
Isto é um gato. Um gato gordo dentro de um cubo revestido de pelúcia e carpete. Um gato brincando dentro do cubo. Este é um gato castrado, já de certa idade, que engordou por conta de uma compulsão alimentar (e não por causa da castração), faz dieta e passa o dia brincando. É o terror das bolinhas de borracha (ama aquelas de máquina, que pulam um monte, conseguidas com uma moedinha de um Real) e virou fã do tal arranhador em formato de cubo que ganhou.
Este é um gato que há seis meses vivia na rua, dormia em bocas-de-lobo, descansava sob a sombra da roda de um carro estacionado, vivia perigosamente. Comia dia sim, dia não, passava sede, apanhava do gato dono do território e estava cheio de vermes.
Foi resgatado magro, barrigudo, com o rosto inchado, a pele coberta de feridas e casquinhas, não havia como fazer-lhe um carinho. Um talho profundo sobre o focinho recusava-se a cicatrizar, o olho direito desaparecia sob o edema, de sua pálpebra pingava pus.
No veterinário foi castrado e demorou dez dias para que voltasse para casa, semi-recuperado das feridas. Chegando aqui, já desverminado, estranhou as janelas teladas, miou por quatro dias querendo sair e quando viu que não teria acesso à rua, resignou-se e foi procurar diversão dentro de casa. Foi assim que conheceu o encanto das bolinhas, principalmente as de borracha. Ficou doente, sarou e foi vacinado.
Hoje é um gato bonito, carinhoso, educado, brincalhão, alegre, esperto e saudável. Foi adotado adulto e por isso tem uma gratidão clara por quem o tirou daquela vida terrível.
Isso é para que aprendam, de vez por todas: não existe gato feio, existe gato mal cuidado. Um gatinho adulto pode te dar tantas alegrias quanto um filhote, e às vezes até mais. E gatos não perdem a fofura depois que crescem, eles são sempre gatos.

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