Tuesday, November 08, 2005

Sim, eu sumi.



Existem inúmeros e inumeráveis motivos pelos quais eu simplesmente desapareci da internet nos últimos dias. Ando em uma correria descomunal, mas isso não seria, por si só, um motivo. Porque eu poderia escrever qualquer coisa a qualquer hora e publicar de qualquer lugar. Não é isso.

O maior motivo é um trato que tenho comigo mesma: não escrever quando não estou bem. E nos últimos dias não andei lá muito legal. A gente costuma dar a desculpa de que é TPM e pode até ser, mas a última coisa que eu iria querer é despejar lamúrias sobre vocês e depois tentar convencê-los de que foi passageiro, que era TPM, ou coisa do gênero.

Você me pergunta se eu já estou bem. Eu te respondo que ainda não completamente. Mas restou apenas a parte fútil da crise. Estou me achando feia. Bizarra, esquisita, horrorosa. Olhei minha sombra hoje no chão e pude ver claramente uma pastilha valda espetada em um palito. Essa sou eu. Um palito com uma pastilha valda no topo.

Não, o cabelo não ficou bom, definitivamente, eu não sou uma pessoa de cabelo curto. Felizmente meu cabelo cresce rápido, mas eu precisava que ele crescesse algo em torno de três centímetros por semana, no mínimo, isso porque estou sendo razoável.

E não, não fiquei mais jovem com esse cabelo. A foto engana. Fiquei mais velha. Envelheci de cinco a dez anos. A única coisa que lembra juventude nesse cabelo é o fato de eu ter feito um corte parecido, porém um pouco pior, quando tinha vinte anos. Só isso.

Agora estou com cabelo de pobre que não tem dinheiro para comprar tinta. Metade escuro, metade cobre desbotado. Definitivamente, não tenho paciência para mudanças graduais. Dá vontade de tacar uma tinta escura e solucionar o problema. Mas tenho que controlar meus impulsos para não voltar ao vício.

Resolveria tudo cortando de uma vez toda a parte tingida e usando diversos modelos de perucas por cerca de um ano e pouco. Mas peruca é um troço caro e eu não tenho dinheiro para ser perua. Droga.

Nesse período de crise, decidi esconder a bolsa de ursinho, porque já não sabia se as pessoas estavam olhando para mim ou para a bolsa de ursinho. E decidi usar cores mais neutras porque já não sabia se quando as pessoas olhavam elas estavam me achando bonita ou vendo uma guria esquisita com blusa vermelha e preta, presilhas coloridas no cabelo, poncho azul, lilás, vermelho, rosa, laranja e roxo, saia de retalhos vermelha e bolsa de ursinho de peúcia caramelo.

Meu sangue é baiano, não se esqueçam. Essa bolsa de ursinho, na verdade, é a melhor bolsa que já tive, ever. Cabe tudo, não descostura, não arrebenta a alça e não retém calor. Tão boa que comprei outra, para revezar. Dezessete Reais nas Lojas Americanas. E eu sou uma criatura bizarra.

Isso é natural em mim, mas de vez em quando tento mudar. Na maioria das vezes, em vão. Não quero virar uma pessoa sem graça, igual a todo mundo, mas também não quero ser confundida com uma árvore de natal a ponto de ninguém se lembrar da minha cara, só do meu guarda-roupa (que nem tenho, diga-se de passagem).

Meu problema não está no cabelo, mas dentro da cabeça. Porque o cabelo não é nada, não é ele que define uma mulher. Se eu estivesse com o cabelo até o pé, teria tido a mesma crise (e provavelmente, teria cortado o cabelo :-)). É uma soma de diversos fatores que me fizeram sentir completamente (ou parcialmente) incompetente nos últimos dias.

Acabei não escrevendo porque detesto alimentar esse tipo de sentimento, acho completamente ridículo e sem o menor propósito prático (ou teórico) além de ser uma masturbação emocional patética. E eu fiz isso durante anos, o suficiente para ter a exata noção do quão inútil e idiota esse tipo de cultivo da tristeza, da auto-comiseração e da desgraça.

Ao menos consegui contabilizar alguns avanços que fiz durante as últimas semanas:

- Parei de comer doces compulsivamente - Comemorar isso nada tem a ver com intenção de redução de peso ou controle de calorias, é que eu comia muuuuuito doce, mas muito doce mesmo, praticamente conformada em ser uma futura diabética (do jeito que eu andava, seria em um futuro não muito distante). Decidi me cuidar.

- Parei de usar o cartão de crédito - Não que eu usasse o cartão de crédito de forma descontrolada, na verdade o Davison gasta mais do que eu, que sou pão-dura. Mas tenho terror a cartão de crédito e acho que deve ser usado apenas em emergências (ou para compras via internet).

- Comecei a comer durante o dia - Às vezes até almoço! Pois é, eu vivo falando para as pessoas que o mais saudável é não ficar mais de três horas sem comer alguma coisa, que o ideal é fracionar as refeições em seis pequenas porções ao longo do dia, mas eu mesma não fazia isso. Acabava me esquecendo de comer e me empanturrava á noite, quando o Davison chegava. Agora comecei a comer direito e emagreci dois quilos!!

- Sobrevivo sem celular- Divido o celular com o Davison por opção. Quando meu celular se matou, pensei em comprar outro, mas sou pão-dura demais para gastar duzentos Reais em um aparelho e fui protelando. Até que percebi que sobrevivo bem sem o aparelho 24 horas por dia.

- Abandonei frituras, coisas de comer excessivamente coloridas artificialmente e só bebo refrigerante socialmente :) - Também por motivos de saúde.

- Aprendi a dormir um montão. - Ou: se não pode vencê-los, junte-se a eles. :) (Para quem não se lembra: antes de casar, eu ficava acordada de madrugada, dormia três, quatro horas por noite e acordava bem. Davison é um ser que precisa de oito horas noturnas de sono e faz drama se não dormimos simultaneamente.)

- Me sinto menos culpada por cada e-mail não respondido no passado - Hoje procuro responder assim que os recebo. De vez em quando respondo um jurássico, na cara-de-pau. Mas às vezes fico com vergonha, porque são muuuito antigos.

E outras coisas. Ou acabo escrevendo um post do tamanho de uma lista telefônica.

PS: Meu gato não mia, ele arrulha, meio pombo. E é viciado em alças de sacola de supermercado (escondo, mas de vez em quando ele encontra uma e come a alça) e brinca com a água da pia (fica todo molhado) do banheiro. A gata também brinca com a água da pia (ela é maria-vai-com-as-outras e imita o que ele faz), se joga de barriga para cima para a gente fazer carinho na barriga e fica fazendo massagem no ar. Gosta de caçar mosquinhas de banheiro e pequenas aranhas (que são os únicos insetos da casa, fora as formigas), mas nunca percebe que as esmaga com a patinha no meio da caça e continua procurando.

Ele gosta de saborear a comida. Come lentamente, com cuidado, sempre cheirando tudo muito bem e sentindo o sabor. Ela gosta de comer. Come. E se ele bobear, come a comida dele também. Ele dá preferência para a ração que está no chão, e se não tem ração no chão, coloca a patinha dentro do pote e joga alguns grãos no chão, para comer, bem feliz. Tentou fazer isso com a água também. Não foi tão boa idéia, mas ele achou legal, mesmo assim. Tudo é brinquedo e tudo é dele. E ninguém o convence do contrário.

Update:

PS2: Gente, eu não quero preocupar ninguém. Se já sou capaz de rir da minha própria desgraça, é porque não está tão ruim assim. :)

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