Gloss

Eu como batom. Foi a razão de, durante séculos, eu dispensar o uso desse cosmético. Porém a constatação de dois grandes problemas me fez repensar a importância de colocar alguma cor em meus lábios. O primeiro deles é minha mania horrorosa de arrancar peles soltas do lábio, mania essa que só desaparece se não existir mais pele alguma a ser arrancada, logo, ressecamento é algo que deve ser combatido à exaustão.
O segundo problema é o fato de minha boca ser azul. Acredito firmemente que, ao ser constatada cianótica, aos dois anos de idade, levei meus médicos a acreditarem que meu estado de saúde era pior do que realmente era (tanto que durei mais dois anos até a cirurgia) pelo simples fato de que metade da cianose era a cor natural dos meus lábios.
O resultado é que, sem batom, além de parecer doente, eu tinha machucados estranhíssimos nos lábios, como se eles estivessem se desfazendo, lentamente.
Mas eu como batom, já disse isso? Então mesmo quando passava o cosmético, ele não durava meia hora. E não adiantava nada. Sem contar que eu não gostava daquela sensação esquisita de batom. Até descobrir o gloss.
O gloss não é uma invenção moderna, mas nunca esteve tão prestes a roubar o posto do inabalável batom quanto agora. Tornou-se minha mais recente mania. Tenho gloss vermelho, rosa, cobre, incolor, com partículas cintilantes, tom de boca, enfim, de todas as mais variadas e inúteis formas.
Também como gloss, mas não me incomodo em reaplicá-lo sempre que tenho uma oportunidade. Quanto ao ressecamento, descobri um produto infalível: Bepantol, aquela pomada de vitamina B5 contra assaduras, muito usada para cicatrização de tatuagens, é um ótimo hidratante para lábios. Uso antes do gloss, ou melhor, antes do batom líquido (Beyond Color, da Avon. Embora esteja escrito "brilho labial", ele não passa de um bom batom líquido) que passo antes do gloss. :-)
Porque se eu não consigo amaciar as palavras, ao menos me esforço para amaciar os lábios. Como se adiantasse alguma coisa.
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Eu como batom. Foi a razão de, durante séculos, eu dispensar o uso desse cosmético. Porém a constatação de dois grandes problemas me fez repensar a importância de colocar alguma cor em meus lábios. O primeiro deles é minha mania horrorosa de arrancar peles soltas do lábio, mania essa que só desaparece se não existir mais pele alguma a ser arrancada, logo, ressecamento é algo que deve ser combatido à exaustão.
O segundo problema é o fato de minha boca ser azul. Acredito firmemente que, ao ser constatada cianótica, aos dois anos de idade, levei meus médicos a acreditarem que meu estado de saúde era pior do que realmente era (tanto que durei mais dois anos até a cirurgia) pelo simples fato de que metade da cianose era a cor natural dos meus lábios.
O resultado é que, sem batom, além de parecer doente, eu tinha machucados estranhíssimos nos lábios, como se eles estivessem se desfazendo, lentamente.
Mas eu como batom, já disse isso? Então mesmo quando passava o cosmético, ele não durava meia hora. E não adiantava nada. Sem contar que eu não gostava daquela sensação esquisita de batom. Até descobrir o gloss.
O gloss não é uma invenção moderna, mas nunca esteve tão prestes a roubar o posto do inabalável batom quanto agora. Tornou-se minha mais recente mania. Tenho gloss vermelho, rosa, cobre, incolor, com partículas cintilantes, tom de boca, enfim, de todas as mais variadas e inúteis formas.
Também como gloss, mas não me incomodo em reaplicá-lo sempre que tenho uma oportunidade. Quanto ao ressecamento, descobri um produto infalível: Bepantol, aquela pomada de vitamina B5 contra assaduras, muito usada para cicatrização de tatuagens, é um ótimo hidratante para lábios. Uso antes do gloss, ou melhor, antes do batom líquido (Beyond Color, da Avon. Embora esteja escrito "brilho labial", ele não passa de um bom batom líquido) que passo antes do gloss. :-)
Porque se eu não consigo amaciar as palavras, ao menos me esforço para amaciar os lábios. Como se adiantasse alguma coisa.
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