Saturday, September 25, 2004

Perdi um Amigo



Me desculpe, amigo, eu falhei com você. Disse que nunca te deixaria, que estaria sempre por perto, que cuidaria de você e não cumpri. Não pude evitar que você ficasse doente, não pude evitar seu sofrimento, não pude evitar que fosse para uma clínica, não pude evitar que morresse longe de nós.



Recebi a notícia agora há pouco, ele estava com osteomielite mandibular, decorrente daquela inflamação do dente e da gengiva, que causou aquela massa da qual eu já tinha falado aqui e que já tinha sido retirada. Teria que fazer outra cirurgia. Fez a primeira raspagem, mas não foi o suficiente, teve que fazer outra, mas teve uma parada cardíaca durante a pré-anestesia. O veterinário conseguiu reanimá-lo e decidiu adiar a cirurgia.



Durante toda a semana que passou ele foi tratado com vitaminas, teve um acompanhamento nutricional, para ele ficar mais fortinho e aguentar a outra cirurgia. Hoje, durante o procedimento o veterinário percebeu que o osso estava muito comprometido.



Por conta da idade, o osso já estava poroso e não teria condições de fazer mais uma raspagem, ou se quebraria. A mandíbula do gato já é super pequena, frágil, com o passar dos anos, fragiliza-se ainda mais.



Não tinha mais jeito. Ele telefonou para a minha mãe e avisou. Poderia fechar e mandá-lo de volta para casa, mas o processo é degenerativo e ele ficaria cada vez pior, sentiria muita dor e não conseguiria comer.



Minha mãe disse que nem água ele estava conseguindo tomar. Justo ele que sempre adorou comer e tomar água. Passava um tempão tomando água e, em períodos mais secos, em que minha mãe espalhava bacias d'água por toda a casa, ele se esbaldava, tomando um pouco de cada uma.



O veterinário disse que não teria mais jeito, que ele só iria sofrer e que acabaria morrendo por falta de comida, porque não conseguiria se alimentar. Sou terminantemente contra a eutanásia, mas como é que a gente decide isso? Eu não estou lá, como vou dizer: bem, deixe o gatinho viver, cuide dele. Talvez, por um milagre, ele fique bom, ou então veja-o sofrrer até a morte. Ele não merecia passar por isso, ele não precisava passar por isso, não tinha que passar por isso.



Eu iria para lá, para cuidar dele. Mas para quê? Ele já estava na mesa de cirurgia, anestesiado. O veterinário queria autorização para aumentar a anestesia e assim terminar com todo aquele sofrimento. Com todo o sofrimento do bichinho, porque a gente continua sofrendo. Ainda mais agora.



Eu o vi nascer. Eu tinha dez anos, crescemos juntos. Era tão parte de mim, me entendia muito bem. Quando fez treze anos eu escrevi este texto, comemorativo. . Da última vez em que estive em Campo Grande, deitada na cama, ele dormindo, apoiando a cabecinha em minha perna, como gostava de fazer, cheguei a pensar que talvez aquela fosse a última vez que eu dormiria com o meu gatinho.



Fechei os olhos e agradeci por ele estar ali. Por eu poder ter essa oportunidade, por ter aprendido tanto com ele, por ter tido tantas alegrias e ter permitido que ele tivesse uma vida tão boa.



Muito mais do que um gatinho, era meu amigo. Quem nunca teve gato não consegue entender a profundidade desse relacionamento. Ele sabia se eu estava bem ou não, apenas com um olhar. Não gostava de me ver triste, se preciso, brigava comigo, para que eu reagisse. Ficava ao meu lado, fazia companhia, deitava bem pertinho, fazia questão de me ter por perto.



Eu me senti meio culpada quando fui embora, como se o estivesse abandonando. Quando fui a Campo Grande, para o noivado e ele viu o Dave, ficou na sala (o que não era normal. Geralmente um estranho nem via a cor dele, ele saía correndo e ia parar dentro do guarda-roupa), olhou, cheirou, ficou por perto, e eu achei na hora que ele estava entendendo o que significava aquele cara.



Foi assim com as minhas irmãs. Apareceu um cara estranho, passou um tempo, elas saíram de casa e depois apareceram com um filhotinho. Ele captou a mensagem, por isso não fugiu do Dave.



Mês passado, quando saí de lá, o deixei dormindo na minha cama, não quis me despedir, para que ele não ficasse triste. Já tinha conversado com ele pela manhã, depois levei as malas para a sala e não quis incomodá-lo, estava dormindo, bem mais magro, abatido. Preferi deixá-lo assim, porque quando ele estava dormindo não sentia dor, não sentia fome, não sofria.



Agora também. Dói em mim, dói muito mais em mim e em minha mãe, nunca pensei que precisaria passar por isso , principalmente depois que a Lady morreu. Estava certa de que a melhor saída era cuidar o bichinho até o fim, em casa. Mas a Lady só deixou de comer no último dia, seria duro demais vê-lo sofrer sem poder se alimentar. Às vezes a gente tem que se resignar e aceitar que as coisas nem sempre podem ser do jeito que a gente quer.



Mas continuo tendo raiva absoluta de doença e morte. Não aceito, jamais aceitarei. Se eu tinha algo a aprender com doença e morte já aprendi. Passei a vida inteira vendo doença e morte. Comecei, há algum tempo, finalmente, a ver um pouco de vida. E é o que quero continuar fazendo, vendo vida. Não importa se tudo acaba em morte, não me importa se tudo acaba um dia.



Pego o retrato. Tenho muitas fotos dele. Nos últimos dias ele esteve em todos os meus sonhos. Ele e a Lady. São parte de mim, nunca vou esquecer. Nesta foto, mês passado, ele já estava doente.



Mais um ciclo da minha vida que se fecha. Este mês foi pesado para caramba nesse aspecto de ciclos se fechando. Primeiro a Amelinha, agora o Nermal. Espero, ao menos, que o próximo mês seja feliz, que seja um mês de vida, de alegrias, de boas notícias, realizações.



Continuo em hiatus. Abri exceção apenas para dar a notícia. Esperei a semana inteira por uma boa notícia, mas ela não veio. O que posso fazer? Chorei um monte, claro, quatorze anos de convívio não são pouca coisa, seja uma pessoa ou um gatinho de estimação.



Mas o processo é o mesmo, a gente sofre, sente, chora, fica triste, tem aquela saudade que dói e que te corta até a alma, aquela eterna dúvida, sem saber se eu poderia ter feito algo antes para evitar isso, se haveria algo a ser feito.



Depois a dor vai diminuindo até sobrar apenas a saudade, as lembranças, lá no fundo, de um tempo bom, de uma boa companhia que já não existe mais. E a vida segue.



A princípio não quero mais gatos. Continuo amando gatos, fã incondicional dos felinos, mas acho que não estou preparada para bicho nenhum, tão cedo.



Tudo bem que isso não é um pensamento legal, já que ninguém deixa de ter filhos por medo de sofrer caso morram. Mas filhos, depois que crescem, sabem se cuidar. Bichinhos são dependentes e inocentes demais, precisam de cuidados. A princípio, não quero. Não sei do futuro. A bem da verdade, não sei de nada.



Queria poder dormir mais uma noite com meu gatinho enrolado em minha perna, acordar às quatro da manhã com seus pedidos insistentes para que eu o acompanhasse até o prato e colocasse um pouco de ração fresca naquela ração "dormida".



Fiquei mais preocupada com a minha mãe, afinal de contas, tudo naquela casa lembra o Nermal. As portas, janelas, varandas, plantas, sofás, cadeiras, camas, guarda-roupas, estantes, mesas, tudo tem uma história para contar. Deve ser difícil.



Quando eu o levei à clínica para a primeira cirurgia, cheguei em casa aos prantos. Porque geralmente a gente abria a porta e ele já estava ali, nos recepcionando, miava, esfregava em nossa perna, eu o pegava no colo.



Naquele dia não havia ninguém para me recepcionar, ele não estava no guarda-roupa, o prato dele estava vazio, o copo de água, também. Havia pêlos na cadeira, marcas de unhas no sofá, mas nenhum som pela casa. Vazia.



Era só para desabafo, serei obrigada a quebrar o hiatus para avisar que estou bem, quando ficar melhor. Enfim, passa. Dói, mas passa. Foi o que aprendi com doença e morte. Dói, mas passa. E nunca deixa de doer.



Nermal está no céu dos gatos (eu acredito que exista isso), junto com sua mãe, Lady, que morreu em 2001, nos meus braços. E fecho o ciclo, deixando para trás meus dois melhores amigos de infância e adolescência, que tanta alegria compartilharam comigo. Descanse em paz, amigo. Descanse.



PS: Escrevi esse texto à tarde e depois recebemos a visita do Gustavo, primo do Dave, e da Carla, namorada dele. Valeu o dia. Conversamos até tarde, os dois são muito legais, muito mesmo. Aproveito para agredecer. Me ajudou a distrair e a me animar.



Eu só a conhecia pela net. E-mails, orkut e ela lê o blog. Oi, Carla :) Passeamos depois, mas fiquei triste porque enquanto comíamos um cheese-salada cheio de alface, eles comiam um cheese-burguer altamente sem graça. Devia estar bom, mas por mim o mundo comeria aquele cheese-salada. Dane-se se ele custa quatro Reais, é uma vez na vida.



E não disse que os dois são muito legais só por saber que ela lê o blog, eu diria de qualquer forma. E se os dois fossem super chatos eu diria, ou não diria nada. Alegraram bastante esse dia que começou tão triste. Obrigada.



Dave também, esteve do meu lado o tempo inteiro, desde o meu acesso de choro na saída do Jardim Botânico, quando recebi a notícia, até agora, acabou de cozinhar para mim, ficou preocupado, chorou comigo e depois fez de tudo para me animar também. Obrigada, amor, porque sei que posso contar contigo em qualquer situação.

Friday, September 24, 2004

Hi-A-TUS



Acho que estou em hiatus. Não eu, obviamente, o blog. É como se apertasse a tecla "pause" e o blog ficasse ali, até ser "despausado". Os motivos são bem simples, não estou mais me sentindo à vontade por aqui.



Este blog está me irritando profundamente e prefiro deixá-lo parado por alguns instantes, antes que resolva deletá-lo sem mais nem menos.



Não sei se vocês continuarão vindo aqui até eu retomar (se eu retomar) a vontade de escrever neste lugar, mas de qualquer forma, meu e-mail está disponível. Melhor assim do que fazer posts obrigatórios, não consigo fazer nada sem prazer.



Continuo escrevendo, offline, minhas coisas. Quem sabe, em breve, tenha algo que me digne a publicar. Bem provável.



Não sei do hiatus. Pode durar um mês, seis meses, um ano, uma semana, dois dias, já fiz isso outras vezes.



É a hora de ficar calada e tentar reestruturar algumas coisas neste lugar. As mudanças que penso em fazer e que não, não podem ser feitas aos poucos. Nada em minha vida é feito aos poucos, tudo é de uma hora para outra. Eu sou de uma hora para outra.



Não que não estivesse sendo pensado há muito tempo, é que eu só deixo para avisar em cima da hora mesmo, embora esteja falando nisso há muuuuito tempo.



De resto, está tudo bem. Meus problemas são única e exclusivamente on-line. Continuo, porém, na minha caverna, que tem sido minha fuga e refúgio neste ambiente on-line.



Respondi alguns e-mails, outros respondo à noite. Mandei algumas mensagens, bandeiras brancas, que ficaram sem resposta. Sem problemas, minha consciência está tranquila, é o que importa.



Que os outros criem os problemas que quiserem, os meus estão resolvidos. Se não quer conversa, acredito que todo mundo perca, mas ninguém morre por isso.



De resto, o post "Pedido" foi sobre o gato. Foi algo bem meu, que não sei por que raios resolvi publicar. Aliás, por isso mesmo isso tudo está me enchendo o saco. Pode ser que eu volte logo. Se for TPM, nos vemos no mês que vem.



PS: Não podia deixar de postar. Estava namorando este teclado há séculos. Sim, ele é colorido, é infantil, é de gosto extremamente duvidoso. Mas é a minha cara! :)



PS2: A propósito, ganhei, de presente de três meses de casamento, The Sims 2. Isso é o que dá casar duas crianças :)



Temo que, com esta revelação, feita ontem à Laly, eu tenha lhe causado sérios danos irreparáveis.



PS3: Finalmente arrumei o info. Está no final da coluna verde, como sempre.

Wednesday, September 22, 2004

Mudanças



Algumas coisas estão me incomodando há tempos. Não quero mais fazer um blog descritivo. Acabo perdendo a oportunidade de escrever o que realmente gosto para ficar dando notas de querido diário. Faço um grande e-mail, finjo que é um post e publico no blog.



Há séculos falo de uma reformulação neste lugar. Vai de acordo com o que quero, com o que sinto de escrever e publicar. Se um dia eu estiver "querido diário", sem saco para romantizar nada, vai assim mesmo. De resto, quero literatura, quero correr.



Estou em uma fase literária, não tem jeito. Preciso dar um jeito de aparar algumas arestas, arrumar uma coisinha aqui, outra ali. O único jeito é escrever, escrever, escrever. É assim que se consegue aprimorar a arte de escrever.



É a utilidade deste lugar. Nunca fui blogueira, embora os fatos me contradigam. Nunca me vi envolvida na blogosfera, minha idéia era um espaço onde eu pudesse escrever. Por isso nunca fui ligada em templates, essas coisas de internet.



O Orkut durou pouco tempo. Continua lá, mas com essa conexão, sem condições. Olho os recados, nem dá para responder. No início participei de algumas comunidades, depois o tempo me afastou delas e a falta de interesse me impediu de voltar, agora é a conexão.



Porque o que gosto de fazer na net é o que estou fazendo aqui, apenas isso. Escrever. Falar de mim tem sido cansativo, para saber se estou bem, caso não dê para notar pelos textos, me escreva. Estou sempre bem. Exceto quando não estou. Mas isso é mais ou menos raro ultimamente.



Não quero fazer um blog de recados, no qual as pessoas entrem para ver como estou, o que aconteceu hoje, qual é a receita do dia. Ou talvez queira, mas não apenas isso. E a partir do momento em que ficou apenas isso, começou a me incomodar.



Talvez algumas pessoas deixem de vir aqui, talvez eu perca alguns leitores, interessados no "querido diário" e sem grandes paciências para ler, entender e comentar meus textos. Paciência. O que posso fazer? Tenho que seguir o meu momento. E amanhã pode não ser mais nada disso.



Agora, pelo menos, a minha vontade é de me esconder um pouco e mostrar o que há além da frivolidade de um dia após o outro. Ao menos enquanto não acontecer algo incrivelmente significante, que justifique um texo descritivo.



E continuo descrevendo. Agora de uma forma não tão óbvia. A menos que sinta uma falta enorme dos textos mastigados, continuo. Procuro o tom exato das palavras. Quero buscar algo dentro de mim. Fecho, discretamente, a concha. Existe algo mais descritivo do que isso?



Vontade de arrumar um template preto e me sentir escondida na caverna. Bobagem, bobagem, não quero um template preto, já tenho a minha caverna.



Estou chata, chata, insuportável. Ao menos não consigo mais ler o que escrevo. Acho tudo ruim. Nessas horas, ao invés de mudar o blog, a gente deveria ser obrigada a fazer hiatus. TPM? É sempre uma possibilidade, mas não seja tão simplista. Talvez seja permanente.





Pedido



Algumas coisas a gente nunca entende. Outras, se esforça para não entender mesmo, não aceitar, não querer. Não quero, não quero, não quero! E abro os olhos para ver se algo mudou. O silêncio. A espera. O calendário me pede para ser feliz todos os dias. Peço que me ajude. Tem sido complicado seguir a recomendação com tantas coisas contra. Peço algo a favor. Que me reanime, que acenda a esperança. Só mais uma vez. Que alimente.

Tuesday, September 21, 2004

A Rua da Infância



Lembrava o nome da rua, não o número. Sabia que era na Domingos Ferreira, alguma coisa, o apartamento no qual passei alguns dias, muitos, não sei quantos, férias da segunda série, final de ano, oito anos. Finalmente, encontrei a rua. Caminhei. Os prédios pareciam todos iguais, não reconheci nada, deveria estar longe.



Era cento e alguma coisa, duzentos e alguma coisa, algo assim. Nada específico. Esperava reconhecer a fachada, aquele portão por onde entrávamos ao voltar da praia. Garagem, acho. Havia uma torneira. Eu me lembrava bem. Da sala também me lembrava, mas lá de fora não daria para ver.



Olhei. Procurei. Linha por linha daqueles edifícios todos iguais. Os porteiros me olhavam, desconfiados. Torci para que me lembrasse de alguma coisa. Orei, até, pedindo aos céus que me permitissem reconhecer alguma coisa. Nada.



Desacelerei o passo, pouco me importava o perigo de andar lentamente por aquele lugar, olhando para as construções com cara de turista. Pouco me importava a opinião dos porteiros, dos moradores, da polícia. Estava em busca de um detalhe perdido da minha infância.



Desesperada por reconhecer alguma coisa, vi algo de familiar no número 150, ou 147, na verdade vi algo familiar em uns três ou quatro edifícios.



Provavelmente era em algum deles o apartamento que minha tia alugava para passarmos as férias no Rio de Janeiro, ela, minha mãe, meus irmãos e, dessa vez, eu. Era uma apartamento mobiliado. Eu queria saber qual. Mas não havia em minha memória registro daquelas fachadas.



Triste admitir que algumas memórias apagam-se, desbotam-se e nunca mais poderão ser recuperadas, se perderão para sempre no limbo, desaparecerão como se nunca tivessem acontecido.



Não tenho fotos, hoje em dia todo mundo fotografa tudo, toda hora, naquele tempo a gente vivia mais e registrava menos. Lembro que na época, aos oito anos, lamentei não ter levado uma câmera fotográfica.



Hoje, além disso, lamento ter achado desnecessário escrever sobre aquelas férias, falei da praia, de ver o mar pela primeira vez, mas nada do apartamento e de outros detalhes. Lamento também não ter fotografado nada daquilo em minha mente. Lamento.



Algo, porém, fotografei.Ou melhor, fotografaram. Eu e minha tia estávamos almoçando em um restaurante de esquina, perto do prédio, em outra rua, em frente à praia. Um senhor entrou, armado com uma Polaroid, perguntou se poderia tirar nossa foto. Minha tia aceitou e ele fotografou, rapidamente, depois foi lá fora, agitar a fotografia ao sol.



-Ele está sacudindo a gente ali fora - comentou minha tia. Depois o homem voltou com o registro, magicamente instantâneo, recebeu o pagamento e foi embora. Não consegui tomar todo o refrigerante.



Como que para me compensar por não ter lembrado do prédio, minha memória me mandou virar à direita. Rua Santa Clara. Caminhei. Não sabia se estava reconhecendo alguma coisa ou se queria tanto reconhecer que estava em processo de auto-sugestão.



Na esquina, Santa Clara com Avenida Atlântica, lado esquerdo, o restaurante. Sim, era ele, eu tinha certeza. As mesinhas do lado de fora, o vidro, o toldo... Alguém pode dizer que, como os prédios da Domingos Ferreira, os restaurantes da Avenida Atlântica são todos iguais. Aquele não era. Era ele.



Lá, onde eu tinha me sentado com minha tia, não consegui tomar aquele refrigerante enorme, o homem tirou a foto e eu tinha um registro. Alívio. Olhei para aquele pedaço de praia da minha infância, o mar distante, a avenida larga, o calçadão de Copacabana. Por um instante, voltara no tempo.



Era a menina pequena, correndo descalça, sentindo o cheiro de mar, a brisa, ouvindo o som das ondas. Lembro de quando tentei ouvir o mar em uma conchinha. Nunca consegui, o som era parecido, mas como aquele, só ali. Enterrava os pés na areia, só podia entrar no mar segurando a mão da minha irmã. Eu era a caçula, pequena, magrinha, qualquer onda ou vento me levaria.



Não encontrei o prédio. Mas encontrei uma parte de mim que havia ficado perdida entre o restaurante e a praia, a menina sem sapatos que levava as bonecas para tomar banho de mar e tomava picolé de leite condensado. Não tomei todo o refrigerante. Busquei algumas lembranças. Levo mais do que trouxe comigo.

Sunday, September 19, 2004

Algumas Considerações



Estou com uma conexão discada horrorosa, nada abre, demora quinhentas horas para se conseguir convencer uma página a ser visualizada, um horror.



Não estou conseguindo ver quase nenhum blog do blogger.br, mas ao menos consigo checar os e-mails.

O dia está nublado. Acho que estou meio nublada também. Não que esteja triste, muito pelo contrário, está tudo ótimo conosco aqui e estamos felizes, como sempre.

O problemas são os problemas que chegam a mim via telefone. Nermal está internado novamente, piorou e teve que ficar na clínica veterinária. Não estava mais comendo, nem bebendo água, não conseguia. Emagreceu um monte e agora está sendo tratado.



Só que estava fraquinho demais e tem também o problema da idade, tudo fica difícil na hora de tratar de um gatinho de quatorze anos. Há também o problema do sistema médico-veterinário deste país, muito atrasado. Faz-se o que pode, e pode-se muito pouco.



Saio, escrevo, descanso, planejo, namoro (meu marido, obviamente)...só que a nossa vida nunca é apenas a nossa vida, o momento em que vivemos, o lugar no qual estamos. Nossa vida é composta de várias vidas, das pessoas que nos cercam, dos bichinhos que fazem parte da nossa história, dos lugares por onde passamos e que nos são caros, da família, dos amigos, do passado, do futuro...



Nunca conseguimos ser apenas aquilo que vemos e que podemos tocar. Nossa mente está sempre em diversos lugares ao mesmo tempo. Ao menos a minha está. E há diversos lugares para ela estar.



Por isso, para eu estar bem legal mesmo, precisava que todo mundo estivesse legal também. Qual é a possibilidade de isso acontecer?

Qual é a possibilidade de minha mãe, minhas duas irmãs, seus respectivos maridos, meus dois irmãos e suas respectivas esposas, meus quatro sobrinhos, minha avó, meu primo, meus três gatos (Nermal, Bianca e Lilly, todos em Campo Grande, com minha mãe), meus amigos, meus sogros, minha cunhada, meu marido, o pessoal de quem gosto, todo mundo, todo mundo, estar bem ao mesmo tempo, no mesmo instante e nenhum, absolutamente nenhum, estar com algum problema que seja?



Não cabe a mim fazê-los ficar bem. Cabe a mim a minha felicidade, apenas. Mas eu ainda acalento a utopia de ver todo mundo bem, ao mesmo tempo. Ainda que com problemas, mas tendo vitória em cada um deles. Não deve ser utopia.



Gosto de procurar chifre em cabeça de cavalo e me preocupar com a vida alheia, mas nada posso fazer. Não vale a pena ficar nublada. Entrego os problemas dos outros e fico tranquila (sim, enquanto escrevo este texto) para levar a minha vida e saber que as outras vidas ficarão bem.



Estou enchendo meu saco com os textos piegas que ando fazendo. O que posso fazer se meu cérebro anda piegas, caramba? Esta semana vejo se arranjo cursos para fazer, informação, conhecimento, bagagem.

Qualquer coisa que me tire dessas abobrinhas e traga algum conteúdo para este blog.



Abaixo, foto minha tirada por Mr. Dave Lampert, na sala do apart. Cara de sono, indo para o shopping. Ontem conseguimos a proeza de ir ao Rio Sul e ao Barra Shopping em um mesmo dia (nublado), mesmo cansados para caramba, saímos de um e fomos ao outro. Coisa de turista...





Saturday, September 18, 2004

A Simétrica



Confesso que não acreditei quando ela disse, em seu perfil no Orkut, que tinha o nariz mais simétrico do mundo. Agora, porém, devo admitir que é verdade. Nunca vi, sinceramente, nariz tão simétrico. O queixo, a boca, o nariz...na verdade o rosto deLaly parece ter sido esculpido por algum artista da época em que simetria na arte ainda valia alguma coisa.



Dia desses, ao telefone, ela falou algo sobre emagrecer. Não precisa. A menos que engorde antes. Um dos sorrisos mais bonitos que já vi, eu, esse ser de dentes minúsculos, que repara de forma anormal em arcadas dentárias, devo admitir mais uma coisa, até os dentes da criatura são simétricos. Alguma coisa tem de ser assimétrica nessa moça, não é possível! Talvez o jeito. É, ela tem um jeito assimétrico. E antes que me perguntem, sim, isso é bom.



Sou super distraída, todo mundo sabe. Desastrada, distraída, desligada (DDD), mas observo bastante, como toda boa escritora deveria fazer (e um dia pretendo ser uma boa escritora, tenho que ir treinando desde já), alguém pode me achar meio serial killer com tanta descrição neste texto, mas meu cérebro captou tudo com segundas intenções, já pensando em que iria escrever depois.



É uma boa menina, embora não admita. Disse que achava que eu era uma pessoa melhor do que ela (quando descobriu que eu tinha como hobby torturar meus desafetos), não sei por que, afinal de contas, todo mundo sabe das minhas crises de consciência, sempre dizendo e repetindo para mim mesma e para todo o resto da internet que não sou uma pessoa ruim, não sou uma má pessoa, não sou uma criatura horrorosa, eu sou legal, eu sou legal!



Larissa é legal. Daquele tipo de pessoa de quem você quer ser amiga, quer encontrar, no meio do dia, em um shopping e conversar a tarde inteira sobre qualquer coisa, sobre um monte de coisa. Sabe aquela pessoa que pensa nos outros antes de pensar em si? Errado, isso é muito errado, mas acho que a gente só aprende isso depois da décima vez em que bate a cabeça na parede. Eu aprendi na décima quinta.



O gesso dela é azul, já comentei isso? Quebrou o ossinho do cotovelo direito em uma queda da escada. Felizmente é canhota, e ter uma mão a menos com a qual contar não parece ser tão complicado assim.



É uma menina simples. Não é uma criatura espalhafatosa como a que vos escreve (ou ao menos, segundo ela, estava bem disfarçada), não usa maquiagem, não tira a sobrancelha, mas tem uma intensidade que ilumina todo o seu rosto (tá, isso ficou brega) e a faz muito, muito bonita. Principalmente quando sorri. Já tinha visto algumas fotos, mas devo admitir, outra vez, que a moça é bem mais bonita pessoalmente.



Mas a graça de Laly não está na beleza, nem nas mãos delicadas, nem no sorriso, nem no nariz simétrico. A grande graça desta moça está em seu cérebro. Muito inteligente, daquelas com quem você não se cansa de conversar.



Nem sempre consigo me sentir completamente à vontade e não-ET com uma pessoa. A tarde de ontem foi extremamente agradável, conversamos, rimos, comemos e pagamos horrores por um almoço self-service no qual não encontrei nenhuma pedra preciosa que justificasse seu exorbitante preço.



Mas valeu. Mesmo porque estávamos com fome demais para pensar em algum outro lugar, estávamos com fome demais para pensar em perguntar o preço da comida, estávamos com fome demais para pensar.



Depois pegamos carona com um rapaz de cabelos compridos que parece ter saído da mesma fábrica de Lalys. Sabe seres da mesma espécie, como eu e o Dave, como a Blanda e o Má, a Rúbia e o Di, entre tantos outros casais simétricos que conhecemos?



Ei, vocês, amantes da anormalidade, quando eu digo "simétricos", por favor, não leiam "chatos" e "cansativos", um casal simétrico é aquele que combina direitinho, em que as diferenças se completam e o relacionamento cresce na adversidade. Sim, isso é bonito. E nem todo mundo consegue. Ou melhor, nem todo mundo tenta, a maioria se conforma com um relacionamento morno, chato, desgastado e desgastante.



Divertida, animada, simpática, legal... se eu disser tudo o que achei da menina vai parecer puxa-saquice e não é. Juro, não é. Que culpa tenho se a garota é naturalmente legal?...risos....



Mais legal de tudo, porém, é ver os textos transformarem-se em um rosto. Ter a consciência de que, ainda que não possamos ver, estamos tratando com pessoas aqui. Laly não ia com a minha cara antes de me conhecer, por uma brincadeira ligeiramente sarcástica que fiz com o cara cabeludo na época em que eles ainda eram apenas bons amigos. Depois viu que eu era gente boa :)



Não sei o que ela achou da tarde, eu gostei. Comemos, conversamos, tomamos chuva, atrapalhamos o trânsito...hoje saí com o Dave e, certamente por eu ter comentado no blog que todo mundo olhava para a minha cara, hoje toda a população carioca me ignorou. Fiquei com problemas. Passava e era como se estivesse invisível, ninguém me notou, até que cansei e parei de reparar...risos....sobrevivo.



A menina estuda, está em período de provas, havia acabado de sair de uma espécie de prova seletiva para um emprego, passaria também o final de semana estudando para a prova. É maluca, faz economia. Um ser sensível, escreve bem, fala bem, pensa bem. Cansei de falar dessa menina, ela nem apareceu aqui para dizer que a tarde foi boa..risos...é uma ingrata.



PS: Sim, falamos tanto que esqueci de tirar fotos. A câmera ficou dentro da sacola e eu, falando pelos cotovelos e ouvindo a Laly falar pelo gesso :)

"É engraçado esse negócio de mudar de um lugar para outro... também já sofri muito... Quando morava em Sampa e mudei pra Birigüi, no interior, minha tia paulistana tirava sarro de mim pelo telefone: "Ôrra meu, mas você tá falando bem caipirinha, hein?" E nem era tanto assim, ainda tinha as "puxadas" paulistas.



Tanto que quando mudei pra Campo Grande, o pessoal vivia pegando no meu pé por causa dos "chovêêindo","sabêêindo", etc... E minha tia paulistana: "Ôrra, meu, agora cê tá falando mais caipira ainda!" E eu querendo morrer de raiva. Mas sabe que quando escuto alguém daqui falar bem carregado, me dá agonia? Sei lá... =)"

Bia

Bia, Dave já está se tornando um híbrido gaúcho-carioca. Minha família diz que estou falando como o pessoal do Sul, acho que temos essa coisa meio esponja...risos...eu, sinceramente, não acredito. Para mim é tudo intriga da oposição.



Agora, o que eu nunca tive, mas nunca mesmo, foi o sotaque carregado do MS. Sempre achei horrível e me policiei a vida toda para não pegar esse "r" caipiresco. Que me perdoem meus conterrâneos, é um horror. Também dá agonia...risos...te entendo.



"Meu, QUE INVEEEEEJA!!! A "sua paisagem" é tudbão, heim? Lindo, lindo. Dá até pra esquecer da britadeira e triste violência que, realmente, não combina com uma cidade tão linda. Temos algo em comum: eu também só me sinto à vontade pra andar onde exista metrô por perto! (e prefiro andar a pé que tomar ônibus - ai, nunca consigo me equilibrar direito com seus solavancos, nem dá tempo de ler as placas das ruas... ninguém merece...)



E se você não vive sem lista telefônica, eu não vivo sem algum Guia de ruas (sou péssima em localização espacial). Hum, que mais... Ah, cê vai dar um jeito nesse template, né? Tá estranha essa parte de cima, a distribuição do título e da imagem não está harmônica. Tudo bem que os textos são os maiores atrativos, mas o visual também conta né? :)Boa sorte na sua nova fase.[]'s"

Hipácia

Vamos lá, lista telefônica contém guia de ruas :) Também sou péssima em localização espacial e demoro um século para decorar o nome das ruas, então todo o suporte é pouco. Mapinha, guia de ruas, lista, esquema feito à mão no caderno, lista de afazeres para o dia, enfim, ando toda equipada, meu cérebro não funciona muito bem para coisas práticas...risos... quanto ao template, mudaria, se soubesse.



O que consegui fazer está ai, não reclame...risos...quer dizer, tem direito de reclamar sim, desde que se disponha a me ajudar a consertar a coisa, que não faço a mínima idéia...risos... tirar o laranja-salsicha (parafraseando um ex-stalker) da coluna à esquerda, pode parecer um pequeno passo para você, mas foi um grande passo para a humanidade...risos...



Beijos e obrigada! Ah, e não tenha inveja de mim que isso é muito feio, viu?


Friday, September 17, 2004

Bip, Bip, Retornando



É, acho que vou precisar deste blog. Deixo a mudança de fase para mais tarde, ou faço aos poucos. Estou em conflito. Tinha que escrever um monte de coisa, eu me cobro demais, todo mundo sabe. Ao mesmo tempo dá um baita sentimento de culpa não sair do hotel, por isso tenho saído todos os dias.



Quarta, para dar uma "desanuviada" resolvi fazer uma caminhadinha no calçadão, fui parar em Copacabana!!! Do Leblon a Copacabana, depois decidi voltar de ônibus, ou chegaria aqui um palito.



Ontem foi a vez do Dave, animado, querer fazer o mesmo passeio. Nem preciso dizer que cheguei em casa me sentindo como se tivesse sido atropelada por um trator, ou por um rolo compressor, daqueles de esticar asfalto.



Ainda estou meio perdida, esta é uma área do Rio de Janeiro que não domino muito (como se houvesse alguma área do Rio de Janeiro sob meu domínio). Sei me virar muito bem na Tijuca, em Copacabana ou onde tenha uma estação de metrô. Sou um ser subterrâneo. Mesmo nos trechos em que o metrô é de superfície.



Contudo, o que me deixa mais perdida é a ausência de lista telefônica. Eu não sou ninguém sem uma lista telefônica. Acredite se quiser, não há uma mísera lista telefônica nos quartos deste hotel. Apenas uma, na recepção, com algumas páginas arrancadas, estranhamente, justamente as que eu estava precisando.



Quero encontrar uma lavanderia self-service na região. Já tenho um mapa, só me falta uma lista telefônica. Se alguém quiser fazer doação de lista telefônica, aceito. Pode ser do ano passado, não precisa ser, necessariamente, atualizada.



Ao pessoal que quiser ver a minha cara, vamos concentrar todos os e-mails em uma única conta, ou me perco mais ainda. Vamos ficar com o vanlampert@hotmail.com . Quero pedir um favor. Vamos fazer algo útil, ou aparentemente útil. Quero um texto de cada um que encontrar. Prometo escrever, também.



Já contabilizei algumas baixas, a primeira delas foi o meu par de óculos escuros, que desapareceu. Meus óculos escuros sempre desaparecem, mas desta vez bati meu recorde, havia comprado os pobres óculos há menos de uma semana. Eles duraram, exatamente, três dias. Perdi no supermercado.



Sempre perco óculos, por isso nem me passa pela cabeça pagar mais de vinte Reais por um par de óculos escuros. Assim, não sinto o prejuízo. Mas já aconteceu de ganhar um óculos de oitenta e oito Reais da minha mãe e perdê-lo. Isso sim, foi triste.



Quando não se perdem, eles desmontam irremediavelmente. Suicidam-se. É muito estranho.



Por essas e outras, só uso o aparelho móvel em casa, já que ele deve ser retirado para comer. Já ouvi histórias horríveis de gente que embrulhou o aparelho em um guardanapo na praça de alimentação do shopping e ele acabou na lata de lixo.



Já derreti o meu antigo, o novo aparelho tem sido cercado de toda a segurança possível para que meus dentes permaneçam no lugar correto por tempo indeterminado. Os óculos de grau nem saem da caixinha, sete anos e não consegui me acostumar com eles.



Os gaúchos que me cercam comentam do sotaque carioca, com estranheza. Mais estranho para mim é o sotaque de gaúcho, do qual só comecei a gostar há pouco tempo. Hoje acho lindo o jeito errado de falar: "Tu vai lá comigo, nhéé?", mas durante a adolescência, me irritava com esse tipo de sentença. Eles colocam ponto de interrogação no final de todas as frases, esquecem da conjugação da segunda pessoa do singular e mastigam o "né".



O sotaque carioca já é mais conhecido meu. Inclusive eu costumava falar, durante o final da infância, início da adolescência, usando o "s" chiado de carioca, para disfarçar meu terrível "s" com o que as fonoaudiólogas costumam chamar de "ceceio" (essa palavra é ainda mais feia do que o próprio sibilado), a que o pessoal costuma referir-se como "língua presa".



Eu falava pior que o Lula, o Palocci e o Vicentinho juntos. Depois do aparelho, melhorou um pouco, mas não resolveu. Bendita seja a Dra. Joana, que me aguentou por alguns longos meses até que eu ficasse com uma dicção decente.



Ela só não conseguiu me fazer ficar com aquele "r" caipira do Mato Grosso do Sul (juro que ela tentou), queria que eu levantasse um pouco a língua ao dizer "porta", por exemplo, mas eu preferi encostá-la no céu da boca e falar um "porta" quase gauchesco.



Mas tenho fitas da minha época de, sei lá, doze, treze anos em que eu dizia "pexquisa" para disfarçar aquela língua enorme saindo da boca...argh... sim, esse foi meu período de patinho horrendo, do qual já comentei com vocês anteriormente.



Hoje está meio frio. O pessoal na rua está de manga comprida. Ah, falando da rua, descobri que a tal pedreira é, na verdade, uma construção. Sim, o futuro Shopping Leblon está sendo construído sob minha janela, que emoção!!!



Ele dá toda a volta no prédio e a gente ouve aquelas britadeiras o tempo inteiro. Profundamente emocionante. Não poderiam ter começado esse troço há, sei lá, uns dois anos, para que já estivesse pronto agora? Eu tenho que pegar um ônibus para ir ao shopping mais próximo!!!



Falando em Shopping, daqui a pouco saio para conhecer a Laly !!! Almoçaremos juntas. Conversamos ontem ao telefone e eu descobri que o gesso dela é azul!! E que ela tem a estranha capacidade de digitar usando os pés!



Isso realmente me impressionou, visto que meu monitor está em uma mesa baixíssima e eu tenho que digitar deitada ou com o teclado no colo e mal consigo fazer isso usando os dedos das mãos, quanto mais os dedos dos pés! Essa menina é um gênio!



Bem, preciso me arrumar, terminar de ajeitar as coisas por aqui, tomar um banho e sair, não necessariamente nesta ordem. Hoje consegui descansar bem e acordei eufórica.



Alguém também podia me explicar o porquê de as pessoas olharem tanto para a minha cara neste lugar. Qual será o problema? Será que minhas roupas são tão estranhas? Não, puxa vida, tem gente bem mais esquisita que eu aqui e ninguém nota.



Será que estou branca demais? Pode ser, mas acho que já me bronzeei, estou em um tom "branco-escuro". Dave sim, é branco para caramba. Estou tentando agir naturalmente, como os nativos deste lugar, mas a julgar pela cara deles quando eu passo, não devo estar conseguindo.



Felizmente não me olham como se eu fosse uma aberração da natureza, a mulher barbada, um ET horrendo, mistura de Alien, Predador e ET de Varginha, como fizeram em Caxias do Sul. Dava vontade de pedir desculpas e enfiar-me em uma caixa de sapatos.



Em Porto Alegre eu já descobri, são as roupas. Eu sou meio árvore de natal e lá, se você não estiver vestida "adequadamente" todo mundo te olha estranho. Tive que diminuir os decotes, os anéis, as blusas recortadas, a combinação estranha de estampas, mas também não faço milagres, não me peçam para andar de tailleur na rua. Acho lindo, mas não combina.



Aqui voltei a usar minhas roupas, mas não acredito que seja isso. Dei uma suavizada na maquiagem para não chocar ninguém e costumo andar com o cabelo preso com uma caneta, porque ele também chama atenção. É muito cabelo, às vezes nem dá para ver que existe uma pessoa por trás dele, um horror.



É alguma coisa. Da última vez em que estive aqui, há três anos, ninguém notou minha presença. E eu tinha a mesma cara que tenho hoje, acho.



Dave comentou que estava todo mundo olhando e eu achei uma saída que, apesar de estar claramente longe da realidade, me agradou mais do que qualquer outra, disse: "Sabe o que eu acho? Todas essas pessoas lêem o Another Monster e me reconheceram. São meus leitores! Todos eles!"...risos....um dia, quem sabe...

"Vc ta perto da Lagoa??? Uhuuuuu Vamos nos ver MESMO!!!!!!! Depois te digo quando pretendo ir. Bejos. Achou o email?"

Blanda

Blanda, não achei o e-mail :( Para onde você o mandou? E sim, estou em um ponto entre a orla e a Lagoa, cercado de construções barulhentas por todos os lados. Argh!!



"Putz... lamento pela sua tia.Andei perdendo umas pessoas queridas tb e sei como isso é fogo!Não tem nada pra falar nessas horas..Fique bem, pq ela está!Um beijo"

Angel

Obrigada, Angel. É uma barra, não? Minha mãe e minha irmã estão na correria em Campo Grande, para mandar papéis e dinheiro para o funeral, lá. Ninguém tem condições de trazer o corpo, fica caro demais.



Sei que minha prima está muito abalada, o que não é de se estranhar, já que agora não tem mais pai, nem mãe. A amiga da minha tia, chamada Célia, foi quem cuidou dela e agora está resolvendo todas as coisas por lá. Também está abalada demais.



Fiquei meio mal, tinha escrito mais um texto sobre isso, mas preferi não publicar. Não gosto de ficar remoendo tristeza, deixa a tristeza lá, sozinha no canto dela, a vida continua, não é mesmo? Beijos!



"Depois que o tempo passa, a gente "adultece" e percebe que as pessoas são diferentes, reagem de forma diferente, todos têm seus defeitos e suas qualidades, inclusive nós. E nossos defeitos não são menores do que os dos outros, talvez, apenas, diferentes."isso é verdade

alec

Pois é, só não sei por que a gente não descobre isso antes. Facilitaria muita coisa.



"É, tb não sou fã dessa frase "Deus sabe o que faz", mas o que dizer nessas horas? Acho melhor mesmo é não dizer nada. Dizem que o câncer é uma doença feita de mágoas, será verdade?



Eu tento não ter mágoas de ninguém, acho até que consigo, pois não me vêm à mente nomes de quaisquer pessoas que eu lembre de sentir mágoa... Adorei as passagens bíblicas... E essa combinação de cor também! =) "

Bia

Sei lá, Bia, também já ouvi isso, também sei que em certos casos o câncer (assim como outras doenças) vem de tristeza acumulada, a gente acaba abrindo brechas para que essas coisas ruins se instalem. Foi assim com o meu avô, a leucemia veio decorrente de uma depressão violenta.



Claro, nem todos os casos têm início em uma crise emocional, mágoas acumuladas ou tristeza guardada, mas estou certa de que evitar esse tipo de coisa faz muito bem à saúde. Também evito. Não tenho mágoa de ninguém, sério mesmo, não consigo guardar. Ainda bem, porque não vale a pena.



E ei, finalmente alguém comentou da alteração que fiz no template!!! Valeu! :) E quanto às passagens Bíblicas, cara, a gente tem muito o que aprender com esse livro, não é mesmo? Beijos!



"Desculpa a ausência...(se é que vc notou)...Sempre te visito, nem sempre comento, mas gosto muito do que vc escreve.Um cheiro,E se cuida!"

Ana

Ana, claro que notei! Achei mesmo que você não tinha vindo mais aqui. Fico feliz por saber que não esqueceu o caminho...risos...obrigada, viu? Grande beijo!

Wednesday, September 15, 2004

Mesmo Sob Ameaça da Tempestade...

Minha mãe ligou agora há pouco, para me dar a notícia. Minha tia faleceu hoje pela manhã. Nunca é fácil.

Orei, torci, esperei, mas nem sempre as coisas acontecem como a gente quer. Às vezes percebemos que não somos escritores de nada, que a vida se escreve por si. Digo agora a terrível frase conformista que detesto: Deus sabe o que faz. Sim, Ele sabe, mas algumas vezes colocamos em Deus a culpa do que é apenas resultado do que se plantou. Não sei.

Não sei nada, sei muito pouco. Quem sabe da vida? Eu não sei nada da vida, não entendo muitas coisas que acontecem e que deixam de acontecer, não consigo me acostumar com um mundo cheio de coisas ruins, sempre lutando para ver o lado bom das coisas.

Resigno-me. Agora eu não quero ver nada.


Sempre quis gostar dela e ter um relacionamento legal, mas nem sempre foi possível, mesmo porque durante a adolescência eu era muito mais intolerante do que alguém acha que ainda sou. Não sou. Ou talvez até seja, mas não quero mais ser.

Nos últimos tempos entendi algumas coisas, conversei com ela durante mais de uma hora ao telefone, no final do ano passado, ela dizendo dos medos e da luta contra o câncer, eu dando força e dizendo a ela que tudo ficaria bem. Percebi, pelo tom de voz, que ficou mais tranqüila e animada. Estou certa de que ela está bem.

Foi a última vez que nos falamos, mas ela conversou com minha mãe muitas outras vezes, depois que me mudei. Fazendo planos, certa de que se recuperaria.

Ninguém pôde ir lá, ela ficou sendo cuidada pelos amigos. Morava há uns quinze anos em Nova York, tem uma filha que vai fazer quatorze anos neste mês e que, ao que entendi, ficará com a irmã mais velha, por parte de pai (o pai dela faleceu há alguns anos).

A luta da Amelinha acabou, não faz sentido algum se preocupar com ela. Lembra a passagem bíblica que conta que o filhinho do rei Davi estava muito doente porque Davi deixou o mal entrar em sua casa quando mandou Urias para a frente de batalha, para que morresse e ele pudesse casar com sua mulher.

O rei, desesperado, passava os dias prostrado, chorando, orando e jejuando pela cura do seu filho. Quando o garoto morreu, seus servos ficaram até com medo de contar a ele, pensavam: "Se enquanto a criança estava doente, o rei chorava, vivia prostrado, orava e não comia, o que não irá acontecer quando souber que o filho está morto?" Não teve jeito, tiveram que contar.

Imediatamente o rei se levantou, para espanto de seus servos, comeu, tomou banho, entrou na casa do Senhor e adorou, seus servos indignaram-se: "Que é isto que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste, mas depois que a criança morreu, levantaste e comeste pão?"

Ele respondeu: "Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque pensava: Quem sabe se o Senhor se compadecerá de mim, de modo que viva a criança? Mas agora que é morta, por que jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, mas ela não voltará para mim".

Ele sabia que ela já estava com Deus (a título de curiosidade, depois disso a mulher de Davi, Bate-Seba, vivúva de Urias, engravidou e deu à luz a Salomão, que foi o rei mais sábio, rico e glorioso de Israel).

Me preocupa apenas quem ficou. Minha mãe agora está bem, há alguns dias estava bem chateada. Minha avó parece frágil, mas ela já perdeu mãe, pai, irmãos, netos, marido e três filhos, provavelmente é bem mais forte do que parece. Minha prima me preocupa, mas o que posso fazer por ela?

O pior de tudo é a sensação de impotência perante a vida. Costumo dizer que não fomos feitos para morrer. A morte apareceu como acidente de percurso. Por isso nunca nos acostumamos com a idéia, não é natural.

Se a vida fosse apenas isso, apenas esse pequeno período que passamos na Terra, nada valeria a pena, porque é muito pouco, muito rápido, muito efêmero.

Com isso a gente aprende o que não deve ser feito. Temos que dar valor às pessoas que amamos, não perder tempo com bobagens, não descuidar da saúde, da boa alimentação, dos exames periódicos que todos devemos fazer e, principalmente, aprender da vida com quem a criou. Porque a gente não sabe nada. Nós não somos nada.

As roupas coloridas, os apliques esdrúxulos, os acessórios exagerados, brincos enormes, pulseiras, presilhas, a mala de estampa de oncinha que ela me deu (sim, eu também gosto dessas coisas de gosto duvidoso), não tinha medo de arriscar, fazia um monte de coisa errada, mas às vezes acertava sem querer. Era engraçada, falava todas as bobagens que lhe vinham à cabeça. Às vezes era maldosa, mas nem sei se fazia essas coisas de propósito.

Havia uma fórmula secreta de se lidar com ela, poucas pessoas descobriram, minha mãe, uma das únicas que sabia como ela era de verdade e conseguia lidar, sem grandes problemas. Uma fórmula secreta. Acho que era amor, tolerância, respeito.

Talvez seja a fórmula secreta de se lidar com todas as pessoas que não se parecem conosco. E talvez se pareçam. Talvez sejamos todos meio parecidos, no fundo.

Depois que o tempo passa, a gente "adultece" e percebe que as pessoas são diferentes, reagem de forma diferente, todos têm seus defeitos e suas qualidades, inclusive nós. E nossos defeitos não são menores do que os dos outros, talvez, apenas, diferentes.

Resigno-me, novamente. Vou ver o mar. Não sou uma pessoa de praia, mas gosto de olhar o mar, quando tenho oportunidade. Me faz ver que sou pequena, que não tenho controle de nada.

Mas a Bíblia também conta de um dia em que Jesus e os discípulos estavam em um barco em alto-mar e começou uma tempestade assustadora.

Desesperados, os discípulos acordaram o mestre, pedindo a ele que os salvasse, porque estavam prestes a morrer no meio daquela tempestade. Jesus, acordando, ordenou ao vento e ao mar que se aquietassem e, no mesmo momento, a tempestade desapareceu.

Então repreendeu os discípulos, perguntando: "Por que temeis, homens de pequena fé?" Deveria estar claro para eles que o mar jamais engoliria o barco em que estivesse o Senhor.

Não importa o tamanho da tempestade, o tamanho do problema, se ele ameaça te engolir, se parece que você não vai suportar, se o coração aperta, se a garganta avisa que você não pode conter o choro.

Se Ele está em sua vida, não há porque temer, nem porque se desesperar, a tempestade passa. É a lição que tiro dessa história. É do que me lembro sempre que olho o mar. Tão grande, tão ameaçador, mas que se cala diante da voz daquele que o criou.

E a vida continua, não é mesmo? Por algum motivo, ela continua. Pelas coisas boas, pela bonança que há de vir, ela sempre continua. Ainda bem.

PS: No post de ontem, "Continua Lindo", uma foto da vista do quarto.

PS2: Respondi os comentários de ontem, logo aqui abaixo. Vamos ver se coloco ordem nesta coisa.
A partir de hoje volto a responder os comentários no blog.



"já passei por isso várias vezes tb. o negocio tentar mudar mesmo. entreter-se com coisas diferentes. novos hobbies, etc. "

alec

Alec, vou tentar. Sinto a necessidade urgente de mudar de fase. Já mudei de blog. É um bom começo :)



"Se eu te disser que passei por essa fase também?Se quiser desabafar ou simplesmente ajuda de alguma forma, me fala... De verdade... É terrível, eu sei...Um beijo grande e boa sorte!"

Rúbia_Euzinha

Ah, eu também já passei por essa fase, e estou protelando a mudança de fase há algum tempo. Agora não tem como adiar, tenho me cobrado demais. Veremos o que conseguirei fazer. De qualquer forma, obrigada pela disponibilidade :) Beijos!!



"A VAN ESTÁ NO RIO!!!!!!!!!! A VAN ESTÁ NO RIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!! OBAAAAAAAAAAAAAAAAA, EU VOU CONHECER A VAN!!!!!!!!!!!!!! "

Laly

hahahahaha.....Laly, você é uma figura!!! Ei, gostei do entusiasmo, espero que ele seja real...risos... Estou no Rio, estou no Rio!!! Vamos combinar alguma coisa!!



Na verdade eu quero conhecer todos os leitores do Rio, aproveitar a oportunidade e ver todo mundo mesmo. Vamos combinar sim, a propósito, estou com e-mail novo (para variar), vanlampert@hotmail.com, e-mail de casada :) EU VOU CONHECER VOCÊ!!!! ÊBA!...risos...



"Vida Cigana. Desse jeito você logo chega a Sampaulo. Boa sorte e lembre-se que mudança é o segundo maior fator de stress ( o primeiro é morte de pessoas próximas). Portanto nada mais natural do que você estar cansada, deprimida e com vontade de se enfurnar em casa. Descanse. Até mais."

Jesse Lujack

Jesse, pretendo sim ir a São Paulo, afinal de contas, agora estou bem mais perto. E o pessoal de São Paulo que puder dar um pulo aqui no Rio também será conhecido...risos... Bem, no momento estou então com dois fatores de stress, não sei como ainda estou viva...risos...mas não estou deprimida, nem com vontade de me enfurnar em casa.



O problema é o monte de coisa que quero escrever brigando com o monte de coisa que tenho a fazer lá fora. Mas já dei altas voltas pelo bairro e me perdi umas cinco vezes por aqui. Agora arranjei um mapa, não me perco mais. :)



Cansada, sem dúvida alguma, estou. E meio perdida, sem saber por onde começar a fazer as coisas que tenho a fazer. Oh, céus! De resto, bom te ver, achei que tinha esquecido o caminho deste blog. :) Beijos.



"Te mandei um email!"

Blanda

Oba, vou procurar :)



"Só pra constar: bem vinda ao Rio."

William

Só para constar: obrigada :) Qualquer hora a gente se esbarra por aí...mas bem que esse "esbarramento" poderia ser combinado, não? vanlampert@hotmail.com, estou perto da Lagoa. Não vai ser difícil, a gente só não se vê se não quiser.



Talvez dê até para combinar, se vejo um de cada vez ou se a gente junta todo mundo, já que eu acho que a maioria do pessoal que vem a este blog se conhece. Ao menos virtualmente, sabe quem é quem. Ou não, sei lá. Vamos combinar!! :) Beijos!



PS: Ninguém comentou se gostou da nova e baianosa disposição de cores do template. Não sei quanto a vocês, mas aquela coluna laranja me doía os olhos.

PS2: Ei, dá para mudar a cor da fonte!!!! :D

Tuesday, September 14, 2004

Maquinando



Estou cansada de mim. O que é que a gente faz quando se cansa da gente mesmo? Tive uma overdose de mim nos últimos tempos.



Sou um xarope concentrado, enjoativo, quase venenoso. Deve-se tomar em pequenas doses. Virei uns três vidros de mim nos dias que se passaram e enjoei.



Cansei também do que faço aqui. Esse negócio meio "querido diário" nunca me agradou. Agora não me sinto bem mesmo. Continuo por aqui, mas falando menos da minha vida.



Conto as coisas por e-mail, se alguém aqui quiser me escrever. Por enquanto, melhor voltar para a minha cabeça, para as coisas que escrevo, coisas que penso. A diferença é sutil, mas conta muito.



Por isso não falo mais de monstros diários, mudei o nome do blog. Prefiro ficar maquinando mesmo, os monstros enfrento em outro lugar.



A vida já tem monstros demais, o que a gente menos precisa é de another monster.



Mudar de fase, acho. Me parece ser importante. Novamente abaixo o volume de mim. Desta vez, para valer.



PS: Isso escrevi antes de viajar, quando já estava com o computador encaixotado. Claro que eu não poderia deixar de contar sobre a viagem, assim que chegasse. por isso há uma certa discrepância entre os dois posts de hoje. Ainda não estou tão louca a ponto de escrever dois textos tão antagônicos em um mesmo dia, calma...risos...

Continua Lindo



Chegamos ao Rio ontem. Da janela do apartamento, o Cristo Redentor e a Lagoa. Ontem o tempo fechou, hoje faz sol novamente. O sol me chama, o mar, o dia.



Algo dentro de mim me apressa novamente, tenho milhares de coisas a fazer por aqui, não posso desperdiçar tempo, não posso desperdiçar oportunidades.



É tudo muito bonito, flat no Leblon, vista para a Lagoa e Corcovado, poucas quadras da praia...e uma pedreira ao lado do hotel. Isso mesmo.



Na verdade acho que não é bem uma pedreira, talvez uma construção de alguma coisa. Só sei que passaram toda a terde de ontem quebrando pedras com uma britadeira gigante. Porque nem tudo nesta vida pode ser perfeito.



E sim, o sol, a praia, a Lagoa, coisas a comprar, a pesquisar, a fazer e a moça aqui enfurnada no quarto, digitando compulsivamente. É a vida. A minha vida, não é mesmo? Mas prometo terminar isso logo e dar uma volta lá fora.



Este lugar é maravilhoso. E me traz belas lembranças também. Foi aqui que comi pela primeira vez em um Mc Donald's, aos oito anos. Embora hoje em dia eu deteste Mc Donald's, na época, como diz um grande amigo meu, foi mágico.



O cheiro do mar me lembra aqueles momentos da infância. Curtos, porém marcantes. Não dá para acreditar que o Rio de Janeiro esteja tão perigoso, não é justo que este lugar esteja com esse tipo de problema.



Aqui deveria ser o que, a princípio, nos parece. O paraíso. Depois a gente começa a andar pela cidade e vê que o paraíso está bem distante.



A última vez em que estive aqui foi em 2001. Vou dar uma volta pela cidade durante esses dias para ver o que mudou. Passei todo o mês de Outubro aqui e por um lado, valeu, valeu mesmo.



Mas agora é diferente. Por algum tempo este apartamento será a minha casa, o Rio a minha cidade e a paisagem da janela, a minha paisagem.



Não costumo me emocionar com paisagens e coisas do gênero, mas esta aqui tem uma história. Valor emocional, registro histórico.



E sim, continua lindo. E eu sei, vai ficar cada vez mais lindo. Não podemos torcer por menos. Não podemos aceitar menos. Continua lindo, lindo, lindo.



Não vou pensar em nada de ruim. Para mim está lindo, é lindo e continua sendo muito bom estar por aqui. E que ninguém prove o contrário.

Tuesday, September 07, 2004

Algumas Explicações e um pouco de chocolate :)



Tá, sorry, achei que todo mundo já soubesse ou se lembrasse que eu tinha comentado da viagem, mas vamos lá. Dave vai ter que fazer um curso de um total de dez meses no Rio de Janeiro (era para ser 12 meses, mas atrasou e eles diminuiram o tempo do intervalo). Ficamos até dezembro, voltamos, ficamos mais dois meses e vamos de novo, para mais quatro meses de curso.



Por isso resolvemos casar antes, lembram? Eu havia explicado. Se não tivéssemos casado em Junho, ele iria sozinho e eu ficaria aqui, sozinha, por todo esse tempo. Isso nem poderia ser cogitado, não é mesmo?



Então segunda-feira estaremos deixando Porto Alegre rumo ao Rio de Janeiro. Amanhã devemos desocupar o apartamento. Essa é mais uma boa notícia. Quem acompanhou aqui minhas brigas com a imobiliária, com os cupins e o carpete estragado, além da umidade excessiva que mofa tudo que não se move neste lugar, sabe o quanto é importante para mim sair daqui.



E melhor, como o Dave vai ser transferido para fazer este curso pela empresa em que ele trabalha, a proprietária é obrigada, por lei, a me liberar da multa contratual. Isto é, com justiça, saio deste apartamento ruim, não pago a multa e ela vai colocar a mão na consciência e arrumar esta coisa antes de alugar de novo, se for esperta.



Por isso, imaginem, estou na correria de encaixotar coisas, desocupar os móveis, escolher o que vai e o que ficará entulhando a casa da minha sogra...estou impressionada. Como é que consegui acumular tanta coisa em tão pouco tempo? Alguns de vocês devem se lembrar que quando cheguei aqui tinha apenas o computador, a multifuncional, duas malas e duas caixas. Como é que nove meses depois tem tanta tralha? Nasceu?



Como Dave está trabalhando até mais tarde, quem tem que ficar na "batalha" aqui sou eu. Sairemos amanhã, entregaremos as chaves e iremos para algum lugar....hahahaha....nem eu sei para onde!!! Algum hotel que se jogar à nossa frente pelo caminho.



Lá no Rio já temos onde ficar, foi tudo providenciado pela firma, ficaremos em um flat onde terei um fogão e poderei...hum....cozinhar, testar as inúmeras receitas que tenho recolhido nos últimos meses.



Não pensem que enrolei para contar, nada disso, eles é que confirmaram o curso, data e tudo o mais em cima da hora. E a gente tem que fazer tudo correndo, como se estivesse fugindo da polícia.



Estressa, é claro que estressa, ainda mais que mal cheguei de viagem, não é mesmo? Falando nisso, tirei umas fotos dos presentinhos que ganhei do Dave no aeroporto. Duas caixas de bombom (uma delas, holandesa, em formato de coração), um cartão e um ursinho.



Se alguém me dissesse há....deixa eu ver....cinco anos que um cara iria me dar duas caixas de bombons, uma delas em formato de coração e um ursinho de pelúcia aveludado, eu acharia incrivelmente ridículo e piegas, embora, no fundo, até ficasse lisonjeada.



Ando regredindo. Achei lin-do!! Fiquei emocionada, quase chorei! Adoro chocolate, tudo bem, mas o que realmente contou nesses presentes foi o valor emocional. Ele pensou em mim, escolheu, comprou, escreveu o cartão....tudo isso conta e é tão importante quanto dizer "eu te amo". (Sim, isto é uma campanha egoísta de apelo emocional para que ele nunca deixe de me presentear :) )



Não achei nem um pouco piegas, brega ou ridículo. Aliás, já disse, o amor é ridículo, tudo o que envolve amor também é ridículo. As declarações, as cartas (já havia sido alertada por Fernando Pessoa), os presentes, as músicas...



Falando em músicas, ganhei um Cd do Rod Stewart, "It had to be you - The great american songbook". As músicas são todas parecidas e por isso mesmo, lindas (e ridículas). São os clássicos melosos regravados :) Meu preferido é "The way you look tonight" ouvi umas quinhentas vezes, cantei bem alto e devo ter feito os vizinhos agradecerem a Deus por eu estar deixando o apartamento nesta semana.



Não que eu cante mal, muito pelo contrário, até canto bem, mas por melhor que seja a música ou o cantor, ouvir seiscentas vezes seguidas uma mesma música em um volume considerável deve enlouquecer qualquer um.



Quanto ao blog, estou mesmo entalando por aqui. Felizmente conseguimos resolver o problema dos acentos, nem sabemos como. Tive a ajuda imprescindível da minha amiga Aldy. Conseguimos manter o template, está tudo certinho. As imagens podem ficar hospedadas em uma das minhas contas do blogger e aparecem lá sem problemas.



Está tudo pronto, podem checar em http://maquinando.blogspot.com. Postei lá também, por enquanto está como se fosse um espelho deste blog, até eu entalar de vez. Podem acessar o Another Monster por qualquer um dos endereços, tanto blogger quanto o blogspot (que abre mais rápido, naturalmente).



Agradeço a quem se dispôs a ajudar. Angel, Rúbia, Moça, tenho certeza que poderia contar com vocês. Aliás, qualquer outro probleminha que tiver com o blogspot (espero não ter nenhum), chamo a equipe para me ajudar...risos...porque eu sei muito pouco dessas coisas, só o suficiente para sobreviver, e mesmo assim, mais ou menos.



Agora o haloscan é que deu chilique. Os números do link para os comentários congelaram. Por exemplo, no post anterior, tive quatro comentários e nos números do link aparece que pelo menos (1) leitor comentou. Estava triste, esse povo não comenta, não está nem aí para mim! Até que a Aldy comentou que o link não atualizava. Só então pude ver os comentários novos. Isso é o que dá ir pelas aparências.



Bem, aí estão as fotos. Eu, as caixas de bombons, o cartão e Davison (pronuncia-se "deivisson"), o ursinho. :) Perfumado com algumas borrifadas de Jean Paul Gaultier (masculino, óbvio), é o bichinho de pelúcia mais irresistível do qual se tem notícia. Não é daquela pelúcia que odeio, peludão, depósito de ácaros. É suuuper macio e a pelúcia dele tem um toque aveludado, discreto. Schmier (o morango de pelúcia) ficou enciumado. Mas cada um tem seu espaço histórico e seu valor emocional. :)





PS: Sim, estou deslumbrada porque sou uma pobre menina que nunca teve namorado na vida e nunca ganhou uma mísera caixa de bombons em formato de coração antes. Dêem um desconto, ok?

Monday, September 06, 2004

Antes de mais nada, agradeço à minha amiga

ALDY que me salvou, me ajudando com o problema dos acentos. O blogspot tinha tido um chilique e todos os posts anteriores, quando colocados com este template, ficavam com símbolos impronunciáveis no lugar dos acentos. Achei até que o blogspot estava me xingando.



Ela entrou aqui, fez o teste abaixo, descobriu o problema e eu preferi deletar os posts estragados do que consertar um a um. Tenho mais o que fazer, pôxa vida, altas coisas para encaixotar. Ainda estou meio aqui, meio lá, ou seja, o Another Monster original ainda está funcionando, até segunda ordem.



Agora sim, com o template colorido, me sinto mais à vontade para continuar o blog neste endereço. Tá, podem me chamar de neurótica por isso, eu estava me sentindo completamente desconfortável naquele template sem graça, pálido. Algo tem que soar familiar, não é mesmo?

Estou fazendo um teste: pé, chulé, texto, arrogância, mastigável