Deixa eu ficar deslumbrada porque eu ganhei um texto ótimo escrito pela Ana, "O Anjo Estrábico". Claro que ela deu uma arrumada no que eu disse, mas se cada conversa que eu tivesse rendesse um texto tão bom, juro que sairia conversando compulsivamente com todo mundo (acho que é por isso que ninguém escreve quando conversa comigo, para não dar idéia, vai que eu me empolgo e começo a falar mais do que o normal :-D )
Descobri o blog da Ana há pouco tempo, mas me apaixonei pelos textos sem grande dificuldade, porque ela escreve bem, se deixa ler, o texto é leve e tem conteúdo. Hoje tive o prazer de conhecê-la pessoalmente. Confirmou a ótima impressão que já tinha tido dela.
Não consegui falar com muita facilidade e tem sido assim desde segunda-feira, porque mordi a língua (literalmente) com uma força tal que abri um rombo onde poderia, inclusive, ter inserido um piercing digrátis. No entanto, preferi deixar que fechasse sozinho. Então passei a semana inteira com uma afta do tamanho de um boeing na língua, que me atrapalha a fala e me faz lembrar de quando eu tinha que soletrar meu nome porque ninguém entendia o que eu falava.
A língua não me obedecia e eu não sabia que poderia educá-la. Estava acostumada a falar "com a língua presa" e esse não era o maior dos meus problemas. Também estava habituada aos dentes separados e projetados para a frente, o que mais me incomodava era não saber o que fazer com as longas varetas que tinha no lugar de braços e pernas.
O engraçado é que olho hoje uma filmagem que fizemos naquele tempo crítico, doze, treze anos, e vejo que apesar do complexo que eu tinha em relação aos dentes, não parava de rir escancaradamente, balançava os braços e vivia pulando, desconjuntadamente, falava sem parar, mesmo incomodada com a terrível dicção.
Gostava de ler, de escrever, de brincar de bonecas, fazer teatro, mergulhar naquele mundo só meu. E duvido que tivesse sido melhor se os colegas não tirassem sarro de mim, não me colocassem apelidos, não fingissem susto ao passar por mim no recreio, não tivessem se empenhado na tentativa de me humilhar. Duvido que tivesse sido melhor ser aceita, passear no shopping com as coleguinhas, usar jeans da moda e ter todos os namoradinhos do universo.
O que sou hoje devo àquela época, por isso disse à Ana que quem sempre esteve dentro dos padrões não teve a oportunidade de crescer, de se esforçar para construir uma personalidade interessante. Ler o relato dela no texto "O Anjo Estrábico" me fez ter mais certeza disso.

PS: Agora me lembrei que já escrevi sobre isso aqui
PS2: A foto sou eu, em 1993, aos 13 anos.
Descobri o blog da Ana há pouco tempo, mas me apaixonei pelos textos sem grande dificuldade, porque ela escreve bem, se deixa ler, o texto é leve e tem conteúdo. Hoje tive o prazer de conhecê-la pessoalmente. Confirmou a ótima impressão que já tinha tido dela.
Não consegui falar com muita facilidade e tem sido assim desde segunda-feira, porque mordi a língua (literalmente) com uma força tal que abri um rombo onde poderia, inclusive, ter inserido um piercing digrátis. No entanto, preferi deixar que fechasse sozinho. Então passei a semana inteira com uma afta do tamanho de um boeing na língua, que me atrapalha a fala e me faz lembrar de quando eu tinha que soletrar meu nome porque ninguém entendia o que eu falava.
A língua não me obedecia e eu não sabia que poderia educá-la. Estava acostumada a falar "com a língua presa" e esse não era o maior dos meus problemas. Também estava habituada aos dentes separados e projetados para a frente, o que mais me incomodava era não saber o que fazer com as longas varetas que tinha no lugar de braços e pernas.
O engraçado é que olho hoje uma filmagem que fizemos naquele tempo crítico, doze, treze anos, e vejo que apesar do complexo que eu tinha em relação aos dentes, não parava de rir escancaradamente, balançava os braços e vivia pulando, desconjuntadamente, falava sem parar, mesmo incomodada com a terrível dicção.
Gostava de ler, de escrever, de brincar de bonecas, fazer teatro, mergulhar naquele mundo só meu. E duvido que tivesse sido melhor se os colegas não tirassem sarro de mim, não me colocassem apelidos, não fingissem susto ao passar por mim no recreio, não tivessem se empenhado na tentativa de me humilhar. Duvido que tivesse sido melhor ser aceita, passear no shopping com as coleguinhas, usar jeans da moda e ter todos os namoradinhos do universo.
O que sou hoje devo àquela época, por isso disse à Ana que quem sempre esteve dentro dos padrões não teve a oportunidade de crescer, de se esforçar para construir uma personalidade interessante. Ler o relato dela no texto "O Anjo Estrábico" me fez ter mais certeza disso.

PS: Agora me lembrei que já escrevi sobre isso aqui
PS2: A foto sou eu, em 1993, aos 13 anos.

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