Não enxergo a Lucidez

Não preciso de muita coisa para ser feliz, na verdade preciso de muito pouco. Ultimamente a vida tem estado tão boa, tão cheia de surpresas agradáveis que só o que posso fazer é agradecer a Deus por cada um desses dias. Estou super entusiasmada, torcendo para que junho venha logo com os desafios pelos quais tenho ansiado incessantemente nos últimos dias.
De resto, a vida nunca é fácil. Pode até ser boa e tranquila, mas achar que algum dia deixaremos de ter problemas é ilusão. Mesmo porque uma vida totalmente desprovida de problemas, pense bem, seria um tédio. No entanto, o negócio é sempre saber que tudo passa e, por isso mesmo, nenhum problema pode ser maior do que nós mesmos.
É ainda meio esquisito saber que tem gente que vem aqui todos os dias em busca de uma má notícia, torcendo para que aconteça alguma desgraça bem grande (ou pequenininha) para que possa se deliciar. Eu realmente não entendo como alguém pode desejar o mal de uma pessoa e ainda julgar-se correta. Eu já disse, quanto aos meus inimigos e pessoas que não gostam de mim em geral, quero que sejam muito felizes, bem longe de mim, porque assim terão alguma vida para viver e me deixarão em paz. Quero que tenham um encontro com Deus e aprendam, de uma vez por todas, como Ele age.
Felizmente tem muito mais gente legal que vem aqui em busca de uma boa notícia do que o inverso. E é para essas pessoas que eu faço questão de garantir que está tudo bem aqui deste lado. Melhorando a cada dia. Espero que no final do mês que vem eu tenha várias novidades que, por menores que sejam para quem olha de fora, são imensamente ansiadas por mim.
Sim, reciclei duzentos textos da Josephine, trazendo os pobres abandonados para cá. Sim, sei que ninguém vai ler, muito menos comentar, muito provavelmente ninguém vai gostar, mas eu sou tão fã da Josephine quanto a esquizofrenia dessa afirmação me permite. Isso quer dizer que muito provavelmente eu traga outros textos dela para cá, para me sentir menos carente de persona. Então, se não leu lá, provavelmente vai ler aqui e se já leu lá, decida se vale a pena ler de novo.
O que acontece é que ando meio ansiosa e- portanto - parcialmente incapaz de produzir alguma coisa realmente decente antes do bendito mês de junho. Espero - sinceramente - poder produzir alguma coisa realmente decente NO bendito mês de junho, ou então toda minha espera pelo bendito mês de junho terá sido em vão.
A propósito, visitamos hoje uma loja de livros usados no centro da cidade (me recuso a chamá-las de "sebo") e passei os olhos por dois volumes de José Saramago, Ensaio sobre a lucidez e Ensaio sobre a cegueira. Os dois livros têm a mesma espessura (acho que a Lucidez tem umas dez folhas a mais do que a Cegueira) , capa bastante parecida e estavam no mesmo (bom) estado de conservação. Olhei o preço do Ensaio sobre a lucidez: vinte Reais. Por acaso, olhei também o preço do Ensaio sobre a cegueira: vinte e cinco Reais. E maior lição que tirei de Saramago até hoje é que a cegueira é mais cara do que a lucidez. :-)
A propósito, levei a lucidez para casa. Ainda não tinha lido, já comecei a ler. Peguei uma antipatia pelo cara depois que um certo amigo me falou uma certa coisa que ouviu certa vez da boca do distinto senhor, mas a lucidez me atraiu. O que me incomodou (MUITO) -de cara- no livro, no entanto, foi estético e funcional: os imensos blocos de texto maciço incomodam meu astigmatismo. Me chame de fútil, eu me chamo de cega. Tenho que fechar os olhos umas duas vezes por página.
Talvez isso me impeça de ir até o final do livro com a mesma rapidez com que costumo ler e talvez por isso mesmo me irrite lá pela metade o triplo do que me irrita agora. Sou fã de espaços. Espaços são mais importantes do que letras grandes, para mim. Sem eles, tudo se embaralha horrivelmente, mesmo com óculos. Cansa a vista da velhinha aqui. Saramago, do alto de seus 84 anos, deve enxergar melhor do que eu. Deveria ter optado pelo Ensaio sobre a cegueira. Faria mais sentido.
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Os blocos maciços de texto
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Não preciso de muita coisa para ser feliz, na verdade preciso de muito pouco. Ultimamente a vida tem estado tão boa, tão cheia de surpresas agradáveis que só o que posso fazer é agradecer a Deus por cada um desses dias. Estou super entusiasmada, torcendo para que junho venha logo com os desafios pelos quais tenho ansiado incessantemente nos últimos dias.
De resto, a vida nunca é fácil. Pode até ser boa e tranquila, mas achar que algum dia deixaremos de ter problemas é ilusão. Mesmo porque uma vida totalmente desprovida de problemas, pense bem, seria um tédio. No entanto, o negócio é sempre saber que tudo passa e, por isso mesmo, nenhum problema pode ser maior do que nós mesmos.
É ainda meio esquisito saber que tem gente que vem aqui todos os dias em busca de uma má notícia, torcendo para que aconteça alguma desgraça bem grande (ou pequenininha) para que possa se deliciar. Eu realmente não entendo como alguém pode desejar o mal de uma pessoa e ainda julgar-se correta. Eu já disse, quanto aos meus inimigos e pessoas que não gostam de mim em geral, quero que sejam muito felizes, bem longe de mim, porque assim terão alguma vida para viver e me deixarão em paz. Quero que tenham um encontro com Deus e aprendam, de uma vez por todas, como Ele age.
Felizmente tem muito mais gente legal que vem aqui em busca de uma boa notícia do que o inverso. E é para essas pessoas que eu faço questão de garantir que está tudo bem aqui deste lado. Melhorando a cada dia. Espero que no final do mês que vem eu tenha várias novidades que, por menores que sejam para quem olha de fora, são imensamente ansiadas por mim.
Sim, reciclei duzentos textos da Josephine, trazendo os pobres abandonados para cá. Sim, sei que ninguém vai ler, muito menos comentar, muito provavelmente ninguém vai gostar, mas eu sou tão fã da Josephine quanto a esquizofrenia dessa afirmação me permite. Isso quer dizer que muito provavelmente eu traga outros textos dela para cá, para me sentir menos carente de persona. Então, se não leu lá, provavelmente vai ler aqui e se já leu lá, decida se vale a pena ler de novo.
O que acontece é que ando meio ansiosa e- portanto - parcialmente incapaz de produzir alguma coisa realmente decente antes do bendito mês de junho. Espero - sinceramente - poder produzir alguma coisa realmente decente NO bendito mês de junho, ou então toda minha espera pelo bendito mês de junho terá sido em vão.
A propósito, visitamos hoje uma loja de livros usados no centro da cidade (me recuso a chamá-las de "sebo") e passei os olhos por dois volumes de José Saramago, Ensaio sobre a lucidez e Ensaio sobre a cegueira. Os dois livros têm a mesma espessura (acho que a Lucidez tem umas dez folhas a mais do que a Cegueira) , capa bastante parecida e estavam no mesmo (bom) estado de conservação. Olhei o preço do Ensaio sobre a lucidez: vinte Reais. Por acaso, olhei também o preço do Ensaio sobre a cegueira: vinte e cinco Reais. E maior lição que tirei de Saramago até hoje é que a cegueira é mais cara do que a lucidez. :-)
A propósito, levei a lucidez para casa. Ainda não tinha lido, já comecei a ler. Peguei uma antipatia pelo cara depois que um certo amigo me falou uma certa coisa que ouviu certa vez da boca do distinto senhor, mas a lucidez me atraiu. O que me incomodou (MUITO) -de cara- no livro, no entanto, foi estético e funcional: os imensos blocos de texto maciço incomodam meu astigmatismo. Me chame de fútil, eu me chamo de cega. Tenho que fechar os olhos umas duas vezes por página.
Talvez isso me impeça de ir até o final do livro com a mesma rapidez com que costumo ler e talvez por isso mesmo me irrite lá pela metade o triplo do que me irrita agora. Sou fã de espaços. Espaços são mais importantes do que letras grandes, para mim. Sem eles, tudo se embaralha horrivelmente, mesmo com óculos. Cansa a vista da velhinha aqui. Saramago, do alto de seus 84 anos, deve enxergar melhor do que eu. Deveria ter optado pelo Ensaio sobre a cegueira. Faria mais sentido.
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Os blocos maciços de texto
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