Tuesday, September 12, 2006

Em versão reduzida e enxuta, hoje em Sala de Estar , na Paradoxo:

Como se forma um escritor?

Universidade causa polêmica ao criar Curso de Formação de Escritores

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre
[13/09/2006]

Saiu no segundo caderno da Zero Hora do dia 2 de Agosto de 2006 uma matéria intitulada "Uma escola para autores", abordando a polêmica sobre o nome do Curso de Formação de Escritores e Agentes Literários da Unisinos, universidade particular situada em São Leopoldo, na Grande Porto Alegre. Segundo o artigo, houve debates e discussões na imprensa e na internet sobre se é possível formar escritores na universidade. Há muitos anos países como EUA, Portugal, México e Inglaterra já têm em seus currículos universitários o curso de Escrita Criativa, não é iniciativa nova. A idéia de questionar a legitimidade de um curso por não gostar do seu nome soa tão absurda quanto escrever uma crítica literária de um livro com 500 páginas sem ter lido nada além do título.

Nem mesmo eu, aluna da primeira turma, me vejo em condições de julgar o recém-nascido. É desnecessário explicar que a faculdade não vai dar receita de bolo para construção de uma narrativa, de um poema ou mesmo de um bolo. Ali vamos mais ler do que escrever, teremos uma boa base teórica, e também a oportunidade de nos colocar em contato com a realidade editorial, com as técnicas de escrita, para educar nosso talento e organizar nossas idéias. A Unisinos é a primeira universidade brasileira a levar para dentro do campus o trabalho que qualquer escritor decente tem sozinho, perdido entre seus livros, cadernos e canetas, abordando assuntos de seu interesse: escrita criativa, literatura, lingüística, cinema...além de ter a oportunidade de ouvir autores já consagrados explicando seu processo criativo, falando de suas experiências com a literatura e com o mercado editorial.

Apaguemos da mente a idéia de que escrever dá-se por iluminação divina, sinto muito, mas a Bíblia já foi escrita, Deus encerrou sua produção literária ali e desde então quem quiser escrever de verdade deve enfrentar o fato de que escrever é trabalho e dá trabalho. Nunca tive e nunca terei espécie alguma de experiência mediúnica para compor um texto, ele é fruto da prática exaustiva da escrita, da minha experiência pessoal, do meu estudo, de muita observação e leitura. Ainda que eu me apresente como escritora, jamais me fecharia na arrogância de achar que dispenso qualificação profissional, uma das melhores características da nossa civilização é justamente qualificar profissionais na Academia, dando a quem tiver acesso à ela a oportunidade de absorver um conhecimento específico, organizado. Como disse Fabrício Carpinejar, questionar o curso de formação de escritores é questionar um curso de artes plásticas, de teatro, de cinema, de música, de dança.

Acalmem-se, escritores assustados, nós já sabemos escrever, estamos na faculdade apenas para estudar.



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PS:Eu, particularmente, preferia a versão "Standard" que publiquei aqui em Agosto. Mas enfim, dizem que escrever é cortar palavras...