Estou chateada hoje. Decidi sair de uma das poucas comunidades do orkut de que participava ativamente e até costumava recomendar. O problema se arrastava há meses, cada vez aumentando mais. Quando havia uma discussão em um tópico, ao invés de brigar, quebrar os pratos e resolver de vez, a decisão era colocar panos quentes, ignorar, abafar, deletar o tópico, pedir respeito e exigir silêncio.
É assim que se mata um amor. Evitando brigas e enfrentamentos de idéias em nome de uma falsa democracia, de um falso respeito onde se impõe o silêncio, a deglutição de sapos, a idéia de que não se deve falar o que o outro não quer ouvir e que respeito é omitir ofensas, omitir nomes, mas falar nas entrelinhas, alfinetar e espalhar carapuças.
Cada problema mal resolvido volta, como um fantasma, a cobrar sua resolução. Esses assuntos não-resolvidos acumulam-se como gordura nas paredes de uma artéria, lentamente, até entupir, até explodir, até fazer com que tudo o que se procurou manter entre em colapso, morra.
O medo de enfrentar, de brigar, de explodir, de ser sincero, de citar nomes, de abrir o jogo, de cobrar respostas, de exigir reparos, de pedir argumentos, de oferecer argumentos contrários, de ir até o fim, faz com que acumulemos toxinas nos relacionamentos e plantemos o fim, o agonizante fim do que queríamos preservar.
Será que queríamos mesmo? Será que essa não é uma forma menos dolorosa de forçar o enfrentamento, de forçar a porta da rua para quem não queremos mais em casa? Sem que precisemos falar com todas as letras, afinal de contas, sinceridade e clareza não combinam muito com polidez e educação, para quem realmente acredita nisso.
Assim casamentos acabam, envenenados, depois de anos. Assim amizades terminam, sufocadas em mágoas, ressentimentos requentados em água fervente. Assim termina qualquer coisa, qualquer tipo de relacionamento. É uma receita lenta, mas fácil e certeira.
Resolver cada pequeno problema na hora, indo até o fim e dando nomes aos bois dá trabalho. Pode ser que desgaste, aparentemente, mas na verdade reforça. Resolvido, apaga-se o problema, ele vaga em direção ao abismo do esquecimento e não retorna nunca mais, nada se acumula e tudo se renova. Assim casamentos solidificam-se e duram anos. Se acabarem, certamente não será por mágoa e serão amigos para sempre. Assim, amizades tornam-se longevas. Assim qualquer relacionamento sobrevive, se quiser.
Há meses estou arrastando esses problemas com a tal comunidade do orkut, me desanimando a cada semana, depois com um fiapo de esperança de que melhore e volte a ser legal, depois me decepcionando de novo, como quem arrasta um casamento meia-boca, adiando a separação, na esperança de que se consiga voltar ao que era antes. Melhor quebrar os pratos de uma vez do que conviver com um relacionamento agonizante, seja ele qual for. Se a forma de enfrentar os problemas (fugindo deles) era totalmente equivocada, não vai ser à beira da morte que o relacionamento conseguirá se reerguer.
Assim, saí da comunidade e senti como se tivesse morrido alguém, um luto de quem perde algo que foi importante por muito tempo. Querendo ou não, são pessoas reais ali, de quem sentirei falta. Nenhum relacionamento ruim é ruim o tempo todo. E depois da separação ou da morte, querendo ou não, lembramos mais das coisas boas do que das ruins, que faziam mais volume enquanto estávamos vivendo a situação.
Enquanto isso, na vida off-line, fizemos dois anos e quatro meses de casados ontem, três anos e dois meses de namoro. Segundo o Davison, casais felizes deveriam comemorar todos os meses, não apenas uma vez ao ano. Sigo meu próprio conselho, que aprendi com o Davison, e não deixamos acumular toxinas em nosso relacionamento. O resultado é o melhor possível. Ainda que a convivência entre duas pessoas nunca seja linear e perfeita, conseguimos fazer de nossa casa um local agradável, de onde não temos a menor vontade de sair, e onde convivemos com nossas diferenças e celebramos nossas afinidades, sabendo que não existe respeito sem liberdade.
É assim que se mata um amor. Evitando brigas e enfrentamentos de idéias em nome de uma falsa democracia, de um falso respeito onde se impõe o silêncio, a deglutição de sapos, a idéia de que não se deve falar o que o outro não quer ouvir e que respeito é omitir ofensas, omitir nomes, mas falar nas entrelinhas, alfinetar e espalhar carapuças.
Cada problema mal resolvido volta, como um fantasma, a cobrar sua resolução. Esses assuntos não-resolvidos acumulam-se como gordura nas paredes de uma artéria, lentamente, até entupir, até explodir, até fazer com que tudo o que se procurou manter entre em colapso, morra.
O medo de enfrentar, de brigar, de explodir, de ser sincero, de citar nomes, de abrir o jogo, de cobrar respostas, de exigir reparos, de pedir argumentos, de oferecer argumentos contrários, de ir até o fim, faz com que acumulemos toxinas nos relacionamentos e plantemos o fim, o agonizante fim do que queríamos preservar.
Será que queríamos mesmo? Será que essa não é uma forma menos dolorosa de forçar o enfrentamento, de forçar a porta da rua para quem não queremos mais em casa? Sem que precisemos falar com todas as letras, afinal de contas, sinceridade e clareza não combinam muito com polidez e educação, para quem realmente acredita nisso.
Assim casamentos acabam, envenenados, depois de anos. Assim amizades terminam, sufocadas em mágoas, ressentimentos requentados em água fervente. Assim termina qualquer coisa, qualquer tipo de relacionamento. É uma receita lenta, mas fácil e certeira.
Resolver cada pequeno problema na hora, indo até o fim e dando nomes aos bois dá trabalho. Pode ser que desgaste, aparentemente, mas na verdade reforça. Resolvido, apaga-se o problema, ele vaga em direção ao abismo do esquecimento e não retorna nunca mais, nada se acumula e tudo se renova. Assim casamentos solidificam-se e duram anos. Se acabarem, certamente não será por mágoa e serão amigos para sempre. Assim, amizades tornam-se longevas. Assim qualquer relacionamento sobrevive, se quiser.
Há meses estou arrastando esses problemas com a tal comunidade do orkut, me desanimando a cada semana, depois com um fiapo de esperança de que melhore e volte a ser legal, depois me decepcionando de novo, como quem arrasta um casamento meia-boca, adiando a separação, na esperança de que se consiga voltar ao que era antes. Melhor quebrar os pratos de uma vez do que conviver com um relacionamento agonizante, seja ele qual for. Se a forma de enfrentar os problemas (fugindo deles) era totalmente equivocada, não vai ser à beira da morte que o relacionamento conseguirá se reerguer.
Assim, saí da comunidade e senti como se tivesse morrido alguém, um luto de quem perde algo que foi importante por muito tempo. Querendo ou não, são pessoas reais ali, de quem sentirei falta. Nenhum relacionamento ruim é ruim o tempo todo. E depois da separação ou da morte, querendo ou não, lembramos mais das coisas boas do que das ruins, que faziam mais volume enquanto estávamos vivendo a situação.
Enquanto isso, na vida off-line, fizemos dois anos e quatro meses de casados ontem, três anos e dois meses de namoro. Segundo o Davison, casais felizes deveriam comemorar todos os meses, não apenas uma vez ao ano. Sigo meu próprio conselho, que aprendi com o Davison, e não deixamos acumular toxinas em nosso relacionamento. O resultado é o melhor possível. Ainda que a convivência entre duas pessoas nunca seja linear e perfeita, conseguimos fazer de nossa casa um local agradável, de onde não temos a menor vontade de sair, e onde convivemos com nossas diferenças e celebramos nossas afinidades, sabendo que não existe respeito sem liberdade.

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