Monday, March 06, 2006

Tentativa

Dediquei os últimos meses a fazer com que os nativos deste lugar não desconfiassem de que eu não sou daqui. Durante esse meu processo de agauchamento, consegui enganar alguns, confundir outros e o saldo geral não foi lá tão positivo quanto eu pensava. Quando eu estava no Rio as coisas eram bem mais fáceis, em uma semana eu já sabia falar carioquês, passando pelo crivo dos taxistas ávidos por turistas desavisados. Por aqui, não consegui chegar a esse estágio.

Não que o gauchês seja assim tão mais difícil, mas acho que o carioquês é um troço mais natural, sei lá. Primeiro, tenho que substituir todos os "você" por "ti" ou "tu", o que já exige um esforço hercúleo para me lembrar. Sem contar que, ainda que eu ache bonitinho o tal do "tu" falado pelas outras pessoas, acho ridículo ouvi minha própria voz usando esse tipo de pronome. Nada contra, mas enfim...tentei.

Desisti, porém, na última tentativa de enganar um taxista. Estava indo tudo bem, tu para lá, tu para cá, pontos de interrogação no final de todas as frases, afirmativas ou negativas, gauchamente, quando enfim ele me contou que um taxista fora assaltado domingo pela manhã por um casal de jovens aparentemente inofensivos. Espantada com a descrição do caso, exclamei:

-Vixe!! - Emendando, em seguida, com um fracassado "Bah!".... Não tem jeito. "bah" e "capaz!" podem até ter sonoridade e presença, mas existem situações em que apenas um belo "Vixe" exprime a real importância do espanto. Como, aliás, diria a minha avó.



PS: Paula, a Ricota é uma micro-Dot, porque a gata simplesmente não cresceu. A semelhança mais impressionante é a expressão de incrível simpatia que ambas estampam em seus rostinhos. :-)