Oi?

Como você está? Tudo bem? Eu estou bem. Um pouco enrolada, como sempre, porque tinha que terminar uma história para o mês que vem e estou sofrendo antecipadamente, como se fosse para ontem. Conhece isso? Essa sensação de que por mais que você corra não acompanha o tempo?
Eu sei, estou me repetindo, já falei sobre isso para você a semana inteira. Mas não sei, às vezes tenho a impressão de que flutuo sobre a minha vida, você já sentiu isso? Eu acho estranho. Olha só, uma coisa acontece há vinte e cinco anos comigo, essa sensação, e eu nunca acostumo.
Não passei muito bem durante uns dois dias semana passada, tontura, enjôo, dor de cabeça...antes que eu pudesse pensar que a pílula anticoncepcional era de farinha, resolvi desenterrar meus óculos e, miraculosamente, todo o mal-estar desapareceu. É, simples assim, menos de meio grau de astigmatismo pode fazer esse estrago todo no dia de uma pessoa. E a pílula foi absolvida. Está fazendo seu trabalho direitinho.
No geral a vida está boa. Aquele clima estranho de final de ano, como se a gente tivesse perdido alguma coisa no trajeto. Tempo, talvez. Novamente ele.
Mês que vem faço vinte e seis anos, já pensou nisso? Vinte e seis anos. Mais perto dos trinta do que dos vinte. Acho que toda essa fixação no tempo vem mais da proximidade do meu aniversário do que propriamente do final do ano.
Não vou chamar de crise, não é crise. Estou mais contemplativa, processando 25 anos de informações e decidindo o que fica e o que vai para o lixo, porque, sejamos sinceros, algumas coisas não merecem prateleiras, não merecem gavetas, não merecem nem caixas, cofres e frestas, seu único destino aceitável é o lixo. Ou o incinerador, que é mais eficiente.Deus me livre de algum lixo emocional ser reciclado.
No meio disso tudo, uma vontade imensa de sentir mais cheiro de lavanda, de comer mais pizza, de me lambuzar de chocolate, de andar, descalça, na chuva e me deixar cair sobre a grama molhada, achando graça de tudo. Vontade irresistível de viver.
É bom, não é? Sentir como se a vida recarregasse suas baterias com uma ânsia inexplicável de que tudo seja ainda mais intenso. Lembra que te falei, dia desses, que todos os meus sentidos estavam mais apurados? Pois é, é isso. Viver intensamente.
Porque eu não levo a vida a sério, você sabe. Aquela coisa de achar que o mundo vai acabar se eu não fizer isso ou aquilo. Sei que tudo passa e o quanto tudo isso é efêmero. Andei supervalorizando alguns problemas e serviu para confirmar minha teoria de que não vale a pena.
Eu não posso eliminar do mundo tudo aquilo com que não concordo, tenho que aprender a conviver com as coisas que eu simplesmente não posso mudar. Quero viver em paz, adiar as rugas e cabelos brancos, em paz e intensamente.
Se me acusam de criar um mundo paralelo onde tudo é legal, tudo é bonito e tudo gira em torno do meu próprio umbigo, eu tenho de rir. Eu sempre tive esse mundo e ele não foi criado por mim. Era lá que eu me escondia quando a realidade tentava invadir minha infância, foi para lá que eu fugi quando chegou a adolescência e foi esse mesmo mundo que abandonei quando a luz se apagou.
Mas já faz algum tempo que eu o recuperei e apertei o interruptor. Eu detesto escuridão e para mim iluminação é tudo. Continuo aqui, em torno do meu umbigo. Porque, eu tenho que ser sincera contigo, o umbigo é tudo o que temos, de verdade.
Podemos escolher os tons que nossa vida terá, podemos escolher como enxergar as coisas, como lidar com os problemas e com as coisas boas que aparecem. A vida não existe, de verdade, ela é o que fazemos dela. Eu quero fazer mais.
Mas não vou te incomodar com esses devaneios que tenho de vez em quando, você sabe que se passam muito mais coisas em minha cabeça do que eu costumo dividir. Sei que grande parte dessas coisas ninguém tem o menor interesse em ouvir. Mas sei que você sempre ouve, quando eu decido falar.
Prometo que escrevo de novo, prometo. Por enquanto fique com essas poucas linhas, que eu espero que te digam um pouco mais do que eu realmente posso falar.
Beijos

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Como você está? Tudo bem? Eu estou bem. Um pouco enrolada, como sempre, porque tinha que terminar uma história para o mês que vem e estou sofrendo antecipadamente, como se fosse para ontem. Conhece isso? Essa sensação de que por mais que você corra não acompanha o tempo?
Eu sei, estou me repetindo, já falei sobre isso para você a semana inteira. Mas não sei, às vezes tenho a impressão de que flutuo sobre a minha vida, você já sentiu isso? Eu acho estranho. Olha só, uma coisa acontece há vinte e cinco anos comigo, essa sensação, e eu nunca acostumo.
Não passei muito bem durante uns dois dias semana passada, tontura, enjôo, dor de cabeça...antes que eu pudesse pensar que a pílula anticoncepcional era de farinha, resolvi desenterrar meus óculos e, miraculosamente, todo o mal-estar desapareceu. É, simples assim, menos de meio grau de astigmatismo pode fazer esse estrago todo no dia de uma pessoa. E a pílula foi absolvida. Está fazendo seu trabalho direitinho.
No geral a vida está boa. Aquele clima estranho de final de ano, como se a gente tivesse perdido alguma coisa no trajeto. Tempo, talvez. Novamente ele.
Mês que vem faço vinte e seis anos, já pensou nisso? Vinte e seis anos. Mais perto dos trinta do que dos vinte. Acho que toda essa fixação no tempo vem mais da proximidade do meu aniversário do que propriamente do final do ano.
Não vou chamar de crise, não é crise. Estou mais contemplativa, processando 25 anos de informações e decidindo o que fica e o que vai para o lixo, porque, sejamos sinceros, algumas coisas não merecem prateleiras, não merecem gavetas, não merecem nem caixas, cofres e frestas, seu único destino aceitável é o lixo. Ou o incinerador, que é mais eficiente.Deus me livre de algum lixo emocional ser reciclado.
No meio disso tudo, uma vontade imensa de sentir mais cheiro de lavanda, de comer mais pizza, de me lambuzar de chocolate, de andar, descalça, na chuva e me deixar cair sobre a grama molhada, achando graça de tudo. Vontade irresistível de viver.
É bom, não é? Sentir como se a vida recarregasse suas baterias com uma ânsia inexplicável de que tudo seja ainda mais intenso. Lembra que te falei, dia desses, que todos os meus sentidos estavam mais apurados? Pois é, é isso. Viver intensamente.
Porque eu não levo a vida a sério, você sabe. Aquela coisa de achar que o mundo vai acabar se eu não fizer isso ou aquilo. Sei que tudo passa e o quanto tudo isso é efêmero. Andei supervalorizando alguns problemas e serviu para confirmar minha teoria de que não vale a pena.
Eu não posso eliminar do mundo tudo aquilo com que não concordo, tenho que aprender a conviver com as coisas que eu simplesmente não posso mudar. Quero viver em paz, adiar as rugas e cabelos brancos, em paz e intensamente.
Se me acusam de criar um mundo paralelo onde tudo é legal, tudo é bonito e tudo gira em torno do meu próprio umbigo, eu tenho de rir. Eu sempre tive esse mundo e ele não foi criado por mim. Era lá que eu me escondia quando a realidade tentava invadir minha infância, foi para lá que eu fugi quando chegou a adolescência e foi esse mesmo mundo que abandonei quando a luz se apagou.
Mas já faz algum tempo que eu o recuperei e apertei o interruptor. Eu detesto escuridão e para mim iluminação é tudo. Continuo aqui, em torno do meu umbigo. Porque, eu tenho que ser sincera contigo, o umbigo é tudo o que temos, de verdade.
Podemos escolher os tons que nossa vida terá, podemos escolher como enxergar as coisas, como lidar com os problemas e com as coisas boas que aparecem. A vida não existe, de verdade, ela é o que fazemos dela. Eu quero fazer mais.
Mas não vou te incomodar com esses devaneios que tenho de vez em quando, você sabe que se passam muito mais coisas em minha cabeça do que eu costumo dividir. Sei que grande parte dessas coisas ninguém tem o menor interesse em ouvir. Mas sei que você sempre ouve, quando eu decido falar.
Prometo que escrevo de novo, prometo. Por enquanto fique com essas poucas linhas, que eu espero que te digam um pouco mais do que eu realmente posso falar.
Beijos

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