Saturday, July 01, 2006

In Silence



Já faz um bom tempo que eu aprendi que tenho o direito de permanecer calada e que algumas coisas podem - e devem - ser mantidas em silêncio até o momento em que - enfim - ganham voz. Então, mesmo voltando à ativa no blog e nas colunas (sim, falhei esta semana, mas prometo que foi a última, já que de agora em diante as coisas ficam mais tranquilas), mantenho silêncio até que volte a pedir a palavra.

O Brasil foi eliminado da Copa e agora eu sou Portugal desde criancinha, só para torcer para o Felipão. O mais engraçado foi escutar os netos da vizinha, que devem ter em torno de cinco anos, comemorando o gol da França e depois gritando "gooooool" quando o Ronaldinho chutou para fora :-) Alguém esqueceu de explicar alguns fundamentos básicos para os piázinhos. Mas pelo menos eles se divertiram.

Eu passei um pouco de raiva durante o jogo, mas o Brasil só chegou até as quartas de final por pura sorte, como um time forte com ótimos jogadores conseguiu fazer uma copa capenga, eu não sei, mas espero que o Parreira fique bem longe da seleção depois dessa, não é uma boa idéia colocar uma árvore para treinar um time de futebol.

Não sou chegada a futebol, mas quando assisto me divirto, sou a única mulher que conheço que entende a regra do impedimento, para o espanto de meu adorável marido, que em um dos primeiros jogos que assistimos me ouviu dizendo, antes do juiz e do Galvão Bueno que determinada jogada não valia mais porque o fulaninho estava impedido :-) Mas não compreendo o desespero e gritaria histérica neanderthal que toma conta de alguns indivíduos na hora de "comemorar um resultado". A parte boa de ter perdido o jogo de hoje foi ouvir o silêncio e a paz que a ausência de fogos traz. Pense bem, temos sempre que olhar o lado positivo, até mesmo da desgraça, talvez por isso eu esteja quase com vinte e sete anos sem um mísero fio de cabelo branco.

Descobri - finalmente - a origem de misteriosas lascas de queijo que brotam há alguns (muitos) meses na janela da minha área de serviço: estava eu a lavar a louça e a Ricota olhando o movimento das folhinhas das árvores, sentadinha na janela, quando ouvi a voz de um senhor:

-Oi! Tudo bom? Cadê o amarelinho?

Imediatamente um míssil amarelo veio correndo da sala até a área, atropelando meu pé, que estava em seu caminho. Ele subiu na janela, as orelhinhas para a frente, atento, empurrou a cabecinha contra a rede de proteção, fazendo gracinhas para o vizinho, que conversava com ele:

- Oi! Você quer vir para cá? Quer vir para cá? Que bonitinho, gatinho de circo!!

E lá estava o Tiggy, de pé, agarrado à tela, esticando a patinha para o lado do vizinho. Depois que ele saiu de lá, fui, discretamente, conversar com a Ricota à janela. Ao me ouvir, uma senhora, esposa do vizinho amigo do Tiggy, veio conversar comigo pela janela.

- Seus gatinhos são muito fofos! Meu marido fica conversando um tempão com o amarelinho.

Não é a primeira vez que eu ouço isso, dia desses encontrei a vizinha de baixo que também se mostrou encantada com todos eles, principalmente com o Tiggy, que é uma estrelinha. Tive que explicar para a senhora de hoje que ele não quer sair pela janela, ele apenas adora pessoas e achou o máximo encontrar quem converse com ele e brinque de longe. Felizmente o apartamento é todo telado, senão não sei o que seria desse gato. Extremamente sociável, ama pessoas e outros gatos, não estranha ninguém e faz amizade com tudo que se mova.

Se o mundo lá fora é perigoso até para os gatos "descolados", ariscos, que não se aproximam de gente estranha, que fogem de cachorros e chegam ao outro lado da rua quando a atravessam, imagina para um gato super manso e completamente sem noção? É mais do que óbvio que apartamentos com gatos devem ter todas as suas janelas teladas (e nem sai caro colocar rede de proteção nas janelas, certamente sai bem mais barato do que um tratamento veterinário - caso o gatinho sobreviva à queda), e mesmo morando no primeiro andar insisti que só me mudaria para o apartamento depois que todas as janelas estivessem bem teladas. Não vou expôr meus gatinhos a riscos desnecessários.

Conversei mais um pouco com ela, mas esqueci de perguntar seu nome. Ela e o marido moram no apartamento há vinte e oito anos, me contou da época em que o sol batia forte na janela durante o verão, porque não havia o prédio da frente e tudo por aqui era mato. As coisas mudaram muito em pouco tempo. Hoje temos o prédio da frente e ali, segundo ela me contou, tem uns três apartamentos com gatos. O do segundo andar tem um gatinho preto (que eu já vi), mas as janelas não são teladas. Dá uma certa agonia vê-lo andando na beiradinha da sacada. Engana-se quem pensa que gato é hábil em equilibrar-se e que eles sempre caem em pé. Às vezes uma corrida atrás de um bichinho, às vezes um escorregão, às vezes uma viradinha errada durante uma soneca na janela e espatifa-se o gato no chão. (Quem acha que eu estou exagerando, por favor dê uma olhada nesses dois links: Do Sos Gatinhos e do Adote um Gatinho)

Semana passada recebi a triste notícia do Claudio Téllez: o gato de uma vizinha dele caiu da janela, ele conseguiu levá-lo ao veterinário com vida, mas assim que o gatinho voltou para casa, não resistiu. Depois da tragédia, a dona resolveu telar as janelas antes de colocar outro gatinho no apartamento. Para o meu espanto, minha vizinha falou de um gato do sexto andar que mora em apartamento não-telado. Felizmente outro, do mesmo andar, acabou de ganhar um dono responsável e consciente, que colocou telas nas janelas na mesma semana em que vi o filhotinho de persa branco caminhando pela beira da sacada, bem feliz.

É complicado, mas se a gente se dispõe a cuidar de um bichinho, tem que cuidar direito. Castrar e não dar acesso à rua é garantir que ele tenha qualidade de vida e vida longa, tão importante quanto dar ração de qualidade, manter as vacinas em dia e tratar qualquer eventual problema de saúde. Tem gente que erra por falta de informação e assim que descobre a importância da castração e das telas nas janelas, trata de providenciar tudo. Mas tem gente que não consegue aprender nem com os próprios erros, quanto mais com os erros dos outros, e prefere bater a cabeça na parede a admitir que estava errado.

Conversei um bocado com nossa vizinha, até que voltei para a minha louça :-) O frio deu uma folguinha hoje e conseguimos sair sem congelar, Davison havia marcado seu corte de cabelo semestral :-). Salão lotado. Acabou o jogo e o pessoal foi ao cabeleireiro exorcizar fantasmas. O cabeleireiro, para o Davison, indignado com a seleção:

- Os caras jogaram que nem umas moças, depois eu é que sou o viado!!

E talvez eu seja a única pessoa que não escreveu praticamente nada sobre a copa (exceto o pequeno comentário sobre o uniforme da Croácia) e agora que a seleção saiu desanda a falar de futebol. Acho que nasci com alguns parafusos trocados. Bem, melhor assim do que puxar o lado marginal da família, ao menos meu desvio de comportamento é exclusivamente literário...risos...e só prejudico com isso àqueles que neste momento gostariam de esquecer completemente que existe futebol. À estes, minhas sinceras desculpas, não pude evitar, foi mais forte do que eu. :-)

Sendo obrigada a assistir à TV por conta dos jogos, me peguei extremamente irritada com a propaganda da Pepsi "Dá, dá, dá", achei - como consumidora - que estava sendo insultada, mesmo com todas as explicações sobre a peça. Não sei se encararia da mesma forma se tivesse sido chamada para fazer figuração na gravação do comercial, o pessoal que conheço que participou da gravação não estranhou o "dá, dá, dá", mas como não fui chamada, sinto-me à vontade para expressar minha sincera opinião. :-)

Aliás, existem muito poucas propagandas bem feitas sendo veiculadas na TV aberta, pelo menos nos horários em que eu assisti. Gostei bastante da peça do Guaraná Antárctica com o Maradonna, as da Skol, e - é claro - a da Lebon, na qual faço figuração The Flash como assistente do Seu Vicente ( que - a propósito - era o nome do meu avô ) e que não passa em todo o Brasil, unfortunatelly. Ainda não tinha trabalhado com a produtora Cápsula Cinematográfica e os caras estão de parabéns, tanto pela seriedade do trabalho quanto pelo resultado final.

Já faz algum tempo que essa peça está veiculando, mas eu nunca falo nada das propagandas em que faço figuração porque acho que não convém, são aquelas coisas que preferem ser mantidas em silêncio. É um trabalho muito divertido, cansativo para caramba, mas do qual saio revigorada, mesmo quando não apareço. É um dinheirinho suado (às vezes literalmente...risos..), mas melhor do que vender balinhas na rua (oh, tempo cruel).

De resto, os dias estão otimos, corridos, mas fica a sensação do dever cumprido. Agora - espero eu - alguns dias de tranquilidade, para trabalhar com calma, descansar um pouco, tirar fotos novas, aproveitar o tempo. Porque cada dia tem sido um presente de Deus e Ele nos mostra, a cada minuto, que tem cuidado de nós. Só tenho a agradecer, nossos planos estão em Suas mãos, cada segundo de nossa vida. E é na confiança de que Ele continuará cuidando de nós e de nossas famílias que tocamos em frente, ainda que eu não entre em detalhes, é fácil saber que anda tudo bem. Isso, é claro, para quem se importa com a notícia. :-)



A propósito...






PS: Já que falei em gatos e - mais especificamente - de um certo Gatinho Amarelinho, quem não leu deve ler o primeiro texto do Davison no Focando: Para ler, siga o link: O Embate (clique aqui)
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