Sunday, March 26, 2006

Um ano



Há exatamente um ano nossos filhotes vieram morar conosco. Ricota e Tiggy, respectivamente. Incrível pensar que faz tanto tempo assim. O tempo passa, queridos, passa mesmo. E as crianças crescem em uma velocidade espantosa.

Jamais pensei que sentiria falta daqueles pequenininhos bagunceiros, que não paravam quietos. Quer dizer, o Tiggy não mudou lá muita coisa, mas a Ricota está muito mais quietinha do que costumava ser. Enfim, a vida continua.

Sei que ultimamente posts sobre gatos têm sido frequentes, mas que culpa tenho se eles fazem parte da minha vida? Na verdade, tenho culpa sim...risos... Gatos são criaturas extraordinárias e eu simplesmente não saberia viver sem tê-los por perto. Amizade, amor, carinho e companheirismo, coisas que os seres humanos deveriam aprender a cultivar e que é tão natural em nossos gatos e cachorros.

Até gosto de cachorros, mas me identifico muito mais com o ritmo felino. Se bem que tudo depende do indivíduo, não necessariamente da espécie. Não faz o menor sentido comparar gatos e cachorros, como disse a Jussara, nos comments da Cora:

"Eu acho a cor verde muito mais bonita do que a bicicleta; eu acho a geladeira muito mais inteligente do que o sofá; eu acho o carro muito mais rápido do que o fogão...

Não, gente, eu não fiquei maluca. Só acho que algumas coisas não se comparam. Tipo cão e gato, entendem?

Jussara"

Assunto encerrado.

E eles são nossos bebês, dão trabalho e alegrias, se muda o tempo, temos que levar algum deles ao médico porque ficou com febre ou começou a espirrar. Aprendem brincadeiras novas e a gente se diverte, sobem em nosso colo e nos dão um abraço gostoso quando estamos chateados. Ter sensibilidade para se comunicar com esses seres especiais é realmente recompensador.

Agora compare as fotos. O Tiggy nem se deu ao trabalho de mudar de posição nesses doze meses...risos...e a Ricota, na foto, parece bem maior do que realmente está...risos...

Um gato castrado, bem tratado e sem acesso à rua pode durar de quinze a vinte e quatro anos, embora eu já tenha conhecido um de trinta e três. Então, Ricota com um ano e dois meses e Tiggy com um ano e três meses nos deram apenas uma amostra de tudo de maravilhoso o que ainda vamos viver nas próximas duas décadas com nossas crianças. Amém!

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Friday, March 24, 2006


Esse texto foi baseado em um e-mail endereçado a uma grande amiga minha, que na época sugeriu que eu o transferisse à Paradoxo. Com um certo atraso, segui o conselho e publiquei, há três dias (na quarta, finally), com algumas alterações.

Tirado daqui: Sala de Estar



A incansável busca por um emprego

Carta de uma desempregada sem a menor qualificação para coisa alguma

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre

Estou enlouquecida aqui atrás de emprego, mandando meu pobre currículo (pobre em todos os sentidos) para todo mundo. O chato é que em todo lugar aonde vou dão preferência a quem tem experiência comprovada. Não adianta nem dizer que um dia peguei uma cesta e saí para vender balinhas na rua por três meses. Se não posso provar, não conta. Você não precisa ter cérebro, tem que ter experiência.

Aí esbarro no problema número dois: não posso pleitear qualquer vaga. As recrutadoras (e recrutadores) olham torto para mim por causa da minha aparência, dependendo da vaga. Porque eu não tenho cara de quem está precisando de emprego desesperadamente. Mais ou menos como quando eu fui atrás de uma vaga de caixa do Carrefour e o cara me disse que nem ia pegar meu currículo porque eu era bonita demais para o cargo. Tá, eu não sabia que um dos pré-requisitos para ser caixa de supermercado era ser não-bonita. Feia demais acho que eles também não contratam, então você tem de estar naquela faixa central de nem-feia-nem-bonita para conseguir esse grande emprego.

O problema é que para pessoas sem curso superior não existe muita opção. Ao menos não opções que precisem de cérebro. Então me candidato a serviços mais braçais do que intelectuais. Agora, resignada, decidi procurar trabalho temporário como promotora de eventos, recepcionista de eventos ou degustadora em supermercados. Não ria, eu adoraria ter alguma experiência como degustadora, esse negócio de servir coisinhas minúsculas a pessoas que não estão minimamente interessadas naquelas coisinhas minúsculas e fazer com que elas se interessem, seria legal. Não por toda a minha vida, obviamente, mas como algo temporariamente temporário não me importo.

Mas acho que esbarro em outro problema: não tenho a bendita experiência como degustadora (sim, eles pedem) e nem devo ser bonita o suficiente para recepcionista de eventos, você sabe, aqui em Porto Alegre, estranhamente, está cheio de gaúchas. Meninas altas, bonitas, de narizinho afilado, carinha arrumadinha e cabelo liso. Eu tenho uma cara estranha. Bonita demais para caixa do Carrefour, esquisita demais para recepcionista de eventos, inteligente demais para balconista de doceria (me disseram isso, com outras palavras) e com formação de menos para atividades mais intelectuais, eu estou em um limbo. Que venham os concursos, porque ali, pelo menos, ninguém escolhe pela aparência (ou currículo).

[22/03/2006]

Thursday, March 16, 2006

A regra é a seguinte: todos os móveis desta casa têm de combinar com o gato. :)



Juro que não foi de propósito, é assim, naturalmente. Ganhamos o tapete e ele veio nas cores do gato. Não tem nada que não combine com as cores do gato na sala, parece até torcedor fanático de time de futebol, decorando toda a sala com as cores do time do coração.

A Ricota, minha micro-cat tem cores neutras. É mais escura, mas tem pêlos dourados, castanhos, pretos, brancos e listrados. É, ela tem pelos listrados. Muito estranho, pelinhos zebrados. Não sabia que era assim. Enfim, a sala também combina com ela.

A foto saiu borrada. Quer dizer, eu saí desfocada na foto, mas a Ricota ficou ótima, o que me moveu a publicar a foto aqui e no Orkut. Momento raro, a Ricota parada em uma foto:


Aqui a prova de que a Ricota parada em uma foto é uma coisa raríssima. O borrão à direita da fotografia é ela. O bichinho amarelo em meu colo, óbvio, é o Tiggy. E o poodle preto em cima da minha cabeça é o meu cabelo:



He is still available. Um gatinho cinza, silver tabby com extremidades brancas. Super tranquilo e carinhoso. Procura um bom lar. Ainda. :


Bem, ainda tenho outras fotos da série para usar. Portanto, se houver fotos nos próximos posts com exatamente a mesma roupa, não estranhem. Se bem que eu tenho poucas roupas e costumo usar sempre as mesmas. Estou na fase dessa calça jeans, dessa blusa vinho e de outra blusa, marrom. Estão andando sozinhas. Pretendem fazer compras. Urgentemente.

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PS: Alec me perguntou como consigo fazer com que eles se dêem bem. A resposta é: eu não consigo. O Tiggy convive bem com todo mundo, para ele tudo é festa, ele só quer brincar, mas a Ricota não se conforma até hoje. É só passar pelo gato que dá um tapão na carinha dele. Ele é paciente, porque a gatinha é minúscula, se ele desse um peteleco ela parava longe. Mas ele é bonzinho e até fecha os olhinhos e se encolhe todo quando ela chega por perto. É claro que a tampinha fica se achando...
É Peixe!!

Na terça-feira teve o lançamento do livro Caiu na Rede, publicado pela Agir (Ediouro). É uma coletânea de textos de autoria duvidosa que circulam pela net, organizada pela Cora. Dei minha parca colaboração ao tentar entrar em contato com alguns dos autores. Infelizmente, teve gente que não encontrei a tempo, o que me deixou bastante chateada.

Ainda não vi o livro, mas eu quero, eu quero, eu quero! Assim que encontrar, compro e quando for ao Rio, obrigo a Cora a autografar...risos...

Sofriiii por não poder ir ao lançamento, por estar tão longe e por não poder me ausentar de Porto Alegre tão cedo. Mas a noite foi maravilhosa, segundo relatos do pessoal que foi, e certamente o livro vai ter o reconhecimento que merece.

A Cora chamou a atenção para a leitura do Autor Desconhecido, citado no site do livro, assim como a ótima comunidade "Afinal, quem é o autor?", criada no orkut pela Lucia Kerr Joia e o trabalho da Betty Vidigal, do Jornal do Escritor, da UBE. Trazer o assunto à pauta é parte do nosso trabalho de formiguinha para provar que todo texto tem autor e desmascarar a confusão de paternidade de textos lançados na net.

Como eu disse no blog da Cora, é trabalho de formiguinha. Mas quando algumas formiguinhas podem jogar um holofote sobre o problema, elas são muito mais eficientes do que aquelas que o iluminam com uma lanterna. Agora, ao menos, estamos chamando a atenção para o problema. É o primeiro passo para a conscientização e busca por soluções.

Obrigada à Cora e à Ediouro pela maravilhosa iniciativa.

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Thursday, March 09, 2006

Pregui...



Dias preguiçosos, chuvosos, estranhos. Frangos contaminados com um vírus estranho, a banana nanica ameaçada de extinção por uma praga, onde vamos parar? Tento descansar, mas existe aquela estranha cobrança, sabe? Uma culpa que nos acomete quando a gente não está fazendo nada, como se ficar à toa fosse atestado de improdutividade e improdutividade fosse um crime hediondo.

Felizes são os gatos. Dormem dezesseis horas por dia e não se sentem culpados por isso. Acordam, brincam, comem, fazem pose, fazem bagunça, usam a caixa de areia e tomam banho nas oito horas que sobram. E tudo sem um pingo de pressa ou stress. Eu, sendo um gato em corpo humano, não posso me dar ao luxo. Mas também não me sinto lá muito à vontade invertendo a ordem natural das coisas, dormindo oito horas e fazendo milhares de coisas, além de tomar banho, brincar, comer, fazer pose, fazer bagunça e usar o banheiro nas dezesseis horas que me sobram.

Consegui cortar o dedo abrindo um pacote de ração com uma faca. Felizmente (?) cortei a unha, bem no meio, não chegou a sair sangue, mas atingiu o dedo, embaixo dela. Estranho. Agora dói quando estico o dedo. Mais estranho ainda.

Estou de férias de mim mesma. Nem um pouco interessada em escrever coisas que façam algum sentido, menos interessada ainda em escrever coisas pseudo-profundas ou recheadas de utilidade pública. Passei por um período de grande stress no início deste ano e agora só o que quero é ficar deitada aqui, na rede, tomando um pouquinho do sol que passa entre as folhas do coqueiro. Tem um coqueiro aqui, sabia? Dentro da minha cabeça, é claro.

Algum problema em ter alguém aqui falando coisas aparentemente sem sentido? Acho que não. Andei lendo umas coisas que escrevi há algum tempo. Eu era uma pessoa mais interessante, acho. Ou talvez fingisse um pouco melhor. Pode ter alguma coisa a ver com o cabelo. Tirei umas fotos, achei estranho. Parece que estou com um poodle preto em cima da minha cabeça. Dá vontade de cortar, dá vontade de fazer crescer, dá vontade de fazer qualquer coisa, menos deixar o poodle como está. Coisa séria.

Preciso de um "extreme makeover" em minha vida, a começar por este blog. Antes de mais nada, let me tell you something. Preciso mandar fazer meus óculos. Por estar ignorando este fato (para quem não sabe, eu esmaguei, sem querer, meus antigos óculos), passei dias sem conseguir escrever, com dor de cabeça, enjôo e sonolência. Finalmente caiu minha ficha e resolvi colocar um fundo azul escuro e letrinhas brancas no Word. Guess what? Resolvi o problema. Assim consigo enganar o astigmatismo por mais alguns dias até que os óculos novos fiquem prontos. E, enfim, volta a existir alguma vida neste blog, ainda que ligeiramente desequilibrada.

Wednesday, March 08, 2006

Leia em: Sala de Estar - Revista Paradoxo


O menor dos animais domina o mundo

A culpa é do dedo opositor

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre

Estou certa de que o ser humano é um dos animais menos evoluídos do nosso planeta. Quando assistimos aos documentários sobre animais da selva na TV, nos impressionamos com a organização, senso de grupo, inteligência e capacidade de comunicação daquelas criaturas. Até mesmo programas sobre a vida dos insetos embasbacam bípedes que se desdobram para fazer, em escala, metade do que aqueles pequeninos seres fazem em seu dia-a-dia.

Quando convivemos com gatos, cachorros, furões, peixes, cavalos, e coisas do gênero, nos surpreendemos ainda mais com eles. Nos entendem mais do que nós a eles, se comunicam, demonstram afeto, demonstram desagrado, conversam entre si e tentam entrar em contato com formas inferiores de vida (no caso, nós, os humanos). Sempre superiores, compreendem nossa natureza cheia de falhas.

Os animais, em geral, são muito mais sérios e centrados do que o imbecil ser humano. São sensíveis, estão tão integrados à natureza que conseguem prever desastres naturais pela simples observação de alterações no ambiente. Têm faro mais apurado, tato mais apurado, olfato mais apurado, instintos mais aflorados. O homem é o animal mais desprovido de recursos naturais, fisicamente frágil, sem garras, dentes, sem músculos fortes, sem sensibilidade, sem instintos decentes, com um cérebro duvidoso. Mas ? você me pergunta- se eles são tão melhores assim, por que o homem é que domina o planeta? A resposta é: movimento de pinça, o único recurso que o homem realmente tem, e o que fez toda a diferença nos últimos milhares de anos.

Não estamos aqui, nesta posição, por conta de nossa inteligência, capacidade de pensar (quem convive com animais sabe que eles são muito mais capazes de pensar do que muita gente por aí) capacidade de comunicação, de senso histórico ou qualquer outra bobagem dessas que contam por aí. Não existe prova alguma que, por exemplo, um rinoceronte não tenha consciência de sua existência, assim como não há provas de que a vizinha do apartamento ao lado tenha. Conhecemos pouco sobre os outros animais, portanto, alardear nossa superioridade sobre eles é, no mínimo, arrogante. Na verdade o único responsável por não estarmos acorrentados à casinha dos humanos sendo alimentados por cachorros é o movimento de pinça, o dedo opositor.

Apesar do nome, o dedo opositor não é, propriamente, da oposição. Ele não briga com os outros dedos, não se opõe ideologicamente, apenas faz oposição, digamos, geográfica, aos seus irmãos. A presença do polegar, fazendo oposição aos outros quatro dedos, possibilita ao homem pinçar objetos a seu bel-prazer, pressionando o polegar contra qualquer um dos outros dedos. Você jamais imaginou que um movimentozinho desses fosse assim tão importante, não é mesmo?

Por culpa do movimento de pinça, o homem conseguiu fabricar armas, caçar, costurar roupas, fazer fogo, fazer churrasco, construir aparelhos que suprissem suas outras fragilidades e o transformassem na espécie dominante do planeta. Tudo bem, se soubesse fazer as coisas direito. Mas, sendo a criatura mais despreparada do universo, aparentemente a única que se rebelou totalmente contra a natureza e seu criador, não é de se espantar que ele tenha feito uma bobagem atrás da outra, a ponto de maltratar outros bichos, desperdiçar recursos naturais, investir em guerras inúteis (sim, porque algumas são úteis), enxergando seus próprios irmãos como inimigos, fazendo sofrer a quem diz amar por um punhado de papel pintado, destruindo o planeta e sua própria vida, ignorando que o tempo passa, todo mundo morre e as traças, espertas, comem todo o papel pintado do mundo.

Li, certa vez, que o homem é o único animal capaz de modificar o meio em que vive, é o que o difere dos animais e prova sua inteligência superior. Balela. Primeiro, o homem só altera o meio por causa do movimento de pinça, conforme já expliquei, e é o que o difere dos animais. A causa, não a conseqüência. E isso só prova que ele realmente não raciocina muito bem. Os animais, muito mais inteligentes, sempre souberam que nunca houve a menor necessidade de que o meio fosse modificado. Estava tudo muito bem, até aparecer o macaquinho pelado com dedo opositor no pedaço.

Se o golfinho, por exemplo, tivesse nascido com pernas, braços e dedos com movimento de pinça seria, sem dúvida nenhuma, um bicho bastante estranho, mas muito provavelmente viveríamos em um mundo muito melhor.

PS: Sim, ando um pouco desiludida com a raça humana, mas não totalmente sem esperança. Há inúmeras exceções, felizmente, e temos, portanto, salvação. Acredito.

[09/03/2006]

Tuesday, March 07, 2006

Yep. Essa é minha grande alteração no template.

Monday, March 06, 2006

Tentativa

Dediquei os últimos meses a fazer com que os nativos deste lugar não desconfiassem de que eu não sou daqui. Durante esse meu processo de agauchamento, consegui enganar alguns, confundir outros e o saldo geral não foi lá tão positivo quanto eu pensava. Quando eu estava no Rio as coisas eram bem mais fáceis, em uma semana eu já sabia falar carioquês, passando pelo crivo dos taxistas ávidos por turistas desavisados. Por aqui, não consegui chegar a esse estágio.

Não que o gauchês seja assim tão mais difícil, mas acho que o carioquês é um troço mais natural, sei lá. Primeiro, tenho que substituir todos os "você" por "ti" ou "tu", o que já exige um esforço hercúleo para me lembrar. Sem contar que, ainda que eu ache bonitinho o tal do "tu" falado pelas outras pessoas, acho ridículo ouvi minha própria voz usando esse tipo de pronome. Nada contra, mas enfim...tentei.

Desisti, porém, na última tentativa de enganar um taxista. Estava indo tudo bem, tu para lá, tu para cá, pontos de interrogação no final de todas as frases, afirmativas ou negativas, gauchamente, quando enfim ele me contou que um taxista fora assaltado domingo pela manhã por um casal de jovens aparentemente inofensivos. Espantada com a descrição do caso, exclamei:

-Vixe!! - Emendando, em seguida, com um fracassado "Bah!".... Não tem jeito. "bah" e "capaz!" podem até ter sonoridade e presença, mas existem situações em que apenas um belo "Vixe" exprime a real importância do espanto. Como, aliás, diria a minha avó.



PS: Paula, a Ricota é uma micro-Dot, porque a gata simplesmente não cresceu. A semelhança mais impressionante é a expressão de incrível simpatia que ambas estampam em seus rostinhos. :-)

Thursday, March 02, 2006

Ele está de malas prontas para ir para a sua casa!




Não atende por Jack, nem por Jor-El (como foi registrado na clínica), mas atendeu na hora quando foi chamado de "Bichano". Então este é o Bichano, ou Chaninho. Imagino que tenha sido o gato de uma velhinha solitária que morreu e seus parentes decidiram largá-lo do outro lado da cidade.

Muito manso, tranquilo, carinhoso, gosta de deitar de barriguinha para cima para ser acariciado. Toma leitinho, come ração e faz necessidades na caixinha de areia higiênica, como todos os gatos de apartamento.

Dorme bem fofinho e nem se nota sua presença na casa. Mia quando quer comida e miou bastante no primeiro dia, por estranhar o local. Brincou com o ratinho do Tiggy e não afia as garras no sofá, apenas no arranhador e no tapete que temos para isso (e que não desfia!).

Está castrado, vacinado, desverminado e as casquinhas dos machucados das brigas já caíram praticamente todas, sobrou apenas uma cicatriz em cima do focinho, está meio "scarface", mas isso não compromete sua beleza.

Se dá bem com gatos, cachorros, mas gosta mesmo é de pessoas. Muito na dele, não incomoda ninguém, principalmente se não for incomodado :)

Se alguém se interessar por essa fofura, escreva-me: vanlampert@gmail.com , mas só se você realmente gostar de gatos, souber cuidar e se comprometer a amá-lo e cuidar dele até o fim, porque ele já sofreu demais e merece ser muito, mas muito feliz.

Gostaria de ficar com ele, mas o apartamento é minúsculo e mal tem espaço para os meus. Se ele puder ter um dono melhor, em um espaço melhor, ficarei muito feliz por ele, ainda que com o coração apertado. Existem muitos gatinhos sem dono por aí. A vantagem de adotar um gato adulto é que você já sabe sua personalidade e temperamento.

Por exemplo, Chaninho gosta de carinho e colo, seu próximo dono terá um gato bem amigo, manso, amigável e carinhoso. Quando ganhei a Ricota, ela era linda, peludinha, filhotinha, mas eu não fazia idéia do que me esperava. Tentei acostumá-la com colo, banho, carinho e estranhos, mas ela é bastante arisca, voluntariosa e independente. Adora carinho, mas apenas quando ela quer e como ela quer. Colo, só muito raramente. É o temperamento dela. De vez em quando se joga de barriga para cima para eu fazer massagem e faz carinha de fofa. Está estampado em seu rostinho o quanto é feliz e gosta de mim. Mas demonstra isso do jeito dela.

O Tiggy peguei pequenininho também, sem saber o que me esperava. Tentei ensiná-lo a obedecer ordens e imaginei que fosse virar o Garfield, mas ele é extremamente ativo, alegre, agitado, atento, maluquinho, rebelde e brincalhão. Preciso chamar a atenção dele vinte vezes para que me obedeça, enquanto a Ricota obedece na primeira.

Um filhote é sempre uma surpresa, boa ou ruim. Um adulto sabe o que está acontecendo, é grato por estar sendo resgatado, por ser tirado das ruas, por ter carinho e comida. Se você quer ter apenas um gato, pode escolher um que goste de ser sozinho, ao invés de pegar um filhote que depois sinta falta de um amiguinho e brinque com o espelho, tristemente, como a Ricota fazia.

Se quiser ter mais de um gato, pode pegar um adulto que adore companhia. Existem gatos ariscos, gatos mansos, gatos difíceis, gatos fáceis, gatos alegres, gatos melancólicos, gatos agitados e gatos tranquilos. Eles têm personalidades tão variadas quanto as pessoas. E este rapaz, serei sincera, é um dos indivíduos mais agradáveis de se conviver. Merece um lar, merece um dono responsável que o ame e que cuide dele muito bem. As malas estão prontas. Aguardando apenas o dia da viagem.










De cima para baixo, agrupados em ordem de tamanho, do menor para o maior: Ricota, Tiggy e Chaninho, na convenção anual dos gatinhos listrados :)


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Sala de Estar, o retorno

Sei que hoje não era quarta e que postar uma coluna de quarta na sexta é infringir as leis do universo, mas a coluna já está congelada há tantas semanas que eu simplesmente não poderia deixar passar mais uma.

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Movida a anotações

Listas, imprevistos e páginas em branco.

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre

Algumas pessoas nascem prontas para seguir rotinas, outras vêm com defeito de fabricação. Eu sou uma delas. Totalmente desprovida de senso de direção, noção de horários e agenda biológica de compromisso, sou escrava de anotações. Lista do que fazer durante o dia, seja ela escrita em um pedaço de papel, guardanapo ou na indefectível agenda, é um troço totalmente indispensável para minha sobrevivência nesta selva urbana. Movida a listas, guio-me como um robozinho recém-programado pelos dias de minha vida, até que a morte nos separe.

Anoto o que tenho de fazer, o que tenho de lembrar, o que deveria esquecer, anoto tudo. Talvez por isso escrever seja o caminho natural que meu cérebro insiste em seguir. Nos últimos meses contentei-me, duramente, a saciar minha necessidade de canetas e papéis com listas, puras e simples. Listas são práticas, objetivas e descomplicadas, tudo o que eu mesma não sou. Tudo o que a vida insiste em não ser, convenhamos. Mas chega um momento em que listas são insuficientes, existem palavras desesperadas para ser escritas, gritando que listas não resumem o mundo, não resolvem problemas.

Sou tentada a achar que se me guiar por listas nada dará errado. Triste engano, nem tudo na vida pode ser marcado, anotado e seguido como um roteiro barato de uma coisa qualquer. De repente o mundo dá uma volta maluca, vira do avesso e minha tão perfeita lista torna-se terrivelmente obsoleta de um momento para outro. As cartas não estão marcadas, fazemos os planos, fazemos as listas, cumprimos horários, seguimos rotinas, mas o minuto seguinte não está em nossas mãos e subitamente nossa agenda torna-se uma seqüência de espaços em branco, de apontamentos riscados, de notas não planejadas. De repente estamos em um grande papel em branco, seguindo a invisível lista de alguém que mal sabemos quem é. Se eu tenho a mania de fazer listas, a vida tem a mania de criar imprevistos para me obrigar a descumprí-las.

Nutro um profundo respeito e admiração por aquelas pessoas que não precisam de anotações para lembrar de todos os afazeres e não se enrolam no emaranhado de coisas a serem feitas e horas que passam correndo, que conseguem fazer mil coisas ao mesmo tempo, ainda que a cabeça esteja presa à milésima primeira. Indivíduos cujo cérebro já vem com o item "organização" instalado de fábrica. Enquanto isso, enfileiro as letras, recortadas de uma revista qualquer, uma a uma, em minha lista diária de afazeres, torcendo para que o vento não as sopre para longe, nunca mais. Talvez eu devesse pensar em comprar um tubo de cola.

[03/03/2006]