Um gesto de amor à vida
Algumas considerações a respeito da doação de sangue
Impressionante como, ainda hoje, existe preconceito em relação à doação de sangue. Ainda há muito medo, muitos mitos, muita falta de informação, a despeito das campanhas que já foram promovidas. A gente só entende a real importância da doação quando sente na pele o desespero de precisar (ou de ver um parente ou amigo precisando) de sangue, não ter estoque no banco de sangue, nem encontrar doadores.
Os possíveis riscos, para o doador e para o paciente, são eliminados na triagem e no exame feito na amostra coletada, sem contar que todos os instrumentos usados são descartáveis. No site da Pró-Sangue, de São Paulo, você encontra todas as informações sobre quem pode doar, impedimentos temporários e segurança na doação. Acesse: http://www.prosangue.sp.gov.br/ Endereços de postos de coleta em todo o Brasil, no site da Anvisa: http://www.anvisa.gov.br/sangue/hemoterapia/hemocentros/index.htm
Não é verdade que os bancos de sangue jogam fora sangue AB negativo, nem é verdade que eles tiram mais do que os 450 ml para a doação (existe uma pequena amostra extra para os exames). É, cerca de meio litro. Parece muito, mas não é, um adulto possui, em média, cinco litros de sangue, variando de acordo com o peso. Não faz a menor falta e o volume retirado é rapidamente reposto pela medula, 24 horas após a doação o total retirado já foi quase completamente reposto. Também não é verdade que doar sangue enfraquece o doador ou que quem doa uma vez não pode mais parar de doar. O organismo não produz sangue além do necessário e tudo segue na mais perfeita ordem.
O sangue O negativo é doador universal, quem tem esse tipo de sangue pode doar para qualquer pessoa, mas só recebe de pessoas que também sejam O negativo. Assim, é o sangue mais necessário aos bancos de sangue, já que, além de servir para qualquer pessoa, também é imprescindível a pacientes O negativo. Mas isso não significa que não haja necessidade de outros tipos de sangue e que outras pessoas não devam doar. O problema é que a gente sempre espera que o outro faça, quando não nos afeta diretamente. Se é para alguém da família a gente sai correndo, mas se é um desconhecido, deixa para depois, deixa para outra pessoa fazer. Se eu não estou vendo, o paciente não existe.
Enquanto isso, pregamos solidariedade, apontamos o dedo para quem não ajuda ao próximo, julgamos nossos vizinhos, mas não fazemos nada. Somos egoístas, hipócritas e irresponsáveis, sem a menor capacidade de olhar além de nosso próprio umbigo. Claro que não podemos, sozinhos, mudar o mundo ou solucionar todos os problemas da humanidade, mas não fazer o que está a nosso alcance é, no mínimo, negligência.
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