Thursday, February 02, 2006

Vizinho

Há cerca de dois meses apareceu um gato aqui na minha rua. Rajado, cara grande, ele parece já ter alguns muitos anos. Extremamente manso e tranquilo, vivia correndo riscos, dormindo, tranquilamente, na calçada, se aproximando de pessoas e de carros. Aquele gato nunca viu uma rua na vida, isso é óbvio. Muito provavelmente os donos se mudaram e o abandonaram ali, acreditando na lenda burra de que "gato não muda de casa" ou "gato se apega à casa, não ao dono". Ou então o dono o jogou fora, deliberadamente, por ele ter ficado velho, como se fosse um objeto.

Um garoto de onze anos disse que se mudaria para uma casa e o levaria junto. De lá para cá, porém, muita coisa mudou. Os gatões da vizinhança descobriram o velhinho e ele já apanhou um bocado deles. Está machucado e aparenta cansaço. Desse jeito, ninguém mais falou em levá-lo para casa alguma.

Penso em levá-lo a um veterinário, mas estamos um bocado longe do "Nosso" veterinário dr Antônio Carlos Uhr e nosso carro está temporariamente de férias. Tem um veterinário aqui perto, mas sou desconfiadíssima. Primeiro tenho que saber se o cara gosta de gatos. Aliás, tenho que saber se ele gosta de animais, porque, sinceramente, já vi muito veterinário por aqui que não parece gostar nem um pouco de bichos.

Depois, o cara tem que ter mais de dois neurônios e saber o que está fazendo, o que é raro mesmo entre médicos de humanos. Depois, ele tem que ter apreço pela vida e interesse em manter seus clientes vivos e saudáveis. Por último, não pode enfiar a faca. Óbvio que sei que todo mundo merece receber por seu trabalho, mas existem valores justos e valores extorsivos. Já encontrei profissionais que cobram o justo e profissionais que cobram o extorsivo.

Enfim, vou ver se na segunda ou terça decido onde levar o Jack (é esse o nome do vizinho) para ver seus arranhões e machucados e providenciar uma castração. Depois, saio à caça de um dono. Sei que é difícil, afinal de contas, trata-se de um gato idoso. Mas bem cuidadinho, sem machucados, vacinado, desverminado e castrado, suas chances aumentam. E ele merece ter essa chance.


Ps: Pensem bem, o pessoal que achou aquele bebê na lagoa só retirou o saco plástico da água porque achou que se tratava de um gato. Se fossem seres ignorantes que não gostam de animais, que abandonam, matam e desprezam, teriam deixado a criança morrer, achando que o que estava dentro daquele saco preto era um felino e não valia o trabalho. Vida é vida. No final das contas, a idéia de um gato salvou a vida da menina. : )

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