Wednesday, September 28, 2005

Hoje tem Sala de Estar

Falando um pouco sobre hoax :) Clique aqui!


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Comentários (o haloscan apaga os comentários a cada quatro meses e como já perdi os de alguns posts anteriores, prefiro colá-los aqui, antes que sejam deletados):

hahahaah.. menina, lembra de mim? Eu ri muito lendo tudo aquilo.


Gravatar Obrigada pela força com a Cris!
Valeu mesmo! Ela está super chateada, a conheço de Orkut, sei que é uma batalhadora!
E você, como está?
Bjinhos. Tammy



De frente



Passamos o final de semana em Granela. Dave trabalhou na terça (passada, que foi feriado) para folgar na sexta e viajamos. Na volta, passei dois dias na correria para refazer documentos e entregar currículos. Também comecei a fazer aulas da auto-escola (finally!!!), por isso só tive tempo de entrar na net para escrever alguma coisa ontem. Respondi alguns emails e não deu tempo para postar nada. Hoje minha entrada na internet é obrigatória. Vou terminar a coluna e deixar umas coisas mais ou menos prontas. Escrevi um montão na fila para a segunda via da identidade (uma hora e meia, duas horas), mais um montão na fila para a carteira de trabalho (uma hora) e um pouquinho na fila do banco (vinte minutos), além de mais um pouco na lotação (uma hora, mais ou menos, contando ida e volta). Ao menos o stress foi produtivo :)

As costas, moídas, reclamam. Confesso que senti um desespero por não poder entrar na internet durante esse tempo. O vício. Tiramos algumas fotos em Granela (muito poucas, já que só fez um dia de sol) e dessa vez não tiramos a clássica autofoto no pedalinho de cisne do Lago Negro, já tradicional, só muda a roupa e o cabelo. Desta vez inovamos, tiramos fotos à noite, na rua principal, aquela coberta (argh, me fugiu o nome!!), tiramos fotos da pousada, super simpática, bonita e uma das mais baratas que encontramos. Infelizmente ela não é muito fotogênica.

Cada vez mais me convenço de que sou um ser esquisito. Sei que tenho muito o que crescer (muito mesmo), que com o tempo ficarei mais tranquila, aprenderei a conviver melhor com as pessoas (ou desistirei delas de uma vez). Sou uma "alma livre", uma criatura selvagem (que medo), com pouco ou nenhum interesse em se adaptar a este mundo, vivendo a vida do jeito que acho mais correto, sem me importar com a definição que os outros dão do que é a vida. Por isso eu visto o que eu quero, falo o que eu quero, faço o que eu quero. Mas é claro, sendo uma pessoa em total controle de suas faculdades mentais (que têm pós-graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado mental), não corro o risco de virar uma maluca sociopata. Mas que Porto Alegre não me entende, não me entende mesmo.

Andei segunda e terça no centro da cidade. Estava ainda mais assustador do que eu me lembrava que era. Nem tinha barulho além do normal (do normal do centro de Porto Alegre, que é anormal de qualquer maneira...risos...), mas a multidão me apavorava. Era muuuuuuita gente. Sim, eu sou do tipo que se apavora com multidão. Acho assustador. Dá vontade de sair correndo, de encontrar um canto isolado qualquer, de me esconder no primeiro buraco. Não chega a ser uma agorafobia, mas ver tanta gente me faz ter a sensação de que a qualquer momento serei tragada pelo gênero humano.

E também, na verdade, ver tanta gente me faz ter a exata noção de que eu sou apenas mais uma. Mais uma pessoa, como qualquer outra. Do mesmo tamanho das outras, do mesmo formato que as outras, talvez com um pouco mais de cabelo. Igual. Justo eu, que me sinto tão única, tão especial, tão diferente, sou exatamente igual a qualquer um. E isso me faz tão pouco importante que eu prefiro nem pensar, se quiser continuar vivendo feliz e saltitante. Porque cada uma daquelas pessoas se sente única, especial, diferente. Mas são todos iguais. Os mesmos sentimentos, as mesmas angústias, escolhas diferentes, vidas extremamente complexas, histórias que eu jamais conseguirei conhecer.

Justo eu, que gosto tanto de ouvir histórias, de ver gente falando da vida, contando como conheceu o marido, como terminou com a namorada, a história de vida, as perdas, as dores, as alegrias... aquelas histórias passam por mim, trancadas naqueles corpos, e eu não tenho acesso a nenhuma delas. Nenhuma. Dá um pequeno desespero saber que todas aquelas pessoas que passam por mim são histórias que ficarão sem ser contadas, coisas que eu jamais saberei, que ninguém vai me dizer. E o conhecimento ao qual tenho acesso é tão mínimo diante da imensidão desse mundo e de tanta informação existente, que eu sou uma formiguinha carregando um minúsculo grão de açúcar, como se fosse grande coisa.

Mas a vida não transcorre apenas em uma nível macro, universal, abrangente. Ela é, principalmente, os detalhes. O microcosmo, o mundinho, a casa, a família, as idéias, o indivíduo, com seu cérebro. Aí sim, ele é importante. Visto de perto, cada um é único, especial e diferente. E é assim que deve se sentir se quiser viver bem, microcosmicamente. Ficar divagando sobre nossa pouca importância só nos imobiliza diante da vida, do tempo e de outras coisas que não param.

Infelizmente não consigo compreender a multidão, que se faz tão igual, ignorando as particularidades que nos fazem únicos, que fazem com que sejamos tão individualizados. A multidão me confunde, massifica, esconde. Não dá tempo de olhar o outro no meio da multidão, não dá tempo de olhar para dentro da gente mesmo enquanto há agitação e barulho. Talvez por isso muita gente nunca pare: para não olhar para dentro. Mas a multidão não pára. Mudam os rostos, reconheço alguns, ninguém fala comigo, ninguém esclarece nada. Meu maior problema com a multidão é saber que ela passa por mim e não volta para contar a história *(1).


*(1) Se voltasse, seria ainda mais assustador. Teria que formar uma fila indiana e chamar um por um. :)

Ps: Foto de abertura: Eu precisava de uma foto de frente. Ia tirar foto de longe e depois recortar o rosto. Posicionei a câmera na janela enquanto o gatinho tomava banho ao meu lado. Liguei o timer e fiquei esperando, imóvel, dez segundos para que ela batesse a foto. Como era sem flash, tinha que esperar ainda mais dois segundos, sem me mexer, para que a imagem não ficasse tremida. Quando baixei no computador, percebi que não estava sozinha nessa espera. O mais incrível é que é sempre uma dificuldade total para convencer esse gato a parar, de olhos abertos, para tirar uma foto sem flash. Gatos só fazem o que queremos quando eles mesmos querem...risos...

Ps2: Hoje é quarta, dia de coluna na Paradoxo. Aí vai o link. :)


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Comentários (o haloscan apaga os comentários a cada quatro meses e como já perdi os de alguns posts anteriores, prefiro colá-los aqui, antes que sejam deletados):

Esqueci: como o Tiggy tá grande!!

Beijos pros dois felinos lindos!


Gravatar Van, quanto tempo!
Como cê tá?

Me perdoe a falta de presença aqui no seu Blog e na Paradoxo, é que tô meio (muito) atolado.

Mas quando a poeira abaixar (ah ela vai abaixar, ah se vai!!) eu te visito com calma.



Beijos!


Gravatar oi, cheguei no seu blog pois estava procurando informações sobre o depilador definitivo GA.MA, bem depois do seu depoimento, não vou comprar.
Mas fiquei APAIXONADA pelos seus gatitos... sou louca pelos bixanos, na minha casa em Natal - RN tenho 6, mas estão com minha mãe agora eu me mudei pra recife.
Bem, cuide bem dos gatinhos e espalhe esse dom pelo mundo e vamos ensinar a todos a gostarem de gatos e não maltratarem...
Beijinho
Luinha


Gravatar Linda a foto de vcs.... Ficou perfeita.
Sabe, tenho também problemas com multidão, prefiro ficar quietinha no meu canto.
Bj
Vou lá na Paradoxo.


Gravatar Oie! Tô na corrida, cheia de coisas para arrumar aqui. Passei seu Blog do Autor Desconhecido para uma amiga minha. Tem um texto correndo na net como se fosse de Chaplin, mas é dela. Imagino que vocês tenham muito o que conversar. Se puder ajudá-la, ela está meio aflita com a história. Chaplin não precisa mais de texto, né? Ainda mais um que não é dele. Ela achou 900 ocorrências como sendo dele...
Saudades...linda a foto com o gato!
Bjinhos. Tammy

Esclarecendo- Conversa franca e aberta sobre depressão, experiência pessoal e Deus.

Dois comentários, do Túlio e da Cath, me fizeram parar para escrever este texto, mesmo com a pilha de louças para lavar e um banho urgente para tomar...risos... Primeiro, Cath, guria desaparecida! Eu estava com saudade. E o Túlio sumiu até do Orkut! Fiquei preocupada. Tenho vontade de voltar a responder os comentários, mas essa vontade esbarra no tempo, ou melhor, na falta dele.

O comentário da Cath: "Olha... (como eu sou palpiteira!). Se você escrevia textos depressivos aos 15, isso nao significava necessariamente que voce estava em depressão. A minha experiência com depressao é que nada se faz quando ela esta no comando. Bão, mas a minha experiência nao é representativa. O que sei é que é muito bom que voce nunca tenha parado de escrever."

Cath, eu não escrevia textos depressivos aos quinze anos...risos...eles vieram, anos depois, como consequência do meu estado emocional. E realmente, não se faz nada quando ela está no comando, mas estranhamente, escrever é uma das exceções. Tanto que muitos escritores que sofriam de depressão eram muito mais produtivos quando estavam em crise. Acredito que a depressão, enquanto entidade (...risos...) permite que isso aconteça porque é uma bela forma de se torturar quem escreve e afundá-lo ainda mais nela, já que os textos depressivos alimentam a própria depressão. Nos momentos mais críticos, porém, eu não conseguia colocar uma linha no papel, nada. Ficava trancada no quarto, chorando, sofrendo, pensando em uma forma de sair daquele pesadelo. E se escrevia alguma coisa, era algum desabafo totalmente sem sentido que eu rasgava em seguida. Literatura, jamais.

E eu parei de escrever, sim, justamente na época em que consegui me levantar. Fiquei um ano inteiro sem conseguir colocar uma única linha no papel, porque queria ficar bem e escrever sobre sentimentos torturados só me fazia ficar pior. Ali eu percebi isso. E percebi também o quanto é difícil para alguém que já se acostumou a produzir textos depressivos fazer um texto bom e leve, quase impossível, uma tortura, branco total. É como o artista que só consegue produzir estando sob o efeito de alguma droga. A depressão entorpece, ela é ruim, mas começa a fazer parte de nós, sem perceber ela faz com que nós a alimentemos, de forma com que esteja sempre ali, latente. Quebrar o ciclo é que é difícil. Sair do círculo. Eu tive que deixar de escrever durante um ano e meio e se retornei e tive que reaprender a escrever, como estava reaprendendo a viver e a encarar o mundo, é porque escrever era muito mais forte do que qualquer obstáculo. Felizmente. :)


A pergunta do Túlio:
" Como vc conseguiu sair da depressão? Com ajuda de algum psicólogo, remédios, psiquiatra? Ou vc 'se curou' sozinha?"


Túlio, eu acredito na ajuda de profissionais, sem dúvida nenhuma, mas o que a gente está acostumado a ver é terapia e medicamentos servindo como paliativo. Conversei com uma psicóloga, no colégio, sobre a possibilidade de consultar um psiquiatra. Ela me disse que eu jamais ficaria cem por cento boa, que depressão era controlável, mas não tinha cura. Me alertou que remédios poderiam causar dependência e me aconselhou a buscar tratamento. Eu não queria passar a vida sendo controlada, queria me livrar daquilo. Saí de lá desejando nunca ter entrado naquele consultório e decidida a me livrar daquilo sozinha. Não, não consegui. Ainda foram mais três longos anos de escuridão. Eu achava que depressão era uma coisa natural do ser humano, já que lidar com emoções nunca é fácil. Comecei a aceitar e tentar aprender a conviver, mas é impossível. Chega uma hora em que você realmente acha que a morte pode ser uma saída.

Eu não queria me matar, queria morrer, achava que tinha alguma diferença nisso..risos...me pegava esperando uma doença que me levasse sem que fosse culpa minha, um câncer, qualquer coisa (olha só a estupidez!) Atravessava o viaduto na saída da faculdade esperando me desequilibrar e cair lá embaixo. Às vezes parava e pensava que pular seria fácil e rápido. Meu sonho, na época, era entrar em coma e esperar a morte sem precisar viver. Cheguei a tomar comprimidos que prometiam, com uma superdosagem, o coma. Me arrependi e acordei, milagrosamente, quatro horas depois...risos...

Um dia um amigo, cheio de vida, alegre, comunicativo, daqueles que enchia qualquer lugar em que estivesse, morreu afogado, justo na semana em que minha mãe tinha me mandado para Brasília para ver se eu melhorava um pouco. Me caiu a ficha da bobagem que eu estava deixando acontecer com a minha vida. Escrevi: "A morte bateu à porta, mas errou de casa". Era eu quem a estava pedindo, querendo, desejando, ansiando. Não era justo. O cara amava viver e havia sido privado, violentamente, disso. E eu, tendo a oportunidade que ele não teve, estava jogando tudo pela janela.

Claro que a consciência disso tudo não foi o suficiente para me tirar do buraco, mas me ajudou a ter uma vontade genuína de me livrar daquilo, de uma vez por todas. Percebi que não queria deixar de viver, só não queria mais viver daquele jeito. E comecei a ter nojo do meu próprio comportamento, dos meus pensamentos destrutivos, das minhas atitudes destrutivas (como a mania de engolir qualquer remédio, para qualquer coisa, sem critério), daquilo que me lançava à cama por dias e dias, me fazia viver feito um zumbi, que me fazia viver isolada, sem conseguir conversar com ninguém. Não, não era normal. E eu não queria controlar nada, ou eu viveria sem aquilo ou não viveria mais. Mas eu queria viver. Então resolvi bater em qualquer porta que pudesse me livrar daquilo.

Por isso eu não considero que tenha saído dessa sozinha. Porque sempre que tentei sozinha não consegui. Conheço gente que conseguiu controlar, que conseguiu superar até, de forma diferente, mas comigo só uma coisa funcionou: Eu me via como alguém à beira da morte, que queria viver. Fui criada na Igreja Batista, tive uma educação bíblica tradicional, acreditava em Deus (se bem que àquela altura do campeonato até isso estava balançando) e tinha plena convicção de que a depressão não era um problema espiritual. Mas como estava desesperada, resolvi apelar. Minha decisão foi mudar radicalmente minha vida. Tudo. Parar tudo, jogar no lixo o que eu havia sido até então e recomeçar do zero. Comecei largando a faculdade e me afastando de todos os "amigos" que me restavam. Engoli meu orgulho batista e entrei, escondido, em um domingo pela manhã na Igreja Universal, onde minha mãe já frequentava. Já tinha ido outras vezes, mas desta vez conversei a sério com Deus, dizendo que não tinha forças para me livrar daquilo e que se ele realmente existisse, eu me colocava à sua disposição para que ele me ajudasse. Já saí diferente, me sentindo mais leve.

Dali para diante, comecei a enxergar onde deveria melhorar, como deveria ser minha forma de enxergar as coisas, para evitar que caísse no buraco de novo. É, eu tive que esquecer tudo o que tinha aprendido até então e me construir tudo de novo. Antes que acusem a IURD de fazer lavagem cerebral, eles não tiveram nada com isso, foi Deus e eu, aqui dentro. Ele me abriu os olhos, não por causa da igreja, mas por causa da minha posição de entrega diante dele. Na verdade Ele sempre quis me ajudar, mas eu dispensava sua interferência em minha vida sem perceber.

Claro que o que eu aprendi ali na IURD, essa noção de fé, de não desistir, do quanto a Bíblia é clara em relação a quem é Deus e o que ele quer para nós e de que ele não é um Deus passivo ou teórico, mas prático, ativo, faz parte dos alicerces em que me reconstruí. Posso ser condenada (e frequentemente sou) pelos "intelectuais" por dizer que se estou de pé é porque sou sustentada por Cristo, mas digo mesmo assim, porque é verdade. Eu experimentei a minha fraqueza e ela quase me destruiu. Não somos nada e nos achamos grande coisa.

Mas tem muita gente por aí, religiosa, vivendo um verdadeiro inferno. Por quê? Porque religião nada tem a ver com vida com Deus. Aliás, às vezes a religião atrapalha, e muito. Eu gosto de ir à Igreja, acho importantíssimo, mas acima de tudo, escolhi ser Cristã e isso faz com que minha base de fé não seja a igreja, não seja religião, mas a Bíblia e orações sinceras a Deus, como quem conversa com um amigo. Porque hoje eu o conheço. Eu o vi fazer coisas incríveis na minha vida e o conheço. Me dar forças para lutar foi a primeira delas. Não estou aqui pregando ou fazendo proselitismo, mas você perguntou, eu tenho que te responder, sinceramente. Estou contando minha experiência, e isso é pessoal. Cada um faz suas escolhas, mas o mais importante é querer mudar, é lutar para isso, e saber que ninguém sabe de nada, ninguém pode te dizer que "você nunca vai sair dessa" ou "isso não tem jeito". A minha escolha foi me voltar para Deus e isso preencheu todas as lacunas da minha vida.

Claro que nem por isso a vida é um mar de rosas e eu não tenho momentos ruins, não fico desanimada, chateada ao passar por situações esquisitas. Às vezes as pessoas se convertem e parece que está tudo perfeito, nunca têm problemas, tudo é legal. Não é. A diferença é que a gente sabe que não está sozinho e momentos ruins são apenas momentos. Passageiros. Por isso eu nunca quis fazer um "blog evangélico" e muitas vezes sou criticada por meus "irmãos em Cristo" porque não saio pregando por aí, não encho meu blog de banners evangelísticos, não grudo adesivo de Jesus por todos os lugares, não falo evangeliquês, não estou em nenhuma comunidade evangélica no orkut.

Simplesmente acho que não precisa e não seria natural para mim fazer isso. Demonstro que sou cristã naturalmente, em minhas atitudes, sem nem pensar muito nisso, se eu realmente for. Nada contra quem faz blog evangélico, mas eu acho que falar evangeliquês e encher a página de referências que só a gente entende, nos fecha em grupinhos, nos isola do mundo e nos faz extraterrestres, não é isso o que eu quero. E o próprio Jesus deixa claro: "não peço que os tire do mundo", orando por seus seguidores. Inclusive eu quero que as pessoas não-evangélicas vejam que cristão também é gente e que seguir a Cristo não é sair do planeta. Acabo falando muito raramente a respeito de religião aqui (só quando alguém me pergunta alguma coisa) e sempre que o faço arranjo mais problema com os crentes do que com os não-crentes...risos...

Resultado: tenho poucos amigos evangélicos, meus amigos são católicos, agnósticos, ateus, espíritas...risos... Eu os respeito, mas eles também me respeitam. Isso é essencial. Mesmo que não gostem da minha igreja, mesmo que achem que Deus não existe, não ficam me atacando com isso ou com aquilo, assim como eu também só falo o que eu acho a respeito disso ou daquilo se me perguntam, e sempre tendo a Bíblia como referência. Se eu não souber, vou estudar a Bíblia e respondo depois. Porque cristianismo não pode ser achismo. Isso quando a pessoa realmente está interessada em entender, não em brigar. Discussão religiosa é a coisa mais inútil que existe, Deus está acima de qualquer religiosidade. Aliás, religiosidade é um troço mecânico e morto que atrapalha o relacionamento pessoal essencial com Deus. Aconselho quando posso, converso, escuto, oro por eles, nunca me esqueço dos meus amigos em minhas orações, sei que Deus não nos coloca na vida das pessoas à toa.

Mas tem gente sofrendo, tem gente precisando ouvir, tem gente buscando, tem gente que só se livra das drogas, da marginalidade, do crime, de doenças, de vícios, de depressão através do encontro com Deus, de outra forma todas essas pessoas já estariam mortas e acho que isso é válido. Por isso tem que ter gente evangelizando, uma hora encontra alguém que realmente precisa ouvir sobre Deus. Para mim, não existe melhor saída, já que eu não sei viver, busco em quem realmente sabe como funciona a vida e o cérebro humano. E tenho razões suficientes para acreditar que Ele existe e quer agir em nossa vida. Eu dispensei qualquer tratamento médico, mas isso não é regra, em absoluto. Se está funcionando contigo, continue. Só não use como muletas, o médico não vai fazer tudo, é você quem tem que tomar o passo, lutar, se esforçar, arrancar os cabelos, não se acomode, de maneira nenhuma. Eu sei que você não tem religião, mas vale, dentro do seu quarto, sozinho, conversar sinceramente com Deus a respeito do que está acontecendo, do que você não quer para a sua vida e pedir forças. Se Ele realmente existir, vai te dar forças e te ajudar. Se não existir, na pior das hipóteses, fica como está. Você não tem nada a perder. Eu tenho certeza de que você logo, logo, verá os resultados. :)

Vai fazer seis anos que comecei a sair do pesadelo e há pelo menos quatro anos me considero totalmente livre (passei por uma prova de fogo, a morte do meu pai, que me fez ver, claramente, que eu era outra pessoa). É algo pessoal, depressão é personalizada, adaptável, mas existem algumas coisas comuns a todos aqueles que sofrem desse mal. Os que não conseguem se livrar dela costumam dizer que quem se livra tinha qualquer coisa, menos depressão. Mas cada um sabe o que passou. Só eu sei o que vivi, só você sabe o que está vivendo. Se a medicina diz que a depressão não pode desaparecer, eu digo "Posso todas as coisas naquele que me fortalece". E isso nunca foi tão real para mim. Não admito a sentença "não posso", ou "é impossível". Eu já vi coisas que me fizeram ter certeza de que o impossível não existe. E se alguém quiser me convencer do contrário, ignoro. A vida é como a gente a enxerga. Minha visão hoje em dia é essa, e não a troco por nada. É questão de sobrevivência.

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Van, obrigado pelos conselhos e obrigado por ter respondido a minha pergunta. Faz pouco tempo que estou fazendo terapia, mas acho que já deu resultado.
Parabéns por vc ter conseguido sair disso tudo, por ter tido tanta força para lutar.
Beijos.


Wednesday, September 21, 2005

Hoje tem Sala de Estar

Passei a semana pensando em um tema para o texto da coluna de hoje. Estranhamente me peguei escrevendo sobre a Semana Farroupilha e seu 20 de Setembro, feriado que eu desconhecia quase que completamente lá onde eu morava. Exceto por uma ou outra reportagem no Jornal Nacional, que me trazia estranheza ao ver aquele povo todo comemorando tão ativamente algo regional.

Nasci no Mato Grosso do Sul, pouco depois da divisão do Mato Grosso em dois. Aprendi na escola que nunca houve guerra no Brasil. Aprendi que existiram algumas revoltas chamadas "Revoltas Nativistas", como a Sabinada, a Balaiada e os Farrapos. A revolução farroupilha, segundo aqueles meus livros de História, durou dez anos e aconteceu porque os gaúchos queriam separar o Rio Grande do Sul do Brasil. A impressão que dava: uns malucos se rebelaram e ficaram dez anos fazendo sei lá o quê (porque, afinal de contas, não tinha sido uma guerra) para tentar separar o Rio Grande do Sul do Brasil, assim, do nada.

Sim, foi uma guerra. Não, a causa dessa guerra não foi a vontade de se separar do Brasil, mas a necessidade de ser ouvido e respeitado por um governo que não era brasileiro e não cooperava com o crescimento do país. Nos ensinaram um fato totalmente retirado do seu contexto, de forma distorcida e amenizada (como tantos outros fatos), por alguma razão. Não é do interesse de ninguém que se saiba que algumas pessoas já lutaram contra algo que acreditavam não estar certo dentro do país.

Mas enfim, minha coluna de hoje é posterior a isso. Surgiu de observar o amor que o gaúcho tem por esta terra, por sua história, por suas raízes. Surgiu de pensar o quão importante é valorizar o que é nosso, antes de esperar que alguém de fora valorize.

Infelizmente o espaço lá é curto e não posso fazer grandes dissertações...risos... a televisão estava ligada e mostrava comemorações farroupilhas em todos os cantos do Rio Grande do Sul e em CTGs espalhados pelo mundo. Não tinha como conversar sobre outra coisa.

Dá um pulo lá na Sala de Estar de hoje. E não se esqueça de fazer um tour pela Paradoxo porque hoje tem edição nova :)



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Oi !!
Não sei como vim parar aqui, mas adorei seus textos..Ví que vc também está no mundo jornalistico, meso que aparentemente afastada "academicamente".
Vou passar aqui sempre..
Um beijão


Gravatar Vanessa
Estou aqui correndo atrás da indicação da Meg, mestra em descobrir valores. E foi uma surpresa. Gostei do que vi, gostei do que li. Voltarei sempre que puder.
Sua Sala de estar da Paradoxo promete.
Beijinhos de sua nova leitora.


Gravatar Tua coluna e o post estão ótimos, fico feliz que tenhas entendido nosso povo.
Beijos!


Gravatar linda: um beijo pra voce.
M.



Thanks

Fiquei diiias sem vir aqui, enrolada com as coisas da minha cabeça. Já que eu não posso agradecer lá na coluna os comentários de quem foi me dar força (porque o espaço não é meu, né?), agradeço aqui :) Ao menos quem eu conheço, me conhece e frequenta o blog vai saber que eu agradeci...risos...e quem eu não conheço, um dia aparece para saber que eu agradeci.

Já vi que o pessoal gostou tanto das sugestões gastronômicas que minha sala de estar vai virar refeitório logo, logo...risos...já estou comprometida com o bolo de chocolate, suco de pêssego, pipoquinha, café e suco light ...risos... e um rapaz que ainda não conheço, o Daniel, sugeriu uma festinha...risos...

Mas fiquei feliz com a quantidade e qualidade dos comentários. Ainda que o politicamente correto neste mundo de adultos seja agir naturalmente e fingir que é normal, sob o risco de parecer uma criatura deslumbrada, eu vejo em cada um daqueles nomes uma pessoa, que gastou seu tempo lendo, escrevendo e publicando um comentário. O mínimo que eu posso fazer, sendo também uma pessoa, como todas elas, é demonstrar meu respeito, agradecendo.

Eu sou a pessoa mais mal interpretada do universo, por isso às vezes tenho vontade de ficar calada em um canto, apenas ouvindo, com um sorriso discreto, porque qualquer interferência minha pode ser tomada de forma equivocada. Deve ser um dom.

Enfim, eu não sou uma criatura deslumbrada. Sou uma pessoa feliz por ter um feed back simpático de pessoas que - thank God- gostaram da minha coluna de estréia. Obrigada a todo mundo que deixou comentário, que mandou e-mail, que gostou do texto, que gostou da novidade, compartilhando comigo a histeria da estréia.

Eu tenho que supervalorizar o momento...risos... afinal de contas, aprendi que cada momento positivo da nossa vida deve ser supervalorizado e todos os negativos devem ser subvalorizados, ao contrário do que a gente faz naturalmente.

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Friday, September 16, 2005



Quando eu deveria estar formando minha personalidade e me tornando a pessoa que eu seria pelo resto da minha vida eu estava mergulhada em uma depressão absurda, com direito a timidez, introspecção, pessimismo e antipatia. Anti-social, eu não aprendi como me relacionar decentemente com as pessoas.

Quando finalmente me livrei disso, me descobri uma pessoa que eu não sabia quem era, afinal de contas, não sabia ser outra coisa senão aquela suicida depressiva que escrevia poemas de desilusão, solidão e morte aos dezessete anos. Comecei a ter ojeriza àquele comportamento, mas virei um nada, um papel em branco, apavorada com a possibilidade de ter uma vida para viver. Acho que é isso que impede algumas pessoas de lutar com unhas e dentes, se descabelar, arrancar pedaço para se livrar da depressão: o imenso buraco branco em que somos lançados se nos livramos dela.

É tão desesperador que é muito fácil ter uma recaída, já que o mundo de sombras nos é bem mais familiar e, portanto, seguro. Aí a gente insiste e evita voltar à depressão como o ex-fumante evita o contato com o cigarro, como o ex-alcóolatra evita mais um gole. Porque a gente tira a tampa do ralo e escorre cano abaixo se quiser, é muito fácil.

Acontece que mesmo hoje, cinco anos depois do começo do fim do pesadelo, ainda não sei direito quem sou. Fui me reconstruindo, tapando os buracos, refazendo, redescobrindo e quando vi, me tornei uma pessoa que eu não conheço. Virei uma pessoa over. Tudo o que eu não tinha agora tenho em excesso. Facilmente mal interpretada, completamente exposta, às vezes com uma vontade horripilante de encontrar uma concha e virar ostra.

Ainda não sei lidar com pessoas, pessoas não aprenderam ainda a lidar comigo e nem mesmo sei se um dia isso realmente vai acontecer. Não aprendi a ser adulta, não aprendi a fingir. Não suporto ser obrigada a conversar quando não quero conversar, não sei provar que sou isso ou aquilo, não sei ficar me explicando, não sei mudar a opinião dos outros a meu respeito. Ou melhor, não sei querer mudar a opinião dos outros a meu respeito, não sei querer provar que sou isso ou aquilo, não sei querer me explicar. Não sei me importar completamente.

Porque quando eu estava mal, quando eu contava os dias para o fim da minha vida, torcendo para que ele viesse logo, certa de que morreria antes dos vinte e um anos, não tive ninguém para me ajudar. As pessoas que hoje cobram explicações, não estão por perto quando eu mais preciso. Por isso decidi me importar apenas com quem se importa. Quem não se importa, não importa. Eu tenho plena consciência de que não sou nada, mas não tenho a menor vontade de ouvir isso da boca ou -pior- dos olhos de outra pessoa.

Eu só quero viver. Em paz, dentro de uma concha, fazendo o que eu gosto. Não quero ser julgada, mas não me importo se sou. Ou talvez até me importe. Enche o saco, é importante, no sentido menos nobre da palavra. Todo mundo gostaria de ser visto como quem realmente é, mas as pessoas nos vêem como elas querem ver, esse é o fato, e temos muito pouco controle sobre isso.

Eu quero, agora, aparar as arestas, mais uma vez, porque sou cheia delas. Torcendo pelo dia em que alcançarei o tão almejado equilíbrio. Sim, aquele que ninguém alcança. Não tenho a pretensão de ser a única, mas se eu não tiver esperança, não aparo nada, não conserto nada e me acomodo a ser essa pessoa over. A mulher-excesso. A intensidade me incomoda, a intensidade é ruim, a intensidade grita, tem volume alto, voz estridente. A ansiedade incomoda. Quero aparar as arestas para caber na concha.




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Comentários (o haloscan apaga os comentários a cada quatro meses e como já perdi os de alguns posts anteriores, prefiro colá-los aqui, antes que sejam deletados):

Sua coluna nova sai amanha, portanto voce sera uma mulher bionica. Estou brincando. Vim dizer que fiquei muito feliz com a "Sala de Estar". Parabens de novo.

Olha... (como eu sou palpiteira!). Se voce escrevia textos depressivos aos 15, isso nao significava necessariamente que voce estava em depressao. A minha experiencia com depressao eh que nada se faz quando ela esta no comando. Bao, mas a minha experiencia nao eh representativa. O que sei eh que eh muito bom que voce nunca tenha parado de escrever.

Um beijo!


Gravatar "Todo mundo gostaria de ser visto como quem realmente é, mas as pessoas nos vêem como elas querem ver, esse é o fato, e temos muito pouco controle sobre isso."

um sorriso e um beijo,


Gravatar Seja somente vc....
Bjão


Gravatar É, Van... você sabe, às vezes eu me sinto exatamente como você descreveu no seu texto. Às vezes tenho vontade de me dedicar a algo extremamente abstrato e de conseqüentemente me fechar em uma ostra de teoremas, para não ter que interagir com mais do que duas ou três pessoas neste mundo. Mas o fato é que gosto do que faço, gosto do debate acalorado e da troca cordial de idéias, gosto de buscar os princípios por trás dos fenômenos e sei que na ciência está a minha vocação (no sentido mais weberiano possível de ciência como vocação).
Sim, a ansiedade incomoda. Para isso existe Olcadil.
Beijos,
Claudio Téllez


Gravatar Como vc conseguiu sair da depressão? Com ajuda de algum psicólogo, remédios, psiquiatra? Ou vc 'se curou' sozinha?
Eu tenho um pouco de depressão. Não muito brava, mas às vezes passo semanas só pensando em acabar com a minha vida, então resolvi ir a uma pssicóloga há uns dois meses e acho que dei uma melhorada. Não sei, pode ser apenas impressão minha... a vontade de conseguir sair disso.
Beijos.


Gravatar Puz, lindo texto, faço das suas as minhas palavras.
Essa coisa de TV é meio louca, as pessoas confundem um pouco. Tem gente me pedindo emprego, dinheiro, ajuda e até maternidade. Imagina não tive filho até hoje. Tá brabo!
Desejo que sua escrita seja cada dia mais linda e especial como é.
Bjinhos. Tammy


Gravatar Dentro da concha sempre tem o maior presente, a pérola.
Bom final de semana!

Thursday, September 15, 2005

Novidade



Começar alguma coisa nunca é fácil, mais difícil ainda é começar sem dizer que está começando. As pessoas deveriam agir naturalmente quando começam coisas, mas infelizmente eu não sei ser assim. Quando fui morar sozinha, a sala de estar era todo o apartamento. O quarto era conceitual, sabia que ali tinha um quarto, mas apenas as malas dormiam nele. E eu não era uma delas. Dormia em um sofá-cama que surgiu do nada, importado do passado da avó do meu namorado. Depois veio a mesa do computador (e o próprio), uma mesinha de plástico com duas cadeiras e depois passei um ano em um flat, tendo uma sala de estar montadinha e vivendo entre o quarto e a rua.

Hoje minha sala de estar tem bem pouca coisa, uma mesa, duas cadeiras, um tapetinho sob um pote de água, para os gatos. Mas eu sonho com um sofá cor de telha, piso claro, quadro na parede e muita luminosidade. Além, é claro, de amigos para conversar, comer bolo e trocar idéias. Enquanto não compro meus móveis e decoro o meu apartamento, já tenho um espaço virtual para a sala dos meus sonhos. E está todo mundo muito mais do que convidado: vocês estão intimados a passar por lá...risos...

É a estréia de Sala de Estar, minha coluna semanal na revista Paradoxo. O banner e o link não estão na página de colunas, apenas na página principal. O link direto para a coluna de hoje é este aqui. Mas não deixem de visitar o resto do site (depois de ler meu texto...risos..), que é muito bom, com bons textos e jornalismo de primeira. E há espaço para comentários no final dos textos, permitindo uma boa interação com os leitores. Le-gal! :) Bem, espero vocês todas as quartas (ok, eu sei que hoje é quinta, mas a coluna está programada para quarta).


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Comentários (o haloscan apaga os comentários a cada quatro meses e como já perdi os de alguns posts anteriores, prefiro colá-los aqui, antes que sejam deletados):

Oie, parabéns pela conquista!!! Você merece!!! E vem muito mais por aí, tenho certeza!
Sucesso!!! Quero saber se assistiu alguma matéria minha no TV Fama?
Bjinhos. Tammy


Gravatar Túlio, o banner é meio comprido para ser um livro, não? Mas não deixa de ser uma boa idéia...risos...


Gravatar Quando vi a foto que ilustra o post, achei que fosse a capa do seu livro.


Gravatar Passo aqui tb para deixar meu desejo d boa sorte, beijos!

Wednesday, September 14, 2005

Não posso mais enviar frio por sedex.



Legal. Os correios estão em greve. Eu precisando enviar correspondências urgentíssimas e os correios entram em greve. Eu me sinto órfã com correios em greve. Por mais que tenha internet, e-mail, essas coisas, alguns lugares realmente exigem papéis. E exigem para logo. Exigem por sedex. Sedex só dos correios. E os correios estão em greve. Caramba!

Espero que por pouco tempo. Eu fico aqui histérica, precisando enviar quatro sedex (é, quatro): três para o Rio e um para Campo Grande. E os correios em greve. Bem, pelo menos a culpa pelo atraso desta vez não é minha, é dos correios. Que estão em greve.

E o frio aumenta. Choveu o dia inteiro. Ao contrário do que a Mauricéia sugeriu, não sei ficar elegante no inverno. Ela sabe porque é gaúcha, gaúchos nascem sabendo como ficar elegantes, sabem a combinação exata, o sobretudo certo. Eu sou baiana. Coloco uma roupa em cima da outra e fico parecendo uma almofada.

Uso aqueles casacos de edredom, imensos, horrendos. E quando é para sair mais bonitinha, arrisco cinco blusas justas de manga comprida, o poncho colorido por cima, meia 7/8 colorida, saia cinza e bota preta. Se estiver mais frio, troco a saia por uma calça jeans. O problema dessa produção mais arrojada é que invariavelmente eu acabo passando mais frio.

E por que não compro um sobretudo sexy, vermelho, como o de uma japonesa que vi na rua dia desses? O até mesmo um clássico, preto? Simples: sou mão-de-vaca. Não consegui até agora gastar oitenta, noventa, cem Reais em um casaco superdesenvolvido. Não sem dor. E compras devem trazer prazer, não dor.

Roupas e sapatos estão em último lugar na hora de eu escolher onde vou gastar dinheiro. Geralmente livros, revistas e comida ocupam os postos mais elevados, seguidos por cadernos, canetas, utensílios para cozinha, acessórios para cabelo, maquiagem (para olhos), cremes para cabelo, cds, dvds, bijuterias e perfumes. Nesta ordem. Ainda tem os móveis, necessários, caros e urgentes. Pobres roupas e sapatos, ficam por último.

Por isso vocês, que acompanham o blog, já conhecem praticamente todas as minhas blusas e têm a nítida impressão de que eu tenho apenas uma calça jeans e uma sandália. Na verdade quando eu gosto de uma roupa uso só aquela. Gosto de algumas, então as alterno. E para que comprar mais? Então no inverno visto umas sobre as outras e saio por aí com cara de espantalho.

Ainda estou trabalhando isso. Vou juntar dez Reais por mês e no inverno que vem, se eu ainda estiver aqui no Ártico, compro um sobretudo, sem sofrer. Se não estiver mais aqui, gasto em algo mais fresquinho. :)

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PS: Eu sei que você estão cansados de seguir links daqui para lá, mas alguém leu isso?

Ps2: Meu gato só tem cabeça para colocar as orelhas. Acabo de encontrá-lo bebendo água com detergente de uma panela dentro da pia. Detalhe: ele destampou a panela para conseguir beber a tal água. Ele é curioso e inteligente, mas não tem absolutamente nada naquela cabecinha amarela. Detalhe 2: Ele tem uma bacia cheia de água limpa no chão do quarto deles (sim, eles têm um quarto). Não é a primeira vez que ele faz isso. Tudo pelo prazer de fazer bagunça e sair correndo ao ser descoberto. Crianças...


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Comentários (o haloscan apaga os comentários a cada quatro meses e como já perdi os de alguns posts anteriores, prefiro colá-los aqui, antes que sejam deletados):

Oi Vanessa, concordo com a Mauricéia... Calor é muuuiiito ruim, a gente fica toda "esmelecada" rssss o frio deixa a gente cheirosa o dia inteiro. E por falar nisso aqui no Rio hoje está bem gostoso, um frio que da gosto de viver.
Beijos em vcs 4.


Gravatar Oie, amiga, li seu e-mail sobre as dicas. Amei demais...vou adotar aqui! Olha, tô muito sem tempo, me perdoa a ausência. Tô gravando direto!
Cara, se você estivesse aqui no Rio levava você no Brechó que conheço.
Adoro seu Blog, viu? É bom demais acompanhar seus pensamentos.
Também amo comprar caderno, canetas, maquiagem e tenho uma tara por sapatos... risos...
Seu gatinho apronta? Minhas auaus também são terríveis. Impossível viver sem eles, né? Eles são dois sortudos de terem encontrado pessoas tão especiais como você e Davison que amam os animais e os entendem.
Como andam as escritas? Escreva por mim... tô tão sem tempo!
Bjinhos. Tammy


Gravatar Bora trocar então Vanessa, tu vem ser chique aqui em Salvador e eu vou pra ai, pois vô te conta, desde que me mudei pra cá só ando toda chechelenta ou xexelenta(?), não sei me vestir bem com esse calor daqui, dei muita risada com essas tuas comparações com almofada, só tu mesma, ahahaha.
Beijos!

Saturday, September 10, 2005

Ok, ela saiu do meu colo, está deitada ao meu lado, de barriga para cima. Já posso voltar a escrever. Estou atualizando o Autor Desconhecido, com bastante texto na fila para reconhecimento de paternidade e me espantando com a quantidade de textos da Martha Medeiros creditados a outros autores. A maioria deles publicados na antiga coluna dela no site Almas Gêmeas.

Cheguei à conclusão de que o fenômeno se deve ao botãozinho "envie este texto para um amigo", que faz com que o texto em questão vá parar na caixa de entrada de alguém. Com o nome do autor, é claro, mas a partir do momento em que cai na caixa de entrada de alguém, babau. Foi-se. Daí para perder-se o autor ou sofrer uma mutação e virar um texto-alien creditado a algum famosão é um pulo.

Estive pensando no Luis Fernando Verissimo e no Arnaldo Jabor. Muitos dos textos da Martha Medeiros são atribuídos a eles. Até aí, menos mal, já que ela escreve bem. O problema é quando aparecem aqueles textos "auto-ajúdicos", muitos mal escritos e de gosto duvidoso e tascam o nome do cara lá. Deve ser triste ver gente pensando que você seria capaz de escrever uma porcaria daquelas. Dá desânimo.

Indignante também constatar o quanto de texto de "autor desconhecido" existe por aí. Dá uma sensação de impotência tremenda quando a gente percebe que o autor se perdeu no primeiro e-mail. Falta de respeito com o trabalho alheio, falta de ética, falta de tudo. Dá desânimo, também.

Na verdade poucas coisas não dão desânimo na hora de fazer um trabalho desses. Uma delas é ver gente que publicou a informação errada colocar o nome do autor real. Ou então descobrir que tem gente que pesquisa e tenta descobrir o autor antes de publicar qualquer coisa. A internet e seus usuários ainda estão engatinhando em matéria de ética, mas isso não é exclusividade da web não, já que sempre foi mais fácil copiar na agenda um texto legal sem colocar o nome do autor, como se ele tivesse surgido por gênese espontânea. Pop! Brotou um texto na calçada!

O problema é que com a net a coisa se alastra e toma proporções cósmicas a ponto de um erro de autor ir parar em uma revista impressa, em jornais tidos como sérios, etc. Tanta irresponsabilidade dá medo. Prefiro continuar fazendo a minha parte e tentar não pensar no tamanho do problema. Quem saiba a gente consiga conscientizar o pessoal do foward e dos blogs fofos que texto não se auto-produz. Autor desconhecido ou autor conhecido em texto que você não conhece? O Google está aí para isso. Com um pouquinho de paciência e uma pesquisa simples você descobre o autor verdadeiro da coisa.

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Comentários (o haloscan apaga os comentários a cada quatro meses e como já perdi os de alguns posts anteriores, prefiro colá-los aqui, antes que sejam deletados):

Uma vez li uma entrevista com o Arnaldo Jabor que ele listava alguns dos vários textos que corriam na net como se fosse dele. Tinha até um que eu havia gostado, acho que chama-se "Mulher Perfeitinha", que fala pq os homens preferem mulheres imperfeitas às perfeitas.
Se não existe ética nem no mundo real, Vanessa, espantoso seria se no virtual tivesse. Uma pena.
Beijos.

Gravatar Quando vc fala dela no seu colo, penso na Polly, que tb não curte muito colo, mas quando vem, quer TODA a atenção só para ela, rs.

Beijos... e soco na cara de quem não credita texto (a brava, eu). Beijos.

Uma palavra sobre a Mila

Chuva again. Passamos um dia preguiçoso, porém bastante produtivo. Gatinhos estão dormindo, exaustos pela bagunça. Dei mel novamente a um gato amarelo contrariadíssimo.

Comparei umas fotos antigas com outras mais recentes e descobri que minha gata fez luzes!!! Ela está ficando amarelada. Muito estranho.

A Mila latiu um monte hoje. Mila é o canino fêmea da vizinha (para ninguém achar que estou xingando a mulher). Sei o nome dela porque eles (a mulher e o homem que moram na casa) gritam com a pobre cachorra o dia inteiro. E porque Mila é a margarina que veio do milho, isso eu jamais irei esquecer. Malditos Jingles.

É um pastor alemão capa preta, como o que eu tinha, o Rugger. Saudade dos meus cachorros, o Rugger, o Dick (pastor cinza), a Mina (preta) e a Laika, também preta, mãe dos três. Sim, tivemos quatro cachorros enormes simultaneamente. Mas como meus avós ainda não moravam ao lado de casa, tínhamos um terreno fechado enorme e vazio ali, que se comunicava com a nossa varanda por um portão. Eles brincavam, pulavam e corriam o dia inteiro.

A Mila, coitada, quase não tem espaço. A varanda é pequena demais para ela, a meu ver. Eu não teria coragem de ter um cachorro grande sem um espaço imenso para ele gastar energia. Levar para passear na rua não é a mesma coisa.

Mas enfim, meus cachorros morreram, de cinomose, que a Mina trouxe do veterinário. Só conseguimos salvar o Rugger e a Laika, que foram doados antes de se contaminar. Alguns filhotes da Mina também conseguimos doar antes que se contaminassem, outros morreram. Esse período foi tão nebuloso para mim que nem posso afirmar com certeza que doamos o Rugger e a Laika ou apenas um deles.

Todos eles se davam muito bem com os gatos. Lady, Nermal, Xinho (pai do Nermal) e outros filhotes conviveram com eles, o Xinho dormia em cima da barriga do Dick e o cachorro o protegia dos gatos da rua. E olha que o Dick chegou em casa já adulto, com a Laika (eles eram da minha avó) e antes era de perseguir gatos e tudo o mais, só nunca matou ninguém.

Ver a Mila me fez lembrar meus cachorros e ouvir ela chorando porque está sozinha ou ouvir os donos gritando com ela toda hora me deixa indignada porque esse povo não tem a menor noção da falta que esses bichinhos nos fazem depois que vão embora e da importância de conviver com eles, de fazer a vidinha deles ser a mais feliz possível, do quanto dependem da gente e de quanta alegria podem nos trazer.

Aliás, antes que me acusem de alguma coisa, eu não passo o dia na janela. Não tenho culpa se moro no primeiro andar e os vizinho da casa ao lado é escandaloso. Para vocês terem uma idéia, a casa da Mila é depois da casa do gatinho preto-e-branco, que fica ao lado do prédio, e eu até hoje não sei o nome do gato, nem se é macho ou fêmea, porque a dona fala com ele em um volume decente. Não é culpa da acústica do prédio, mas da dona da Mila mesmo.

O texto está no meio, não concluí meu raciocínio, mas estou deitada na cama, com o Lampertop em cima da minha barriga e a Ricota acaba de se instalar entre meus olhos e o teclado, virou de barriguinha para cima e dormiu, impossibilitando que eu me estenda no texto.

E meus gatos mandam em mim. É, eles são donos da casa e mandam em mim. Se ela quer deitar no meu colo (literalmente), ela deita no meu colo. E eu paro o que estiver fazendo para que ela continue no meu colo. Porque, cá entre nós, eu a-do-ro gatinho no colo. E como ela não é muito disso, tenho que aproveitar :)

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Comentários (o haloscan apaga os comentários a cada quatro meses e como já perdi os de alguns posts anteriores, prefiro colá-los aqui, antes que sejam deletados):

Outra coisa que me deixa indignado: pessoas que têm um cachorro e "terceirizam" o porteiro para passear com o animalzinho. Ora, para que ter um cachorro se não se tem vontade de passear com o bichinho e de conviver com ele?

Gravatar Sei bem o q é isso de se ter um dono animal, a Mel tb manda em nós aqui em casa e como que alguém pode dizer não pra uma coisinha doce?
Eu tb tenho uma vizinha q maltratava o cão dela, após denuncias pra Sociedade Protetora eles recolheram o cachorro, tu acredita q ela deixava ele passar fome pra ficar mais agressivo? o coitadinho chorava a noite td, tinha gente já pensando em matar o coitado pra libertar ele do sofrimento. Seres humanos são mesmo uma raça meio desprezível.
Bom domingo.



Friday, September 09, 2005

Mulherzinha



Está muito frio. Sim, está um frio de rachar. Sem contar que o lugar aqui é úmido pra caramba. O jeito é sair com roupa de astronauta, disfarçada de botijão de gás, fantasiada de urso polar. Quase não consigo me mover dentro da roupa. Prefiro então me encher de blusinhas justas umas sobre as outras e jogar esse troço colorido da foto que o Dave me deu de presente. Ninguém dá nada por ele, mas esquenta pra caramba (o troço, não o Dave).

Hoje apareceu o sol. Discretamente, entre algumas nuvens, soprando um ventinho gelado, para disfarçar (ou valorizar) sua presença. O clima insistentemente úmido e frio, chuva dia sim, dia não, dia sim, outro também, o gato espirrando, com chiado no peito. Eu deitada na cama, emburrada com o tempo, com um chiado aqui no peito também, mas diferente do dele.

Estou com saudade do Rio. Do clima do Rio, do povo do Rio, da vida do Rio. Porto Alegre não vai com a minha cara, definitivamente. Hoje caiu pedrinha de gelo e tudo o mais. Enquanto isso, trinta e seis graus em Campo Grande... e dizem que é o mesmo país. Duvido.

O gatinho melhorou, depois piorou de novo. Não consigo encontrar o veterinário, só por telefone. Mas não dá para dar injeção por telefone, então não adianta muita coisa. Hoje tentamos levá-lo ao vet, mas ele não estava na clínica, tivemos que voltar. Para não perder o passeio, abri a caixinha de transporte. A Ricota é corajosa, saiu, olhou a janela.

O Davison parou no Bourbon para comprar mel e eu fiquei com os dois dentro do carro no estacionamento. Ela foi para o vidro de trás e ficou lá, olhando o movimento, encantada. Tenho certeza de que ele também adoraria a vista, mas sabe como é, o balanço do carro dá soninho e o gato amarelo estava lá, dentro da caixinha, de barriga para cima, todo sonolento, olhando com cara de: "Ah, não, agora não."

Foi só o carro começar a andar para ela se enfiar na caixinha com ele e ficar com cara de sono, de olhinho fechado. Foi o primeiro passeio de carro em que ela não ficou miando full time, estilo sirene. Ficou quietinha e até dormiu, abraçadinha a ele.

Dei mel com própolis para o gato, para ver se ao menos dá uma aliviada. Lembrei que a vet lá do Rio me disse para dar mel para ele quando ele estivesse espirrando. Parece que deu uma melhorada. Pelo visto, ele também está com saudade do clima do Rio.

Feriado foi preguiçoso para caramba, Dave me levou a um rodízio de pizza (êba, êba, e estava com saudade...sonhando com pizza e tudo o mais), passei o final de semana passado e o feriado comendo, comendo, comendo e sem mexer muitos músculos. Resultado: engordei quase um quilo. Não sei bem onde, mas espero não descobrir.

Mas o que é isso agora? Nunca contei calorias, nunca me preocupei com o que colocava na boca, nunca liguei para oscilações do ponteiro da balança, engordar nunca foi uma coisa ruim, nunca relacionei comida com caloria, nunca anotei receitas da Boa Forma, nunca fiz tanta ginástica em casa.

Estou virando mulherzinha. Sempre repudiei a idéia de virar mulherzinha, fazer blog mulherzinha, com textos mulherzinha. Tá que eu uso bolsa de ursinho, gosto de maquiagem, de colocar presilhas no cabelo, mas isso não é ser mulherzinha, mulherzinha é uma atitude. Essa coisa feminina, fofa, meiguinha, frágil, fresca, tepeêmica, sensível demais. Acho que tenho que fazer um novo exame de dosagem hormonal, porque o antigo , feito há quase dois anos, quando eu fugi do endocrinologista, não vale mais.

Naquela época eu não tomava pílula, deve alterar alguma coisa. Provavelmente algo semelhante a um rapazote gay de 14 anos que resolve, aos dezesseis, tomar hormônios femininos para virar uma lady. Foi o que aconteceu, acho. Virei uma transex, mesmo sem querer.

Não, ainda não bato ponto no salão, compro minhas roupas na arara de liquidação da C&A e não me importo em sair com look festa junina para fazer compras, o que significa que ainda que tenha virado mulherzinha, não perdi a originalidade, o que é bom, muito bom.

Continuo, aliás, com o firme propósito de nunca mais pintar os cabelos, o que confere um toque totalmente tricolor aos fios, mas eu não me importo. Estou certa de que as tinturas causam alterações irreversíveis no DNA humano e que eu posso me tornar, por conta disso, uma espécie de mutante de cabelos vermelhos. Por isso, até que os fios se despigmentem, nada de química. Depois de doze anos de castigo, eles merecem essa folga.

Voltando ao assunto, tenho um pouco de saudade do menino de quatorze anos que habitava meu cérebro há dois anos. Tenho medo de ele ter crescido e se descoberto mulher. Temo que isso seja irreversível. Por outro lado, eu sou bastante hipocondríaca e as taxas hormonais podem não ter se alterado tanto assim, acho que o problema foi a paixonite aguda que se transformou em amor crônico. E esse sim é irreversível.

Tenho medo de que a felicidade e a vontade de viver me deixem cada vez mais chata e sem assunto, mas me sinto bem melhor assim. E esse negócio de casamento, cozinhar, limpar casa e fazer outras coisas que eu não fazia antes pode ter despertado uma porção feminina que estava amordaçada em algum calabouço dentro de mim. É um saco admitir, mas acho que mudei.

Para quem não se lembra e não conseguiu abrir o link, colo aqui o texto (mas vale a pena seguir o link. Quem já acompanhava o blog deve lembrar e quem não o conhecia, vai se espantar com a época em que eu escrevia posts curtos):

"Terça-feira, Novembro 11, 2003

A revelação- Vanessa é um travesti

Lembram do exame de sangue que fiz antes de viajar? Pois é, agora, séculos depois, peguei o resultado. É uma dosagem hormonal que eu, por curiosidade, pedi ao endocrinologista.

Tudo dentro do padrão, TSH normal para uma pessoa adulta, testosterona livre normal para mulheres da minha faixa etária...um resultado porém, chamou a minha atenção: a testosterona total. O normal para uma mulher adulta (eu achei que eu fosse uma mulher adulta) varia de 6.0 a 82.0, meu resultado foi 97.7 ... como para baixo os valores também tendem a diminuir e não há nada acima de adulta, procurei na coluna ao lado.

Finalmente achei. Os valores para um homem de 12 a 14 anos são entre 10 e 572. Sendo assim, acabo de descobrir que sou um menino entre 12 e 14 anos...
Talvez resida aí a explicação de eu nunca ter tido grandes afinidades com o mundo feminino e como ainda não me nasceu barba, nem achatou o peito (pelo contrário), nem cresceu algo suspeito nas regiões baixas, não me interessa fazer nenhum tratamento hormonal para virar uma mulherzinha normal.

Morro de medo. Vai que eu fique normal mesmo, vire outra pessoa? Afinal de contas, já dizia uma amiga minha, a culpa de tudo o que nos acontece é dos hormônios.

Talvez eu esteja mesmo feliz sendo um menino de 13 (a única coisa entre 12 e 14) anos. A título de curiosidade, os níveis de referência para um homem adulto variam entre 241 e 827 (após os 60 anos, os valores de referência diminuem, tanto para homem quanto para mulher), eu, com meus parcos 97.7, estou bem longe de ser um belo rapaz saído da adolescência...menos mal...

Só um detalhe: sou um menino de treze anos e assumo: sou gay, não sinto nenhuma atração por mulheres. Apaixonado por um rapaz de 29 ma-ra-vi-lho-so, dificilmente saio de casa sem maquiagem e não dispenso o salto alto...ao menos enquanto não crescer mais. :)"



Para provar que ainda sou menino: Sim, o carinha ao fundo é um bonequinho dos Comandos em Ação. De longe meu brinquedo preferido na infância. Tinha um avião preto Cobra e um caminhão Joe, de transporte de soldados. E vários homenzinhos, assim como três mulheres também, duas de cabelo vermelho, nenhuma com batom :).


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Comentários (o haloscan apaga os comentários a cada quatro meses e como já perdi os de alguns posts anteriores, prefiro colá-los aqui, antes que sejam deletados):


Oi VanLam, talvez esta taxa de testosterona seja -- aham, desculpe a intimidade -- benéfica, sexualmente. Explico:

Tanto no homem, como na mulher, é a testosterona o hormônio responsável pela libido, o desejo sexual, pensar em sexo.

Muitas das mulheres que sofrem de anhedonia (falta de desejo sexual), quando avaliadas hormonalmente, têm taxas extremamente baixas de testosterona.

E, já q vc falou nas transexuais, qdo elas tomam medicamentos anti-androgênicos, um efeito colateral é acabar o desejo sexual.

Por isso tb, em alguns países, estes medicamentos são administrados para os predadores sexuais (pedófilos, estupradores compulsivos etc.). Quando o anti-androgênio faz efeito, eles não pensam mais em sexo, vão montar aeromodelos, colecionar selos. Mas sexo deixa de ser uma prioridade na vida deles.

Portanto, para vc, aproveite e muitos amassos com o D.



Gravatar Hahaha, vai tomar banho, Vanessa. Menino? Meninão gay mesmo vc, hein? rs.... E aqui tá um calorão, quer vir passar uns dias em casa? Beijocas!!


Gravatar Meus amigos todos sempre me dizem que eu sou quase um menino. Vou fazer um teste desses pra descobrir como anda a minha testosterona...

Beijos!


Gravatar Ai q inveja desse 'troço q esquenta', o poncho, eu queria ta tá podendo usar um desses aqui, fique linda e chique por mim ai.
Beijos quentinho e ensolarados!

Thursday, September 01, 2005

E a vida segue...



Descobri uma invasão de formigas no armário. Felizmente aqui no inverno de Porto Alegre predomina a espécie Lazy Ants, as formigas mais lentas e preguiçosas do universo. Não sei se é assim em toda a cidade ou só na minha casa, acho que elas ficam com frio e se movimentam leeeeeentamente. Acho que a invasão ao armário já estava acontecendo há uns dois dias, mesmo assim havia meia dúzia de Lazy Ants na prateleira e mais duas subindo beeem len-ta-men-te o móvel. Dá pena, mas matar é preciso.

Como detesto inseticidas, uso a técnica da minha mãe: desengordurante. É cruel, mas é bem mais rápido do que inseticida, e mata apenas as formigas atingidas. Tenho que confessar, me sinto muito culpada todas as vezes que tenho que assassinar algum inseto. Ainda hoje sempre que possível prefiro jogar um insetinho pela janela a esmagá-lo fatalmente. Tive que fazer um aranhicídio porque as perigosas aranhas marrons gaúchas estavam se multiplicando desordenadamente no apartamento. Mas tenho dó e me sinto um monstro, interferindo na minúscula vida alheia.

Ossos do ofício...para manter a casa limpa e as pessoas saudáveis, não há outro jeito. Lembrando que formigas andam por toda a parte e são responsáveis por grande parte das infecções hospitalares. Elas caminham pelo lixo, no banheiro, em qualquer sujeira, depois sobem no pão, andam na comida e se jogam na sua boca enquanto você dorme...urgh!

Enquanto escrevo este texto, eu no Lampertop, o Tiggy sentado ao meu lado aqui na cama, o Davison escrevendo alguma coisa no computador fixo, no quarto dos gatinhos, a Ricota acaba de comer uma aranha. Tentei impedir, mas foi em vão. Pelo jeito, parece que ela já é expert em comer insetos, não deve ter sido o primeiro.

Tem muito matinho aqui nas casas vizinhas, por isso o considerável número de bichinhos minúsculos que entram pela janela, muito mais elevado do que nos apartamentos anteriores. Pelo visto a aranha em questão não é venenosa, não é...digamos...uma "aranha tóxica", já que minha gatinha deu cabo dela e saiu, serelepe, procurando se tinha mais um aracnídeo no pedaço.

Falando em gatinhos, o Tiggy está bem melhor. Voltou ao normal, persegue a Ricota, faz bagunças, morde minha mão e descobre coisas novas a cada dia. Mas também é muito carinhoso, adora colo, é uma maquininha de ronronar e, como a maioria dos gatos (ao menos nunca conheci um que não fosse assim), adora ficar onde a gente está, ainda que haja lugar mais confortável na casa.

Hoje ele espirrou e tentei colocar aquela roupinha nele. Obviamente ele detestou e conseguiu demonstrar isso tanto com expressão facial (olhar de indignação profunda) quando com expressão corporal (as duas patinhas fora da roupa, presa pela gola à barriga dele, tentando sair dela pelo pior lado possível). Acabei, após algumas tentativas, aceitando o fato de ele não gostar do modelito. Mas não me rendo, vou costurar algo mais confortável, já que roupa para cachorro, definitivamente, não combina com gato.

Engraçado é que nos últimos dias ele variou do amarelo-pálido ao dourado-quase-laranja. Estranho. Não sabia que eles mudavam de tom desta forma. Nem mesmo sei se mudam ou se foi alguma espécie de alucinação. Coletiva, já que o Davison também notou. Mas ele está muito lindo, muito fofo, muito esperto, muito enorme!

Mudando de assunto, estamos fazendo uma reeducação alimentar aqui em casa. Os refrigerantes já foram seriamente reduzidos, os vegetais entraram com toda a força do mundo, fiz uma sopa ontem largamente elogiada. :) Diga-se de passagem que ele nunca esculhamba nada do que eu faço, mas eu percebo pelo nível de entusiasmo se ele gostou mesmo ou se há alguma crítica implícita que, geralmente, é bem explícita, mas sempre doce, jamais ofensiva ou agressiva.

Isso tudo, claramente, pode ser enxergado como um grande avanço, uma vitória significativa, já que a maioria de vocês acompanhou meus tropeços na cozinha e a época em que o que eu fazia de melhor eram nuggets chamuscados e não sabia cozinhar nem um ovo decentemente. O que o amor não faz, né?

Macarrão ao alho e óleo, ao molho, lasanha, sopa, canja e infinitos etc et al. ad infinitum, para quem não acreditava que eu fosse capaz (yep, houve quem duvidasse da minha capacidade e/ou interesse!!!)...hehehe...tenho testemunhas!!!! Vivas, que podem comprovar tais fatos. :-)

Mas quanto mais eu cozinho, mais louça tenho a lavar. Como está friiiiiiio e eu não tenho aquecimento nas torneiras (believe it), desanimo rapidamente. Sim, isso é um recado direto ao meu digníssimo esposo: AQUECIMENTO NAS TORNEIRAS JÁ!!! Porque se as mulheres lavam a louça, os homens aquecem a água...hehehe... sim, você leu uma ameaça: água quente, se quiser continuar jantando em casa...hehehehe...crueldade feminina em prol de melhores condições de vida doméstica. Mulheres têm todo o poder de chantagem e barganha, para dominar o mundo, se quiserem. Homens, temei!

Sessão de fotos O Frio Une:








(Ricota, em sua pose preferida)


Ps: Hoje não estou interessada em dominar o mundo. Amanhã, quem sabe.

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Update: No Diário de um Lunático (finalmente uma atualização) Edmund tira as palavras da minha boca: "A cada dia que passa compreendo menos as pessoas".

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Comentários (o haloscan apaga os comentários a cada quatro meses e como já perdi os de alguns posts anteriores, prefiro colá-los aqui, antes que sejam deletados):


Gatinhos m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o-s!
Voce tambem...


Gravatar Hoje bati abacate com leite...
Não tinha copão de milkshake mas ainda assim ficou bom.
Bjim


Gravatar Van, seus gatos estão lindos. Parabéns!!!

Beijos,
Claudio Téllez


Gravatar Ah, as crônicas da vida doméstica de Vanessa Lampert...

Nossa, uma vez nosso armário foi invadido por umas formigonas de mais de um centímetro de comprimento (JURO!), enormes, que tinham posto centenas de ovos dentro de uma caixa velha que pareciam grãos de arroz (COZIDOS!). AArrrrgh! De outra vez, foram milhares, milhões de cupins que invadiram a casa a tal ponto que tivemos de nos esconder no meu quarto (JURO!) e, no dia seguinte, deixaram um tapete de asinhas pelo chão.

Kill'em all, Vanessa. Show no mercy.


Gravatar Oi.

Muito tempo sem passar por aqui. Morrendo de vontade de ler tudo que perdi, mas totalmente sem tempo.

Beijos.


Puxa, mas como cresceram esses peludinhos lindos!!! Muitos beijos para todos os bípedes e quadrúpedes da casa...


Gravatar Nossa Van, como êles cresceram e estão lindos!!!
Para amenizar o frio da água compre aquelas luvas de borracha.
Mas acho que o mehor mesmo é comer fora,odeio lavar louça!!!!
Bom fim de semana


Gravatar Oieeee!!
Menina, temos outra coisa em comum: também me sinto extremamente culpada em matar insetos! Sou LOUCA por animais, fico furiosa se vejo alguém maltratando algum, até mesmo se for insetos!
Tu falou a respeito das aranhas marrons e aqui na minha casa também tem algumas. Briguei com a minha empregada porque ela matou uma bem grandinha do armário da cozinha, huahuahuaha! Podia ter só tirado, né? Eu já deixava ela ali, hehe!
Guriaaaa, que coisa fofa os teus gatinhos, parece foto de revista!!!! Muito muito lindinhos!!
Bem, vou indo, um beijão pra ti! :*******


Amiga, desculpa pela demora em responder, mas agora vc sabe da loucura, e to acessando do Lacraia (o lerdo) com linha telefonica, portanto nem tenho entrado em blog, nada. Adorei as fotos, a Ricota tá linda, e junta do Tiggy fica um charme. A Polly tb ama ficar de barriga para cima. Ah, e tb ama comer aranhas, hehehe... beijos. ps.: logo te mando um email!


Gravatar Vanessa...
Adoreiiiiii sua visita e já há algum tempinho que venho por acá e gosto demais das fotos que vc coloca aqui. Esta vida é tão boa, não? Eu leio tudo da Blandinha e através dela encontrei vc e vou até te linkar pra ficar mais fácil conferir estas fotos e textos tão bons.
Apareça sempre também na minha "casinha", sempre que faço alguma coisa gostosa coloco lá.
Bob é lindinho também e eu amo os gatos mas como moro no 17 andar e não tem telas não posso ter gatinhos.
Bob está na mesma posição que a sua Ricota, como eles gostam de ficar assim... E depois da castração ficou mais calminho e ainda não agarrou as pernas de ninguém.. rs..
Bj e põe a receita da sopa aqui pra nóis, uai.

Luto

O abacate morreu. Sim, ele morreu e foi terrível. Mal súbito. Um dia abrimos a geladeira e lá estava ele, inerte, agonizante. Em nossos braços ele deu seu último sopro de vida e foi para o céu dos abacates, sepultando com ele nosso sonho de liquidificá-lo com sorvete e fazer uma sobremesa fantástica.

Outro abacate já habita nossa geladeira, porém temos de esperar que passe o trauma e o luto para confraternizarmos com esse novo hóspede. Prometo avisá-los quando, finalmente, o novo abacate e o sorvete de creme tornarem-se um só, em fusão perpétua e irrevogável que apenas um forte sentimento, movimentos bruscos e gemidos intraduzíveis podem fazer. Ainda que isso seja ligeiramente impróprio para o horário.


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Comentários (o haloscan apaga os comentários a cada quatro meses e como já perdi os de alguns posts anteriores, prefiro colá-los aqui, antes que sejam deletados):

Foi muito legal da sua parte falar que na IURD vc aprendeu por em prática sua fé, as pessoas acham que lá nós fazemos "lavagem celebral" mas só quem já teve no fundo poço, e achou lá a última saída, sabe como é bom, aprender a usar nossa fé.

Gravatar Van, se ele nao estiver maduro ainda, enrole num jornal e coloque num lugar abafadinho e escurinho , funciona mesmo, mas cuide pra não ir pro céu dos abacates tb.
Beijos e boa sorte com ele!!!