Um Dia de Paty

Micro-foto: Ana Nejar
Ontem recebi um convite inusitado da Ana (que não tem mais blog e agora participa do MSL, movimento dos sem-link) para conhecer São Leopoldo. Minha universidade, para quem não sabe, fica nessa cidade, bem próxima de Porto Alegre. Aceitei, é claro, porque gosto de novidades. Conversamos um bocado e ela comentou de uma loja em que gostava de ir, conversava com as vendedoras, com a proprietária e de vez em quando comprava umas roupinhas lindas. Chegando perto, perguntou se eu queria entrar lá um pouquinho, para tomar um chimarrão e dar um "oi" para as meninas.
Entramos, demos "oi" e dei uma olhadinha meio por cima nas roupas. Não sou alucinada por comprar roupas. Costumo fazer minhas compras em lojas tipo C&A, Renner e Riachuelo por detestar vendedoras que me perseguem pela loja (ainda tenho resquícios da criatura anti-social que um dia fui), garimpo coisas diferentes, com uma certa dificuldade. Felizmente, as moças da Philomenna não nos perseguem pela loja. A Ana sugeriu que tivéssemos uma tarde Paty, começou a separar alguns modelos de blusas, um mais bonito que o outro.
Não me importei em experimentar algumas roupas. Primeiro porque adoro experimentar coisas, meu passeio preferido quando estou sozinha é entrar na Renner, pegar uma porção de peças, experimentar e depois deixar por lá. Raramente fico com vontade de comprar alguma coisa. Também porque dificilmente encontro algo de que realmente goste. Achei que experimentar algumas roupas na Philomenna seria inofensivo. Pobre de mim.
Olhei alguns vestidos, talvez para me certificar de que não existe, em todo o universo, vestido que me caia bem. Antes de continuar a contar, devo rebobinar um pouco a fita. Há algumas semanas saí em busca de um vestido para usar no verão. O verão de Porto Alegre é semelhante ao verão do inferno, diz quem já esteve lá. A sensação de que o sol está encostado em nossa pele me fez ter a convicção de que o buraco da camada de ozônio encontra-se exatamente em cima da capital gaúcha.
Ano passado passamos a maior parte do verão dentro do hospital. Sair para fazer compras e quase morrer tostada pelo sol desidratante foi a única coisa que me fez agradecer aos céus por estarmos internados. O ar condicionado é a maior invenção da humanidade. Como este ano não pretendo repetir a dose, imagino que precisarei de um certo apoio vestuário.
Eu gosto de vestidos. Não usei muito durante minha adolescência por culpa de um complexo: a tal alergia à depilação deixava minhas pernas empelotadas full time, exceto quando estavam peludas. Como não me agradava a idéia de sair mostrando pernas cabeludas, muito menos pernas cheias de machucados, pontinhos vermelhos e marcas esquisitas, eu vivia de calça jeans.
Depois a gente cresce e começa a achar tudo bobagem. E daí que minha pele reclama? Escolhi um método depilatório menos agressivo e desfilo minhas pernas marcadas por aí, sim. Dane-se. Todo mundo tem defeitos e eu tenho milhões deles. Se alguém quiser um, podemos negociar. Ano passado até comprei uns vestidinhos, mas nenhum era como eu queria. Comprei porque não tinha opção. Este ano decidi que só compraria se tivesse o vestido do jeito que eu queria. Dei uma olhada em minhas lojas preferidas: Renner e C&A. Todos, absolutamente TODOS os vestidos sem manga eram hiper-mega decotados. Nada contra, mas meu interesse era driblar o calor com feminilidade, não mostrar meus peitos por aí em um modelito vulgar.
O problema é que eu sou magrela, mas tenho mais peito do que minha constituição física permitiria a uma pessoa normal. Então, se o vestido fica legal no peito, fica enorme no resto do corpo, e se fica legal no corpo, os peitos parecem saltar para fora do decote. Todos os vestidos que encontrei nessas duas lojas tinham problemas peitorais. Procurei em outras lojas do shopping e nada. Quando não eram extremamente decotados, eram transparentes, curtos demais, não tinham cintura ou eram tomara-que-caia. Não existia a menor razão para que eu encontrasse algo diferente em uma loja recém-conhecida no centro de São Leopoldo.
Mas encontrei. Um, dois, três, quatro...vários vestidos legais. Mas é claro, Murphy é meu amigo, provavelmente nenhum deles ficaria bem em mim. Eu ficaria ridícula com eles, estava certa disso. Dei uma olhada no preço. Bem, eu só compraria algo naquele valor se ficasse absurdamente bem. E quais seriam as chances de isso acontecer? Fizemos uma bagunça, espalhamos umas peças sobre as outras e eu tive a nítida impressão de que experimentaria a loja inteira.
Decidi começar pelos vestidos. Entrei no provador, experimentei o primeiro, azul marinho, lindo, parecia vestido de boneca. Mas achei que ele fosse menor do que eu. Para a minha surpresa, ele coube! E não só coube como ficou ótimo! Claro, a Ana e as meninas fizeram a maior festa a cada modelo experimentado. Sempre que saía do provador eu tinha uma torcida organizada à minha espera. A vontade era de levar tudo. A parte boa é que quando a roupa não fica bem, elas assumem. Não subestimam a inteligência dos clientes. O vestido florido me deixou com cara de quinze anos, segundo a Ana, o vestido vermelho perdeu para o mesmo modelo em verde, porque este último fazia com que quem visse percebesse a existência de uma pessoa dentro dele, ao passo que o vermelho poderia tranquilamente existir sozinho.
A certa altura, a Ana achou, sabe-se lá por qual razão, que eu ficaria bem em uma determinada blusa preta que eu jamais escolheria se estivesse sozinha. Resolvi experimentar, com uma calça jeans super justa (eu entrei em uma calça 36!!!!) e um velho scarpin que estava abandonado no provador. Não sei nada de moda. Nada. Como eu já disse, escolho minhas roupas pelo duo conforto e preço. Mas devo admitir que me assustei ao olhar no espelho. Era outra pessoa! A Ana definiu bem: "Mas o que adoro é esse poder que as roupas têm de mudar nossa personalidade. De repente, tu estava parecendo uma menininha, com o vestido estampado. Depois, um mulherão com aquele look jeans e camisa preta."
Fiquei alguns minutos olhando no espelho, ainda sem entender que aquela era eu mesma. Infelizmente, por mais que eu quisesse, não poderia levar tudo. Resolvi optar pelos vestidos, afinal de contas, estou bem certa de que os procuro há uns dez anos. Quase chorei, contudo, ao ter de deixar para trás as lindas batas (uma delas preta com borboletas bordadas...borboletas!!!), os vestidos, a calça esmagante e a blusa preta...a blusa preta que era quase o preço de um vestido.
Pobre blusa preta...agora sozinha, sem lar, triste, chorando na vitrine, achou que tivesse encontrado, finalmente, alguém com quem dividir seus dias e suas noites... Sofri por outras blusas, também, e por uma calça que me fez ter, por alguns instantes, a ilusão de ser uma pessoa provida de nádegas relevantes. Mas tinha de escolher. E vieram os dois vestidos de boneca e o outro, verde, que fez sucesso sozinho, na minha mão e, portanto, pode enganar perfeitamente algumas pessoas e fazê-las pensar que quem está fazendo sucesso sou eu :-D
A hora de pagar foi uma tortura. Nunca gastei tanto em tão poucas peças. Depois fiquei me torturando ainda mais, pensando em quantos livros estaria vestindo. Uma pequena biblioteca doméstica, estou certa. Ao menos um quarto de uma pequena biblioteca doméstica. Se os livros fossem comprados em sebos, eu poderia conseguir metade de uma pequena biblioteca doméstica, com folga. Ou não, sei lá.
Sou exagerada, eu sei. Dramática, com certeza. Escrevi um texto muito melhor do que este em minha cabeça, no trem, na viagem de volta. Mas olhava para os três vestidos na sacola e sentia alguma culpa em ter gostado tanto de comprá-los, de tê-los, de me ver com eles, do presente de aniversário adiantado que recebi, e pelo cartão de crédito agonizante em minha bolsa.
Depois pontuei as vantagens de ter feito essa extravagância. A primeira delas é que a tarde valeu cada centavo. A Ana é uma companhia maravilhosa, com quem cinco horas passam voando, como se fossem vinte minutos. Juntei a ótima companhia a um ótimo atendimento e o prazer de provar roupas ao prazer dobrado de provar ótimas roupas que me caíram bem. A segunda vantagem foram os vestidos. São roupas de ótima qualidade, que durarão bastante tempo. São peças diferentes, bonitas, para quem tem peito sim, mas já se acostumou com isso e não precisa colocá-los para fora para provar ao mundo que eles existem. São roupas versáteis, que cabem em diversas ocasiões. Enfim, existem milhões de motivos para compensar qualquer saída do orçamento, então a culpa ficou no trem. Continuou a viagem e seguiu em frente.
Meu problema agora é que eu não quero mais usar outra roupa. Me recuso a usar outra roupa. Só que o verão ainda não chegou, vira e mexe, refresca um pouquinho. Os vestidos - dizem - não caberiam bem na faculdade, são para fim de semana ou ambientes extra-classe. Não acho. Qualquer dia apareço de vestidinho por lá, antes que nossas aulas passem a ser noturnas.
Estou feliz. Não que uma roupa possa trazer felicidade a alguém, mas passar uma tarde de princesa, experimentando roupas que me fizeram lembrar que eu poderia valorizar um pouco mais minha aparência se não usasse a mesma roupa todos os dias, com uma companhia mais do que agradável, que me deu um baita apoio em todos os momentos, e além de tudo encontrar não apenas um, mas TRÊS vestidos dos meus sonhos, é o suficiente para fazer de uma "Tarde Paty" um dia super especial a ser guardado com todo o carinho.
PS: Quem estiver na Grande Porto Alegre e quiser conhecer a loja Philomenna, fica na Rua Independência, 996, no centro de São Leopoldo.
PS2: Em casa, um bom desfile (sugerido pela Ana) com cada um dos vestidos foi o suficiente para que o Davison não sugerisse um divórcio por prodigalidade.
PS3: Tentei tirar alguma foto com os vestidos, mas preciso fazê-lo com iluminação natural ou eles perdem metade da graça.
UPDATE
Posso ter passado a impressão equivocada de que a loja pratica preços extorsivos. Não é verdade. É preço normal, de loja que não vende roupas a quilo (ou roupas-aquilo, conforme se queira interpretar). Eu sou exagerada, dramática, estou temporariamente pobre (por tempo indeterminado), impossibilitada de gastar meio centavo e sou mão-de-vaca. Só gasto à toa sob forte desequilíbrio emocional ou por uma razão extremamente forte.

Micro-foto: Ana Nejar
Ontem recebi um convite inusitado da Ana (que não tem mais blog e agora participa do MSL, movimento dos sem-link) para conhecer São Leopoldo. Minha universidade, para quem não sabe, fica nessa cidade, bem próxima de Porto Alegre. Aceitei, é claro, porque gosto de novidades. Conversamos um bocado e ela comentou de uma loja em que gostava de ir, conversava com as vendedoras, com a proprietária e de vez em quando comprava umas roupinhas lindas. Chegando perto, perguntou se eu queria entrar lá um pouquinho, para tomar um chimarrão e dar um "oi" para as meninas.
Entramos, demos "oi" e dei uma olhadinha meio por cima nas roupas. Não sou alucinada por comprar roupas. Costumo fazer minhas compras em lojas tipo C&A, Renner e Riachuelo por detestar vendedoras que me perseguem pela loja (ainda tenho resquícios da criatura anti-social que um dia fui), garimpo coisas diferentes, com uma certa dificuldade. Felizmente, as moças da Philomenna não nos perseguem pela loja. A Ana sugeriu que tivéssemos uma tarde Paty, começou a separar alguns modelos de blusas, um mais bonito que o outro.
Não me importei em experimentar algumas roupas. Primeiro porque adoro experimentar coisas, meu passeio preferido quando estou sozinha é entrar na Renner, pegar uma porção de peças, experimentar e depois deixar por lá. Raramente fico com vontade de comprar alguma coisa. Também porque dificilmente encontro algo de que realmente goste. Achei que experimentar algumas roupas na Philomenna seria inofensivo. Pobre de mim.
Olhei alguns vestidos, talvez para me certificar de que não existe, em todo o universo, vestido que me caia bem. Antes de continuar a contar, devo rebobinar um pouco a fita. Há algumas semanas saí em busca de um vestido para usar no verão. O verão de Porto Alegre é semelhante ao verão do inferno, diz quem já esteve lá. A sensação de que o sol está encostado em nossa pele me fez ter a convicção de que o buraco da camada de ozônio encontra-se exatamente em cima da capital gaúcha.
Ano passado passamos a maior parte do verão dentro do hospital. Sair para fazer compras e quase morrer tostada pelo sol desidratante foi a única coisa que me fez agradecer aos céus por estarmos internados. O ar condicionado é a maior invenção da humanidade. Como este ano não pretendo repetir a dose, imagino que precisarei de um certo apoio vestuário.
Eu gosto de vestidos. Não usei muito durante minha adolescência por culpa de um complexo: a tal alergia à depilação deixava minhas pernas empelotadas full time, exceto quando estavam peludas. Como não me agradava a idéia de sair mostrando pernas cabeludas, muito menos pernas cheias de machucados, pontinhos vermelhos e marcas esquisitas, eu vivia de calça jeans.
Depois a gente cresce e começa a achar tudo bobagem. E daí que minha pele reclama? Escolhi um método depilatório menos agressivo e desfilo minhas pernas marcadas por aí, sim. Dane-se. Todo mundo tem defeitos e eu tenho milhões deles. Se alguém quiser um, podemos negociar. Ano passado até comprei uns vestidinhos, mas nenhum era como eu queria. Comprei porque não tinha opção. Este ano decidi que só compraria se tivesse o vestido do jeito que eu queria. Dei uma olhada em minhas lojas preferidas: Renner e C&A. Todos, absolutamente TODOS os vestidos sem manga eram hiper-mega decotados. Nada contra, mas meu interesse era driblar o calor com feminilidade, não mostrar meus peitos por aí em um modelito vulgar.
O problema é que eu sou magrela, mas tenho mais peito do que minha constituição física permitiria a uma pessoa normal. Então, se o vestido fica legal no peito, fica enorme no resto do corpo, e se fica legal no corpo, os peitos parecem saltar para fora do decote. Todos os vestidos que encontrei nessas duas lojas tinham problemas peitorais. Procurei em outras lojas do shopping e nada. Quando não eram extremamente decotados, eram transparentes, curtos demais, não tinham cintura ou eram tomara-que-caia. Não existia a menor razão para que eu encontrasse algo diferente em uma loja recém-conhecida no centro de São Leopoldo.
Mas encontrei. Um, dois, três, quatro...vários vestidos legais. Mas é claro, Murphy é meu amigo, provavelmente nenhum deles ficaria bem em mim. Eu ficaria ridícula com eles, estava certa disso. Dei uma olhada no preço. Bem, eu só compraria algo naquele valor se ficasse absurdamente bem. E quais seriam as chances de isso acontecer? Fizemos uma bagunça, espalhamos umas peças sobre as outras e eu tive a nítida impressão de que experimentaria a loja inteira.
Decidi começar pelos vestidos. Entrei no provador, experimentei o primeiro, azul marinho, lindo, parecia vestido de boneca. Mas achei que ele fosse menor do que eu. Para a minha surpresa, ele coube! E não só coube como ficou ótimo! Claro, a Ana e as meninas fizeram a maior festa a cada modelo experimentado. Sempre que saía do provador eu tinha uma torcida organizada à minha espera. A vontade era de levar tudo. A parte boa é que quando a roupa não fica bem, elas assumem. Não subestimam a inteligência dos clientes. O vestido florido me deixou com cara de quinze anos, segundo a Ana, o vestido vermelho perdeu para o mesmo modelo em verde, porque este último fazia com que quem visse percebesse a existência de uma pessoa dentro dele, ao passo que o vermelho poderia tranquilamente existir sozinho.
A certa altura, a Ana achou, sabe-se lá por qual razão, que eu ficaria bem em uma determinada blusa preta que eu jamais escolheria se estivesse sozinha. Resolvi experimentar, com uma calça jeans super justa (eu entrei em uma calça 36!!!!) e um velho scarpin que estava abandonado no provador. Não sei nada de moda. Nada. Como eu já disse, escolho minhas roupas pelo duo conforto e preço. Mas devo admitir que me assustei ao olhar no espelho. Era outra pessoa! A Ana definiu bem: "Mas o que adoro é esse poder que as roupas têm de mudar nossa personalidade. De repente, tu estava parecendo uma menininha, com o vestido estampado. Depois, um mulherão com aquele look jeans e camisa preta."
Fiquei alguns minutos olhando no espelho, ainda sem entender que aquela era eu mesma. Infelizmente, por mais que eu quisesse, não poderia levar tudo. Resolvi optar pelos vestidos, afinal de contas, estou bem certa de que os procuro há uns dez anos. Quase chorei, contudo, ao ter de deixar para trás as lindas batas (uma delas preta com borboletas bordadas...borboletas!!!), os vestidos, a calça esmagante e a blusa preta...a blusa preta que era quase o preço de um vestido.
Pobre blusa preta...agora sozinha, sem lar, triste, chorando na vitrine, achou que tivesse encontrado, finalmente, alguém com quem dividir seus dias e suas noites... Sofri por outras blusas, também, e por uma calça que me fez ter, por alguns instantes, a ilusão de ser uma pessoa provida de nádegas relevantes. Mas tinha de escolher. E vieram os dois vestidos de boneca e o outro, verde, que fez sucesso sozinho, na minha mão e, portanto, pode enganar perfeitamente algumas pessoas e fazê-las pensar que quem está fazendo sucesso sou eu :-D
A hora de pagar foi uma tortura. Nunca gastei tanto em tão poucas peças. Depois fiquei me torturando ainda mais, pensando em quantos livros estaria vestindo. Uma pequena biblioteca doméstica, estou certa. Ao menos um quarto de uma pequena biblioteca doméstica. Se os livros fossem comprados em sebos, eu poderia conseguir metade de uma pequena biblioteca doméstica, com folga. Ou não, sei lá.
Sou exagerada, eu sei. Dramática, com certeza. Escrevi um texto muito melhor do que este em minha cabeça, no trem, na viagem de volta. Mas olhava para os três vestidos na sacola e sentia alguma culpa em ter gostado tanto de comprá-los, de tê-los, de me ver com eles, do presente de aniversário adiantado que recebi, e pelo cartão de crédito agonizante em minha bolsa.
Depois pontuei as vantagens de ter feito essa extravagância. A primeira delas é que a tarde valeu cada centavo. A Ana é uma companhia maravilhosa, com quem cinco horas passam voando, como se fossem vinte minutos. Juntei a ótima companhia a um ótimo atendimento e o prazer de provar roupas ao prazer dobrado de provar ótimas roupas que me caíram bem. A segunda vantagem foram os vestidos. São roupas de ótima qualidade, que durarão bastante tempo. São peças diferentes, bonitas, para quem tem peito sim, mas já se acostumou com isso e não precisa colocá-los para fora para provar ao mundo que eles existem. São roupas versáteis, que cabem em diversas ocasiões. Enfim, existem milhões de motivos para compensar qualquer saída do orçamento, então a culpa ficou no trem. Continuou a viagem e seguiu em frente.
Meu problema agora é que eu não quero mais usar outra roupa. Me recuso a usar outra roupa. Só que o verão ainda não chegou, vira e mexe, refresca um pouquinho. Os vestidos - dizem - não caberiam bem na faculdade, são para fim de semana ou ambientes extra-classe. Não acho. Qualquer dia apareço de vestidinho por lá, antes que nossas aulas passem a ser noturnas.
Estou feliz. Não que uma roupa possa trazer felicidade a alguém, mas passar uma tarde de princesa, experimentando roupas que me fizeram lembrar que eu poderia valorizar um pouco mais minha aparência se não usasse a mesma roupa todos os dias, com uma companhia mais do que agradável, que me deu um baita apoio em todos os momentos, e além de tudo encontrar não apenas um, mas TRÊS vestidos dos meus sonhos, é o suficiente para fazer de uma "Tarde Paty" um dia super especial a ser guardado com todo o carinho.
PS: Quem estiver na Grande Porto Alegre e quiser conhecer a loja Philomenna, fica na Rua Independência, 996, no centro de São Leopoldo.
PS2: Em casa, um bom desfile (sugerido pela Ana) com cada um dos vestidos foi o suficiente para que o Davison não sugerisse um divórcio por prodigalidade.
PS3: Tentei tirar alguma foto com os vestidos, mas preciso fazê-lo com iluminação natural ou eles perdem metade da graça.
UPDATE
Posso ter passado a impressão equivocada de que a loja pratica preços extorsivos. Não é verdade. É preço normal, de loja que não vende roupas a quilo (ou roupas-aquilo, conforme se queira interpretar). Eu sou exagerada, dramática, estou temporariamente pobre (por tempo indeterminado), impossibilitada de gastar meio centavo e sou mão-de-vaca. Só gasto à toa sob forte desequilíbrio emocional ou por uma razão extremamente forte.

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