Sunday, October 29, 2006

Convite

Hoje às vinte horas na Livraria Palavraria (Vasco da
Gama, 165, bairro Bom Fim ), em Porto Alegre, amores, acontecerá o sarau Entrevero, com a participação dos alunos do Curso de Formação de Escritores e Agentes Literários, ou seja, eu e minha turma.

Presença de Sérgio Fischer e Antônio Falcetta (professores de literatura q vão ler seus poemas) e Mônica de Aquino, poeta mineira recém chegada no sul.

Quem puder aparecer, será muito bem-vindo.
Amor e Ódio


Tenho uma relação de amor e ódio com alguns escritores, eu incluída. A parte boa é que estou em ótima companhia. Tenho uma relação de amor e ódio com Saramago, por exemplo, porque tenho um problema de visão que torna a leitura daqueles blocos maciços de texto um inferno. Por isso separo os parágrafos com um espaço.

Tenho uma relação de amor e ódio com Clarice Lispector porque me irrito com a repetição de algumas palavras e situações em textos diferentes. E sou chata. Tenho uma relação de amor e ódio com Millôr Fernandes, por achar que ele tem preguiça de escrever, muitas vezes. Tenho uma relação de amor e ódio com Machado de Assis, com Oscar Wilde, com Assis Brasil, com Márquez e com Érico Verissimo.

Pretensiosamente, me incluo na tal lista. Tenho uma relação de amor e ódio comigo mesma, não por detalhes da minha produção literária, como os exemplos acima, mas por às vezes estar bem certa de que escrevo bem e estou no caminho certo, e às vezes acreditar que meu texto é uma porcaria e eu deveria atirá-lo de um penhasco com uma pedra amarrada ao pescoço.

Tenho uma relação de amor e ódio com a literatura. Às vezes não sei para que raios ela serve, se tudo acaba nessa vida. Me irrito pela dependência que tenho, pela necessidade que sinto de escrever, de ler, de me envolver cada vez mais com esse mundo.

Eu me envolvi com a literatura de tal forma que ela me prendeu como uma rede de pesca alucinada, não movo nem braços, nem pernas, nem me comunico, nem caminho sem ela. Ela me expõe quando me escondo, me faz eviscerar de uma forma esquisita (se é que existe uma forma não esquisita de eviscerar), e tem me botado medo.

É, ela tenta me intimidar, faz careta, faz barulho, me assusta para ver se eu fujo, se desisto. Ando com mania de perseguição, e acho que meus textos estão me boicotando. Não sei se são amigos ou se são inimigos, não sei o que esperar do ínfimo tempo que tenho para botá-los a correr.

Cada palavra deve ser medida, uma palavra errada é uma erva-daninha que passa despercebida e tira a harmonia do texto. Ando perfeccionista. Um horror. Às vezes quase arranco a cabeça fora, mas percebo que seria contraproducente e prefiro deixá-la no lugar, por pior que seja. Tenho uma relação de amor e ódio com a minha cabeça.

Se pudesse, me enfurnaria ad infinitum em minha caverna, aqui, protegida, fazendo pinturas rupestres nas paredes, esfregando pedras para produzir fogo (nunca conseguiria) e caçando mamutes de soja. Mas infelizmente, o mundo exige a minha presença. E eu sempre acho que falo demais, as palavras me fogem com uma rapidez doentia e eu encaro os olhares fixos no que estou dizendo, enquanto procuro a segunda parte da palavra cuja primeira parte estou a repetir há alguns minutos.

Tenho uma relação de amor e ódio com encontros sociais. Caverna, caverna. Ostra. Lacrada. Fechada hermeticamente. Hoje, sendo sincera, estou sofrendo horrores com a idéia de que amanhã passarei o dia inteiro fora de casa, impossibilitada de tomar um banho no final da tarde e ajeitar a minha cara decentemente. Ao mesmo tempo, estou encantada com a idéia das coisas que eu tenho a fazer amanhã. Tenho uma relação de amor e ódio com as coisas que tenho a fazer nesta semana.

Tenho uma relação de amor e ódio com minha agenda recém-ativada, ela tem desenhos de flores e coraçõezinhos que nada têm a ver comigo, só está dentro da minha bolsa porque era o exemplar mais barato. Eu tenho isso, de olhar o preço, esmiuçar rótulos, não me guiar pela primeira impressão, pela aparência.

Tenho uma relação de amor e ódio com a idéia de dormir agora, e, pior ainda, com a idéia de que já deveria estar dormindo e continuo compulsivamente acordada, mesmo caindo de sono. A literatura me incomoda, me atrapalha (não fosse ela, eu já teria dormido), me persegue. Deve ser resultado de alguma praga bem praguejada que alguém jogou sobre a pobre e desvalida criatura que vos escreve. Sempre soube que tinha inimigos, mas jamais imaginei que eles pudessem ser tão cruéis.
Feira do Livro

Estou exausta por antecipação. Sou uma pessoa estranha. Penso no que tenho a fazer e em vez de fazer, me canso. E faço, porque tenho que fazer, cansada.

A partir de amanhã farei plantão na Feira do Livro em um standzinho escondido chamado "sala do autor". Chego por volta das três da tarde, conforme o combinado, e sigo as instruções da bula. A Feira do Livro é um espetáculo à parte. E tem uma imensa vantagem sobre suas similares, incluindo a Bienal do Livro, em que fui, no Rio.

A maior vantagem sobre a Bienal é que ela não é bienal, é anual. A segunda maior vantagem, é que ela fica a céu aberto, democraticamente instalada na praça mais central da cidade, de fácil acesso e entrada franca, diferente da Bienal, que é elitista, pois se esconde nos cafundós do Judas e cobra ingresso de dérreal.

Na Feira do Livro de Porto Alegre, pessoas de todas as classes sociais, idades e etnias, se aglomeram perto das bancas de saldos para aproveitar a chance de levar um livro a um preço justo. O escritor Moacyr Scliar conta que sua mãe não tinha dinheiro, mas levava os filhos à Feira do Livro todos os anos, porque achava que tinha que comprar livros para que a família lesse. Era algo importante, necessário. Ela procurava nos balaios de livros mais em conta e sempre encontrava alguma coisa.

A Feira do Livro é uma feira, de verdade, onde os livros estão ao alcance de diferentes mãos e diferentes bolsos. Montada na Praça da Alfândega, no centro do centro da cidade, se transforma em uma nave alienígena gentilmente pousada e integrada à paisagem local.

É o primeiro ano em que participo ativamente, ano passado só pude ir poucos dias, por poucas horas, ano retrasado eu estava no Rio e nos outros anos estava em Campo Grande.

Vale a pena dar uma passada na Feira e aproveitar a programação cultural, além das barracas de livros. Uma dica é olhar a programação no Site da Feira do Livro, e planejar sua viagem :-)

Sunday, October 22, 2006

Estou chateada hoje. Decidi sair de uma das poucas comunidades do orkut de que participava ativamente e até costumava recomendar. O problema se arrastava há meses, cada vez aumentando mais. Quando havia uma discussão em um tópico, ao invés de brigar, quebrar os pratos e resolver de vez, a decisão era colocar panos quentes, ignorar, abafar, deletar o tópico, pedir respeito e exigir silêncio.

É assim que se mata um amor. Evitando brigas e enfrentamentos de idéias em nome de uma falsa democracia, de um falso respeito onde se impõe o silêncio, a deglutição de sapos, a idéia de que não se deve falar o que o outro não quer ouvir e que respeito é omitir ofensas, omitir nomes, mas falar nas entrelinhas, alfinetar e espalhar carapuças.

Cada problema mal resolvido volta, como um fantasma, a cobrar sua resolução. Esses assuntos não-resolvidos acumulam-se como gordura nas paredes de uma artéria, lentamente, até entupir, até explodir, até fazer com que tudo o que se procurou manter entre em colapso, morra.

O medo de enfrentar, de brigar, de explodir, de ser sincero, de citar nomes, de abrir o jogo, de cobrar respostas, de exigir reparos, de pedir argumentos, de oferecer argumentos contrários, de ir até o fim, faz com que acumulemos toxinas nos relacionamentos e plantemos o fim, o agonizante fim do que queríamos preservar.

Será que queríamos mesmo? Será que essa não é uma forma menos dolorosa de forçar o enfrentamento, de forçar a porta da rua para quem não queremos mais em casa? Sem que precisemos falar com todas as letras, afinal de contas, sinceridade e clareza não combinam muito com polidez e educação, para quem realmente acredita nisso.

Assim casamentos acabam, envenenados, depois de anos. Assim amizades terminam, sufocadas em mágoas, ressentimentos requentados em água fervente. Assim termina qualquer coisa, qualquer tipo de relacionamento. É uma receita lenta, mas fácil e certeira.

Resolver cada pequeno problema na hora, indo até o fim e dando nomes aos bois dá trabalho. Pode ser que desgaste, aparentemente, mas na verdade reforça. Resolvido, apaga-se o problema, ele vaga em direção ao abismo do esquecimento e não retorna nunca mais, nada se acumula e tudo se renova. Assim casamentos solidificam-se e duram anos. Se acabarem, certamente não será por mágoa e serão amigos para sempre. Assim, amizades tornam-se longevas. Assim qualquer relacionamento sobrevive, se quiser.

Há meses estou arrastando esses problemas com a tal comunidade do orkut, me desanimando a cada semana, depois com um fiapo de esperança de que melhore e volte a ser legal, depois me decepcionando de novo, como quem arrasta um casamento meia-boca, adiando a separação, na esperança de que se consiga voltar ao que era antes. Melhor quebrar os pratos de uma vez do que conviver com um relacionamento agonizante, seja ele qual for. Se a forma de enfrentar os problemas (fugindo deles) era totalmente equivocada, não vai ser à beira da morte que o relacionamento conseguirá se reerguer.

Assim, saí da comunidade e senti como se tivesse morrido alguém, um luto de quem perde algo que foi importante por muito tempo. Querendo ou não, são pessoas reais ali, de quem sentirei falta. Nenhum relacionamento ruim é ruim o tempo todo. E depois da separação ou da morte, querendo ou não, lembramos mais das coisas boas do que das ruins, que faziam mais volume enquanto estávamos vivendo a situação.

Enquanto isso, na vida off-line, fizemos dois anos e quatro meses de casados ontem, três anos e dois meses de namoro. Segundo o Davison, casais felizes deveriam comemorar todos os meses, não apenas uma vez ao ano. Sigo meu próprio conselho, que aprendi com o Davison, e não deixamos acumular toxinas em nosso relacionamento. O resultado é o melhor possível. Ainda que a convivência entre duas pessoas nunca seja linear e perfeita, conseguimos fazer de nossa casa um local agradável, de onde não temos a menor vontade de sair, e onde convivemos com nossas diferenças e celebramos nossas afinidades, sabendo que não existe respeito sem liberdade.

Saturday, October 21, 2006

Convite!!



Fabrício Carpinejar faz aniversário nesta segunda, dia 23 de outubro. Coincidência ou não, recebe, neste mesmo dia, às 20h no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (Rua dos Andradas, 1223), em Porto Alegre, o prêmio Erico Verissimo, pelo conjunto da obra. Será um sarau bem animado, ao que me consta, e diz a lenda que farei a leitura de um de seus textos (assim como outras 242323 pessoas, pelo que sei).

Fabricio é coordenador do meu curso, também nosso professor e amigo de infância que conhecemos ontem. Na verdade, o Fabricio faz com que todo mundo se sinta amigo dele. Não importa quantas pessoas estejam ao seu redor, nem com quantas ele fale ou deixe de falar, você sempre se sentirá especial. Mas na verdade, o especial é ele.

E não apenas é uma pessoa com a qual a gente gosta de conviver, como também é um escritor de verdade, como poucos. Merece um prêmio pelo conjunto da obra ainda que tenha muito tempo pela frente para ampliar essa obra. Trabalha muito, muito mesmo, além de autor de As Solas do Sol, Um Terno de Pássaros ao Sul, Terceira Sede, Biografia de uma Árvore, Caixa de sapatos, Cinco Marias, Como no céu/Livro de visitas, Porto Alegre e o dia em que a cidade fugiu de casa e O Amor Esquece de Começar, também mantém a coluna "Consultório Poético" no site da Super Interessante e está sempre participando de palestras e ministrando oficinas em diversas cidades. Ele não pára. Vive inventando coisas, e obriga quem está por perto a se mexer, também. Não dá para ficar parado ao lado do Fabricio. Não dá para não reconhecer o quanto esse cara trabalha, se esforça e merece cada elogio, cada prêmio, cada leitor (que, para um escritor, é o maior dos prêmios). Eu, particularmente, acho que ele deveria descansar um pouco mais. Mas eu sempre acho que as pessoas deveriam descansar um pouco mais.

Alguém pode pensar que digo isso porque ele é o coordenador do meu curso. Quem pensar isso não me conhece. E nem o conhece. Não estarei lá na segunda-feira para prestigiar o coordenador do curso, mas um grande poeta, que combina muito talento com muito trabalho e uma grande pessoa de quem é impossível não gostar. E que tem uma família que dá medo. Sim, eu tenho muito medo de gente extremamente inteligente.

A Ana, esposa do Fabrício, apagou seu blog e é uma militante do MSL (movimento dos sem-link), mas eu garanto que ela escreve muito. A Mariana, filha do Fabrício, é uma das minhas escritoras favoritas, ainda que, do alto de sua dúzia de anos, torture seus leitores com intervalos intermináveis entre as postagens. O Vicente, filho do Fabrício e da Ana, tem quatro anos e (ainda) não tem blog, mas lembro de ter lido no falecido blog da Ana que ele certa vez perguntou, ao descobrir que os números são infinitos e que infinito é o que nunca acaba: "Por que as pessoas continuam contando?" Confesso que tive muito medo dos textos que sairão daquele cérebro quando ele começar a escrever.

Desnecessário falar de Maria Carpi e Carlos Nejar, portadores do gene da literatura, que Fabricio herdou muito bem herdado, mas que não foi o único responsável pelo que ele é hoje. É mérito dele. Por isso o prêmio Erico Verissimo é mais do que merecido. Fabricio tem o mérito de ser um dos únicos poetas contemporâneos que leio com prazer. A poesia contemporânea, como todos sabem, não vai com a minha cara, por isso mesmo costuma ser solenemente ignorada por essa que vos escreve. Carpinejar é meu elo com a poesia contemporânea, que está ainda do outro lado do sofá, de braços cruzados e fazendo bico. Birrenta.

Não importa. Na segunda-feira, às 20 horas, temos um encontro esperado na Casa de Cultura Erico Verissimo, em Porto Alegre. Uma homenagem merecida, um presente de aniversário a quem nos presenteia com sua literatura há tanto tempo.

Carpinejar é uma porta aberta. Mas eu nunca sei dizer o que poderemos encontrar lá dentro.



Foto de abertura: Rochelle Prass, Carpinejar e eu.

Foto de encerramento: Rochelle Prass fotografando Carpinejar para o Portal3, da Agência Experimental de Comunicação da Unisinos.

Saturday, October 14, 2006

Eu não peguei o seu isqueiro.

Eu não peguei seu isqueiro. Sei que ele era uma das desculpas esfarrapadas que você usava para justificar o cigarro e sei que, por ser sua amiga, sou uma das maiores inimigas do seu vício. Mas não, não peguei seu isqueiro. Ele estava ali, escondido, disfarçado de carrinho. Algum outro escravo da fumaça deve ter levado a carteira, com um brinquedo de brinde. Chegou na fase do roubo para sustentar o vício.

Mas não peguei seu isqueiro. Se pudesse, pegaria o isqueiro que existe dentro da sua cabeça e que acende sua vontade de fumar. Se pudesse, esconderia esse isqueiro e o lançaria no fundo do lago, de onde ele não pudesse sair, nem ver, nem acender nada. Mas esse isqueiro eu não posso pegar (e não se preocupe, não pretendo tentar, em uma cirurgia exploratória).

Por isso eu nunca pensei que pegar seu isqueiro pudesse ter alguma utilidade prática ou mesmo simbólica, visto que você já escreveu sobre outros onze isqueiros. Ele esconde suas intenções pérfidas atrás das luzes e da aparência infantil. É um falso, dissimulado, no qual eu nunca vi a menor graça. Ele quer que você use o deselegante cigarro, que esconda o perfume atrás do cheiro da fumaça e quer que você se apegue emocionalmente a ele, por isso se disfarça de brinquedo, por isso faz barulhinho e pretende ser engraçado. Mas eu sei de suas intenções. E ele sempre me olhou desconfiado, nunca gostou do meu desprezo, sempre mantivemos entre nós a distância dos inimigos.

Eu não suportaria ter de roubar todos os isqueiros engraçados e sem graças do mundo para te convencer de que sou mais sua amiga do que eles. Não há espaço em minha casa para escondê-los, nem haveria lago suficientemente fundo no qual afogá-los.

Eu não peguei o seu isqueiro. Nem sua carteira de cigarro. Não peguei sua vontade, nem seu desespero. Não peguei sua intenção, nem sua procura. Porque você não fuma o cigarro, fuma a vontade. Fuma a antecipação, traga a impaciência. Não lida, não aproveita, transforma em fumaça, entranha as toxinas. Isso eu sei que não posso pegar, não posso esconder de você.

Não duvide de que se eu pudesse, pegaria o que te faz escravo do vício. Mas o isqueiro é pequeno demais. E te avisaria, quando pegasse, diria com todas as letras: não há resgate. Prefiro, porém, esperar que você jogue no fundo do lago o isqueiro que cresceu em seu cérebro e acende o vício. Só você tem acesso a ele.

Infelizmente, seu isqueiro está agora com um desconhecido. Um pobre viciado que encontrou uma carteira de cigarro abandonada e enfiou no bolso. Alguém a quem você, involuntariamente, deu cinco minutos a menos de vida por cigarro. Não sofra pelo isqueiro, ele está cumprindo alegremente sua assassina missão neste mundo e resolveu fugir, entregar-se a outro viciado porque sabe que você abandonará o cigarro em breve e ele será apenas mais um souvenir para acender o fogão. Ele não poderia suportar tal ignomínia.

Porém, em você, existe algo que ninguém nunca poderá tirar. E que é muito mais importante do que qualquer maço de cigarros.

Eu não peguei o seu isqueiro. Ele jamais aceitaria vir comigo.
Não sei por que razão estou tão cansada. Ontem cheguei destruída em casa, dormi às sete da noite, o problema foi ter acordado hoje às oito da manhã. Dormir demais é um pouco pior do que dormir de menos para mim. Passo o dia inteiro como se estivesse com sono. Mas não estou com sono! É como se houvesse um ciclo de sono: oito horas são suficientes para que o indivíduo descanse. Passar de oito horas é como se voltasse ao início. Ou seja, para me sentir bem, ou eu deveria dormir oito horas ou dezesseis. Essa é a minha teoria.

Não pretendo testá-la, já que dormir dezesseis horas não é uma das coisas mais produtivas a se fazer. Não que eu faça as coisas pensando na produtividade, mas vejo os momentos desnecessários de sono como "horas mortas" (parafraseando o Davison). Talvez possam me fazer falta mais adiante. Ou não, como saberei?

Talvez o que me canse nessas noites longas de sono seja o ritmo alucinado dos meus sonhos de cansaço. Explico: quando estou cansada, tenho sonhos agitados, cheios de personagens, enredos malucos e intermináveis. Vinte mil histórias diferentes, em sequência. O pior é que me lembro da maioria delas, quando acordo.

Em meus sonhos hoje, uma superpopulação. Não tem nem aquela coisa especial de dizer a um amigo: "sonhei contigo hoje". A menos que eu omita que, além dele, toda a torcida do flamengo, do inter e do São Paulo habitavam meus sonhos naquela noite.

E a perseguição. Sempre tem uma cena de perseguição. Hoje foi em um carro, mas eu não conseguia ver em que pista estava, apenas ouvia as instruções. Só que o cara falava em uma língua estranha e me mandava virar "totalama para leste" e eu tinha que me lembrar de onde raios era o leste. Não, eu não tenho noção exata dos pontos cardeais, exceto o norte e o sul. Sou uma criatura totalmente desorientada. O resultado é que eu caía em todos os precipícios e saía da pista a todo instante. Não gostei da brincadeira.

E sonhei com o Nermalzinho. Em setembro fez dois anos que ele morreu, mas eu não esqueço. Ainda que eu tenha três novos gatinhos hoje, ele sempre vai fazer parte da minha história, das minhas lembranças, da minha infância. Foi um bom amigo. De vez em quando meu cérebro resolve colocar ele e a Lady em meus sonhos, às vezes com o Tiggy, a Ricota e o Gatão, e faz uma salada misturando Campo Grande, Porto Alegre e Rio de Janeiro, criando o lugar em que eu realmente gostaria de morar, que misturasse os melhores pontos e as pessoas especiais dessas três cidades e não me obrigasse a escolher entre elas, o que a vida, cruel, exige.

Sunday, October 08, 2006

Estou assistindo ao debate, esperando que Alckmin me diga algo sobre suas propostas de governo. A única coisa que ele sabe fazer é acusar o Lula. Sinceramente, comecei a assistir pensando que talvez mudaria minha opinião a respeito do Alckmin. Mas nada de falar sobre seu programa de governo ou responder às perguntas de forma clara. E tenta subestimar minha inteligência. O tempo inteiro.

O legal é que eu tinha acabado de ler sobre o arquivamento das CPIs.

Alckmin é bom ator.

Alckmin diz que "privatizações foram feitas às claras, foi leilão público, na frente do povo". Mas esquece que o povo não foi consultado e nem quis que as empresas públicas fossem leiloadas a preço de banana, como aconteceu com a Vale do Rio Doce (alguém se lembra das manifestações populares contra a venda da Vale do Rio Doce?).

Anyway, eu já imaginava que esse debate fosse ser uma baita baixaria. Agora entendo a razão do Lula não ter ido ao debate no primeiro turno e concordo plenamente.

Para encerrar, o texto "Separando o joio do joio" dá mais ou menos o tom desta eleição.

Saturday, October 07, 2006

Notícias da convalescença

Finalmente estou conseguindo me recuperar. Hoje quebrei o repouso e convenci o Davison a me deixar ir com ele à farmácia. Fui, toda feliz, passear na farmácia :-D Acredito que na segunda não estarei mais contagiosa e conseguirei ir à aula. Fui obrigada a faltar na sexta porque realmente estava imprestável.

Estou com uma vontade incrível de tomar redoxon efervescente. O problema é que só tenho cebion. Quando eu era criança comia pastilhas efervescentes de redoxon. Pegava uma e descia para brincar no pátio do edifício, roendo a pastilha. Óbvio que não consigo mais fazer isso hoje em dia (ou nunca mais tentei), mas ainda aprecio a iguaria.

Tomei uma overdose de pastilhas para garganta enquanto dormia. É, eu abro pacotes dormindo. Tomei quinze pastilhas. Essas são do tipo teoricamente inofensivo, "Melagrião" sabor limão, menta, laranja... balinhas de menta com corante e alguma coisa que anestesia a língua depois da décima pastilha. Acordei com a língua queimada. Sério. Hoje esconderei as pastilhas.

Pior da vez em que arranjei uma laringite horrorosa no Rio e dormi com uma caixa de Benalet sob o tavesseiro. Resultado: tomei doze pastilhas, tive tontura, dor de cabeça, quase não consegui acordar, passei uma manhã terrível. Benalet é uma pastilha do mal.

Já consigo falar, respirar com uma das narinas, ler e escrever, o que significa que pelo menos amanhã será um dia produtivo. Ainda que eu não saia de casa, poderei pelo menos colocar os meus textos e leituras em dia.

No entanto, ainda estou tossindo, espirrando e com a garganta inflamada, o que significa que pelo menos um spray de mel com própolis terá de me fazer companhia durante o sono. Espero que os efeitos de uma eventual (na verdade, inevitável) superdosagem sejam menos agressivos.

Foto: Davison Lampert

Estou gripada, logo, não sinto cheiro de nada. Foi o Davison que percebeu o cheiro de queimado. Da nossa janela, vimos que um dos andares do edifício que fica na outra quadra estava em chamas. O ar-condicionado do apartamento caiu sobre o ar do apartamento de baixo, fazendo um barulhão e depois despencou lá de cima, fazendo mais barulho ainda. Fiquei com medo de que alguma coisa explodisse. Ligamos para os bombeiros (assim como todos os outros vizinhos, acho) e eles chegaram relativamente rápido (relativamente, porque o fogo é sempre mais rápido).

Não sei se alguém se machucou, ainda não sei se o apartamento estava vazio, mas certamente não sobrou nenhum móvel para contar a história, não tem como. Os bombeiros tiveram um pouco de dificuldade para apagar o fogo, que ainda não se sabe como começou. Estou apreensiva, espero que ninguém tenha se machucado.

Me lembrei de quando era criança e morava no primeiro andar de um prédio de vinte andares. Vira e mexe tinha ameaça de incêndio e a gente tinha que correr lá para baixo. Felizmente, nunca aconteceu nada mais sério. Mas foi uma das razões de eu querer me mudar para uma casa, na época. Tinha pesadelos com o edifício desabando, pegando fogo, etc. Hoje o pesadelo foi real para alguém. Espero ter boas notícias para contar a respeito, assim que conseguir apurar algo.


UPDATE:

Parece que o dono do apartamento estava no trabalho e não havia ninguém em casa durante o incêndio. A informação que tenho até agora é que ninguém se feriu. Graças a Deus.

Thursday, October 05, 2006

Fitoterápico

A Nana me perguntou se o calmantezinho fitoterápico que eu comprei é o Serenus. Respondi, mas como não sei se ela leu, coloco aqui. É o próprio. Acho que ninguém nunca tomou esse comprimido. A gente se acalma só de olhar para a caixinha azul. Se olhar demais, dá até sono. Uma maravilha. Continua intacto aqui em casa. Acho que a caixa deve funcionar melhor do que o comprimido. A composição da caixa eu não sei, mas a do comprimido é a seguinte:

Passiflora incarnata (maracujá)
Crataegus oxycantha ( Pilriteiro)
Salix Alba (Salgueiro-Branco)

Um dia - prometo - experimento. Talvez amanhã, se eu ainda estiver gripada, para me obrigar a ficar de repouso. Aí digo se funciona ou não. Mas por enquanto posso assegurar que a caixa funciona per-fei-ta-men-te.

PS: Karen, o Update não foi para você. Na verdade, eu pensei em escrevê-lo a manhã toda e quando o fiz, ainda não tinha olhado os comentários. Você não foi indelicada não, de forma alguma, se quiser pode me mandar um email e eu te digo o preço dos vestidos. Mas já lhe asseguro que não é nada que não se possa parcelar em uma + 3 no cheque ou cartão, sem juros...risos... Ah, e seja bem-vinda, sinta-se à vontade para falar o que quiser por aqui, sem medo de ser indelicada, porque, ao contrário, você até agora só foi delicadíssima. :-)
Stress+comer mal+dormir pouco+frio+calor+frio+calor (no mesmo dia) +arrastar um resfriado por semanas, para que ele se sinta ignorado e vá embora = garganta inflamada, espirros, cama, chazinho e mel com própolis e agrião.

Repouso, repouso, repouso.

Monday, October 02, 2006

Da série - Momentos Surreais

De um mendigo jovem, sem os dentes da frente, dentro do trem, ao final de uma grande palestra para justificar o fato de estar pedindo dinheiro no metrô:

"Queria ser gente que nem vocês. Eu só não sou que nem vocês porque eu nasci feio. Aí tenho que pedir dinheiro".

Sunday, October 01, 2006

O4 de outubro na Livraria Cultura, no Bourbon Shopping Country às 20h

Lançamento do livro Encaixes, da minha colega de sala Carmen Presotto, na quarta-feira. Clique no convite abaixo para aumentar:



Um Dia de Paty



Micro-foto: Ana Nejar


Ontem recebi um convite inusitado da Ana (que não tem mais blog e agora participa do MSL, movimento dos sem-link) para conhecer São Leopoldo. Minha universidade, para quem não sabe, fica nessa cidade, bem próxima de Porto Alegre. Aceitei, é claro, porque gosto de novidades. Conversamos um bocado e ela comentou de uma loja em que gostava de ir, conversava com as vendedoras, com a proprietária e de vez em quando comprava umas roupinhas lindas. Chegando perto, perguntou se eu queria entrar lá um pouquinho, para tomar um chimarrão e dar um "oi" para as meninas.

Entramos, demos "oi" e dei uma olhadinha meio por cima nas roupas. Não sou alucinada por comprar roupas. Costumo fazer minhas compras em lojas tipo C&A, Renner e Riachuelo por detestar vendedoras que me perseguem pela loja (ainda tenho resquícios da criatura anti-social que um dia fui), garimpo coisas diferentes, com uma certa dificuldade. Felizmente, as moças da Philomenna não nos perseguem pela loja. A Ana sugeriu que tivéssemos uma tarde Paty, começou a separar alguns modelos de blusas, um mais bonito que o outro.

Não me importei em experimentar algumas roupas. Primeiro porque adoro experimentar coisas, meu passeio preferido quando estou sozinha é entrar na Renner, pegar uma porção de peças, experimentar e depois deixar por lá. Raramente fico com vontade de comprar alguma coisa. Também porque dificilmente encontro algo de que realmente goste. Achei que experimentar algumas roupas na Philomenna seria inofensivo. Pobre de mim.

Olhei alguns vestidos, talvez para me certificar de que não existe, em todo o universo, vestido que me caia bem. Antes de continuar a contar, devo rebobinar um pouco a fita. Há algumas semanas saí em busca de um vestido para usar no verão. O verão de Porto Alegre é semelhante ao verão do inferno, diz quem já esteve lá. A sensação de que o sol está encostado em nossa pele me fez ter a convicção de que o buraco da camada de ozônio encontra-se exatamente em cima da capital gaúcha.

Ano passado passamos a maior parte do verão dentro do hospital. Sair para fazer compras e quase morrer tostada pelo sol desidratante foi a única coisa que me fez agradecer aos céus por estarmos internados. O ar condicionado é a maior invenção da humanidade. Como este ano não pretendo repetir a dose, imagino que precisarei de um certo apoio vestuário.

Eu gosto de vestidos. Não usei muito durante minha adolescência por culpa de um complexo: a tal alergia à depilação deixava minhas pernas empelotadas full time, exceto quando estavam peludas. Como não me agradava a idéia de sair mostrando pernas cabeludas, muito menos pernas cheias de machucados, pontinhos vermelhos e marcas esquisitas, eu vivia de calça jeans.

Depois a gente cresce e começa a achar tudo bobagem. E daí que minha pele reclama? Escolhi um método depilatório menos agressivo e desfilo minhas pernas marcadas por aí, sim. Dane-se. Todo mundo tem defeitos e eu tenho milhões deles. Se alguém quiser um, podemos negociar. Ano passado até comprei uns vestidinhos, mas nenhum era como eu queria. Comprei porque não tinha opção. Este ano decidi que só compraria se tivesse o vestido do jeito que eu queria. Dei uma olhada em minhas lojas preferidas: Renner e C&A. Todos, absolutamente TODOS os vestidos sem manga eram hiper-mega decotados. Nada contra, mas meu interesse era driblar o calor com feminilidade, não mostrar meus peitos por aí em um modelito vulgar.

O problema é que eu sou magrela, mas tenho mais peito do que minha constituição física permitiria a uma pessoa normal. Então, se o vestido fica legal no peito, fica enorme no resto do corpo, e se fica legal no corpo, os peitos parecem saltar para fora do decote. Todos os vestidos que encontrei nessas duas lojas tinham problemas peitorais. Procurei em outras lojas do shopping e nada. Quando não eram extremamente decotados, eram transparentes, curtos demais, não tinham cintura ou eram tomara-que-caia. Não existia a menor razão para que eu encontrasse algo diferente em uma loja recém-conhecida no centro de São Leopoldo.

Mas encontrei. Um, dois, três, quatro...vários vestidos legais. Mas é claro, Murphy é meu amigo, provavelmente nenhum deles ficaria bem em mim. Eu ficaria ridícula com eles, estava certa disso. Dei uma olhada no preço. Bem, eu só compraria algo naquele valor se ficasse absurdamente bem. E quais seriam as chances de isso acontecer? Fizemos uma bagunça, espalhamos umas peças sobre as outras e eu tive a nítida impressão de que experimentaria a loja inteira.

Decidi começar pelos vestidos. Entrei no provador, experimentei o primeiro, azul marinho, lindo, parecia vestido de boneca. Mas achei que ele fosse menor do que eu. Para a minha surpresa, ele coube! E não só coube como ficou ótimo! Claro, a Ana e as meninas fizeram a maior festa a cada modelo experimentado. Sempre que saía do provador eu tinha uma torcida organizada à minha espera. A vontade era de levar tudo. A parte boa é que quando a roupa não fica bem, elas assumem. Não subestimam a inteligência dos clientes. O vestido florido me deixou com cara de quinze anos, segundo a Ana, o vestido vermelho perdeu para o mesmo modelo em verde, porque este último fazia com que quem visse percebesse a existência de uma pessoa dentro dele, ao passo que o vermelho poderia tranquilamente existir sozinho.

A certa altura, a Ana achou, sabe-se lá por qual razão, que eu ficaria bem em uma determinada blusa preta que eu jamais escolheria se estivesse sozinha. Resolvi experimentar, com uma calça jeans super justa (eu entrei em uma calça 36!!!!) e um velho scarpin que estava abandonado no provador. Não sei nada de moda. Nada. Como eu já disse, escolho minhas roupas pelo duo conforto e preço. Mas devo admitir que me assustei ao olhar no espelho. Era outra pessoa! A Ana definiu bem: "Mas o que adoro é esse poder que as roupas têm de mudar nossa personalidade. De repente, tu estava parecendo uma menininha, com o vestido estampado. Depois, um mulherão com aquele look jeans e camisa preta."

Fiquei alguns minutos olhando no espelho, ainda sem entender que aquela era eu mesma. Infelizmente, por mais que eu quisesse, não poderia levar tudo. Resolvi optar pelos vestidos, afinal de contas, estou bem certa de que os procuro há uns dez anos. Quase chorei, contudo, ao ter de deixar para trás as lindas batas (uma delas preta com borboletas bordadas...borboletas!!!), os vestidos, a calça esmagante e a blusa preta...a blusa preta que era quase o preço de um vestido.

Pobre blusa preta...agora sozinha, sem lar, triste, chorando na vitrine, achou que tivesse encontrado, finalmente, alguém com quem dividir seus dias e suas noites... Sofri por outras blusas, também, e por uma calça que me fez ter, por alguns instantes, a ilusão de ser uma pessoa provida de nádegas relevantes. Mas tinha de escolher. E vieram os dois vestidos de boneca e o outro, verde, que fez sucesso sozinho, na minha mão e, portanto, pode enganar perfeitamente algumas pessoas e fazê-las pensar que quem está fazendo sucesso sou eu :-D

A hora de pagar foi uma tortura. Nunca gastei tanto em tão poucas peças. Depois fiquei me torturando ainda mais, pensando em quantos livros estaria vestindo. Uma pequena biblioteca doméstica, estou certa. Ao menos um quarto de uma pequena biblioteca doméstica. Se os livros fossem comprados em sebos, eu poderia conseguir metade de uma pequena biblioteca doméstica, com folga. Ou não, sei lá.

Sou exagerada, eu sei. Dramática, com certeza. Escrevi um texto muito melhor do que este em minha cabeça, no trem, na viagem de volta. Mas olhava para os três vestidos na sacola e sentia alguma culpa em ter gostado tanto de comprá-los, de tê-los, de me ver com eles, do presente de aniversário adiantado que recebi, e pelo cartão de crédito agonizante em minha bolsa.

Depois pontuei as vantagens de ter feito essa extravagância. A primeira delas é que a tarde valeu cada centavo. A Ana é uma companhia maravilhosa, com quem cinco horas passam voando, como se fossem vinte minutos. Juntei a ótima companhia a um ótimo atendimento e o prazer de provar roupas ao prazer dobrado de provar ótimas roupas que me caíram bem. A segunda vantagem foram os vestidos. São roupas de ótima qualidade, que durarão bastante tempo. São peças diferentes, bonitas, para quem tem peito sim, mas já se acostumou com isso e não precisa colocá-los para fora para provar ao mundo que eles existem. São roupas versáteis, que cabem em diversas ocasiões. Enfim, existem milhões de motivos para compensar qualquer saída do orçamento, então a culpa ficou no trem. Continuou a viagem e seguiu em frente.

Meu problema agora é que eu não quero mais usar outra roupa. Me recuso a usar outra roupa. Só que o verão ainda não chegou, vira e mexe, refresca um pouquinho. Os vestidos - dizem - não caberiam bem na faculdade, são para fim de semana ou ambientes extra-classe. Não acho. Qualquer dia apareço de vestidinho por lá, antes que nossas aulas passem a ser noturnas.

Estou feliz. Não que uma roupa possa trazer felicidade a alguém, mas passar uma tarde de princesa, experimentando roupas que me fizeram lembrar que eu poderia valorizar um pouco mais minha aparência se não usasse a mesma roupa todos os dias, com uma companhia mais do que agradável, que me deu um baita apoio em todos os momentos, e além de tudo encontrar não apenas um, mas TRÊS vestidos dos meus sonhos, é o suficiente para fazer de uma "Tarde Paty" um dia super especial a ser guardado com todo o carinho.


PS: Quem estiver na Grande Porto Alegre e quiser conhecer a loja Philomenna, fica na Rua Independência, 996, no centro de São Leopoldo.

PS2: Em casa, um bom desfile (sugerido pela Ana) com cada um dos vestidos foi o suficiente para que o Davison não sugerisse um divórcio por prodigalidade.

PS3: Tentei tirar alguma foto com os vestidos, mas preciso fazê-lo com iluminação natural ou eles perdem metade da graça.


UPDATE

Posso ter passado a impressão equivocada de que a loja pratica preços extorsivos. Não é verdade. É preço normal, de loja que não vende roupas a quilo (ou roupas-aquilo, conforme se queira interpretar). Eu sou exagerada, dramática, estou temporariamente pobre (por tempo indeterminado), impossibilitada de gastar meio centavo e sou mão-de-vaca. Só gasto à toa sob forte desequilíbrio emocional ou por uma razão extremamente forte.