O Desmaio
Tá, ninguém mais comenta neste lugar. Muito provavelmente ninguém mais lê, também. Mas continuo aqui, firme e forte, escrevendo, mesmo porque hoje só vou sair à tarde. Descobri o motivo da histeria dos gremistas no final de semana: o Grêmio é campeão da segunda divisão! Puxa, eu jamais imaginei que alguém comemorasse daquele jeito um título de segunda divisão.
Bem, eu fiquei de contar a história do desmaio e acabei não falando nada. Ao contrário do que a Luly sugeriu, não, não vem bebê a caminho...risos...isso vai demorar um bocado para acontecer, se acontecer, porque meu instinto materno saiu para passear e não deu mais notícias. Aliás, esse assunto rende um outro post. Mas a verdadeira razão de eu ter perdido os sentidos foi a alta descarga de adrenalina durante a doação de sangue que fiz.
Não fiquei fraca, não desmaiei por causa do sangue, nada disso. É que a enfermeira errou a veia e, após tentar arrumar a agulha sem tirá-la do meu braço, resolveu que o melhor seria ficar segurando meu braço esticado, de uma maneira altamente desconfortável, enquanto eu me preocupava com o fato de vir a sentir dor.
Na verdade, eu fiquei um pouco irritada por ela não ouvir a minha sugestão de procurar veia no outro braço ao invés de ficar me espetando sob a pele. Todos os neurotransmissores mais histéricos resolveram cair em minha corrente sanguínea e como eu sou ligeiramente alérgica a adrenalina, desmaiei. Então, já não me lembrava de ter ido doar sangue, nem que estava no hospital da Puc, nem mesmo que estava em Porto Alegre.
Naquele momento eu estava sentada em uma escadaria, conversando animadamente com algumas pessoas das quais não me lembro a fisionomia. Mas o papo estava muito agradável, eu me dava super bem com elas, estávamos em frente a um prédio de tijolinho à vista, meio úmido e antigo. De repente, alguém mexeu na minha perna. Não tinha feito depilação, então não queria que vissem minhas pernas cabeludas (sim, esta foi a nobre motivação que tive para abrir os olhos).
Abri os olhos e havia umas seis pessoas vestidas de branco ao meu redor. Eu estava deitada, mas não fazia a menor idéia de onde estava ou de como tinha ido parar ali. Fiquei apavorada e tentei sair, mas elas estavam segurando os meus braços. Certamente eu havia sido sequestrada para servir de cobaia para experiências científicas. Então uma delas me disse: "Calma, calma!" E, estranhamente, naquele momento me lembrei do hospital da Puc, da doação de sangue e de Porto Alegre. Fechei os olhos novamente, já tranquila por saber que não havia sido abduzida.
Abri os olhos de novo e já estava com um curativo do tamanho de uma caixa de Polenguinho no braço esquerdo. Ainda tive que tirar um pouquinho mais de sangue do braço direito, para os exames. Me colocaram em outra poltrona, para eu descansar e trouxeram o lanchinho de pobre: um suco de frutas cítricas (que eu detesto, by the way, laranja e tangerina fazem peeling em minha gengiva) e um sanduíche de queijo e presunto. Obviamente, tirei o presunto antes de comer. ;)
Das outras vezes em que doei sangue o lanchinho era melhor. Uma vez, durante a campanha de doação de sangue que a minha igreja fez para o hemocentro da Santa Casa (essa campanha é feita todos os anos), me lembro de ter comido um cachorro-quente, oferecido no refeitório dos pastores. Só não me recordo se o líquido era coca-cola ou suco de uva (muito parecido), só sei que saí de lá mais feliz...risos...
Mas enfim, foi o suficiente para eu sair de lá e dar um pulinho (de ônibus, porque ainda estava meio tonta) no Bourbon da Ipiranga, para comer um sanduíche natural, um suquinho de uva e dois supinos (banana passa com cobertura de chocolate), que adoro. Descansei um pouco e peguei um ônibus de volta. Passei uns dois dias meio estranha, mas o que me cansou não foi a doação, não foi meio litro de sangue a menos, porque, como eu já expliquei, temos cerca de oito litros em nosso organismo e depois de 24 horas da doação, quase todo o volume de sangue retirado já foi reposto pela medula. O maior problema foi a descarga de adrenalina. Meu negócio é ser relax.
Mas meu sangue foi para uma pessoa, mãe de uma menina muito especial e carinhosa que não conheço pessoalmente. Continuo orando e torcendo para que dê tudo certo para essa família. Eu doei meu sangue, mas antes que eu doasse, Jesus doou o sangue dele, para salvar, para livrar do sofrimento, para curar, para libertar, para transformar. Meu sangue tem força física, apenas, mas o sangue que veio antes do meu, tem força espiritual que transcende qualquer entendimento. E, acima de tudo, é o sangue dele que está sobre essa senhora e sobre toda a sua família.
Que ninguém fique com medo de doar sangue por causa desse relato. Não é assim tão comum de acontecer um desmaio se você for descansado, bem alimentado e tranquilo para a doação. Eu fui desansada, bem alimentada e tranquila, mas perdi a tranquilidade por causa da berbeiragem da enfermeira. Mesmo assim, doei, desmaiei, acordei, fui para casa e aqui estou, muito bem, obrigada. E pude ajudar a alguém que precisava. E quem gosta de estados alterados de consciência vai achar a viagem o maior barato, caso desmaie. Sem o menor efeito colateral :)
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Tá, ninguém mais comenta neste lugar. Muito provavelmente ninguém mais lê, também. Mas continuo aqui, firme e forte, escrevendo, mesmo porque hoje só vou sair à tarde. Descobri o motivo da histeria dos gremistas no final de semana: o Grêmio é campeão da segunda divisão! Puxa, eu jamais imaginei que alguém comemorasse daquele jeito um título de segunda divisão.
Bem, eu fiquei de contar a história do desmaio e acabei não falando nada. Ao contrário do que a Luly sugeriu, não, não vem bebê a caminho...risos...isso vai demorar um bocado para acontecer, se acontecer, porque meu instinto materno saiu para passear e não deu mais notícias. Aliás, esse assunto rende um outro post. Mas a verdadeira razão de eu ter perdido os sentidos foi a alta descarga de adrenalina durante a doação de sangue que fiz.
Não fiquei fraca, não desmaiei por causa do sangue, nada disso. É que a enfermeira errou a veia e, após tentar arrumar a agulha sem tirá-la do meu braço, resolveu que o melhor seria ficar segurando meu braço esticado, de uma maneira altamente desconfortável, enquanto eu me preocupava com o fato de vir a sentir dor.
Na verdade, eu fiquei um pouco irritada por ela não ouvir a minha sugestão de procurar veia no outro braço ao invés de ficar me espetando sob a pele. Todos os neurotransmissores mais histéricos resolveram cair em minha corrente sanguínea e como eu sou ligeiramente alérgica a adrenalina, desmaiei. Então, já não me lembrava de ter ido doar sangue, nem que estava no hospital da Puc, nem mesmo que estava em Porto Alegre.
Naquele momento eu estava sentada em uma escadaria, conversando animadamente com algumas pessoas das quais não me lembro a fisionomia. Mas o papo estava muito agradável, eu me dava super bem com elas, estávamos em frente a um prédio de tijolinho à vista, meio úmido e antigo. De repente, alguém mexeu na minha perna. Não tinha feito depilação, então não queria que vissem minhas pernas cabeludas (sim, esta foi a nobre motivação que tive para abrir os olhos).
Abri os olhos e havia umas seis pessoas vestidas de branco ao meu redor. Eu estava deitada, mas não fazia a menor idéia de onde estava ou de como tinha ido parar ali. Fiquei apavorada e tentei sair, mas elas estavam segurando os meus braços. Certamente eu havia sido sequestrada para servir de cobaia para experiências científicas. Então uma delas me disse: "Calma, calma!" E, estranhamente, naquele momento me lembrei do hospital da Puc, da doação de sangue e de Porto Alegre. Fechei os olhos novamente, já tranquila por saber que não havia sido abduzida.
Abri os olhos de novo e já estava com um curativo do tamanho de uma caixa de Polenguinho no braço esquerdo. Ainda tive que tirar um pouquinho mais de sangue do braço direito, para os exames. Me colocaram em outra poltrona, para eu descansar e trouxeram o lanchinho de pobre: um suco de frutas cítricas (que eu detesto, by the way, laranja e tangerina fazem peeling em minha gengiva) e um sanduíche de queijo e presunto. Obviamente, tirei o presunto antes de comer. ;)
Das outras vezes em que doei sangue o lanchinho era melhor. Uma vez, durante a campanha de doação de sangue que a minha igreja fez para o hemocentro da Santa Casa (essa campanha é feita todos os anos), me lembro de ter comido um cachorro-quente, oferecido no refeitório dos pastores. Só não me recordo se o líquido era coca-cola ou suco de uva (muito parecido), só sei que saí de lá mais feliz...risos...
Mas enfim, foi o suficiente para eu sair de lá e dar um pulinho (de ônibus, porque ainda estava meio tonta) no Bourbon da Ipiranga, para comer um sanduíche natural, um suquinho de uva e dois supinos (banana passa com cobertura de chocolate), que adoro. Descansei um pouco e peguei um ônibus de volta. Passei uns dois dias meio estranha, mas o que me cansou não foi a doação, não foi meio litro de sangue a menos, porque, como eu já expliquei, temos cerca de oito litros em nosso organismo e depois de 24 horas da doação, quase todo o volume de sangue retirado já foi reposto pela medula. O maior problema foi a descarga de adrenalina. Meu negócio é ser relax.
Mas meu sangue foi para uma pessoa, mãe de uma menina muito especial e carinhosa que não conheço pessoalmente. Continuo orando e torcendo para que dê tudo certo para essa família. Eu doei meu sangue, mas antes que eu doasse, Jesus doou o sangue dele, para salvar, para livrar do sofrimento, para curar, para libertar, para transformar. Meu sangue tem força física, apenas, mas o sangue que veio antes do meu, tem força espiritual que transcende qualquer entendimento. E, acima de tudo, é o sangue dele que está sobre essa senhora e sobre toda a sua família.
Que ninguém fique com medo de doar sangue por causa desse relato. Não é assim tão comum de acontecer um desmaio se você for descansado, bem alimentado e tranquilo para a doação. Eu fui desansada, bem alimentada e tranquila, mas perdi a tranquilidade por causa da berbeiragem da enfermeira. Mesmo assim, doei, desmaiei, acordei, fui para casa e aqui estou, muito bem, obrigada. E pude ajudar a alguém que precisava. E quem gosta de estados alterados de consciência vai achar a viagem o maior barato, caso desmaie. Sem o menor efeito colateral :)
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