Bip, Bip, Retornando
É, acho que vou precisar deste blog. Deixo a mudança de fase para mais tarde, ou faço aos poucos. Estou em conflito. Tinha que escrever um monte de coisa, eu me cobro demais, todo mundo sabe. Ao mesmo tempo dá um baita sentimento de culpa não sair do hotel, por isso tenho saído todos os dias.
Quarta, para dar uma "desanuviada" resolvi fazer uma caminhadinha no calçadão, fui parar em Copacabana!!! Do Leblon a Copacabana, depois decidi voltar de ônibus, ou chegaria aqui um palito.
Ontem foi a vez do Dave, animado, querer fazer o mesmo passeio. Nem preciso dizer que cheguei em casa me sentindo como se tivesse sido atropelada por um trator, ou por um rolo compressor, daqueles de esticar asfalto.
Ainda estou meio perdida, esta é uma área do Rio de Janeiro que não domino muito (como se houvesse alguma área do Rio de Janeiro sob meu domínio). Sei me virar muito bem na Tijuca, em Copacabana ou onde tenha uma estação de metrô. Sou um ser subterrâneo. Mesmo nos trechos em que o metrô é de superfície.
Contudo, o que me deixa mais perdida é a ausência de lista telefônica. Eu não sou ninguém sem uma lista telefônica. Acredite se quiser, não há uma mísera lista telefônica nos quartos deste hotel. Apenas uma, na recepção, com algumas páginas arrancadas, estranhamente, justamente as que eu estava precisando.
Quero encontrar uma lavanderia self-service na região. Já tenho um mapa, só me falta uma lista telefônica. Se alguém quiser fazer doação de lista telefônica, aceito. Pode ser do ano passado, não precisa ser, necessariamente, atualizada.
Ao pessoal que quiser ver a minha cara, vamos concentrar todos os e-mails em uma única conta, ou me perco mais ainda. Vamos ficar com o vanlampert@hotmail.com . Quero pedir um favor. Vamos fazer algo útil, ou aparentemente útil. Quero um texto de cada um que encontrar. Prometo escrever, também.
Já contabilizei algumas baixas, a primeira delas foi o meu par de óculos escuros, que desapareceu. Meus óculos escuros sempre desaparecem, mas desta vez bati meu recorde, havia comprado os pobres óculos há menos de uma semana. Eles duraram, exatamente, três dias. Perdi no supermercado.
Sempre perco óculos, por isso nem me passa pela cabeça pagar mais de vinte Reais por um par de óculos escuros. Assim, não sinto o prejuízo. Mas já aconteceu de ganhar um óculos de oitenta e oito Reais da minha mãe e perdê-lo. Isso sim, foi triste.
Quando não se perdem, eles desmontam irremediavelmente. Suicidam-se. É muito estranho.
Por essas e outras, só uso o aparelho móvel em casa, já que ele deve ser retirado para comer. Já ouvi histórias horríveis de gente que embrulhou o aparelho em um guardanapo na praça de alimentação do shopping e ele acabou na lata de lixo.
Já derreti o meu antigo, o novo aparelho tem sido cercado de toda a segurança possível para que meus dentes permaneçam no lugar correto por tempo indeterminado. Os óculos de grau nem saem da caixinha, sete anos e não consegui me acostumar com eles.
Os gaúchos que me cercam comentam do sotaque carioca, com estranheza. Mais estranho para mim é o sotaque de gaúcho, do qual só comecei a gostar há pouco tempo. Hoje acho lindo o jeito errado de falar: "Tu vai lá comigo, nhéé?", mas durante a adolescência, me irritava com esse tipo de sentença. Eles colocam ponto de interrogação no final de todas as frases, esquecem da conjugação da segunda pessoa do singular e mastigam o "né".
O sotaque carioca já é mais conhecido meu. Inclusive eu costumava falar, durante o final da infância, início da adolescência, usando o "s" chiado de carioca, para disfarçar meu terrível "s" com o que as fonoaudiólogas costumam chamar de "ceceio" (essa palavra é ainda mais feia do que o próprio sibilado), a que o pessoal costuma referir-se como "língua presa".
Eu falava pior que o Lula, o Palocci e o Vicentinho juntos. Depois do aparelho, melhorou um pouco, mas não resolveu. Bendita seja a Dra. Joana, que me aguentou por alguns longos meses até que eu ficasse com uma dicção decente.
Ela só não conseguiu me fazer ficar com aquele "r" caipira do Mato Grosso do Sul (juro que ela tentou), queria que eu levantasse um pouco a língua ao dizer "porta", por exemplo, mas eu preferi encostá-la no céu da boca e falar um "porta" quase gauchesco.
Mas tenho fitas da minha época de, sei lá, doze, treze anos em que eu dizia "pexquisa" para disfarçar aquela língua enorme saindo da boca...argh... sim, esse foi meu período de patinho horrendo, do qual já comentei com vocês anteriormente.
Hoje está meio frio. O pessoal na rua está de manga comprida. Ah, falando da rua, descobri que a tal pedreira é, na verdade, uma construção. Sim, o futuro Shopping Leblon está sendo construído sob minha janela, que emoção!!!
Ele dá toda a volta no prédio e a gente ouve aquelas britadeiras o tempo inteiro. Profundamente emocionante. Não poderiam ter começado esse troço há, sei lá, uns dois anos, para que já estivesse pronto agora? Eu tenho que pegar um ônibus para ir ao shopping mais próximo!!!
Falando em Shopping, daqui a pouco saio para conhecer a Laly !!! Almoçaremos juntas. Conversamos ontem ao telefone e eu descobri que o gesso dela é azul!! E que ela tem a estranha capacidade de digitar usando os pés!
Isso realmente me impressionou, visto que meu monitor está em uma mesa baixíssima e eu tenho que digitar deitada ou com o teclado no colo e mal consigo fazer isso usando os dedos das mãos, quanto mais os dedos dos pés! Essa menina é um gênio!
Bem, preciso me arrumar, terminar de ajeitar as coisas por aqui, tomar um banho e sair, não necessariamente nesta ordem. Hoje consegui descansar bem e acordei eufórica.
Alguém também podia me explicar o porquê de as pessoas olharem tanto para a minha cara neste lugar. Qual será o problema? Será que minhas roupas são tão estranhas? Não, puxa vida, tem gente bem mais esquisita que eu aqui e ninguém nota.
Será que estou branca demais? Pode ser, mas acho que já me bronzeei, estou em um tom "branco-escuro". Dave sim, é branco para caramba. Estou tentando agir naturalmente, como os nativos deste lugar, mas a julgar pela cara deles quando eu passo, não devo estar conseguindo.
Felizmente não me olham como se eu fosse uma aberração da natureza, a mulher barbada, um ET horrendo, mistura de Alien, Predador e ET de Varginha, como fizeram em Caxias do Sul. Dava vontade de pedir desculpas e enfiar-me em uma caixa de sapatos.
Em Porto Alegre eu já descobri, são as roupas. Eu sou meio árvore de natal e lá, se você não estiver vestida "adequadamente" todo mundo te olha estranho. Tive que diminuir os decotes, os anéis, as blusas recortadas, a combinação estranha de estampas, mas também não faço milagres, não me peçam para andar de tailleur na rua. Acho lindo, mas não combina.
Aqui voltei a usar minhas roupas, mas não acredito que seja isso. Dei uma suavizada na maquiagem para não chocar ninguém e costumo andar com o cabelo preso com uma caneta, porque ele também chama atenção. É muito cabelo, às vezes nem dá para ver que existe uma pessoa por trás dele, um horror.
É alguma coisa. Da última vez em que estive aqui, há três anos, ninguém notou minha presença. E eu tinha a mesma cara que tenho hoje, acho.
Dave comentou que estava todo mundo olhando e eu achei uma saída que, apesar de estar claramente longe da realidade, me agradou mais do que qualquer outra, disse: "Sabe o que eu acho? Todas essas pessoas lêem o Another Monster e me reconheceram. São meus leitores! Todos eles!"...risos....um dia, quem sabe...
É, acho que vou precisar deste blog. Deixo a mudança de fase para mais tarde, ou faço aos poucos. Estou em conflito. Tinha que escrever um monte de coisa, eu me cobro demais, todo mundo sabe. Ao mesmo tempo dá um baita sentimento de culpa não sair do hotel, por isso tenho saído todos os dias.
Quarta, para dar uma "desanuviada" resolvi fazer uma caminhadinha no calçadão, fui parar em Copacabana!!! Do Leblon a Copacabana, depois decidi voltar de ônibus, ou chegaria aqui um palito.
Ontem foi a vez do Dave, animado, querer fazer o mesmo passeio. Nem preciso dizer que cheguei em casa me sentindo como se tivesse sido atropelada por um trator, ou por um rolo compressor, daqueles de esticar asfalto.
Ainda estou meio perdida, esta é uma área do Rio de Janeiro que não domino muito (como se houvesse alguma área do Rio de Janeiro sob meu domínio). Sei me virar muito bem na Tijuca, em Copacabana ou onde tenha uma estação de metrô. Sou um ser subterrâneo. Mesmo nos trechos em que o metrô é de superfície.
Contudo, o que me deixa mais perdida é a ausência de lista telefônica. Eu não sou ninguém sem uma lista telefônica. Acredite se quiser, não há uma mísera lista telefônica nos quartos deste hotel. Apenas uma, na recepção, com algumas páginas arrancadas, estranhamente, justamente as que eu estava precisando.
Quero encontrar uma lavanderia self-service na região. Já tenho um mapa, só me falta uma lista telefônica. Se alguém quiser fazer doação de lista telefônica, aceito. Pode ser do ano passado, não precisa ser, necessariamente, atualizada.
Ao pessoal que quiser ver a minha cara, vamos concentrar todos os e-mails em uma única conta, ou me perco mais ainda. Vamos ficar com o vanlampert@hotmail.com . Quero pedir um favor. Vamos fazer algo útil, ou aparentemente útil. Quero um texto de cada um que encontrar. Prometo escrever, também.
Já contabilizei algumas baixas, a primeira delas foi o meu par de óculos escuros, que desapareceu. Meus óculos escuros sempre desaparecem, mas desta vez bati meu recorde, havia comprado os pobres óculos há menos de uma semana. Eles duraram, exatamente, três dias. Perdi no supermercado.
Sempre perco óculos, por isso nem me passa pela cabeça pagar mais de vinte Reais por um par de óculos escuros. Assim, não sinto o prejuízo. Mas já aconteceu de ganhar um óculos de oitenta e oito Reais da minha mãe e perdê-lo. Isso sim, foi triste.
Quando não se perdem, eles desmontam irremediavelmente. Suicidam-se. É muito estranho.
Por essas e outras, só uso o aparelho móvel em casa, já que ele deve ser retirado para comer. Já ouvi histórias horríveis de gente que embrulhou o aparelho em um guardanapo na praça de alimentação do shopping e ele acabou na lata de lixo.
Já derreti o meu antigo, o novo aparelho tem sido cercado de toda a segurança possível para que meus dentes permaneçam no lugar correto por tempo indeterminado. Os óculos de grau nem saem da caixinha, sete anos e não consegui me acostumar com eles.
Os gaúchos que me cercam comentam do sotaque carioca, com estranheza. Mais estranho para mim é o sotaque de gaúcho, do qual só comecei a gostar há pouco tempo. Hoje acho lindo o jeito errado de falar: "Tu vai lá comigo, nhéé?", mas durante a adolescência, me irritava com esse tipo de sentença. Eles colocam ponto de interrogação no final de todas as frases, esquecem da conjugação da segunda pessoa do singular e mastigam o "né".
O sotaque carioca já é mais conhecido meu. Inclusive eu costumava falar, durante o final da infância, início da adolescência, usando o "s" chiado de carioca, para disfarçar meu terrível "s" com o que as fonoaudiólogas costumam chamar de "ceceio" (essa palavra é ainda mais feia do que o próprio sibilado), a que o pessoal costuma referir-se como "língua presa".
Eu falava pior que o Lula, o Palocci e o Vicentinho juntos. Depois do aparelho, melhorou um pouco, mas não resolveu. Bendita seja a Dra. Joana, que me aguentou por alguns longos meses até que eu ficasse com uma dicção decente.
Ela só não conseguiu me fazer ficar com aquele "r" caipira do Mato Grosso do Sul (juro que ela tentou), queria que eu levantasse um pouco a língua ao dizer "porta", por exemplo, mas eu preferi encostá-la no céu da boca e falar um "porta" quase gauchesco.
Mas tenho fitas da minha época de, sei lá, doze, treze anos em que eu dizia "pexquisa" para disfarçar aquela língua enorme saindo da boca...argh... sim, esse foi meu período de patinho horrendo, do qual já comentei com vocês anteriormente.
Hoje está meio frio. O pessoal na rua está de manga comprida. Ah, falando da rua, descobri que a tal pedreira é, na verdade, uma construção. Sim, o futuro Shopping Leblon está sendo construído sob minha janela, que emoção!!!
Ele dá toda a volta no prédio e a gente ouve aquelas britadeiras o tempo inteiro. Profundamente emocionante. Não poderiam ter começado esse troço há, sei lá, uns dois anos, para que já estivesse pronto agora? Eu tenho que pegar um ônibus para ir ao shopping mais próximo!!!
Falando em Shopping, daqui a pouco saio para conhecer a Laly !!! Almoçaremos juntas. Conversamos ontem ao telefone e eu descobri que o gesso dela é azul!! E que ela tem a estranha capacidade de digitar usando os pés!
Isso realmente me impressionou, visto que meu monitor está em uma mesa baixíssima e eu tenho que digitar deitada ou com o teclado no colo e mal consigo fazer isso usando os dedos das mãos, quanto mais os dedos dos pés! Essa menina é um gênio!
Bem, preciso me arrumar, terminar de ajeitar as coisas por aqui, tomar um banho e sair, não necessariamente nesta ordem. Hoje consegui descansar bem e acordei eufórica.
Alguém também podia me explicar o porquê de as pessoas olharem tanto para a minha cara neste lugar. Qual será o problema? Será que minhas roupas são tão estranhas? Não, puxa vida, tem gente bem mais esquisita que eu aqui e ninguém nota.
Será que estou branca demais? Pode ser, mas acho que já me bronzeei, estou em um tom "branco-escuro". Dave sim, é branco para caramba. Estou tentando agir naturalmente, como os nativos deste lugar, mas a julgar pela cara deles quando eu passo, não devo estar conseguindo.
Felizmente não me olham como se eu fosse uma aberração da natureza, a mulher barbada, um ET horrendo, mistura de Alien, Predador e ET de Varginha, como fizeram em Caxias do Sul. Dava vontade de pedir desculpas e enfiar-me em uma caixa de sapatos.
Em Porto Alegre eu já descobri, são as roupas. Eu sou meio árvore de natal e lá, se você não estiver vestida "adequadamente" todo mundo te olha estranho. Tive que diminuir os decotes, os anéis, as blusas recortadas, a combinação estranha de estampas, mas também não faço milagres, não me peçam para andar de tailleur na rua. Acho lindo, mas não combina.
Aqui voltei a usar minhas roupas, mas não acredito que seja isso. Dei uma suavizada na maquiagem para não chocar ninguém e costumo andar com o cabelo preso com uma caneta, porque ele também chama atenção. É muito cabelo, às vezes nem dá para ver que existe uma pessoa por trás dele, um horror.
É alguma coisa. Da última vez em que estive aqui, há três anos, ninguém notou minha presença. E eu tinha a mesma cara que tenho hoje, acho.
Dave comentou que estava todo mundo olhando e eu achei uma saída que, apesar de estar claramente longe da realidade, me agradou mais do que qualquer outra, disse: "Sabe o que eu acho? Todas essas pessoas lêem o Another Monster e me reconheceram. São meus leitores! Todos eles!"...risos....um dia, quem sabe...

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