Aqui está MUITO frio e eu estou com sei lá o quê na garganta e tive um pouquinho de febre. Dormindo cedo, acordando cedo. Isso deve ter um impacto estranho na saúde. Espero que seja benéfico...risos...
Sunday, July 30, 2006
Aqui está MUITO frio e eu estou com sei lá o quê na garganta e tive um pouquinho de febre. Dormindo cedo, acordando cedo. Isso deve ter um impacto estranho na saúde. Espero que seja benéfico...risos...
Wednesday, July 26, 2006
Sala de Estar
Comunicar não é fácil
por Vanessa Lampert
de Porto Alegre
[27/07/2006]
Porto Alegre cansou de ser hostil, agora me recebe com um belo sorriso nos lábios sempre que resolvo sair para dar uma volta. Os dias têm sido mais claros, ainda que estejamos em pleno inverno, as árvores não foram avisadas sobre o final do outono e há folhas douradas espalhadas pelo chão. A chuva fina não caiu hoje, mas eu fui atrás dela. Perseguidora de chuvas que sou, o máximo que consegui foi lavar o carro. O sapato voltou cheio de areia. Estou cansada.
Não leia a última frase como se ouvisse uma velhinha exausta da vida, largada em sua poltrona, inerte, julgando que a morte deveria estar à sua procura, porque ela mesma anda exaurida de esperar ou buscá-la. Leia como realmente é. Como se ouvisse uma menina de onze anos chegando de uma brincadeira na rua, jogando-se no sofá, esbaforida, cheia de vida, de alegria e de...cansaço!
Físico mesmo, é, físico. Não sou mais aquela menininha. Também não fiz o menor esforço para sentir esse cansaço, mas é aquela coisa brega de "minha alma correu o dia inteiro"...brega e de muito mal gosto, porque parece que morri. Não morri. Apenas resolvi dar uma volta dentro de mim hoje. Isso é meio esquizofrênico, eu sei. Mas é que eu realmente não conheço tantas palavras quanto gostaria, acho mesmo é que metade delas não foram inventadas.
Por isso de vez em quando eu falo um idioma inventado, que tem todas as palavras de que preciso. É claro, não conheço todas elas, mas penso em uma coisa e me surge uma palavra inventada, que se pareça com o que pensei. Não existe barreira, não existem ruídos, não existem vícios de linguagem. Todas as palavras que procuro, encontro em minha língua inventada. E posso ficar horas inventando histórias com milhares de palavras, sem repetir nenhuma, escrevendo contos intermináveis em minha cabeça e descortinando versos inexistentes.
A única parte ruim é que ninguém entende minha língua inventada. Como as palavras partem da minha cabeça, só a minha cabeça consegue decodificá-las. Não quero escrever um dicionário, dicionários aprisionam palavras. Não posso colocá-las em fila indiana e inventar regras gramaticais, porque elas se intimidariam e desistiriam de nascer.
Então fecho meu livro inventado, aquele que vive dentro da minha cabeça, guardo a caneta inventada, o gravador que dita palavras, que as mistura, modifica, inventa, renova. Guardo tudo naquela gaveta em que convivem alegremente as minhas coisas bagunçadas, dentro de minha inestimável caixa craniana. Procuro as palavras no idioma conhecido, esse, que uso para escrever este texto. Não as encontro. Procuro novamente. Trabalho ingrato.
Se quiser escrever para não ser lida, uso minhas palavras inventadas. Se houver quem me leia, tenho que me fazer entender, comunicar-me usando as palavras antigas, aquelas repetidas, que todo mundo entende. É quando guardo a liberdade em caixinhas e me esforço para fazê-la parecer que tem asas.
Saturday, July 22, 2006
Monday, July 17, 2006

Há 66 anos nasceu a terceira criança na casa do Seu Vicente Sant'Anna, a segunda menina. Não existe um consenso quanto à data, costumava-se anotar o dia do nascimento dos bebês nas páginas em branco da Bíblia, entre o velho e o novo testamento, segundo as anotações, a menina nascera no dia 27. Ignorando o que diziam as páginas sagradas, Vicente registrou a menina como nascida no dia 17, e esta é a data oficial. No entanto, no decorrer dos anos ela sempre se lembrou de seus dois aniversários, e devo dizer que está bastante conservada para os seus 131 anos (132, daqui a dez dias).
Desnecessário dizer que não é fácil criar sozinha cinco crianças, e estou bem certa de que ela fez o melhor que podia, na época. Reconheço todo o esforço e devo admitir que eu não teria feito o mesmo, não acho que suportaria o peso de criar sozinha duas, quanto mais cinco. Criar uma criança em situações adversas já seria exaustivo demais. Mas - dizem - mãe tira forças de onde não tem para cuidar de seus filhos.
Eu vim sem aviso, vim na hora mais difícil, o casamento no fim, ela à beira dos quarenta, a penúltima coisa de que alguém precisava era mais uma criança. Ainda dei bastante trabalho, a última coisa de que precisavam era de uma criança doente, de uma cirurgia cardíaca aos 4 anos de idade. Mas quem pode saber qual é a hora certa? Infelizmente a vida não é um ensaio, não haverá possibilidade de refazer o que já foi feito, não existe borracha, não existe tecla "backspace", não existe Ctrl+z, não dá para sair sem salvar o jogo. Não sabemos se estamos no caminho certo, por mais que acreditemos estar, a vida não vem com manual de instruções, filhos menos ainda.
Mas se tem uma coisa que gostei dos meus primeiros anos, foi de ouvir todas aquelas histórias, mergulhar em seu passado e conhecer aquela menina que montava peças de teatro na rua e obrigava as crianças dos vizinhos, japonesinhos mais novos do que ela, a assistir. Que não comia direito, vivia anêmica, tomava suco de vinagre e esperava que o homem do picolé (não, eu não me recordo o nome) deixasse o carrinho guardado em sua casa, para que pudesse se fartar dos picolés sobrados do dia. Que fugia das surras da mãe subindo no corredor lateral da casa, um pé e uma mão na parede da casa, e o outro pé e a outra mão no muro. Se escondia na casa da avó e dela ouvia conselhos suaves. Eu sentia saudade da bisavó que não conheci, apenas ouvindo suas histórias.
Ouvia de longe o som do piano que sonhava em tocar, a incrível história do uniforme escolar com um cinto de couro, que ela usou para bater em uma coleguinha que lhe tirava sarro. A criança cujo irmão chamava de "capa de guarda-chuva" pelas pernas finas, tornou-se a mulher mais bonita da cidade (aqui eu assumo que minha opinião quanto a isso é bem suspeita, mas acreditem em mim).
Nunca entendi direito onde ia parar a criança quando a idade adulta chegava. Será que as pessoas viviam anos e anos sendo aquelas criancinhas e de repente viravam outra criatura completamente diferente? Minha teoria era simples: a criança continuava lá, mas a vida social nos obrigava a vestir uma capa e escondê-la. Os anos me mostraram que minha teoria estava certa e que a melhor coisa que eu fiz foi enxergar minha mãe como uma versão disfarçada daquela criança que ela fora um dia. E prestar atenção em cada uma de suas histórias, ouvir suas opiniões e instigá-la a me mostrar algo mais do que as respostas rápidas e superficiais que me dava quando o foco da conversa era ela.
Se tem uma coisa que vou levar para sempre, mãe, é a alegria de ter te conhecido. De ter me interessado em saber quem era aquela que cuidava tão bem de mim. De compreender os erros e os acertos, de admirar sua força, seu caráter e sua capacidade de se reerguer. As nossas conversas, tanta coisa que você me ensinou e que nem sabe.
E sei que não foi fácil, nada em sua vida foi fácil, nem mesmo se abrir para que construíssemos o relacionamento que temos hoje. Você não sabe o quanto torço, mãe, o quanto oro para que você tenha ainda muitos e muitos e muitos aniversários e que colha as alegrias que merece, que seja feliz com seu gaúcho (sim, porque você vai casar com um gaúcho...risos...), que tenha muita, mais muita saúde e muita, muita paz.
Saudade, mãe, porque a gente está longe. Mas feliz, porque a distância é meramente geográfica, você sabe que sempre que precisar de mim, estou aqui. Porque eu aprendi que a gente não leva nada dessa vida, que a vida, por mais longa que seja, é curta, passa rápido, e nada vale a pena. Só o que importa, só o que realmente importa é estar com quem a gente ama, com quem realmente gosta da gente. Conviver com você é um presente de Deus e eu não vou perder essa oportunidade por nada neste mundo.
Vê se te cuida bem porque você vai ter que viver - no mínimo - até os 130 anos (ou 260, se contarmos os dois aniversários), para quebrar o recorde mundial e entrar para o Guiness. :-)
PS: Foto- Mamãe em Tramandaí, em Fevereiro e a mão do Davison, que se achou descabelado demais para aparecer no blog :-D
Thursday, July 13, 2006
Pessoal, a Comunidade Gatos está promovendo uma rifa de um belo arranhador em forma de cubo, para ajudar a gatinha Shayenne, uma siamesa de 13 anos, que está lutando contra um câncer de mama. Ela já foi submetida a três cirurgias e está fazendo quimioterapia.
Ao comprar um lote, no valor de cinco Reais, você terá direito a cinco números para concorrer ao prêmio.
Para colaborar com o tratamento da Shayenne comprando um lote de cinco números da rifa, basta seguir o link:
http://rifaparashay.blogspot.com
Lá você escolhe o lote que quiser, seguindo as instruções do post. No blog tem mais informações sobre a Shayenne, a rifa e o arranhador. Lembre-se que a cada lote comprado você tem cinco chances de ganhar o arranhador. Comprando mais de um lote suas chances aumentam e você ajuda mais.
Obrigada!
Saturday, July 08, 2006
Porto Alegre cansou de ser hostil, agora me recebe com um belo sorriso nos lábios sempre que resolvo sair para dar uma volta. Os dias têm sido mais claros, ainda que estejamos em pleno inverno, as árvores não foram avisadas sobre o final do outono e há folhas douradas espalhadas pelo chão. A chuva fina não caiu hoje, mas eu fui atrás dela. Perseguidora de chuvas que sou, o máximo que consegui foi lavar o carro. O sapato voltou cheio de areia. Estou cansada.
Não leia a última frase como se ouvisse uma velhinha exausta da vida, largada em sua poltrona, inerte, julgando que a morte deveria estar à sua procura, porque ela mesma anda exaurida de esperar ou buscá-la. Leia como realmente é. Como se ouvisse uma menina de onze anos chegando de uma brincadeira na rua, jogando-se no sofá, esbaforida, cheia de vida, de alegria e de...cansaço!
Físico mesmo, é, físico. Não sou mais aquela menininha. Também não fiz o menor esforço para sentir esse cansaço, mas é aquela coisa brega de "minha alma correu o dia inteiro"...brega e de muito mal gosto, porque parece que morri. Não morri. Apenas resolvi dar uma volta dentro de mim hoje. Isso é meio esquizofrênico, eu sei. Mas é que eu realmente não conheço tantas palavras quanto gostaria, acho mesmo é que metade delas não foram inventadas.
Por isso de vez em quando eu falo um idioma inventado, que tem todas as palavras de que preciso. É claro, não conheço todas elas, mas penso em uma coisa e me surge uma palavra inventada, que se pareça com o que pensei. Não existe barreira, não existem ruídos, não existem vícios de linguagem. Todas as palavras que procuro, encontro em minha língua inventada. E posso ficar horas inventando histórias com milhares de palavras, sem repetir nenhuma, escrevendo contos intermináveis em minha cabeça e descortinando versos inexistentes.
A única parte ruim é que ninguém entende minha língua inventada. Como as palavras partem da minha cabeça, só a minha cabeça consegue decodificá-las. Não quero escrever um dicionário, dicionários aprisionam palavras. Não posso colocá-las em fila indiana e inventar regras gramaticais, porque elas se intimidariam e desistiriam de nascer.
Então fecho meu livro inventado, aquele que vive dentro da minha cabeça, guardo a caneta inventada, o gravador que dita palavras, que as mistura, modifica, inventa, renova. Guardo tudo naquela gaveta em que convivem alegremente as minhas coisas bagunçadas, dentro de minha inestimável caixa craniana. Procuro as palavras no idioma conhecido, esse, que uso para escrever este texto. Não as encontro. Procuro novamente. Trabalho ingrato.
Se quiser escrever para não ser lida, uso minhas palavras inventadas. Se houver quem me leia, tenho que me fazer entender, comunicar-me usando as palavras antigas, aquelas repetidas, que todo mundo entende. É quando guardo a liberdade em caixinhas e me esforço para fazê-la parecer que tem asas.
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Thursday, July 06, 2006

Pela primeira vez em três meses a Ricotinha ficou junto do Gatão sem bater nele!! A pedido da veterinária o Gatão foi à clínica tomar um banho. Compreensível, porque afinal de contas o gato vivia na rua, dormia na boca-de-lobo e está gordo o suficiente para não conseguir alcançar nada abaixo de seus ombros, portanto, não consegue se lamber. Não consegui tirar a sujeira e a oleosidade com produtos de limpeza a seco, o jeito foi levá-lo para a ducha, com direito a xampu especial manipulado em farmácia veterinária para ajudar na remoção da oleosidade.
Fiquei meio apreensiva, mas o que me tranquilizou um pouco foi saber que ele é mascote da clínica, todo mundo o conhece e todos o amam, porque ele é fofo, porque ele é bonzinho, porque ele é o único gato que conheço que sai da caixinha de transporte sozinho no consultório da veterinária e deita no chão de barriga para cima para ganhar carinho :-) E fica muito bravo na hora de entrar na caixa para voltar para casa.
Segundo o pessoal, o banho foi bem tranquilo e ele não reclamou. Chegou em casa cheirosinho e muuuuuuuito fofo, macio demais!! Todo mundo foi cheirar, é claro! O Tiggy gostou tanto do cheirinho que entrou na caixinha de transporte para pegar um pouquinho também...risos...e funcionou: saiu cheirosinho de lá!!! A Ricota, que costuma bater no Gatão e decididamente não gostava do cheiro que ele trouxe da rua, ficou mais tranquila com ele e hoje eles deitaram juntinhos e ela até lambeu a cabecinha dele!!! E só ficou brava quando - pasme - ele começou a ficar bravo (porque ela estava lambendo - ao contrário - a orelhinha dele) e mexeu a cabecinha, atrapalhando a "lambeção" dela. Como diria o narrador da propaganda da Polishop: "Incrível!!"
Tirei um mooooonte de fotos, nunca se sabe se ela realmente acostumou com ele ou se foi um lapso :-) No começo parecia que ela ia ter um treco quando ficava perto dele, chegava a perseguí-lo para encher o pobre gatinho de tabefes. Agora até brincam juntos e ela está super tranquila. Ele entrou em um regime para ver se perde um pouco de peso ou pelo menos pára de engordar. O ideal seria ele emagrecer o suficiente para conseguir se lamber, coisa que ele tenta, coitadinho. O problema é a compulsão alimentar, ele come, come, come, é só ver o prato de comida que come sem noção de quando parar. Agora a comida está sendo oferecida em horários. Aos poucos vou diminuindo a quantidade de vezes até chegar a quatro por dia.
A veterinária disse que o certo para gatos é deixar comida à vontade no prato para que eles escolham a hora de comer, em geral eles passam o dia beliscando. Mas no caso do Gatão, de compulsão alimentar (possivelmente por ele ter passado fome na rua), o jeito é racionar a comida para que ele não fique com obesidade mórbida, que pode causar diabetes, hipertensão, lipidose hepática e levar à morte. O negócio é perigoso. Se o simples controle das porções não adiantar, ele vai ter que comer ração light.
Minha maior preocupação é cuidar para que os outros dois não emagreçam por conta disso, se ele precisar de ração light, vamos comprar só para ele, os pratinhos são separados e pode dar um bocado de trabalho, mas vou aproveitando enquanto tenho tempo. E é isso aí, se a gente adota, tem que cuidar, é responsabilidade nossa zelar pela saúde dos nossos bichinhos.
Infelizmente não posso postar as duzentas fotos que tirei deles esta tarde, vou colocar apenas algumas:

Mais um flagra do momento-carinho entre Ricota e Gatão

Tiggy abraçando a Ricota com o rabinho

Ricota e Tiggy, em sono sincronizado

Gatão e sua barriguinha sexy, mostrando como está fofinho depois do banho da clínica veterinária.

A boquinha do Tiggy é assim mesmo, por causa do acidente. É charme :-D

Gatão Gordão Baleia Lampert, limpinho :-)

Os três mosqueteiros: Ricota, Tiggy e Gatão

Tiggy e Ricota à frente e Gatão ao fundo, desmaiados. Sono profuuuundo :-)

Ricota, Tiggy e Gatão, que não consegue se lamber, mas compensa isso lambendo seu irmãozinho Tiggy

O grande e expressivo perfil do Gatão

Unidos :-)

Ricota, dormindo. Tiggy tentando (sem sucesso) fazer o Gatão entender que ele cansou do banho.
PS: Estou com uma música na cabeça há uns três dias: "A taça do mundo é nossa, com basileiro não há quem possa..." Meu cérebro anda meio irônico ultimamente...
Agir por impulso é perda de tempo
por Vanessa Lampert
de Porto Alegre
Ao levar um de meus gatos à clínica veterinária dia desses, uma atendente me contou de uma mulher que comprou um gato persa por seiscentos Reais, era um filhote, fofinho e peludo como todos os persas e certamente ela o levou por achá-lo bonitinho. Algum tempo depois o filhote voltou para um banho, a moça notou que ele parecia mais magro e abatido, mas achou que fosse apenas impressão. Mas algum tempo se passou até que a mulher aparecesse com o gato muito debilitado, foi constatado que ele estava desnutrido e desidratado: estava morrendo de fome. A veterinária ainda tentou salvá-lo, mas era tarde demais. A mulher pagou seiscentos Reais por um gatinho e deixou que ele morresse de fome. Muito provavelmente ela comprou o gatinho sem pensar, sem pesquisar antes. Persa é fofo, mas dá trabalho, tem que tomar banho, fazer tosa higiênica, escovar diariamente, cuidar dos olhinhos. E gato não é cachorro, que tem horário para comer, gato deve ter seu pratinho de comida e outro de água sempre à disposição, ele escolhe a hora que vai comer e costuma beliscar várias vezes durante o dia. Talvez essa moça tenha comprado o persa sem antes pesquisar como ele deveria ser cuidado. Não raro vemos pessoas adotando filhotes e depois que eles ficam adultos, resolvem jogá-los na rua porque não são mais engraçadinhos. Quem adota um animal esquece que ele não é um brinquedo, que vai comer, fazer cocô, pode ficar doente e tem que ser tratado, deve ser alimentado com ração, tudo isso dá despesa, fora gastos com castração, telas nas janelas e todo o aparato necessário para a posse responsável. Um gato castrado e bem cuidado vive quinze, dezesseis, dezoito, vinte anos, esses animais dependem totalmente de nós e a partir do momento em que levamos algum para a nossa casa devemos estar cientes de que é uma responsabilidade para a vida toda. Infelizmente não é isso que vemos, a cada dia cresce o abandono e a irresponsabilidade que faz com que gatos de casa engravidem gatas de rua, filhotes nasçam condenados à morte, expostos à maldade humana, ao trânsito enlouquecido, a cachorros bravos, a diversas doenças. Gatas não castradas engravidam e são jogadas na rua com seus filhotes, às vezes o abandono não tem motivo, não tem explicação. Isso acontece com gatos adotados ou comprados também, é comum vermos animais de raça abandonados nas ruas, porque foram comprados por impulso. Agir por impulso é agir irresponsavelmente, dei um exemplo que ilustra um extremo, de quando a impulsividade coloca em risco outra vida, assim como quando uma menina engravida (ou adota um bebê) por querer ser mãe, mas não pensa no que pode acontecer, se está preparada emocionalmente, se tem condições financeiras, se realmente sabe o que está fazendo. Pior ainda é quando, no desespero, a garota grávida recorre a um aborto, por impulso, e depois passa a vida inteira a martirizar-se. Mas às vezes as conseqüências não parecem ser tão graves, andamos de um comportamento impulsivo a outro, ofendendo sem querer ofender, comprando sem precisar comprar, começando e terminando relacionamentos sem pensar, comendo além do que precisamos comer. Se deixar levar pelo impulso, pela ansiedade, pela preguiça de pensar, pela pressa em tomar uma decisão como se o mundo acabasse amanhã faz com que percamos muito mais tempo do que perderíamos se refletíssemos antes de fazer alguma bobagem. Nossa sociedade valoriza a pressa na tomada de decisões, tudo é para ontem, tudo é correria, os dias passam mais depressa e corremos atrás do relógio, desesperados, sem nos dar conta de que cada escolha afeta nossa vida e nos leva a uma nova escolha. Se soubéssemos a importância de cada passo, pensaríamos mais. O problema é achar o ponto de equilíbrio entre decidir com pressa, de qualquer jeito e pensar eternamente, sem decidir nada. Pesar prós e contras, pesquisar, se for o caso, fazer escolhas conscientes e agir com responsabilidade não nos impede de errar, mas ao menos nos ajuda a não errar por burrice.
[06/07/2006]
PS: Links para os textos do Davison no Focando:
Para ler o primeiro, clique aqui
Para ler o segundo, clique aqui
PS2: Texto novo meu no focando, só amanhã. :-)
Saturday, July 01, 2006

Já faz um bom tempo que eu aprendi que tenho o direito de permanecer calada e que algumas coisas podem - e devem - ser mantidas em silêncio até o momento em que - enfim - ganham voz. Então, mesmo voltando à ativa no blog e nas colunas (sim, falhei esta semana, mas prometo que foi a última, já que de agora em diante as coisas ficam mais tranquilas), mantenho silêncio até que volte a pedir a palavra.
O Brasil foi eliminado da Copa e agora eu sou Portugal desde criancinha, só para torcer para o Felipão. O mais engraçado foi escutar os netos da vizinha, que devem ter em torno de cinco anos, comemorando o gol da França e depois gritando "gooooool" quando o Ronaldinho chutou para fora :-) Alguém esqueceu de explicar alguns fundamentos básicos para os piázinhos. Mas pelo menos eles se divertiram.
Eu passei um pouco de raiva durante o jogo, mas o Brasil só chegou até as quartas de final por pura sorte, como um time forte com ótimos jogadores conseguiu fazer uma copa capenga, eu não sei, mas espero que o Parreira fique bem longe da seleção depois dessa, não é uma boa idéia colocar uma árvore para treinar um time de futebol.
Não sou chegada a futebol, mas quando assisto me divirto, sou a única mulher que conheço que entende a regra do impedimento, para o espanto de meu adorável marido, que em um dos primeiros jogos que assistimos me ouviu dizendo, antes do juiz e do Galvão Bueno que determinada jogada não valia mais porque o fulaninho estava impedido :-) Mas não compreendo o desespero e gritaria histérica neanderthal que toma conta de alguns indivíduos na hora de "comemorar um resultado". A parte boa de ter perdido o jogo de hoje foi ouvir o silêncio e a paz que a ausência de fogos traz. Pense bem, temos sempre que olhar o lado positivo, até mesmo da desgraça, talvez por isso eu esteja quase com vinte e sete anos sem um mísero fio de cabelo branco.
Descobri - finalmente - a origem de misteriosas lascas de queijo que brotam há alguns (muitos) meses na janela da minha área de serviço: estava eu a lavar a louça e a Ricota olhando o movimento das folhinhas das árvores, sentadinha na janela, quando ouvi a voz de um senhor:
-Oi! Tudo bom? Cadê o amarelinho?
Imediatamente um míssil amarelo veio correndo da sala até a área, atropelando meu pé, que estava em seu caminho. Ele subiu na janela, as orelhinhas para a frente, atento, empurrou a cabecinha contra a rede de proteção, fazendo gracinhas para o vizinho, que conversava com ele:
- Oi! Você quer vir para cá? Quer vir para cá? Que bonitinho, gatinho de circo!!
E lá estava o Tiggy, de pé, agarrado à tela, esticando a patinha para o lado do vizinho. Depois que ele saiu de lá, fui, discretamente, conversar com a Ricota à janela. Ao me ouvir, uma senhora, esposa do vizinho amigo do Tiggy, veio conversar comigo pela janela.
- Seus gatinhos são muito fofos! Meu marido fica conversando um tempão com o amarelinho.
Não é a primeira vez que eu ouço isso, dia desses encontrei a vizinha de baixo que também se mostrou encantada com todos eles, principalmente com o Tiggy, que é uma estrelinha. Tive que explicar para a senhora de hoje que ele não quer sair pela janela, ele apenas adora pessoas e achou o máximo encontrar quem converse com ele e brinque de longe. Felizmente o apartamento é todo telado, senão não sei o que seria desse gato. Extremamente sociável, ama pessoas e outros gatos, não estranha ninguém e faz amizade com tudo que se mova.
Se o mundo lá fora é perigoso até para os gatos "descolados", ariscos, que não se aproximam de gente estranha, que fogem de cachorros e chegam ao outro lado da rua quando a atravessam, imagina para um gato super manso e completamente sem noção? É mais do que óbvio que apartamentos com gatos devem ter todas as suas janelas teladas (e nem sai caro colocar rede de proteção nas janelas, certamente sai bem mais barato do que um tratamento veterinário - caso o gatinho sobreviva à queda), e mesmo morando no primeiro andar insisti que só me mudaria para o apartamento depois que todas as janelas estivessem bem teladas. Não vou expôr meus gatinhos a riscos desnecessários.
Conversei mais um pouco com ela, mas esqueci de perguntar seu nome. Ela e o marido moram no apartamento há vinte e oito anos, me contou da época em que o sol batia forte na janela durante o verão, porque não havia o prédio da frente e tudo por aqui era mato. As coisas mudaram muito em pouco tempo. Hoje temos o prédio da frente e ali, segundo ela me contou, tem uns três apartamentos com gatos. O do segundo andar tem um gatinho preto (que eu já vi), mas as janelas não são teladas. Dá uma certa agonia vê-lo andando na beiradinha da sacada. Engana-se quem pensa que gato é hábil em equilibrar-se e que eles sempre caem em pé. Às vezes uma corrida atrás de um bichinho, às vezes um escorregão, às vezes uma viradinha errada durante uma soneca na janela e espatifa-se o gato no chão. (Quem acha que eu estou exagerando, por favor dê uma olhada nesses dois links: Do Sos Gatinhos e do Adote um Gatinho)
Semana passada recebi a triste notícia do Claudio Téllez: o gato de uma vizinha dele caiu da janela, ele conseguiu levá-lo ao veterinário com vida, mas assim que o gatinho voltou para casa, não resistiu. Depois da tragédia, a dona resolveu telar as janelas antes de colocar outro gatinho no apartamento. Para o meu espanto, minha vizinha falou de um gato do sexto andar que mora em apartamento não-telado. Felizmente outro, do mesmo andar, acabou de ganhar um dono responsável e consciente, que colocou telas nas janelas na mesma semana em que vi o filhotinho de persa branco caminhando pela beira da sacada, bem feliz.
É complicado, mas se a gente se dispõe a cuidar de um bichinho, tem que cuidar direito. Castrar e não dar acesso à rua é garantir que ele tenha qualidade de vida e vida longa, tão importante quanto dar ração de qualidade, manter as vacinas em dia e tratar qualquer eventual problema de saúde. Tem gente que erra por falta de informação e assim que descobre a importância da castração e das telas nas janelas, trata de providenciar tudo. Mas tem gente que não consegue aprender nem com os próprios erros, quanto mais com os erros dos outros, e prefere bater a cabeça na parede a admitir que estava errado.
Conversei um bocado com nossa vizinha, até que voltei para a minha louça :-) O frio deu uma folguinha hoje e conseguimos sair sem congelar, Davison havia marcado seu corte de cabelo semestral :-). Salão lotado. Acabou o jogo e o pessoal foi ao cabeleireiro exorcizar fantasmas. O cabeleireiro, para o Davison, indignado com a seleção:
- Os caras jogaram que nem umas moças, depois eu é que sou o viado!!
E talvez eu seja a única pessoa que não escreveu praticamente nada sobre a copa (exceto o pequeno comentário sobre o uniforme da Croácia) e agora que a seleção saiu desanda a falar de futebol. Acho que nasci com alguns parafusos trocados. Bem, melhor assim do que puxar o lado marginal da família, ao menos meu desvio de comportamento é exclusivamente literário...risos...e só prejudico com isso àqueles que neste momento gostariam de esquecer completemente que existe futebol. À estes, minhas sinceras desculpas, não pude evitar, foi mais forte do que eu. :-)
Sendo obrigada a assistir à TV por conta dos jogos, me peguei extremamente irritada com a propaganda da Pepsi "Dá, dá, dá", achei - como consumidora - que estava sendo insultada, mesmo com todas as explicações sobre a peça. Não sei se encararia da mesma forma se tivesse sido chamada para fazer figuração na gravação do comercial, o pessoal que conheço que participou da gravação não estranhou o "dá, dá, dá", mas como não fui chamada, sinto-me à vontade para expressar minha sincera opinião. :-)
Aliás, existem muito poucas propagandas bem feitas sendo veiculadas na TV aberta, pelo menos nos horários em que eu assisti. Gostei bastante da peça do Guaraná Antárctica com o Maradonna, as da Skol, e - é claro - a da Lebon, na qual faço figuração The Flash como assistente do Seu Vicente ( que - a propósito - era o nome do meu avô ) e que não passa em todo o Brasil, unfortunatelly. Ainda não tinha trabalhado com a produtora Cápsula Cinematográfica e os caras estão de parabéns, tanto pela seriedade do trabalho quanto pelo resultado final.
Já faz algum tempo que essa peça está veiculando, mas eu nunca falo nada das propagandas em que faço figuração porque acho que não convém, são aquelas coisas que preferem ser mantidas em silêncio. É um trabalho muito divertido, cansativo para caramba, mas do qual saio revigorada, mesmo quando não apareço. É um dinheirinho suado (às vezes literalmente...risos..), mas melhor do que vender balinhas na rua (oh, tempo cruel).
De resto, os dias estão otimos, corridos, mas fica a sensação do dever cumprido. Agora - espero eu - alguns dias de tranquilidade, para trabalhar com calma, descansar um pouco, tirar fotos novas, aproveitar o tempo. Porque cada dia tem sido um presente de Deus e Ele nos mostra, a cada minuto, que tem cuidado de nós. Só tenho a agradecer, nossos planos estão em Suas mãos, cada segundo de nossa vida. E é na confiança de que Ele continuará cuidando de nós e de nossas famílias que tocamos em frente, ainda que eu não entre em detalhes, é fácil saber que anda tudo bem. Isso, é claro, para quem se importa com a notícia. :-)

A propósito...

PS: Já que falei em gatos e - mais especificamente - de um certo Gatinho Amarelinho, quem não leu deve ler o primeiro texto do Davison no Focando: Para ler, siga o link: O Embate (clique aqui)
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