Notícias do dia seguinte
Então, fui ao lançamento. Primeiro, cheguei bem mais cedo, para dar uma volta pela feira do livro. De cabelo novo e chapéu na cabeça, para me proteger do sol forte. Todo mundo olhava para a minha cara com expressão de quem estava vendo um alien. Não sei se por causa do chapéu, da bolsa de ursinho ou ambas as alternativas anteriores. Ou talvez também -hipótese mais provável- eu ainda estivesse me achando esquisita por causa do cabelo novo e tenha começado a olhar para todo mundo com cara de extraterrestre, tendo a impressão de que era o contrário que acontecia. Pode ser.
Bem, a Feira do Livro é um pequeno caos. Nada muito diferente do caos encontrado na Bienal do Livro, no Rio, a Feira do Livro é uma Bienal minimizada ao ar livre. Fui ao balcão de informações, peguei uma revista com um mapa, um jornal com a programação e saí tentando me localizar. No Santander Cultural, ali mesmo na praça, estava tendo uma homenagem ao escritor Antônio de Assis Brasil, em comemoração dos vinte anos da Oficina Literária da PUC. Como ainda tinha meia hora antes do início da sessão de autógrafos, fui dar uma espiada. Começou atrasado, e confesso, nunca tinha visto a cara do Assis Brasil, queria adivinhar quem era o cara.
Tinha um indivíduo de cabelo e cavanhaque pretos (muito pretos, desconfio de tintura), que recebia diversos cumprimentos, toda aquela puxação de saco e tal. Não fui com a cara dele, estava começando a me decepcionar. Quando enfim começou a coisa, descobri que o Assis Brasil na verdade era um senhor jovem, de cabelos brancos, barba branca e a maior cara de gente boa. E o da tintura preta, na verdade, era o vice-governador.
Fiquei pouco tempo, o suficiente para ouvir o discurso de um ex-aluno e do próprio Assis Brasil, e me deu o ânimo que eu estava precisando. Sabe aquela sensação de que, cara, não importa se quase ninguém lê neste país, não importa se o mercado editorial é uma porcaria, não importa se escritor não sobrevive do que escreve no Brasil, este é o meu universo e eu me sinto bastante à vontade nele, sabendo que não sou a única maluca a viver isso.
Saindo de lá, fui aos autógrafos. Sem graça para caramba, porque ninguém me conhecia e eu não conhecia ninguém pessoalmente...risos....sacanagem, acho que nunca deixei um mísero comentário para me identificar nos blogs daquelas pessoas. Assim como, de vez em quando, passo no blog do pessoal que vem aqui e não comento nada. Aí reclamo quando ninguém comenta aqui...risos... faço a mesma coisa no blog dos outros, vocês estão desculpados. Costumo comentar quando tem poucos comentários. Quando tem muitos, acho que o meu não vai fazer falta e prefiro ler os posts atrasados (porque eu sempre perdi alguma coisa) do que comentar. Mas que isso é feio, é feio. Se eu nunca tivesse comentado no blog do Davison, por exemplo, a gente não teria casado. Não que eu queira me casar com mais alguém, é só um exemplo de que a gente não ganha nada se escondendo. Mas eu sou mega desorganizada com essas coisas de tempo em internet, acabo gastando tempo demais com coisas inúteis e fica um monte de coisa a ser feita, sempre.
Bem, peguei autógrafo, como de praxe, porque o pessoal estava ali para isso mesmo. Milton Ribeiro, Ane Aguirre, Ticcia Antoniette (também do Megeras Magérrimas) e André Dahmer (o cara é uma figura, além de super talentoso e inteligente, é daquele tipo que se entusiasma tanto com o assunto que acaba contagiando todo mundo que está ao redor, e daqui a pouco está todo mundo griando "é isso aí, André!!" Isso é um dom, cara). E vi de costas o Mauro, do Taxitramas.
E ainda tive que responder que não, não era amiga de ninguém, não conhecia ninguém pessoalmente, era uma psicopata que lia o blog alheio e não deixava comentário. O pior é quando alguém te pergunta se você tem blog. Tenho. Aí pedem o endereço. Pôxa vida, é esquisito. Porque, para começar, quando eu fiz o meu blog só tinha visto dois blogs na vida e não fiz o meu por influência de nenhum dos dois, fiz para poder ter um espaço meu e fazer na net o que eu fazia nos cadernos, em casa, saindo dos benditos grupos de discussão, que só me deram dor de cabeça. Quem quisesse ler, leria.
Aí ele foi crescendo sem a mínima ordem ou direção. Meu blog não faz parte de nenhuma "tendência bloguística atual", sou uma criatura isolada, que adora ler esses blogs que realmente têm alguma coisa anacrônica a dizer, mas que não consegue fazer um blog que não seja 200% pessoal sem a mínima sutileza ou pretensão literária. Admiro quem consegue, admiro mesmo, porque acho que seria, acima de tudo, um exercício e tanto, mas ainda não cheguei nesse nível. Quem sabe um dia eu tome coragem e me aventure. Alguém deve se lembrar, durante um tempo eu mantive, paralelo, um blog de poesias e um de contos. Não durou muito. Tive um chilique e tirei tudo do ar. Agora eles sobrevivem nos arquivos do meu computador. Continuo escrevendo, mas ainda preciso passar de fase.
Então, eu acho estranho passar o endereço de um blog cheio de fotos da minha cara e referências ao meu dia-a-dia. Não é um diário, embora pareça. Diário eu tenho de papel, sempre tive, e escrevo coisas que jamais publico aqui (ahá, só para deixá-los curiosos), o que eu faço neste blog, nem eu mesma sei, mas gosto, e é o que importa. É uma conversa informal. Mais ou menos isso.
Meu blog é um microcosmo bem longe dos blogs de massa (criei uma nova definição..hehe), é feito para um grupo muito restrito de pessoas (e eu nem sei o quão restrito, é tão restrito que é calado) minimamente interessadas na vida alheia (no caso, a minha), com fotos da minha cara e dos meus gatos, nada que interesse a comunidade literária. Acho que por isso eu não divulgo. Mas talvez eu devesse fazer outro tipo de coisa, em paralelo, em outro blog. Sei lá.
Bem, conversei um bocado com a Alê Félix, na verdade, fiquei incomodando a moça um tempão, porque afinal de contas ela era a única pessoa ali que sabia, vagamente, da minha existência, o que fez que eu me sentisse menos deslocada e abandonada (Dave não pôde ir). Super simpática e atenciosa, ela é exatamente como eu imaginava, ao ler os textos. Conheci também o marido dela, um cara super gente boa, também foi bastante simpático e atencioso conosco (o nosco veio depois), e fazem um casal lindo :) Depois de encher bastante a paciência da Alê, dei mais uma pequena volta pela Feira e fui ao Centro Cultural Érico Verissimo, onde teria um debate sobre blogs e literatura na internet, com os autores dos livros, mediado por Armindo Trevisan, que eu também não conhecia pessoalmente, mas é um doce de pessoa. Muito tranquilo, querido, interessado, simpaticíssimo.
O debate foi muito legal, pena que tive que me ausentar por uns quinze minutos, para resgatar o Davison. Mas pegamos o finalzinho e ele também gostou muito. No final das contas, acabamos indo ao coquetel. Mas veja só, eu me esqueci que "coquetel de lançamento" não tem comida...risos...é coquetel de refrigerante, vinho e cerveja. Exceto o coquetel de lançamento da coleção do Pif Paf, lá no Rio, em que eles serviram uns salgadinhos.
Não teve bolinha de queijo, mas teve coisa muito melhor, conversa interessante com gente inteligente. Até o Armindo Trevisan ficou com a gente até mais tarde, já quase convencido a abrir um blog...risos...aos 72 anos, ele se diz "semi-analfabeto em computador", está aprendendo a mexer há poucos meses, mas já sabe salvar textos no Word. Bem, foi assim que eu comecei. :)
Saímos de lá exaustos (afinal de contas, acordamos muito cedo ontem e não paramos o dia inteiro), mas felizes por conhecer tanta gente diferente e, ao mesmo tempo, estranhamente participando de um mesmo mundo. Do nosso mundo. Conheci esta menina , que também não é daqui e está perdida em Porto Alegre. Uma menina bastante simpática e com um sorriso sincero. Conversamos um pouco e combinamos de manter contato. Eu tenho que aprender a usar o telefone. Enquanto não aprendo, felizmente há a internet :)
Tá que eu devo ter assustado a guria com aquele papo de "Finalmente eu conheço alguém em Porto Alegre!!" Se eu ouvisse isso de alguém, sairia correndo antes que a criatura grudasse em mim feito carrapicho em gato. Mas quem me conhece sabe que se existe uma coisa que eu não sei fazer é grudar em alguém. Completamente incompetente em artes chicletais, infelizmente, porque adoraria dar motivo para alguém me chamar de chata. Sem motivo, não tem graça.
Então, meu dia foi assim :) E hoje volto à feira do livro, depois do culto e depois do almoço. Vou aproveitar os últimos dias, já que a correria do mês passado e do início deste mês me impediu de aproveitar os primeiros. Depois, mais tarde, volto. Eu sempre volto.
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Então, fui ao lançamento. Primeiro, cheguei bem mais cedo, para dar uma volta pela feira do livro. De cabelo novo e chapéu na cabeça, para me proteger do sol forte. Todo mundo olhava para a minha cara com expressão de quem estava vendo um alien. Não sei se por causa do chapéu, da bolsa de ursinho ou ambas as alternativas anteriores. Ou talvez também -hipótese mais provável- eu ainda estivesse me achando esquisita por causa do cabelo novo e tenha começado a olhar para todo mundo com cara de extraterrestre, tendo a impressão de que era o contrário que acontecia. Pode ser.
Bem, a Feira do Livro é um pequeno caos. Nada muito diferente do caos encontrado na Bienal do Livro, no Rio, a Feira do Livro é uma Bienal minimizada ao ar livre. Fui ao balcão de informações, peguei uma revista com um mapa, um jornal com a programação e saí tentando me localizar. No Santander Cultural, ali mesmo na praça, estava tendo uma homenagem ao escritor Antônio de Assis Brasil, em comemoração dos vinte anos da Oficina Literária da PUC. Como ainda tinha meia hora antes do início da sessão de autógrafos, fui dar uma espiada. Começou atrasado, e confesso, nunca tinha visto a cara do Assis Brasil, queria adivinhar quem era o cara.
Tinha um indivíduo de cabelo e cavanhaque pretos (muito pretos, desconfio de tintura), que recebia diversos cumprimentos, toda aquela puxação de saco e tal. Não fui com a cara dele, estava começando a me decepcionar. Quando enfim começou a coisa, descobri que o Assis Brasil na verdade era um senhor jovem, de cabelos brancos, barba branca e a maior cara de gente boa. E o da tintura preta, na verdade, era o vice-governador.
Fiquei pouco tempo, o suficiente para ouvir o discurso de um ex-aluno e do próprio Assis Brasil, e me deu o ânimo que eu estava precisando. Sabe aquela sensação de que, cara, não importa se quase ninguém lê neste país, não importa se o mercado editorial é uma porcaria, não importa se escritor não sobrevive do que escreve no Brasil, este é o meu universo e eu me sinto bastante à vontade nele, sabendo que não sou a única maluca a viver isso.
Saindo de lá, fui aos autógrafos. Sem graça para caramba, porque ninguém me conhecia e eu não conhecia ninguém pessoalmente...risos....sacanagem, acho que nunca deixei um mísero comentário para me identificar nos blogs daquelas pessoas. Assim como, de vez em quando, passo no blog do pessoal que vem aqui e não comento nada. Aí reclamo quando ninguém comenta aqui...risos... faço a mesma coisa no blog dos outros, vocês estão desculpados. Costumo comentar quando tem poucos comentários. Quando tem muitos, acho que o meu não vai fazer falta e prefiro ler os posts atrasados (porque eu sempre perdi alguma coisa) do que comentar. Mas que isso é feio, é feio. Se eu nunca tivesse comentado no blog do Davison, por exemplo, a gente não teria casado. Não que eu queira me casar com mais alguém, é só um exemplo de que a gente não ganha nada se escondendo. Mas eu sou mega desorganizada com essas coisas de tempo em internet, acabo gastando tempo demais com coisas inúteis e fica um monte de coisa a ser feita, sempre.
Bem, peguei autógrafo, como de praxe, porque o pessoal estava ali para isso mesmo. Milton Ribeiro, Ane Aguirre, Ticcia Antoniette (também do Megeras Magérrimas) e André Dahmer (o cara é uma figura, além de super talentoso e inteligente, é daquele tipo que se entusiasma tanto com o assunto que acaba contagiando todo mundo que está ao redor, e daqui a pouco está todo mundo griando "é isso aí, André!!" Isso é um dom, cara). E vi de costas o Mauro, do Taxitramas.
E ainda tive que responder que não, não era amiga de ninguém, não conhecia ninguém pessoalmente, era uma psicopata que lia o blog alheio e não deixava comentário. O pior é quando alguém te pergunta se você tem blog. Tenho. Aí pedem o endereço. Pôxa vida, é esquisito. Porque, para começar, quando eu fiz o meu blog só tinha visto dois blogs na vida e não fiz o meu por influência de nenhum dos dois, fiz para poder ter um espaço meu e fazer na net o que eu fazia nos cadernos, em casa, saindo dos benditos grupos de discussão, que só me deram dor de cabeça. Quem quisesse ler, leria.
Aí ele foi crescendo sem a mínima ordem ou direção. Meu blog não faz parte de nenhuma "tendência bloguística atual", sou uma criatura isolada, que adora ler esses blogs que realmente têm alguma coisa anacrônica a dizer, mas que não consegue fazer um blog que não seja 200% pessoal sem a mínima sutileza ou pretensão literária. Admiro quem consegue, admiro mesmo, porque acho que seria, acima de tudo, um exercício e tanto, mas ainda não cheguei nesse nível. Quem sabe um dia eu tome coragem e me aventure. Alguém deve se lembrar, durante um tempo eu mantive, paralelo, um blog de poesias e um de contos. Não durou muito. Tive um chilique e tirei tudo do ar. Agora eles sobrevivem nos arquivos do meu computador. Continuo escrevendo, mas ainda preciso passar de fase.
Então, eu acho estranho passar o endereço de um blog cheio de fotos da minha cara e referências ao meu dia-a-dia. Não é um diário, embora pareça. Diário eu tenho de papel, sempre tive, e escrevo coisas que jamais publico aqui (ahá, só para deixá-los curiosos), o que eu faço neste blog, nem eu mesma sei, mas gosto, e é o que importa. É uma conversa informal. Mais ou menos isso.
Meu blog é um microcosmo bem longe dos blogs de massa (criei uma nova definição..hehe), é feito para um grupo muito restrito de pessoas (e eu nem sei o quão restrito, é tão restrito que é calado) minimamente interessadas na vida alheia (no caso, a minha), com fotos da minha cara e dos meus gatos, nada que interesse a comunidade literária. Acho que por isso eu não divulgo. Mas talvez eu devesse fazer outro tipo de coisa, em paralelo, em outro blog. Sei lá.
Bem, conversei um bocado com a Alê Félix, na verdade, fiquei incomodando a moça um tempão, porque afinal de contas ela era a única pessoa ali que sabia, vagamente, da minha existência, o que fez que eu me sentisse menos deslocada e abandonada (Dave não pôde ir). Super simpática e atenciosa, ela é exatamente como eu imaginava, ao ler os textos. Conheci também o marido dela, um cara super gente boa, também foi bastante simpático e atencioso conosco (o nosco veio depois), e fazem um casal lindo :) Depois de encher bastante a paciência da Alê, dei mais uma pequena volta pela Feira e fui ao Centro Cultural Érico Verissimo, onde teria um debate sobre blogs e literatura na internet, com os autores dos livros, mediado por Armindo Trevisan, que eu também não conhecia pessoalmente, mas é um doce de pessoa. Muito tranquilo, querido, interessado, simpaticíssimo.
O debate foi muito legal, pena que tive que me ausentar por uns quinze minutos, para resgatar o Davison. Mas pegamos o finalzinho e ele também gostou muito. No final das contas, acabamos indo ao coquetel. Mas veja só, eu me esqueci que "coquetel de lançamento" não tem comida...risos...é coquetel de refrigerante, vinho e cerveja. Exceto o coquetel de lançamento da coleção do Pif Paf, lá no Rio, em que eles serviram uns salgadinhos.
Não teve bolinha de queijo, mas teve coisa muito melhor, conversa interessante com gente inteligente. Até o Armindo Trevisan ficou com a gente até mais tarde, já quase convencido a abrir um blog...risos...aos 72 anos, ele se diz "semi-analfabeto em computador", está aprendendo a mexer há poucos meses, mas já sabe salvar textos no Word. Bem, foi assim que eu comecei. :)
Saímos de lá exaustos (afinal de contas, acordamos muito cedo ontem e não paramos o dia inteiro), mas felizes por conhecer tanta gente diferente e, ao mesmo tempo, estranhamente participando de um mesmo mundo. Do nosso mundo. Conheci esta menina , que também não é daqui e está perdida em Porto Alegre. Uma menina bastante simpática e com um sorriso sincero. Conversamos um pouco e combinamos de manter contato. Eu tenho que aprender a usar o telefone. Enquanto não aprendo, felizmente há a internet :)
Tá que eu devo ter assustado a guria com aquele papo de "Finalmente eu conheço alguém em Porto Alegre!!" Se eu ouvisse isso de alguém, sairia correndo antes que a criatura grudasse em mim feito carrapicho em gato. Mas quem me conhece sabe que se existe uma coisa que eu não sei fazer é grudar em alguém. Completamente incompetente em artes chicletais, infelizmente, porque adoraria dar motivo para alguém me chamar de chata. Sem motivo, não tem graça.
Então, meu dia foi assim :) E hoje volto à feira do livro, depois do culto e depois do almoço. Vou aproveitar os últimos dias, já que a correria do mês passado e do início deste mês me impediu de aproveitar os primeiros. Depois, mais tarde, volto. Eu sempre volto.
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