tenho o controle de tudo e sei muito pouco. Existe um momento na vida em que você descobre que chegou ao limite e não pode fazer mais do que aquilo, aí entra a fé, que é a certeza de que, mesmo você não conseguindo, as coisas vão acontecer da melhor maneira possível porque você entregou para Deus e ele pode fazer o que você não pode.



Um relacionamento com Deus sem intermediários, aprender a ter uma vida espiritual independente, esse ano, principalmente no início, me ensinou a confiar mais em Deus e a ter certeza de quem ele realmente é e o que ele pode fazer por mim.



Termino o ano renovada, mais amadurecida em todos os sentidos e sabendo do quanto ainda preciso crescer, amadurecer e aprender. Para te dizer a verdade, eu nem sei bem o que dizer a respeito deste ano porque ele me deixou tonta. Só o que eu tenho a dizer é que descobri que o escritor deste meu roteiro tem uma criatividade e tanto, caramba!



Sabe o que é mais legal nisso tudo? É você ver que não importa se é dia 31 de Dezembro ou 23 de Janeiro, a vida se renova a cada dia e a cada manhã novas oportunidades vão surgindo, só temos que aprender a enxergá-las. E continuo deslumbrada com tudo o que aconteceu e continua acontecendo, vivi grande parte da vida sozinha e triste, agora mereço ser feliz. Todo mundo merece. Mas a gente precisa aprender a lutar.



Agradeço a Deus por ter me proporcionado esse ano maravilhoso, esse relacionamento maravilhoso, tantas possibilidades para os próximos anos. Estamos fazendo planos e já pensando em como transformá-los em projetos e trazê-los para a realidade. Tenho certeza que no próximo ano teremos muito mais vitórias e lutarei por elas, até que cheguem.



Espero ter trazido algo de bom para vocês, também. Tenham certeza de que me ajudaram muito nesses momentos, vocês nem sabem o quanto. Só o fato de saber que tenho quem me lê, que acredita no meu trabalho, que atura minhas crises, que tem paciência para ler esses textos enoooormes e muitas vezes cansativos para caramba (cara, vocês deveriam ser canonizados) e que ainda volta, esperando para saber se essa maluca tem mais alguma novidade, me dá ainda mais vontade de continuar escrevendo e tocar meus projetos a sério.



Devo dizer que espero novidades para o começo do ano. :) Vocês já devem ter percebido que eu não costumo contar nada enquanto não está totalmente certo para não gerar nenhuma expectativa, portanto: paciência.



Embora a gente nunca saiba o que está por vir. A Bíblia diz, no livro de Provérbios, que o coração do homem faz planos, mas Deus é quem dá a palavra final, nem sempre os planos de Deus são os nossos planos, mas a Bíblia também diz que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e posso dizer que isso tem sido verdade na minha vida. Não conhecemos o livro, mas se conhecemos o escritor, podemos ficar tranquilos. E eu sei em quem tenho crido.



2004, que coisa, fica para trás. O início de uma nova vida, aquela pela qual esperei por tanto tempo, mas que parecia que nunca chegaria. Dá um certo friozinho na barriga... Minha vida adulta. Eu, às portas dos 25 anos, ainda com esse jeito de guria que espero jamais perder. Não quero ser aquelas adultas de cara amarrada, urgh!



Espero o próximo ano e desta vez com mais vontade de fazer acontecer. Eu sonho alto e algumas coisas ainda não sei exatamente como vou fazer acontecer, mas pretendo descobrir, lutar e conseguir, ainda em 2005, afinal de contas, eu sei em quem tenho crido.





PS:
Vamos lá, não sei quando volto aqui para postar, então um tchauzinho para 2004 e um aceno para vocês, para que não fiquem preocupados (ok, ninguém se preocupou, mas tudo bem), sou a criatura adoentada com a cara mais saudável que eu conheço...risos...mas acreditem em mim, desta vez eu não estava exagerando. E me desculpem o post enorme, o ano nem foi tão imenso assim, mas é como eu disse, não sei quando posto de novo, então vocês podem, sei lá, ler esse texto à prestação :)







PS2: Sim, eu escrevo compulsivamente. Sim, abordo trinta e cinco mil assuntos ao mesmo tempo e faço um post enorme, torcendo para que alguém leia até o final. Quero me desculpar se tenho sido negligente com alguém, tipo demorar para responder e-mail, não responder comentários ou não dar muito sinal de vida além dos posts. Eu sou muito enrolada e desorganizada, uma das minhas resoluções de fim de ano é não ser mais tão desorganizada e enrolada no ano que vem. E vou conseguir, eu sei. Porque acabo passando uma mensagem errada e pôxa, não é o que eu quero.



Os comentários faço questão de responder, mesmo porque o haloscan os apaga depois de alguns meses, o que me deixa desesperada, porque não quero perdê-los, nem deixá-los simplesmente arquivados em meu computador, eles têm de estar no blog como foram postados, inclusive com os links, que é o que me dá mais trabalho. Nova resolução de ano-novo: responder comentários atrasados.



PS3: E façam o favor de comentar também, ou eu começo a achar que vocês estão todos bravos comigo e daqui a pouco entro naquelas crises insuportáveis de achar que esse blog é uma porcaria. E...que mais?... nem sei, acho que já falei tudo o que tinha que falar. Espero não ter esquecido ninguém. Se esqueci, por favor, me desculpe. Me lembre e eu faço um PS especial :)



PS4: Uma das coisas mais legais que aconteceu na blogosfera neste ano foi meu blog favorito ter sido reativado, o Diário de um Lunático. Ainda que não com a frequência com que ele costumava ser atualizado quando eu era tiete, mas ao menos mata a saudade. Valeu, Ed. :)



PS5: Um 2005 maravilhoso para todos vocês!!! De coração. Prometo escrever a quem estou devendo e-mail antes do ano acabar...risos... Beijos!



PS6: Desculpem o tamanho da foto que abre o post, devo ter assustado alguém...risos...



PS7: Acabaram as cores para os peésses. :)





Sunday, December 26, 2004

Alguma Satisfação



Estou passando rapidamente só para avisar que cheguei viva aqui em Porto Alegre. Mas o esforço para que isso não acontecesse foi bem grande.



No avião a temperatura agradável foi lentamente se transformando em uma massa de ar polar vinda diretamente da antártida, para congelar os pulmões dos passageiros. Quase conseguiu.



Todo mundo reclamava com as comissárias, que não cansavam de repetir que o piloto simplesmente não estava conseguindo aquecer o ar. Mas isso a gente já sabia, ou conseguia sentir.



Durante o serviço de bordo, caiu uma pedra de gelo embaixo de uma poltrona perto de mim. Quando saímos do avião o gelo permanecia ali, intacto e seco, sem nem mesmo uma mísera aguinha ao seu redor.



Eu, que já estava praticamente curada da gripe e da tosse das últimas semanas, saí da aeronave tossindo muito. Depois foi a vez de me cansar um monte subindo as escadas do edifício (que foi construído antes de inventarem o elevador) eu e o Dave, com as malas, uma de cada vez.



Tossi a noite inteira e não dormi direito, no dia seguinte não paramos um segundo, chegamos em casa às nove da noite e eu sentia como se tivesse sido atropelada por um caminhão. Todos os músculos doíam.



Resultado: Hoje fui obrigada a fazer repouso forçado e a testar todos os tipos de xarope disponíveis no mercado. É incrível como todo mundo tem uma receita ou um remédio infalível para te deixar bem. Resolvi limitar-me a um xarope e um analgésico. Eu detesto tomar remédio, é o suficiente.



Descobrimos uma linha telefônica no apartamento (que, aliás, é lindo!) e estou aproveitando a folga. Infelizmente ainda estou de repouso, portanto só dá mesmo para escrever esse recadinho aqui e despencar na cama novamente.



Pretendo voltar aqui em breve ou escrever algo em um caderno para o Dave postar. Até lá, então.





Thursday, December 23, 2004

Outra Mudança... Mais uma Mudança... outra vez, outra vez, mais uma vez...







Nunca poder criar raízes é um troço meio chato. Alguém pode dizer que estou sendo dramática, já que depois do curso do Dave poderei criar minhas raízes em paz no lugar que escolhi (Canoas). Sim, eu sei, mas é complicado manter o foco lá na frente enquanto o agora acontece. E acontece mesmo.



Algumas pessoas estranharam meu tom melancólico dos últimos dias. Voltem no tempo, leiam os textos próximos da minha viagem ao Rio, em Setembro. O tom era o mesmo.



É sempre assim. Esse negócio de mudança, de levar a vida inteira de um lado para outro pode ser legal para alguns nômades, mas não combina comigo. Eu preciso do meu espaço, da minha casa, minhas coisas, meu território demarcado.



Bem, mas é isso. Estamos na correria, arrumando malas, arrumando as coisas. Não sei se ao chegar já teremos linha telefônica ou se demorará algum tempo até eu poder me conectar de novo. De qualquer forma, farei o máximo para voltar o quanto antes.



Ando histérica, ainda no meio da bagunça. A impressão que dá é que jamais conseguirei colocar esse monte de coisa dentro das malas.



Aliás, compramos mais uma mala. Vermelha. :) Ganhei uma boneca do Dave, que ele acha parecida comigo. É a Chelsea, da linha My Scene, da Barbie. Ruiva, como eu estou neste momento, com os olhinhos puxados e enormes, sobrancelhas altas, nariz pequeno (e "empinado"...risos...), fazendo biquinho. Perninha fina e roupinha colorida. Parecendo ou não, virou mascote. Só falta arrumar um namorado para ela que se pareça com o Dave. :)



Estamos no meio da bagunça, tentando encontrar um lugar para cada coisa. Procurando não entulhar demais a casa dos amigos e sendo eternamente gratos pela disponibilidade. Tirar tudo do lugar, guardar de volta, transportar...



Quero ter o direito de guardar minhas coisas sem precisar jogar fora, ter meus móveis e minha própria louça. Quero logo a minha casa, de onde não precisarei ficar me mudando. Desgasta, desgasta, desgasta.



Parece que as coisas todas querem se espalhar e espalhar e espalhar e nada, absolutamente nada aceita entrar nas malas. Livros, lixo, fotos, textos, alguns meses de vida espalhados pelo chão me deixam ligeiramente perdida entre as coisas que tenho que carregar. Será que sou a única pessoa deste mundo a fazer um drama nessas proporções para uma simples mudança?



Sim, eu gostaria de ser como você e encarar apenas como uma simples mudança. É como se eu empacotasse minha alma e a levasse de cá para lá, sem destino certo. Me deixe criar raízes, mundo, como uma árvore, uma batata, um pé de amendoim!



Me deixe fazer minha fotossíntese em paz e entender que não estou carregando o mundo inteiro de um lado para outro, sem saber onde aportar, mas estou apenas fazendo as malas, arrumando coisas e roupas para ir, depois voltar, depois ir de novo. Pronto, simples assim.



Por que é que eu consigo acumular tanta coisa? Comprar tanta coisa? Ajuntar tanta coisa? Empilhar tanta coisa? Amontoar tanta coisa? Por que eu não sou uma pessoa mais resumida, compacta, organizada, sintética? Por que meus textos têm que ser enormes? Coleciono palavras inúteis, papéis soltos, fotos fora do álbum, tiro as coisas das embalagens para que se sintam livres e elas se espalham....



E as embalagens...ah, as embalagens...neste momento elas estão por todo lado. A bem da verdade neste momento tudo está por todo lado, os registros históricos de idas ao cinema, o guardanapo estampado de papel que peguei de recordação da casa da Paula, tesoura, durex, cosméticos, maquiagem, frascos e mais frascos, roupas gritando no armário, também querendo se espalhar.



Pastas, livros, sapatos, tranqueiras de todos os tipos, meus brincos, revistas, muitas revistas. Muuuuuuuitas revistas. Pedaços de coisas, alguns objetos não-identificáveis que têm um valor afetivo imenso para mim. Empacotar coisas, colocar tudo nas malas, três malas, quatro malas, quantas malas? Pensando bem, ao menos desta vez eu não tenho que levar os móveis...







PS: Chuva lá fora. Olhe só, o Rio de Janeiro está chorando porque vamos embora...ok, ok, é temporário. Final de Fevereiro estaremos de volta :) Beijos a todos. E não me abandonem :)



PS2: Descobri que tem gente que se incomoda com a felicidade dos outros. Isso é estranho. Continuo sendo eu e escrevendo o que me faz sentido. Nunca vou fingir ser quem não sou ou adequar os textos à vontade alheia. Paciência.



PS3: Novas fotos no álbum. De tempos em tempos coloco umas tralhas por lá. Tem virado um verdadeiro depósito fotográfico. Desorganizado como a dona, algumas fotos nem têm nome, outras estão até com legenda. Prometo dar um jeito naquilo lá quando tiver um tempo (bem específico isso, né?) :)





Tuesday, December 21, 2004



Seis Meses



Eu disse que vocês leriam um post meloso por mês, no dia 21. Afinal de contas, nunca casei na vida, estou deslumbrada e acho que é algo que se deve comemorar sempre. Seis meses é meio ano. Seis meses de convivência diária, aprendendo que um bom relacionamento se constrói dia após dia. Continuamos namorando e acredito que nunca nos tornaremos um daqueles casais chatos que mal falam um com o outro e têm um monte de problema acumulado, mesmo porque não deixamos nada acumular.



Às vezes acho que acabou o repertório, que já disse tudo o que tinha a dizer sobre o meu amor. Aí percebo que não acaba nunca. Ainda que a gente se repita, ainda que fique ridículo, sempre há algo a se dizer para declarar um sentimento assim tão grande a uma pessoa especial. Passei a vida inteira sentindo como se faltasse uma parte de mim, sempre incompleta, sempre esperando, esperando, esperando algo que nem eu sabia o que era ou se iria chegar. Um presente que eu não achava que merecia ganhar.

Agora eu sinto que todos os espacinhos que faltavam se fecharam, a vida está redondinha, mas nem por isso a gente age displicentemente, achando que o "Felizes para sempre" já está garantido pelo simples fato de nos amarmos hoje. Não está. Nunca está. A gente tem que lutar para que o sentimento permaneça vivo, para que o relacionamento seja sempre de namoro, cuidar das pequenas coisas e não cultivar mágoas e chateações.

A gente tem que cuidar, assumir e não ficar achando que estará sempre ali a pessoa que hoje te ama. Ela permanecerá se você fizer por onde, se não fizer, certamente alguém fará. Tudo o que a gente não cuida, morre. Tudo o que a gente despreza, se entristece. Nós temos sempre que saber quais são nossas prioridades e a importância que um sentimento desses tem que ter na nossa vida.

Eu tenho a consciência de que nosso amor é uma raridade. Conversamos sobre tudo, brincamos, nos divertimos, crescemos com as brigas e nunca deixamos algo que incomoda um dos dois sem uma boa conversa, por mais insignificante que pareça. Acima de tudo, amigos, depois, namorados. Casamos para ter uma boa desculpa para passear em lua-de-mel, acho, porque pouca coisa mudou. Acredito que se a gente continuar construindo o relacionamento assim vai dar para ser feliz até os cento e vinte anos. :)



Todo mundo poderia ter um relacionamento assim, mas começa com uma escolha certa. Uma pessoa com quem você tenha afinidades, com quem você possa passar dias inteiros junto sem se cansar e sem acabar o assunto, independente de beijos e abraços, alguém com quem se possa conversar. Sempre há como construir um casamento legal, mas nem todo mundo se empenha, nem todo mundo presta atenção no dia-a-dia.

Ouvi, certa vez, uma criatura burra que tinha acho que uns seis meses de casada dizer que brigava com o marido todos os dias, tratava ele mal porque, segundo ela, "se a gente trata bem, fica mimando, depois vai ter que virar escrava do cara o resto da vida. Eu vou tratar ele mal durante o primeiro ano, depois eu começo a tratar ele melhor, aí ele vai ficar bem bonzinho no resto do casamento".

Sim, o resto do casamento mesmo, porque essa é a técnica mais infalível para destruir um relacionamento. Ao final do primeiro ano, maltratado, magoado, carente e desiludido o cara estará tão distante dela que o casamento começará a esfarelar antes mesmo do segundo ano se completar. O ideal é cuidar do outro e de si, sabendo que a felicidade de um também depende da felicidade do outro.



No começo a gente constrói as bases, o que vai te garantir um relacionamento estável, a segurança no amor do outro. Não tenho medo de mimar, de tratar bem, de fazê-lo feliz, porque ele retribui com carinho, amor e mimos, do mesmo jeito.

A gente recebe aquilo que dá, se eu der desprezo, não receberei amor. E se eu o vejo feliz, também fico feliz e ele fica feliz porque me vê feliz já que o vi feliz. Não entendo por que as pessoas se transformam assim que casam, por isso muita gente tem medo de casar. O casamento deve ser continuação do namoro, não o enterro dele.

Saímos, vamos ao cinema, passeamos, alugamos um filme e assistimos, deitados na cama, comendo castanha de caju, nos surpreendemos com bilhetinhos, presentinhos, e-mails e declarações de amor, conversamos muito, muito mesmo, sobre tudo e compartilhamos interesses. Isso não cai do céu, é a gente que tem que fazer. Brincamos, rimos, eu coloco uma roupa bem bonita para a gente sair e passear e ele me elogia. Isso não é namoro? Não é assim que tem que ser?

PS: Dave, parabéns para nós, que seja sempre assim (e a gente vai fazer ser, não é mesmo?). Te amo hoje muito mais do que há seis meses, quando começamos essa caminhada. Tenho certeza de que a tendência, seguindo assim, é crescer cada vez mais. E isso é uma ameaça :)



PS2: Quanto ao teatro, acho que quase ninguém sabia mesmo. Para vocês verem que eu não conto toooda a minha vida aqui neste blog...risos... Algumas coisas eu não vejo por que contar antes e só conto depois, outras não conto nunca. Me sobra um certo "senso de noção" para saber o que realmente interessa a quem não me conhece e o que seria simplesmente enjoativo. E olha que mesmo assim às vezes canso vocês, não? :)



Monday, December 20, 2004

Mais Uma Nota



Acho feio falar só de mim no blog, como se eu fosse o centro do universo. Como já disse, minha fase de auto-afirmação já passou há séculos e me incomoda ficar escrevendo "eu, eu, eu, mim, me, mim, eu, me" ao longo do texto, tenho noção do ridículo (às vezes). O que vocês têm com isso? Com o que eu sou, acho, penso, sinto? Procuro então, sempre que quero falar de mim, fazer um texto menos inútil.



Hoje, por exemplo, vou falar um monte de "eu, eu, eu, eu" (isso se eu conseguir postar o texto que escrevi. Ainda tenho que digitá-lo) e não terei tempo de responder os comentários que prometi responder, acho. O que, por si só, já é bastante antipático. Mas sei que nem por isso vocês deixarão de comentar, se quiserem.



Ainda estou tossindo, mamãe está aqui, o tempo está passando muito rápido e temos zilhões de coisas a fazer, meus amigos me abandonaram :) mas não tem problema, a gente se encontra em março novamente.



Toda essa preparação para ir embora me estressa. Me cansa não poder criar minhas raízes em paz em lugar algum. E nunca pensei que sentiria saudade de Porto Alegre, ou melhor, do custo de vida mais barato de lá, das comidas e da proximidade com Gramado e Canela, isto é, com os Cafés Coloniais e restaurantes de Fondues. Minha saudade é puramente gastronômica.



Novamente escrevo não um post, mas uma notinha, só para avisar que eu estou vivíssima, embora tossindo feito uma condenada tuberculosa, credo!



Assim que puder, apareço por aqui com textos dignos de serem chamados de textos. Assim espero, assim espero.



A propósito, hoje Rod Stewart apareceu aqui na sala e me deixou mais tranquila, ao se declarar para mim, cantando, em minha homenagem:



"With each word your tenderness grows

tearing my fears apart

And that laugh that wrinkles your nose*

Touches my foolish heart



Yes your're lovely

Never ever change

Keep that breathless charm

Won't you please arrange it

Coz I love you

Just the way you look tonight"



* Isso lembra alguma coisa?





Depois de ganhar uma miniatura de Renew retroação da minha mãe e um elogio desses do Rod Stewart, meus problemas com a ruga (que está aqui, discretinha) acabaram. Posso celebrar the laugh that wrinkles my nose em paz :)

Thursday, December 16, 2004

Ponto-e-vírgula



Não pareceu despedida, na verdade tenho que tomar cuidado para não pegar o ônibus na terça-feira que vem e ir parar em laranjeiras, esperando uma nova aula. Cheguei atrasada, como sempre, e ela estava lá, dirigindo a cena. Um casal de colegas suava para conseguir exatamente o tom esperado em nossa peça, escrita por ela.



Quando cheguei aqui, no dia 14 de Setembro, o curso já havia começado. Confesso que cheguei a pensar em não ir, mas minha mãe me lembrou o quanto sempre quis essa oportunidade. Confesso (mais uma vez) que achava que o teatro era uma parte "superada" na minha vida, que na verdade eu deveria me concentrar na literatura e deixar o resto no passado. Ledo engano.



A arte é uma coisa só e suas manifestações se completam, sorte de quem - como eu - tem inclinação para praticamente todas as suas ramificações. Minha primeira peça encenei aos cinco anos, confraternização de fim-de-ano da escola, em um teatro de verdade, em um clube. A aceitação foi tão boa que tive que repetir o papel no ano seguinte. A Cigarra, de "A Cigarra e a Formiga".



Também aos cinco anos ganhei a máquina de escrever da minha mãe (na verdade ela nunca deixou de ser dela, mas eu sempre tive certeza de que era minha...risos...), escrever e atuar nasceram juntos e eu não sei por que imaginei que deveria optar por um dos dois.



Na primeira aula, fiz a leitura de "Motivo" de Cecília Meireles, poema do qual gosto bastante. Respirei fundo, nervosa, coração disparado, havia repetido mentalmente o texto e estava perfeito. Comecei a ler em voz alta:



"Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa

Não sou alegre nem sou triste,

sou poeta.



Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

No vento.



Se desmorono ou se edifico,

Se permaneço ou me desfaço,

não sei, não sei.

Não sei se fico ou passo.



Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

mais nada. "



Terminei o texto, espantada com minha própria capacidade de fazer uma interpretação tão ruim. Ela olhou para mim e disse, sem rodeios:

"Semana que vem você faz de novo porque eu não tenho nem o que dizer, ficou...nada. Ficou nada, sem expressão alguma."



Dei um sorrisinho sem graça, mas satisfeita, por pior que pareça, porque eu sabia que tinha ficado ruim e ela foi bem sincera, embora o meu julgamento tenha sido ainda mais duro.



Monah é uma daquelas pessoas que fala o que pensa, sem medo de ofender porque sabe o que deve ser dito. E só se ofende quem não tem desconfiômetro para enxergar os próprios erros, por favor!



Daí para diante, cada aula era uma nova descoberta, mas não apenas da arte de interpretar, o mais interessante era aprender nas entrelinhas, nos adendos que ela fazia, os comentários, as histórias que contava... e digo mais, ela é muito, mas muito mais jovem do que eu (o que, convenhamos, não é lá muito difícil). No começo eu ficava mais quieta, observando, aos poucos percebi que todo mundo se conhecia da primeira aula que não assisti, só eu estava me colocando como um ser alienígena. Aos poucos fui me mostrando mais.



Mas o que mais me interessava, além disso tudo, era descobrir o que raios eu ainda tinha a ver com o teatro. Tudo, eu digo. Hoje, ao final das apresentações ela me disse o que eu precisava ouvir: "Você ainda vai para o teatro". Disse que eu tenho um talento extraordinário e que tem certeza de que meu caminho é o teatro. Não a contradigo.



Fugi do teatro esses últimos anos, mas ele me persegue desde a infância, assim como a literatura. Para que evitar um deles? Se representar e escrever, no fundo, causam em mim a mesma sensação maravilhosa de virar a alma do avesso e ser várias, reviver experiências na alma, ainda que sejam diferentes da história contada. Porque quando a gente representa ou escreve, resgata sentimentos e situações vividas no passado, para construir a alma do personagem. E isso de se virar do avesso, acredite, é uma das sensações mais maravilhosas do mundo.



Da primeira impressão "ficou nada, sem expressão alguma" até a última, do "muito bom, ótimo, excelente, muito bom mesmo" foram onze semanas de muito trabalho e aprendizado contínuo. Conheci gente muito boa por lá também, meus colegas de curso. Mas foi tão rápido que fica aquela sensação de se querer conhecer mais profundamente aquela gente em quem se deu apenas uma pincelada, a gente mal passou da fase de deixar de ser estranho, uma pizza, algumas horas de conversa e muito ainda a se descobrir. Ao menos eu fiquei com uma vontade horrorosa de conhecer todo mundo, urgentemente.



Mergulhamos rápido em um universo novo para muita gente e ligeiramente conhecido para mim. Um universo do qual eu já me julgava distante há muito tempo, mas a voz da Monah hoje à tarde foi a voz do próprio teatro me chamando de volta. Acho que vou escutar.



Eu não acho que exista algo que eu faça que não me seja útil algum dia, tudo vale como experiência e toda a experiência é válida. Uma das melhores coisas da vida é aprender, crescer, evoluir, descobrir novos caminhos, para somar, sempre. Mas esse curso, além de uma experiência, é um marco. Não vou deixar a literatura, afinal de contas, eu ainda nem entrei nela, mas aprendo, neste momento a não fechar mais as portas para mim.



E Monah Delacy, uma atriz extraordinária, dona de muitos talentos, é uma das poucas atrizes de verdade que disponibilizam seu tempo e talento para ensinar, com vocação e vontade, àqueles seres assustadinhos, que mal sabem o que é teatro e o que estão fazendo ali. Paciência, dedicação, talento, vontade, pulso firme e desprendimento, sempre alertando para a importância da leitura no desenvolvimento do ator (e de qualquer pessoa). Nos sentimos realizados nessas semanas, descobrindo o prazer de atuar, tendo a oportunidade de conviver com essa pessoa maravilhosa, com uma história de vida impressionante e uma experiência profissional invejável.



Aparentemente dura, mas muito amável e doce, forte e frágil, alegre e ligeiramente melancólica, Monah não tem contradições em si, mas sim uma intensa carga dramática de quem se assume mulher de verdade, com todas as nuances que um ser humano pode ter. Gostaria de ter tido tempo de conhecê-la mais, corro o sério risco de exagerar em algumas coisas e inventar outras ao descrevê-la porque ela é uma pessoa tão interessante e tão complexa, se esconde tão bem atrás de seus olhos, que qualquer tentativa de definí-la pode ser extremamente equivocada. Mas de uma coisa tenho certeza: é, sim, uma mulher extraordinária e uma atriz incrível. Quando ia nos explicar o que queria entrando em nossas improvisações, interpretando algum de nossos personagens, arrancava aplausos sinceros de uma turma absolutamente boquiaberta com sua atuação.



Para quem se interessa pela área e busca um desafio, descobrir seu potencial, vai o endereço da CAL (Casa de Artes de Laranjeiras): http://www.cal.com.br/cursos/paralelos.htm. Novas turmas serão admitidas para o próximo ano, mês que vem para os cursos de verão e depois para os cursos paralelos e regulares. O nosso foi "Introdução ao Teatro", aliás, título do livro da Monah, indispensável para quem quer conhecer um pouco mais dessa arte tão negligenciada em nosso país.



Agora, ponto. Certificado nas mãos, e-mails anotados, fotos entregues à Monah (que recusa-se a ser chamada de "professora"), fica um ligeiro vazio a se preencher nas tardes de terça-feira. Hoje, quinta, aula extra, última aula. Percebo que não nos despedimos, os alunos, e não choramingamos "última aula" entre nós ou com a Monah. Talvez porque haja em mim a certeza de voltar a ver todos eles, talvez porque saibamos das piruetas que a vida costuma dar e que - sem dúvida alguma - voltaremos a nos encontrar. Eu, eles, ela e o teatro.



Ponto não, ponto-e-vírgula.













Sunday, December 12, 2004

Sinal de Vida



Olha só. Sempre acho que incomodo todo mundo, sempre. Acho que o universo inteiro se incomoda com a minha presença, mas não faço a mínima questão de fugir para que o planeta se sinta à vontade. Acostumem-se a mim, terráqueos.



Eu não tenho muito a contar. Os dias passam rápido e aproxima-se o momento da partida. Estou ligeiramente gripada. Já alugamos novo apartamento, por dois meses, mobiliado, no prédio onde morava o Olívio Dutra, dizem. Ao lado, um mini-shopping. Perto da casa dos meus sogros, muito providencial.



Fim de ano combinado em família, férias sem destino certo, retorno em fevereiro e planos que têm pressa. Neste momento, neste mesmo, dez para as onze da noite, eu só penso em descansar. Deitar no colchão de ar que colocamos no centro da sala, acampados que estamos, bem felizes, enquanto mamãe dorme no quarto. Posso dizer que minhas pernas e costas doem, resultado da longa caminhada de hoje e ontem.



Identificando alguns monstros aqui dentro de mim dos quais preciso me livrar. Estou sempre tomando decisões e aparando arestas. Talvez agora, cansada, garganta estranha, corpo meio ruim de gripe, eu devesse ficar na minha, deitada, esquecer o computador. Está mesmo me irritando o barulhinho das teclinhas "tlec, tlec, tlec, tlec..."



Começo a ficar chata, impaciente, irritada. Melhor mesmo fechar tudo e ir dormir. Antes que seja tarde.

Thursday, December 09, 2004

Ainda sobre marcas



Era uma ruga oportunista. ocorre que ela me incomodou, visivelmente instalada, até eu resolver escrever e publicar o texto anterior. Aí parei de fazer a careta que a reforçava e ela sumiu. Sim, desapareceu. Para me desmoralizar diante daqueles que leram a crônica e fazer com que eu parecesse uma idiota exagerada.



Pois bem, não foi uma alucinação, ela estava aqui, leu o texto e resolveu passear para voltar daqui a alguns anos, o que me leva a crer que a dona ruga entendeu o que escrevi. Não tenho nada contra ela, desde que tenha uma razão para aparecer.



Por exemplo, eu tenho uma cicatriz nas costas. Uns quarenta e cinco pontos que vão da lateral, junto ao seio esquerdo, até o meio das costas, resultado de uma cirurgia cardíaca, de PCA, para fechar o canal arterial, feita quando eu tinha quatro anos.



Lembro das minhas costas sem nenhuma marca e de quando vi pela primeira vez a cicatriz, que na época ia de um lado a outro das costas.Além dela, uma outra bem menor mais abaixo, uns três pontos, onde foi colocado o dreno no pulmão (eu já estava com hipertensão pulmonar).



A grande virou quelóide e chamava atenção nas aulas de natação ou quando eu estava de blusa regata. Ouvi a vida inteira histórias do médico fulano, que consertava cicatrizes, do remédio que diminuía o tamanho de quelóides, do tratamento que fazia qualquer marca praticamente desaparecer. Nunca me interessei.



Me adaptei rápido e gosto demais dela, porque é um registro histórico, de uma certa forma. Tenho também mais cinco pontos na base da perna direita, do cateterismo que fiz algum tempo antes da cirurgia para olhar com mais clareza o tal canal que ligava a artéria aorta à pulmonar. Também gosto dela.



As outras duas cicatrizes que tenho são imperceptíveis (sim, eu sou praticamente o Frankstein), cinco pontos no alto da cabeça, de um álbum de casamento que uma "amiga" deixou cair em mim e mais cinco atrás da orelha esquerda, resultado de um tombo no banheiro aos oito anos. Convivo pacificamente com todas e não tiraria nenhuma delas porque têm uma história.



As marcas de catapora no corpo também contam com minha simpatia, inclusive as do rosto, duas bem no meio da testa e uma na bochecha, do lado esquerdo. Ah, e tem a que atrapalha o começo da sobrancelha direita, também. As mulheres adoram reparar nelas como se eu as considerasse um defeito.



Não são defeitos, são marcas, registros. Tenho algumas linhas na testa, que ganhei aos 13 anos, resultado de uma superexposição ao sol que me trouxe uma insolação horrenda.



A preocupação com o risco horizontal estava longe de ser estética. E estava longe também de ser realmente séria. Não vou me incomodar com as rugas se elas chegarem junto com o tempo, a experiência, vivência, histórias... Porque marcas são registros do que se passou, quase tatuagens naturais.



A gente se cuida, come bem, não fuma, evita sol, passa cremes, mas as verdadeiras marcas do tempo aparecerão. Que venham as rugas, mas eu também quero a idade.





Tuesday, December 07, 2004

A Ruga





Hoje encontrei uma nova ruga. Nova sim, porque tenho outras, mais antigas. Fruto de um charminho ignorante, que me traz vincos e marcas completamente dispensáveis. Faço muita careta e costumo franzir a testa (rugas antigas) e o nariz (a nova ruga), além da mania insuportável de morder os lábios que já me trouxe algumas aftas.



Alguém vai me dizer (como todo mundo me diz) que isso não é ruga e sim marca de expressão. Ora bolas, rugas de expressão também são rugas. Aliás, praticamente todas as rugas são de expressão. Encontre um velhinho bem velhinho na rua e tente catalogar rugas de expressão e de não-expressão. Me desculpe, rugas são todas iguais.



O que se espera de alguém que tem um sulco horizontal profundo entre os olhos aos vinte e quatro anos de idade? Preciso, urgentemente, de um anti-rugas potente ou acabarei colocando botox antes dos 25.



Tem um risco hotizontal entre meus olhos. Marca de minhas caretas de alegria, de espanto, de tristeza, de nojo, de desprezo, de fofura, de monstruosidade...eu franzo o nariz para tudo, sem sequer perceber. É o vinco mais idiota que alguém poderia ter.



Não faz muito tempo que tenho essa mania imbecil, mas ela me persegue e deixa marcas. Ando com uma cara de nada absoluto, sem grandes expressões da ponta do nariz para cima para ver se consigo resolver parte do problema e vou, sim, vou providenciar um Renew, um Age-Reverse, um Chronos, qualquer creme anti-risquinhos faciais que realmente funcione.



Mas para quê? Eu sei, um dia estarei com o rosto cheio de rugas, com a cara pior do que uma uva-passa de tão enrugada, é inevitável para quem pretende viver até os cento e vinte anos. Mas isso demanda tempo, vivência, experiências, anos e anos e anos e anos...filhos (dão rugas), trabalho (alto potencial enrugante) e eu não tenho nada disso ainda.



É uma ruga oportunista, sem razão de existir, inútil e mentirosa, simplesmente não posso aceitá-la. Ao mesmo tempo, sei que tenho que me preparar. Me preparar para as primeiras rugas de verdade, com motivo, por anos passados, trabalho, experiência, vivência e filhos, quatro filhos que quero ter (sim, aumentamos um. O terceiro estava se sentindo muito sozinho).



Preparada também para o primeiro fio de cabelo branco que espero que demore para aparecer (uma das irmãs da minha mãe teve o primeiro fio de cabelo branco aos 49 anos. Em contrapartida, minha mãe e minha irmã tiveram o primeiro fio despigmentado antes dos vinte). Eu tinjo os cabelos por hobby, ainda não por necessidade, tanto que fico dois, três, quatro meses sem pintar, às vezes.



Vamos explicar às rugas que as coisas têm uma certa ordem: primeiro a experiência, depois as marcas. Alguém pode argumentar que a linha é tão fininha que mal se vê. Mas é assim que começa.



Todas as coisas grandes já foram pequenas algum dia (nossa, que profundo). Ou você acha que rugas absurdas e sulcos monstruosos surgem da noite para o dia, já daquele tamanho? É assim, sem que se perceba. Linhazinha por linhazinha, até transformar-se em uma imensa teia de papel amassado.



O tempo vem e me avisa em tênues linhas que já tenho quase vinte e cinco anos e não posso mais fazer caretas adolescentes impunemente. Vem e me avisa em discretas modificações em meu corpo e em minha mente que tudo está mudando.



Olho no espelho à procura de algo que justifique aquelas marcas, mas sinceramente, não encontro. E hoje, olhando uns potinhos de creme anti-rugas, fui abordada por uma vendedora (ah, as vendedoras...ô raça que me detesta!) que perguntou se eu queria ajuda. Respondi que não, estava apenas olhando.



Ela perguntou se era para mim. Pensei em responder: "você realmente acha que eu preciso disso?" Mas tive medo da resposta. Agradeci a preocupação, mas disse que estava apenas olhando, ela (que deveria ser surda) me disse que eu não poderia usar aquele creme porque a linha era para pessoas acima de trinta.



Só daqui a cinco anos, quando essa linha estiver acompanhada por mais vinte linhas é que poderei lançar mão da linha de cremes anti-linhas daquela bendita marca. Só o que me faltava. Se eu usar uma quantidade ínfima do tal creme exatamente em cima da ruga, automaticamente o cosmético identificará a idade da consumidora, fazendo soar um alarme: "Bip! Bip! Biiip! Alerta, alerta, pele de vinte e quatro anos de idade!!!" E então descolará toda a epiderme, fazendo parte da minha cara esfarelar-se automaticamente.



E as rugas na alma? As marcas que ficam na gente antes do tempo, lembranças perdidas em uma mente tão jovem. Não se pode reclamar delas antes dos trinta, a gente tem que fingir que a pele está lisa, que a alma está fresca, que a mente está em branco como uma folha de papel recém tirada do pacote. Depois dos trinta, você tem o direito de reclamar, mas vai ouvir alguém dizer: "Por que não cuidou disso antes?"

O mundo tem senso de humor.







PS: Meus leitores são mimados. Sim, eu os acostumei mal. Dia desses foi a Blanda, agora é o Claudio que sente-se desprezado porque não respondi seu comentário. Me desculpe, deixei de responder uma porção deles, mas prometo colocar tudo em dia, o mais rápido possível. Por favor, que ninguém leve para o lado pessoal. Adoro responder comentários, mas realmente não tive tempo de fazer todos. Quem mandou mimá-los? Agora que já estão estragadinhos, não dá mais para consertar, não é mesmo? :)



Sunday, December 05, 2004

Fotossíntese e anotações rápidas



Comentei, no post anterior, sobre a teoria do Dave. Ele diz que quando o sol não aparece, eu fico nublada. Acho que eu devo fazer alguma espécie de fotossíntese emocional então, que precisa de bastante sol, um tanto de água e alguma quantidade de amor ao meu redor.



Ontem e hoje - devo dizer - fiz bastante fotossíntese, estou até meio verde, de tão feliz :) Aproveitei para guardar um pouco de energia para o caso de algum dia nublado aparecer por aí.



Bem, temos mais exatos dezenove dias por aqui até encerrar a primeira etapa do curso. Voltamos no finalzinho de fevereiro. Não vou falar em partida ou saudade porque certamente terei muito tempo para isso na última semana. Mamãe chega aqui no sábado e devemos matar a saudade e aproveitar a cidade.



Ei, mais uma amiga e vizinha virtual lançando livro: é a Patrícia Daltro, lançando o infantil Resgate em Cretácea. Pense bem nas criancinhas que você tem em casa ou conhece por aí...quer presente melhor do que um livro (que ainda vem com CD com histórias e jogos dos dinossaurinhos)? Ainda mais escrito por alguém de tanto talento quanto a Patrícia.



Bem, eu não tenho nenhuma criança por perto, mas vou comprar, mesmo assim. Fazer um acervo dos livros dos amigos...caramba, agora eu tenho que começar a ganhar algum dinheiro para não ir à falência com tanta gente lançando livro bom por aí...risos...



Daqui a pouco eu volto com um texto decente. Por enquanto, só essas anotaçõezinhas, para matar a saudade. Vou descansar um pouquinho. Domingo preguiçoso, mas tenho tanta coisa para atualizar, tanta vontade incontrolável de escrever...



Ainda hoje.

Alguns Comentários



"depois de duas ou três menções no blog da laly, eu vim parar aqui e... li esse blog, e o antigo, de cabo a rabo. não por pura curiosidade ou enxerimento, mas porque não conseguia parar. devorei como um livro, atenta a todos os detalhes. e vou dormir às 3 da manhã, satisfeita.



parabéns, moça. "

hel

Hel, agradeço, feliz por você ter gostado dos textos e espero conseguir manter sempre o mesmo ritmo, que me agrada e faz com que as pessoas aparentemente leiam com prazer. Afinal de contas, não há nada melhor do que uma leitura prazerosa. Feliz fico em saber que consigo fazer essa coisa :) Seja bem-vinda e volte sempre!

Beijos




"Van? Sò hj vi seu coment no meu blog... É otimo ter noticias suas, confesso q o lance de "casada" me assustou um pouco, é difícil te assimilar adulta, como é difícil "Me" assimilar adulta..rs



Adorei seus textos, e a galera de quem vc fala e indica...puxa, me sinto a maior amadora, c os textos rápidos q coloco lá no meu humilde bloguinho de vez em quando...mas confesso que tá me dando voltade de tentar levar aquilo mais á serio, o q n é garantia de q eu vá conseguir...rs



Mas, volte sempre,preciso de inspirações como vc para n desisitir de escrever por mais q sinta q temho MT trabalho pela frente para ser ao menos razoável...



Ah...me formo este ano na UFMS.Finalmente. e me diga: onde vc tá morando heim??

BJOS "

Bia

Rúbia, adulta eu não sou, mas já cresci o suficiente para casar...risos... Quanto ao blog, bem, eu acho um exercício legal e tem sido bastante agradável, inclusive para conhecer gente com quem eu tenho afinidade.



Acho legal e recomendo. Escrever é sempre bom, para mim é uma atividade indispensável, inclusive para o crescimento pessoal, para entender melhor quem sou, o que penso, o que quero. Ainda que às vezes não chegue a nenhuma conclusão definitiva...risos... Inclusive para aprimorar o texto, ter uma certa periodicidade no blog é imprescindível.



Há dois princípios básicos para se escrever bem: ler muito e escrever sempre. Ou ler sempre e escrever muito, tanto faz. E você já vai se formar? Como o tempo passa rápido, não?...Sobreviveu ao jornalismo na UFMS...risos...



Quanto a onde estou morando, como você não viu? Bem, eu moro em Porto Alegre, mas estou morando atualmente no Rio de Janeiro, até metade do ano que vem, com um intervalo de dois meses no início do ano. É isso. Beijos!



"Pôxa!!

E que veia literária, hã?

Não bastasse ser azul, é profunda.

beijo grande "

Claudia

:) Ei, Claudia, se é profunda, não sei, mas que anda muito alegrinha ultimamente, isso anda. :) Valeu!

Beijos!




"Eae Van, blz? c deve estar estranhando d eu escrever só agora e do nada... mas é pq só comecei a usar mesmo o Orkut essa semana e via a tua mensagem lá... cara, curti muito o teu blog, excelente escritora, diga-se de passagem. Não sabia que você agora são dois e não uma só! Parabéns! Que Deus abençoe o casamento de vocês e prospere as bênçãos dEle! Mas, ond cs tão morando? CG mesmo? Bom, depois a gente se fala com mais calma, um abraço. "

Evandro Salgado


Evandro, bom te ver por aqui! :) Obrigada pelo "excelente escritora", viu? De resto, casamos há cinco meses e estamos morando no Rio de Janeiro até o meio do ano que vem (isso não está no profile do Orkut?) quando voltaremos ao lar, Porto Alegre. Mudei de Campo Grande há um ano, em dezembro de 2003, estava em Porto Alegre e estamos no Rio desde Setembro. Parece meio confuso, mas aos poucos dá para entender..risos...



Grande abraço!



"Conta uma velha lenda afegã que a libélula, quando esmigalhada, renasce cheia de vigor, como outra libélula esmigalhada. Cheia de veias.

Beijo "

cat


Hehehe...Cat, pensando bem, libélulas não têm veias. Isso é estranho. Mas se você diz...bem, se você diz que é assim, eu acredito. E torço para que o pequeno inseto esmigalhado tenha as tais veias. Ou ao menos uma, a que importa :) Beijos!



"Hehehehe... eu realmente adorei a imagem que você pintou da sua veia literária. Antipática nada, eu a achei absolutamente adorável. :) Beijos, e não esqueça da sua fotossíntese hoje :) "

Laly

Laly, vou escrever sobre isso (a fotossíntese). Mas eu achei a veia que descrevi realmente pouco simpática, afinal de contas ela nem levantou os olhos do livro que estava lendo para me cumprimentar enquanto eu a construía em minha mente. Isso é feio, não é? Beijos!



"que agradável!!

Bom saber que alguém tão simpatica inaugurou nossos comentarios. Pra tranquilizar, digo que não desistimos do blog não, pelo contrario, ele está apenas começando.

Não sei como vc chegou lá, mas será sempre bem-vinda.

beijo "

Carol

Carol, cheguei ao blog através do fotolog da Hel. Obrigada pelo simpática :) Eu percebi que o blog está apenas começando, mas me antecipei pedindo que não desistam dele, já que ao que pude notar, algumas são reincidentes nesse negócio de blog. Espero que tenham paciência :) Estarei sempre por lá.

Beijos!



"adorei !!!!!!!!!! "

Dani

Obrigada, Dani. :)



"(Indiscretas observações sobre uma veia literária)

Antipática? Sim.

Profunda? Talvez.

Surpreendente? Decididamente, não. :P



Já reparou que se autodefende em quase todos os parágrafos? Não deixa espaços para qualquer tipo de crítica, a não ser os elogios óbvios...

Bem, só quando você terminar de escrever o seu livro (e eu, de lê-lo) é que terei condições de julgar que tipo de veia bailarina é a sua.Até lá,ma amie... bonne chance! "



Alexia.(a véia rabugenta)

Alexia, não reparei, não. Aliás, discordo de você, obviamente. Tanto deixo espaço para críticas que você acaba de fazer uma. E não se sinta uma intrépida revolucionária por isso porque não é a primeira, nem a única e certamente não será a última a tecer um comentário crítico ou desfavorável ou a recusar-se a fazer elogios óbvios (o que são elogios obvios? Agradeço, se acha algum elogio óbvio)..risos...



Aliás, eu tenho um problema gravíssimo. Antes que alguém me critique, eu mesma já me critiquei. Tudo o que alguém possa dizer contra mim ou sobre mim, minha personalidade, meu aspecto físico e meu trabalho, eu já disse antes. Nada é novidade, é só pesquisar. E até o que ninguém jamais disse, eu já disse.



Talvez por isso quem acompanha esse blog sinta-se pouco motivado a criticar, a menos que seja para espezinhar, especialidade de um ou outro espírito de porco. Não me critico para que não me critiquem, mas porque sou extremamente autocrítica e só agora começo a me convencer de alguns "elogios óbvios" como, por exemplo, que escrevo bem.



Não posso fazer nada, não vou mentir e dizer que sou o máximo quando sei que não sou, nem que eu sou um nada amassado quando sei que também não sou.



A parte da veia literária, o texto que abre o post anterior (você deve ter percebido que são dois textos, não?), é uma resposta a uma afirmação que me fizeram em off. Me disseram que sou paranóica e que tenho muita imaginação, como crítica. Minha resposta é dizer que a utilidade da minha imaginação supera seus possíveis efeitos nocivos.



Mas falando a sério sobre a minha "veia literária", se é que você quer mesmo julgar alguma coisa, não precisa esperar para ler meus livros, já que eles serão apenas continuidade do que eu faço aqui. Meu estilo é o mesmo, o cérebro é o mesmo, o ritmo é o mesmo, o humor é o mesmo.



Já publiquei contos aqui e as crônicas e textos inúteis podem te mostrar se a tal veia literária da moça que vos escreve presta ou não presta. Você deve gostar, a julgar pelo selo que criou para o Another Monster em sua página de links, junto com tantos blogs bons, né? :)



Então fique tranquila. Nem eu estou interessada em julgamentos ou ameaças de, nem você deve estar interessada em esperar para saber se escrevo decentemente ou não. Então estamos quites.



Se eu gosto do que escrevo e você gosta do que lê quando vem aqui, já pode preparar suas finanças para adquirir um exemplar do meu primeiro (e do segundo, do terceiro, do quarto e assim sucessivamente) livro não para "Julgar que tipo de veia bailarina" eu tenho, mas satisfeita, sabendo que terá literatura de qualidade em suas mãos (A menos que você não goste do que escrevo, então já saiba que o livro vai ser a mesma porcaria).

Grande abraço!



"Veias literárias? Definitivamente eu não tenho (se tiver ainda não apareceram). É incrível como eu me pareço com você( de acordo com suas descrições), Você é capricorniana? Nunca fui de acreditar em signos, mas dizem que capricorniano é assim, nunca dá o braço a torcer! Eu sou assim!



Poliana e seu "jogo do contente"? Ninguém merece! Quando eu era menos minha mãe quase que me forçou a ler, sério, deve vir daí minha antipatia por este livro! Esses dias um amigo me indicou Fernão Capelo Gaivota, achei muito bom que acabei lendo 2 vezes em um dia... Depois disse todo mundo me disse que já havia lido! Pq sou sempre a última?!



Paciencia, um dia minha veia literária vai florir e eu terei mais tempo para aproveitá-la!



Beijos e Bom Fim de Semana!

Obs. "Se não é possível mudar o mundo, mudemos então o que está a nosso alcance e que nos é possível mudar. Se a gente não consegue sozinho, vamos procurar gente que pense parecido e unir forças. Sozinho a gente pode mudar nossa forma de ver as coisas. E isso, eu asseguro, já é um bom (e grande) começo."



MUITO BOM! "

Aranël

Hehehehe...Aranël, eu não sou capricorniana, pode continuar não acreditando em signos, que eu também não acredito...risos... A veia literária eu tenho desde sempre, mas nem sempre ela funciona muito bem. :)



E eu devo confessar, minha mãe também me obrigou a ler Pollyanna (urgh) e Pollyanna Moça. Só há pouco tempo, acho que ano passado, descobri que ela nunca leu nenhum dos dois livros!!!...hahaha... sacanagem.



Parece o lance das beterrabas. Ela me obrigava a comer beterraba, dizia que eu ficaria com as bochechas cor-de-rosa e os lábios vermelhos (o que- diga-se de passagem- nunca aconteceu). Eu odiava, até que, pela insistência, acabei gostando (hoje sou fã de beterraba).



Há alguns pouquíssimos anos é que descobri que ela simplesmente detesta beterraba. E eu era tão distraída que nunca notei que ela não comia beterraba...



Quanto ao Fernão Capelo Gaivota, fique feliz, você não é a última. Eu também não li, nem nunca tinha ouvido falar. Acabei de saber que é um best-seller, fenômeno de vendas e tudo o mais... tudo bem, releve, eu passei vinte e dois anos da minha vida sem perceber que minha mãe não comia beterraba.



Pareceu interessante, mas acabo de ler um comentário de alguém que leu o livro: "Esse livro vai mudar a sua vida!!" Estranhamente, li a mesma coisa sobre a Pollyanna. Bem, acho que por melhor que seja, não vou ler. Minha via está muito boa, não quero nada que a mude, não...risos...



Falando em comentários, alguns incríveis sobre a Pollyanna:



"Nao sei o que seria da minha vida se não tivesse aprendido o jogo do contente"(Maria Isabel do Vale)



"pollyanna e pollyana moça são meus livros preferidos e me ajudam muito adoro esses dois livros já li umas mil vezes." (elizane)




"Tenho 35 anos hoje, e não mudei minha maneira de pensar desde os 13, quando ganhei de minha mãe os livros de poliana. Hoje minha filha completou 13 anos e fiz questão de dar á (sic) ela os livros de Poliana,pois quero que ela cresça entendendo bem o que é viver a vida toda sem perder o otimismo e os valores maiores da vida,que é (sic de novo) o amor e a alegria,mesmo nos momentos mais tristes." (Selma)

"Apesar de me chamar Poliana, não era tão parecida com ela, até ler o livro, que decididamente mudou a minha vida e a forma de ver o mundo e os problemas existente (sic). Li com 13 anos, tenho 28 e até hoje continuo vendo o mundo com outros olhos." (Poliana Pinheiro)



E o mais revelador de todos:




"Eu acho que só pessoas insensíveis são capazes de ficar indiferente a uma leitura dessa (sic várias vezes). A história é muito bem elaborada e nos faz repensar sobre o nosso conceito de viver... " (Juliana)



Aranël, Aranël, sua insensível...risos....



PS: Mas devemos levar em consideração que o troço foi escrito em 1913 (Pollyanna Moça foi escrito dois anos depois), obviamente não nos parece mais tão verossímil. Talvez, há noventa anos, fosse (embora os leitores acima citados sejam jovens do século XXI).




Beijos!!





Thursday, December 02, 2004

Antipatia, Intolerância e a Beleza da Vida



Graças dou aos céus pela minha imensa imaginação. Às vezes acerto, outras erro, mas é o que me faz escrever decentemente, a culpada por eu ter nascido com essa veia literária.



A propósito, diz a lenda que quando eu nasci era tão branca, mas tão branca, que dava para ver praticamente todas as veias e seguir o sistema circulatório inteiro a olho nu. Dizem que uma dessas veias era literária.



Mas literária mesmo, daquelas cheias de letrinhas, de óculos de grau, segurando um livro enorme, antipática. Minha veia literária é antipática. :)



Deu para perceber?







Tentei, em vão, substituir o texto deprê anterior por outro, mais condizente com minhas condições atuais. Não pude, por pura falta de tempo. Saímos na segunda, voltamos uma hora da manhã, morrendo de sono.



Faço um curso na terça, acordei, peguei o ônibus e, na volta, mais do que cansada, comi e despenquei na cama, muito mais cedo que o habitual. Ontem também saí o dia inteiro e cheguei meia-noite, falei com minha mãe ao telefone e dormi, novamente.



Sobre o texto anterior, Dave tem uma teoria. Ele diz que quando o sol não aparece eu fico nublada. Faz sentido.



Ontem, naquelas longas conversas que temos antes de dormir, Dave me falou sobre a minha intolerância. E não apenas isso, sobre minha teimosia. Ele é uma pessoa que admite quando o outro está certo e dá o braço a torcer. Diz a lenda que eu não sou assim. Sinceramente, sou sim.



Tudo bem, não gosto de "perder discussões", mas há muito tempo não sou aquela guria chata que faz questão de assuntos polêmicos, polemiza ainda mais, só para testar sua capacidade de argumentação. Minha fase de auto-afirmação já passou há tempos. Mas a lenda sobrevive.



A gente vai ficando mais velho e percebe que tem mais o que fazer do que ficar brigando com os outros (ainda que não haja assim taaanta coisa melhor a se fazer), cansa. Mas a lenda...ah, a lenda!



Sim, eu sou teimosa, sim detesto dar o braço a torcer (digamos que eu faça isso- alongar a conversa para não dar o braço a torcer- apenas com ele hoje em dia. O moço foi premiado :) ), quase nunca as pessoas estão mais certas do que eu, mas eu assumo e até mostro a língua, em sinal de protesto, quando estão. E veja só, eu incluí o "quase", deixando margem para assumir meus erros, quem é perfeito em todas as suas opiniões?



De resto, resolvi assumir, afinal de contas, que não sou uma pessoa ruim, por mais chato que isso possa parecer. Me pego, subitamente, preocupada com gente que pouco conheço, já me sentindo amiga de infância, torcendo para que todo mundo seja muito feliz e me dando conta, também subitamente, que só tenho conhecido gente legal.



Daqui a pouco começo a espalhar coraçõezinhos pelo template, dizendo que a vida é bela e trocando meu nome para Pollyanna Stella Lampert. A propósito, continuo achando Pollyanna uma chata de galochas. Li "Pollyanna" e "Pollyanna Moça", sei do que estou falando. A garota era um porre, não gosto de ser comparada a ela.



Mas não há nada de terrível em admitir que a vida tem coisas bonitas, que as situações têm seu lado bom e que olhar por outro ângulo geralmente nos dá uma visão completamente diferente do problema. Olhar para frente e ver o tempo não como um inimigo que arrasta e aumenta nossas desgraças, mas como uma oportunidade de fazer qualquer coisa, de tentar mudar, melhorar, etc.



O problema é que a gente leva essa vida a sério demais e isso é uma bobagem. Porque tudo passa muito rápido, muda de repente, acaba sem aviso prévio. Então o importante é tentar, dê certo ou não, arriscar, buscar ser feliz e valorizar as coisas legais que aparecem no caminho.



O mais importante, por mais brega que essa afirmação possa parecer, o mais importante na vida é o amor. As pessoas que nos amam (não falo de apenas um tipo de amor), a quem amamos, o sentimento raro (sim, raro) de ter alguém que se importa, de ter um olhar em sua direção, torcendo para que tudo fique bem.



Eu me sinto na obrigação de fazer com que tudo fique bem, ao menos dentro de mim, para acalmar e recompensar esse olhar. Isso não me tortura, motiva.



Porque a vida, por mais longa que seja, é curta demais. E é uma viagem única, elástica, as coisas não são estáticas e eu acredito que com determinação, certeza do que se quer e trabalho árduo, a gente pode mudar o que for.



Não acredito que mudemos o mundo porque ele é grande e confuso demais para isso, mas existe um velho pensamento judeu que conta de um menino que queria mudar o mundo, mas percebeu que ele era muito grande para que ele conseguisse mudar sozinho, depois quis mudar o país, mas viu que também era muito grande, quis mudar a cidade, mas ela também era muito grande, quis mudar sua comunidade, mas ela também era grande demais. Então decidiu mudar a si mesmo e assim mudou a comunidade, a cidade, o país e o mundo. Ok, isso está parecendo papo de auto-ajuda, mas não é.



Se não é possível mudar o mundo, mudemos então o que está a nosso alcance e que nos é possível mudar. Se a gente não consegue sozinho, vamos procurar gente que pense parecido e unir forças. Sozinho a gente pode mudar nossa forma de ver as coisas. E isso, eu asseguro, já é um bom (e grande) começo.