Saturday, October 21, 2006

Convite!!



Fabrício Carpinejar faz aniversário nesta segunda, dia 23 de outubro. Coincidência ou não, recebe, neste mesmo dia, às 20h no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (Rua dos Andradas, 1223), em Porto Alegre, o prêmio Erico Verissimo, pelo conjunto da obra. Será um sarau bem animado, ao que me consta, e diz a lenda que farei a leitura de um de seus textos (assim como outras 242323 pessoas, pelo que sei).

Fabricio é coordenador do meu curso, também nosso professor e amigo de infância que conhecemos ontem. Na verdade, o Fabricio faz com que todo mundo se sinta amigo dele. Não importa quantas pessoas estejam ao seu redor, nem com quantas ele fale ou deixe de falar, você sempre se sentirá especial. Mas na verdade, o especial é ele.

E não apenas é uma pessoa com a qual a gente gosta de conviver, como também é um escritor de verdade, como poucos. Merece um prêmio pelo conjunto da obra ainda que tenha muito tempo pela frente para ampliar essa obra. Trabalha muito, muito mesmo, além de autor de As Solas do Sol, Um Terno de Pássaros ao Sul, Terceira Sede, Biografia de uma Árvore, Caixa de sapatos, Cinco Marias, Como no céu/Livro de visitas, Porto Alegre e o dia em que a cidade fugiu de casa e O Amor Esquece de Começar, também mantém a coluna "Consultório Poético" no site da Super Interessante e está sempre participando de palestras e ministrando oficinas em diversas cidades. Ele não pára. Vive inventando coisas, e obriga quem está por perto a se mexer, também. Não dá para ficar parado ao lado do Fabricio. Não dá para não reconhecer o quanto esse cara trabalha, se esforça e merece cada elogio, cada prêmio, cada leitor (que, para um escritor, é o maior dos prêmios). Eu, particularmente, acho que ele deveria descansar um pouco mais. Mas eu sempre acho que as pessoas deveriam descansar um pouco mais.

Alguém pode pensar que digo isso porque ele é o coordenador do meu curso. Quem pensar isso não me conhece. E nem o conhece. Não estarei lá na segunda-feira para prestigiar o coordenador do curso, mas um grande poeta, que combina muito talento com muito trabalho e uma grande pessoa de quem é impossível não gostar. E que tem uma família que dá medo. Sim, eu tenho muito medo de gente extremamente inteligente.

A Ana, esposa do Fabrício, apagou seu blog e é uma militante do MSL (movimento dos sem-link), mas eu garanto que ela escreve muito. A Mariana, filha do Fabrício, é uma das minhas escritoras favoritas, ainda que, do alto de sua dúzia de anos, torture seus leitores com intervalos intermináveis entre as postagens. O Vicente, filho do Fabrício e da Ana, tem quatro anos e (ainda) não tem blog, mas lembro de ter lido no falecido blog da Ana que ele certa vez perguntou, ao descobrir que os números são infinitos e que infinito é o que nunca acaba: "Por que as pessoas continuam contando?" Confesso que tive muito medo dos textos que sairão daquele cérebro quando ele começar a escrever.

Desnecessário falar de Maria Carpi e Carlos Nejar, portadores do gene da literatura, que Fabricio herdou muito bem herdado, mas que não foi o único responsável pelo que ele é hoje. É mérito dele. Por isso o prêmio Erico Verissimo é mais do que merecido. Fabricio tem o mérito de ser um dos únicos poetas contemporâneos que leio com prazer. A poesia contemporânea, como todos sabem, não vai com a minha cara, por isso mesmo costuma ser solenemente ignorada por essa que vos escreve. Carpinejar é meu elo com a poesia contemporânea, que está ainda do outro lado do sofá, de braços cruzados e fazendo bico. Birrenta.

Não importa. Na segunda-feira, às 20 horas, temos um encontro esperado na Casa de Cultura Erico Verissimo, em Porto Alegre. Uma homenagem merecida, um presente de aniversário a quem nos presenteia com sua literatura há tanto tempo.

Carpinejar é uma porta aberta. Mas eu nunca sei dizer o que poderemos encontrar lá dentro.



Foto de abertura: Rochelle Prass, Carpinejar e eu.

Foto de encerramento: Rochelle Prass fotografando Carpinejar para o Portal3, da Agência Experimental de Comunicação da Unisinos.