Saturday, April 30, 2005

Raíssa



Hoje é o aniversário de uma bonequinha que surgiu em minha vida há quatro anos e apesar de agora morar tão longe de mim está sempre por perto, aqui, em minhas lembranças. Ela ainda não sabe ler, ou se sabe, não acessa a internet, mas eu preciso dizer da saudade que sinto e da vontade profunda de encontrá-la, brincar, conversar, contar histórias e fazer bagunça.

Ela já tem quatro anos. Já fala tudo certinho, não me chama mais de tia Danêta, mas continua sendo a menina alegre, carinhosa, inteligente e atenta que sempre foi. Não tem quem não se encante ao conhecê-la, e eu me espanto ao saber que foi há quatro anos que tudo começou.

A Claudia me acordou, pela manhã. Olhei para a porta, pude ver sua silhueta contra a luz forte do sol, que vinha da varanda. O vestido com estampa de oncinha era - por mais incrível que possa parecer- discreto e ela era a grávida mais bonita que eu já vi. Alta, a barriga grande e arredondada, o vestido solto, tecido fininho, mangas curtas, descia até o joelho. Os cabelos escuros e com cachos muito bem definidos na altura dos ombros estavam soltos, a sandália nos pés, ela ia sair.

- Aonde você vai? - Perguntei, ainda meio dormindo.
- Vou para a maternidade. - Ela disse, tranquila- o nenê vai nascer.

Como assim? Pulei da cama. Ela estava aparentemente calma, o sorriso ligeiramente ansioso nos lábios, como se estivesse para ganhar um grande presente certo. Me arrumei rapidamente, não perderia aquele momento por nada. Ela e o marido estavam morando em nossa casa e o bebê era praticamente comunitário, todo mundo estava esperando aquele dia, mas achávamos que ainda demoraria algum tempo. Fomos correndo para o hospital, ansiosos. Eu, minha mãe, meu cunhado e minha irmã, com sua barriga.

Esperamos algum tempo. A Claudia estava tossindo e a dor era intensa, mas nada de dilatação, eu já estava ficando angustiada. Ela também, certamente. Então ela entrou na sala de cirurgia, para uma cesariana. Aguardamos, ansiosos, na sala de espera, eu e o Adalcir, meu cunhado.

Pouco tempo depois ouvimos um choro muito forte, bravo. Imaginei que fosse alguma criança de uns cinco, seis anos, com a perna quebrada, entrando no hospital para fazer alguma cirurgia ou coisa parecida. Era um hospital pequeno, não exclusivamente maternidade, e não havia mais nenhuma parturiente, nenhum recém-nascido. Logo depois o médico abriu a porta, com um embrulhinho no colo.

- Aqui está a moça.

Não acreditei. Tinha sido muito rápido. Então o choro forte que eu tinha ouvido era realmente daquela coisinha? Nos levantamos para ver o embrulhinho. O rostinho inchado e ainda sujo do parto, um olhinho aberto e outro fechado, o cabelinho molhado, grudadinho na cabeça, muito cabelo, liso e bem preto. A boquinha bem desenhadinha, sobrancelhas marcadas, olhos puxados...praticamente uma xerox da minha irmã.

- Não se preocupe - o médico consolou meu cunhado - o próximo vai sair parecido com você, porque essa aqui é a cara da mãe.

Nos primeiros dias ela teve icterícia por incompatibilidade ABO, teve que tirar sangue e a enfermeira pela primeira vez viu uma recém-nascida de três dias golpeá-la tão fortemente com os pés a ponto de impedir que ela lhe espetasse a pele.

Muito forte, bravinha e com uma coordenação motora muito desenvolvida para a sua idade, a Raíssa foi um bebê que nos surpreendia diariamente. Aos quatro meses já se sentava sozinha, os dentes demoraram a nascer, aparecendo apenas depois do primeiro ano, mas muito antes disso ela comia de tudo, mastigava com as gengivas mesmo e não estava nem aí.

Quando meu pai morreu, às vésperas de ela completar um ano, foi sua alegria que manteve a casa, um furacãozinho que não nos deixou desabar. Os cabelos lisos e pretos deram lugar a cachinhos acobreados e até pouco tempo ela ainda tinha jeitinho de bebê. Mas largou a chupeta, tirou as fraldas, aprendeu a falar certo e, para minha surpresa, dia desses recebi fotos recentes dela (uma delas abre este post. As outras fotos do post são mais antigas). Eu a vi há não muito tempo, em Fevereiro, mas ela já mudou bastante. Está parecendo uma criança, não é mais um bebê.

O que acontecer de agora para diante formará lembranças ainda mais nítidas em sua mente do que o que aconteceu antes (eu, por exemplo, fiz uma cirurgia cardíaca aos quatro anos e me lembro perfeitamente até hoje). Embora eu tenha certeza de que ela jamais se esquecerá do priminho, Juninho (que agora está mais perto, em Maringá), dos tios, da avó que ela tanto ama, das nossas brincadeiras e do gatinho Nermal, que a adorava.

E ela vai ser sempre a minha bonequinha, mesmo depois, quando estiver maior do que eu, mesmo depois que meus filhos nascerem, não importa quantas outras bonequinhas eu venha a ter no decorrer da minha existência, ela vai sempre ter o lugarzinho mais do que reservado no meu coração e em minha vida, quero sempre ter aquele abraço apertado que só eu sei o quanto me faz falta.

E a Claudia estava certa, naquela manhã de trinta de Abril de 2001 ganhamos o maior presente que alguém poderia esperar. E tenho certeza de que esse presentinho ambulante ainda nos trará muita felicidade, sendo feliz, alegre e cheia de saúde e energia, cada dia mais. É isso o que eu desejo, bonequinha, e quero que saiba que a titia pensa em você todos os dias, com o carinho e a saudade que tempo nenhum poderá apagar. Você está crescendo. Eu também.






Eu e minha bonequinha, em 2001:





Minha menina linda, que saudade de você...

Friday, April 29, 2005

Como Fazer Inimigos e Encolerizar Pessoas



Não é difícil. Não é necessário prática nem tampouco habilidade. Aliás, quanto menos habilidade você tiver, melhor. Se você tiver um nome enorme que comece com Vanessa e termine com Lampert, não se preocupe com esforço, fazer inimigos e encolerizar pessoas será um dom natural. Inclusive -e principalmente- quando você não tiver a menor intenção de que isso ocorra.

Comentários em blogs de desconhecidos serão sempre bem-vindos, assim como tiradas irônicas e sinceridade extrema, além de uma boa dose de impulsividade, é claro. Na maioria das vezes suas palavras serão distorcidas, mal compreendidas ou, simplesmente, ignoradas. As pessoas sentirão uma vontade irresistível de te detestar para todo o sempre e todas as suas tentativas de consertar a coisa farão com que o problema se torne ainda maior. Depois de vinte e cinco anos convivendo com isso, o melhor que tem a fazer é se acostumar com o fato.

Eu sou DDD, já disse. Desastrada, distraída e desligada. E não, distraída e desligada não são sinônimos, acredite. E isso vale para tudo, desde tropeçar na rua, quebrar copos em restaurante, esbarrar em garrafas de vinho em supermercados e derrubar uma pilha de latas de massa de tomate entre as gôndolas de um hipermercado famoso até causar confusões que envolvam terceiros, quartos e quintos sem ter a mínima intenção de sequer me envolver nelas.

Fiz três posts para compensar a ausência prolongada: um sobre uma menina desconhecida que teve um comportamento que eu julguei mal educado, outro para o Dave, comemorando dez meses de casamento e outro dando um apanhado geral das novidades e falando de quando nós maximizamos nossos problemas. Mas às vezes os problemas simplesmente surgem e nos perseguem e isso é chato.

Depois de um tempo longe da net, acabei escrevendo comentários em blogs que não costumo frequentar (em um deles nunca tinha ido e em outro costumo ir, sei lá, uma vez por mês) e fui mal interpretada em todos eles. Dia desses alguém me alertou de que eu escrevo de forma muito agressiva e acabo magoando as pessoas.

Não concordo e, além de não concordar, discordo veementemente. :) Me acho tão simpática! Acabo pagando o preço por ser completamente sincera, às vezes impulsiva e- o pior de todos os crimes - assinar meu nome, colocar meu endereço correto, dar a cara a tapa e não me esconder atrás de pseudônimos ou posts anônimos. Só isso já deveria me dar uma certa credibilidade diante de desconhecidos, mas por incrível que pareça, o fato de eu não me esconder e assim demonstrar algum caráter é solenemente ignorado por pessoas que não olham além de seus próprios umbigos. Paciência.

Acontece que hoje estou brava. Não com você ou com essas pessoas, mas comigo. Acho que o mais correto é ficar em torno do que é realmente seguro, sem arriscar meu nariz por aí, comentando em blogs de pessoas que não conheço e que muito provavelmente não têm absolutamente nada a ver comigo. Melhor que quem se identifique venha até mim naturalmente e estou plenamente satisfeita com os leitores que tenho.

De vez em quando aparecem pessoas dizendo "melhora que vai ser melhor"...risos...e não é difícil lidar com elas. O problema é que as pessoas estão tão centradas em seus próprios umbigos que levam tudo para o lado pessoal. Arrogante, antipática, exibida e - agora- agressiva. Essa Vanessa deveria desaparecer da face da blogosfera. Não, eu também não acho que sou o centro do universo. Ninguém está realmente preocupado com minha existência ou a falta dela neste lugar. Quem não gosta, simplesmente não volta, ou volta só para se torturar e isso deve fazer bem a essas pessoas.

Acho que cada um tem sua própria opinião e o que eu detesto você pode gostar e eu tenho que respeitar isso se quiser conviver decentemente contigo, como pessoas civilizadas fazem, mas a impressão que tenho é que só eu cresço, o resto da humanidade permanece em estado infantilizado constante. Às vezes espero uma atitude lúcida do meu interlocutor (eu costumo esperar essas coisas desde que voltei a acreditar na humanidade) e me decepciono profundamente. Já deveria ter me acostumado a essas decepções, mas cada vez que elas acontecem eu me sinto mais e mais idiota e fico muito, mas muito brava comigo.

Na adolescência havia uma lenda que dizia que eu era encrenqueira. Gostava de me meter em discussões enormes e tinha argumento para tudo, a ponto de vencer meu interlocutor pelo cansaço e não admitia não ter a palavra final. Depois aprendi que existiam discussões produtivas e discussões improdutivas e que tempo era algo valioso que não podia ser desperdiçado. Logo passei a evitar discussões improdutivas e aprendi que mais legal do que ver um idiota tentando defender sua tese equivocada é vê-lo esperneando, querendo uma discussão, enquanto você o ignora. E parei de caçar encrenca.

Mas a encrenca me caça, não é possível! Ela me persegue e eu sou a pessoa mais incompreendida desta blogosfera (e a mais dramática também. E exagerada). Um simples comentário (ou dois, no caso) conseguem encrencar não apenas a mim, mas a terceiros, quartos, quintos...prometo que a partir de hoje comentarei apenas nos blogs de vocês, conhecidos e de eventuais desconhecidos que se tornem conhecidos conforme forem comentando neste blog. Isso se eu não ficar irreversivelmente traumatizada e parar de comentar em qualquer lugar que seja.
Eu sou a autora involuntária de um best-seller nunca lançado: "Como fazer inimigos e encolerizar pessoas". Sem esforço, juro, sem esforço algum. Ser mal interpretada é praticamente um dom natural.

Fico entre a vontade de rir e a de chorar, lembrando de todas as vezes em que prometi que jamais dirigiria a palavra a uma pessoa que não tivesse absolutamente nada a ver comigo aqui na internet, a menos que ela dirigisse a palavra a mim primeiro (faz toda a diferença). Mas também isso pode reacender outra antiga lenda a meu respeito, a de que sou intolerante. Eu, particularmente, nunca conheci uma pessoa tão tolerante quanto eu, o que me faz ter de colar uma frase do post anterior e repetí-la a té voltar a acreditar: não existe uma pessoa que seja totalmente compreendida pelas outras, nem alguém que seja tão incompreendido quanto julga ser.

Pois é, o que é que eu faço? Agora entendo alguns amigos, ótimos escritores e blogueiros há séculos, que praticamente desistiram dos blogs, escrevendo algumas linhas uma, duas vezes por mês e retiraram os comentários. Outros, simplesmente, deletaram tudo e sumiram do mapa. Eu só não faço isso porque: 1- sou muito teimosa, 2- se todos os bons blogueiros sumirem do mapa, o que será dos bons leitores?

Aqui eu tenho que abrir um parêntese para responder àqueles que me acham arrogante e que porventura possam perguntar se eu me acho boa blogueira. Olha, eu gosto daqui, gosto do que escrevo. Se eu não gostar, quem vai gostar? Tenho ainda um monte de ressalvas em relação aos meus textos, mas felizmente também encontro quem goste. Como disse, é questão de opinião. Mas se todos os bons blogueiros desaparecerem, com certeza, seus bons leitores se contentarão com o que encontram aqui, ué. Lutarei até o último homem! (Tudo bem que eu só tenho um, que é o único e o último...mas pelo menos tenho um, se não tivesse nenhum, não poderia lutar até o último :))

Me lembro da minha ignorância, na época do Vansblog, achando que todo leitor novo que aparecia na verdade era alguém conhecido com outro nome e acusando meu stalker (é, eu tinha dois leitores, um deles era stalker...risos...) de ter cadastrado meu blog no google, após tê-lo encontrado ao fazer uma pesquisa....ele, com razão, me chamou de ignorante, explicando que o mecanismo de busca do google não necessita de cadastro. Dart. E descobri também que Blanda não era um pseudônimo dele, ou de outro cara que também achei que me perseguia, mas uma menina de verdade, que não me conhecia e que passou a ser minha leitora. Incrível! Início de blog é assim mesmo. Blogueiro com mania de perseguição, se achando o centro do universo. Depois passa.


PS: Me desculpem, eu não sou política, não consigo ser. Não vou atacar ninguém de graça, nem pagando. Se você se sentir atacado, pode estar certo de que não foi minha intenção. Sou a única pessoa do mundo que consegue ser chamada de agressiva sem dizer nenhuma ofensa, nenhum palavrão. Ou as pessoas são muito sensíveis ou eu sou muito insensível ou essa língua portuguesa é mesmo muito delicada. Eu sou uma das pessoas mais sensíveis que eu conheço, portanto só restam duas alternativas. E eu, que ia escrever pouco, acabei fazendo um post-monstro. Para variar.
Comentários sobre a Ricotinha:

"Parabéns pela iniciativa do "Autor Desconhecido", Van!

Muito lindinha sua nenê. Se meu siamesinho não fosse castrado, pedia a mão dela em casamento para ele. :o)

[]'s"
Andrea
Hehehe...Andrea, obrigada :) E a Ricota também agradece...e diz que, como também vai ser castrada, entende a situação do seu siamesinho...risos... Beijos!

"Nossa, ela é muito parecida com a minha Emmy!
Sabe uma coisa que é excelente para filhotes nessa idade? Leite Nan No. 1. Dei para os filhotes que resgatei
da PUC, por orientação do veterinário. Eles tinham entre dois e três meses.

Beijos!"
Claudio Tellez
Claudio, tentei, ela odiou. A criaturinha é chatinha para comida, assim como a mãe...risos...coisas que ela adora: azeitona, friskies em lata sabor peixe e carne in natura (que começamos a dar por orientação da veterinária e paramos de dar por orientação de amigos criadores da gatos).

No entanto, ainda quer mamar. Tenta mamar nas roupas, em meu cabelo, no meu braço e no meu nariz. Deveria existir uma mamadeira ou chupeta para gatinhos minúsculos. Tadinha. A propósito, nunca vi fotos da sua gatinha. Tire fotos do pessoal felino e mande para mim, estou curiosa. Beijos!!

"oi!
vim agradecer sua visita, e conhecer seu blog.
que gracinha a gatinha!!!"
Bia Badaud
Ei, Bia, obrigada :) Seja bem-vinda e volte sempre!

"Van, assim você vai me convencer em um dia, muito distante, ter um gato. Afinal, vou precisar de muito papo com as auaus daqui de casa para trazer um miau. Parabéns pelo presente e espero que a mocinha, ou melhor, a Ricotinha seja uma grande companheira, enquanto o Dave está fora. Eu gostei do nome!
Ah! Coloquei um link para o Autor Desconhecido no Blog de hoje e claro na lista dos preferidos.
Se cuida!
Bjinhos."
Tammy
Tammy, minha idéia é fazer uma lavagem cerebral em toda a humanidade para que o mundo adote gatinhos em série...risos... Mas é sério, um dia você vai ter um gatinho e tanto você quanto as suas cachorras descobrirão o quanto é legal conviver com um felino. Tive quatro pastores alemães em casa certa vez, dois deles criamos desde filhotes e dois já chegaram em casa adultos.

Com tempo e paciência, apresentações graduais e muito carinho, eles acabaram se acostumando com nossos gatos a tal ponto que o gato dormia em cima da barriga do cachorro e tinha guarda-costas sempre que chegava em casa com um gato de rua em seu encalço. Claro que o cachorro não atacava, mas latia e corria atrás do outro gato para defender o amigo. E que bom que você gostou do nome. É bom saber que não estou sozinha no universo...risos.... Beijos!!

"Ah, gostei de Ricota também! Dona Ricotinha é uma gata de sorte! Ai, que saudades da minha Capitu..."
Bia
Bia, eu ouvi aqui no Rio (nunca tinha ouvido isso antes) que os gatos não atendem pelo nome...alguém tinha que ter avisado isso para todos os gatos que tive na vida, inclusive esses dois aqui. Não só reconhecem o próprio nome, não importando o tom em que tenha sido dito, como também sabem o nome dos outros. É só perguntar para o Tigre: "Cadê a Ricota?" Que ele já olha na direção dela ou começa a procurar.

O mesmo acontecia com o Nermal, quando minha mãe perguntava da gente. "Cadê a Vanessa?" e ele olhava para mim "Cadê a Lady?" e ele olhava para a gata, "Nermal, cadê a mamãe?" eu perguntava, e ele olhava para ela ou para onde ela estava. E ao ouvir seu nome em uma conversa qualquer, olhava, curioso. Além disso, estava claro que ele entendia o que a gente dizia, quando minha mãe falava: "Nermal, vai dar uma volta lá fora" ele olhava para a janela e às vezes obedecia :) Ele sabia onde era "lá fora".

Chuva, bicho, ração, entra, sai, sobe, desce, vem cá, acabou e uma infinidade de palavras-chave, além de, é claro, eu estar perfeitamente convicta de que ele entendia cada palavra que eu dissesse. Quatorze anos ouvindo a mesma língua todos os dias é mais do que o suficiente para aprender a entender, não acha? Enfim...quando as crianças crescerem mais um pouco você pode arranjar um gatinho... me conta da Capitu, não sei a história dela.

"Van, adorei sua iniciativa do novo blog "autor desconhecido" demais!

A gatinha também é muito fofa
bjks"
Suely
Obrigada, Suely. Estou tentando organizar o material para o autor desconhecido, mas está complicado. Eu já sabia que seria complicado quando decidi fazer, então não tenho do que reclamar...risos... Beijos!

"Olha...tive uma gatinha linda e perfumada muito parecida com essa. ela se chamava Miucha. Fica a sugestão. É bom vir aqui de vez em quando.
bj"
Jesse Lujack
Jesse, eu amei o nome, mas a Dona Ricotinha se acostumou com o nome provisório antes mesmo que eu pudesse trocar. O Tigre também aprendeu que ela é a Ricota. Então acabou ficando Ricota mesmo.E pôxa vida, eu me sinto desprezada. Você sumiu!! Mas enfim, sinta-se à vontade para voltar quando quiser. É bom vê-lo por aqui. Beijos!

"Que fotos lindas, Van!

Ora, chame-a de Josephine. O que tem?

Aliás, vou avisando: já que você não está a fim de colaborar com o nosso encontro, eventualmente vou surgir aí e te seqüestrar à força. Prepare-se.

Beijos!"
Laly
Laly, não estou muito certa, mas acho que todo sequestro é à força, não?...risos... e..bem, temo que toda essa enrolação possa ser interpretada como má vontade. Acredite em mim, não é. Quanto ao nome...bem, Josephine ficou fora de cogitação porque eu teria que chamar o gato de Napoleão. Agora, porém, aconteceu o inevitável: já estou chamando a pobre felina de "Cotinha"...para quem achava que nao poderia ficar pior...
Beijos!

"Van
Lembra de mim? fui eu que te mandei um recado pela Cora sobre o texto atribuido ao Veríssimo.Na crônica de hoje ele dá o nome da autora,uma menina de 21 anos estudante de medicina,que parece promete.
Veja se consegue esse texto pois estou curiosa p/ler e adorei sua iniciativa de promover os autores desconhecidos.
Quanto à Ricota ela é tão bonita qto à dona.
Desejo-lhe muitos anos de casamento (eu já tenho 34 e não me arrependo).
Um abraço"
Ana Clara
Ana, obrigada :) E como você já sabe, o texto está no Autor Desconhecido. Quanto ao casamento...eu fico muito feliz ao ver depoimentos de pessoas que estão casadas e felizes há mais tempo do que os céticos me dão para perder o entusiasmo. Estou absolutamente convicta de que não importa se passarem dez, vinte, trinta, quarenta, cinquenta ou sessenta anos, continuarei achando que casar foi a melhor coisa que eu fiz na vida. Obrigada pelo incentivo :) Beijos!

"Ela tem o olho puxadinho igual ao seu, reparou? Risos. Olha a primeira foto que vc postou que dá para ver certinho, ehehehee. Aliás, essa foto ficou muito legal, Vanessa.

Bom, eu não tenho sugestão para nome, mas tenho que admitir que não gostei de Ricota. Mas quem sou eu para falar, né?! Afinal, eu tenho uma cachorra que se chama Ianka (sim, com K pq a besta do veterinário escreveu no cartãozinho dela de vacinação assim - na realidade, ele escreveu Yanka, mas isso já é demais para mim.
Então, só queria te desejar uma boa sorte com seu novo BBB e que ele seja tão feliz quanto seus outros gatinhos. E, definitivamente, eu gosto de gatos, risos.
Beijos!"
Túlio
Hahahaha.....Túlio, eu já disse, qualquer dia você vai ter um gatinho e vai se apaixonar por ele :) Bem, a Claudia disse que achou ela parecida comigo, por isso a escolheu...risos....comentou justamente os olhos delineados, que na Ricota são naturais e em mim recebem a ajuda de um lápis...risos...mas quanto ao formato, enorme e puxadinho, bem, o lápis não tem culpa, eu nasci assim. :)

E eu gostei de ter sido comparada com ela, porque ela é linda e tem dois olhões arregalados perfeitos...risos...e puxadinhos iguais ao da mãe :) E eu gostei de Ianka...é um nome bem elegante :) Tudo bem Ricota não é lá muito elegante, mas a sonoridade combina com a personalidade espevitada e invocadinha da gatinha :) E, acredite, agora ela já gostou...risos... Beijos!

"Ela é a coisa mais linda! Aproveite bem essa fase bebê dela: sinto tanta saudade do tempo de pirralhice da Família Gato que volta e meia penso em trazer um filhotinho pra casa. Antes que eu faça isso, felizmente, prevalece o bom-senso -- sete gatos tá pra lá de bom, né?

Agora que vi as fotos liguei totalmente o nome à pessoa, mas continuo chateada de não ter sabido que você era você. Vamos remediar isso logo, please!

Muitos beijos!"
Cora
Cora, liga não, a gente conserta isso sem problemas :) De resto, puxa vida, eu nem me lembrava de como era ter um filhote em casa. Eles têm energia de sobra! E eu me sinto uma velhinha...risos...tudo é binquedo e eu tenho que salvá-los deles mesmos o tempo todo. Tentam roer fios elétricos, ameaçam pular em cima do fogão e correr porta afora toda vez que alguém entra em casa... estou torcendo para que eles cresçam logo e fiquem velhinhos porque com gato velhinho eu já estou mais acostumada...risos...

E eu acho que seus gatos, ainda que você se deixasse levar pelo desejo gateiro irrefreável, não iriam aprovar a chegada de um pirralhinho invadindo o território da Família Gato, não é verdade? Então, o que você acha que é o bom senso talvez sejam eles, bem baixinho, sussurrando em seu ouvido: "O que é isso? Você já tem sete gatos, já é bom demais, é o suficiente." ...risos...advogando em causa própria, que eles são espertos.
Beijão!

Tuesday, April 26, 2005

O Regresso

Ok, eu sumi. Nem o tradicional post de aniversário de casamento consegui publicar. Minha mãe passou uns dias conosco, junto com um amigo, Félix. É só amigo mesmo, continuo com a campanha "quero um namorado para a minha mãe" e, sendo assim, se você tem um tio, um amigo, um pai, um avô (sei lá quantos anos você tem, né?) legal, inteligente, confiável, viúvo ou divorciado, que queira se casar novamente, me comunique. :)

Mamãe sofreu um pequeno acidente em Campo Grande e machucou o joelho. Estava melhor, mas não pôde aproveitar tão bem o passeio porque uma dorzinha chata a acompanhou por todos esses dias. Encontramos meu irmão e família. Meu sobrinho está enorme e tagarela.

Tentamos ir ao Catete, mas o museu estava em greve... (sim, isso é tão absurdo quanto risível). No Forte de Copacabana, o Museu do Exército estava fechado por problemas elétricos. E também choveu um pouco. Marcamos nova visita. Pouca coisa colaborou desta vez...risos...mas fiquei feliz em revê-la, estava com saudade.

Agora me sinto recém-atropelada por um caminhão, tendo centenas de coisas a fazer, mas sem conseguir sequer pensar em todas elas. Aos poucos vou voltando ao normal. Desmarquei compromissos, deixei de encontrar pessoas, não liguei para ninguém.... está nublado lá fora, parece que vai chover.

Estou com sessenta quilos. Estava calculando uns sessenta e três, minha balança interior anda desregulada. Em Porto Alegre, ano passado, cheguei a pesar cinquenta e três quilos. Agora eu vejo o quanto estava um palito. Para quem passou a vida inteira lutando para engordar, atingi minha meta sem grandes dificuldades, já que passo o dia comendo (bobagem).

Quando eu quero dormir mais um pouquinho pela manhã os gatos acham milhares de brincadeiras para fazer, passam correndo por cima de mim, brincam com meus pés, puxam meu cabelo, tudo para me acordar. Depois que acordo, quando estou para levantar, eles se aninham junto de mim para tirar um cochilo.

Pensando bem, eu também sou meio assim. Me convenço das coisas quando elas não fazem mais o menor sentido e deixo para concordar quando já é tarde demais. Desisto do que já insisti muito e acaba parecendo que fiz tudo de propósito.

Acho que não existe uma pessoa que seja totalmente compreendida pelas outras, nem alguém que seja tão incompreendido quanto julga ser. E ter a noção exata do quanto meus problemas são ridículos me dá uma sensação de frustração enorme.

Porque você há de convir que enquanto a gente ainda acha que tem o maior dos problemas, que está afundado em desgraça, que ninguém mais compreende a dificuldade que é tentar sair do abismo e não conseguir porque só você sabe o quão profundo é esse abismo, dá uma sensação de se estar participando de algo grande e glorioso, mesmo que seja uma desgraça.

Porque não é uma desgraça qualquer. É uma desgraça imensa, profunda, dramática, absurda, incomparável, como se você estivesse mergulhado até o pescoço em areia movediça. Realmente, um grande ato.

Mas quando você se dá conta de que não existe essa dimensão toda, que a gente maximiza todos os problemas, que na verdade não sofremos mais do que ninguém e existem milhares de indivíduos sentindo a mesma coisa do que você agora, o holofote some. Pois é. O mundo já não gira em torno do seu umbigo e qualquer tentativa de dramatização parece ridícula - e é.

Não me sinto mais à vontade para ficar curtindo sofrimento ou alimentando sentimentos ruins. Quando você se acostuma é quase um vício, alimentar depressão traz um certo prazer sim, que ninguém assume. Mas sinto informar, é ridículo.

Ontem comecei a escrever um texto falando de perdas e revivendo o passado. Não terminei, nem cheguei à metade. Remoer aquilo tudo não me traria nada, qual era o sentido? Desisti do texto.

A gente só vive olhando para o passado, para o futuro distante ou - pior - para o futuro do pretérito quando quer fugir do presente. O hoje é tudo o que nós temos e já é o suficiente. O maior desafio é aprender a trabalhar com o que temos sem ficar desviando o foco a toda hora.

Tudo é difícil nesta vida, tudo é conseguido na base do esforço, da luta. Dentro da gente e fora também. Nada vai cair do céu, quanto mais a gente tenta fugir dos problemas, maiores e mais fortes eles ficam. O jeito é encarar, enfrentar. Fugir, se esconder, desviar, se lamentar não resolve, é burrice. Se a gente pode ter uma vida legal, feliz e tranquila se encarar de frente, não faz o menor sentido se desviar disso e se conformar com uma vida de angústia e infelicidade, achando que não dá para ser de outro jeito.

Bem, infelizmente a gente não pode enfiar as coisas na cabeça dos outros, como gostaria.

Mudando de assunto...

Algumas fotos do fim de semana:

Percebi que não tinha tirado uma foto sozinha com a minha mãe (com a máquina dela acho que sim, mas não tenho as fotos aqui), então fiz uma montagenzinha tosca. Nós, no jardim do Catete:


Eu e o Davison, no Piraquê (clube naval):





Eu, com o Corcovado ao fundo :)



Mamãe, Félix e Dave, no terraço do Shopping Botafogo:



Ps: Oi. Eu não tenho nada para falar no PS de hoje. Talvez até tenha, mas não me recordo no momento. Porém, ele não poderia deixar de existir :)

Ps2: Ah, sim, eu tenho muuuitos comentários acumulados, mas vocês sabem como sou, estou respondendo lentamente e, quando você menos esperar, eu publico :)

Ps3: Para compensar minha ausência prolongada (ok, ninguém sentiu minha falta, eu sei), hoje tem três posts!!! :) (oooh, graande coisa)


Seus olhos *

Foto: Vanessa Lampert

Poderia mergulhar em seus olhos, sabia? Hoje mergulhei neles enquanto você cantava. Queria saber descrever, mas simplesmente não consigo. Mergulhei e tudo em mim se iluminou, cada segredo mais escondido, cada canto mais obscuro. Eles estavam em um tom verde cristalino.

Seus olhos mudam de cor, você sabe, e o verde que eu vi enquanto você cantava me convidava a mergulhar ainda mais fundo em você, em nós dois. A ansiedade, a tristeza, o medo, a apreensão, a realidade...tudo se dissipou enquanto eu mergulhava. De repente era só eu e você, nada mais importava, nada mais. E eu vi a necessidade de ter aqueles olhos para me acalmar, me colocar no eixo, me tirar do sério, me afogar, me reviver.

Cante para mim, com sua voz suave, que me invade, me arrebata, me desmonta, me derrete. E olhe, bem no fundo dos meus olhos, me prendendo neste amor que me liberta e me renova, me transforma, me descobre.

Me leve sempre contigo, sempre em seus olhos, em sua voz, em seu sorriso, em suas mãos, em seus sonhos, sempre perto. E me olhe como se eu fosse a única pessoa no mundo, como se além de mim pouco mais importasse, como se seus olhos sempre tivessem buscado os meus, antes mesmo de saber, de conhecer, de entender. E me espere, sempre, porque ainda que eu esteja longe, triste e vaga, sua voz e seu olhar farão com que eu volte para você.

E se um dia você achar que eu me esqueci, que me afastei, que ando agitada, longe, saiba que um simples olhar desse verde cristalino e brilhante que me acalma é capaz de me fazer voltar os olhos para você e mergulhar, tranquila e serena, ao som daquela música, ou daquela outra, que você canta tão bem e que me faz sentir que foi feita para mim. Eu fui feita para você.

Queria poder fotografar esse momento. Seus olhos assim, tão perto, tão claros, sinceros. Não quero saber de regras, nem de estatísticas ou de tempo. O tempo não existe.

Vi seus olhos em um sonho, certa vez. Acordei sabendo que seriam meus.


* Em homenagem ao já tão distante dia 21 de Abril, comemorando dez meses de casamento :)

O Acaso não sabe de nada

Alguém me chame de antipática, mas em alguns momentos dá uma vontade quase incontrolável de responder: "Obrigada por não ter lido absolutamente nada do que escrevi antes de postar seu comentário". É por essas e outras que eu acabo arranjando bem mais encrenca do que deveria.

A pessoa foi simpática, respondeu meu comentário... em minha caixa de comentários!! Ainda existe a netiqueta? Não custa nada colar um trecho de um texto antiiigo que publiquei no Blogólatras Anônimos e está arquivado no Sobre Blogs Sobre Blogs, sobre etiqueta blogueira:

"Ah, claro e nunca, jamais responda a um comentário que foi deixado em seu blog no blog de quem comentou... não existe coisa mais desagradável...quer dizer, existe sim, os comportamentos que já citei. Responda em seu próprio blog, se a pessoa quiser, volta lá e lê.

Se você quiser comentar no blog do seu leitor, comente algo referente ao post dele. É uma questão de respeito com os outros leitores da pessoa que comentou em seu blog, afinal de contas, ninguém vai entender nada, é comparável entrar em uma roda e interromper a conversa falando em um dialeto que ninguém domina, exceto seu interlocutor, quando você poderia falar uma linguagem compreensível a todos. Se quiser pode até dizer "respondi seu comentário no meu blog", aí quem quiser vai lá e lê, o comentário e a resposta. "

Ok, eu gostei muito da menina, embora ela não tenha entendido meu comentário. Agora das duas uma: ou ela vai antipatizar comigo para sempre (o que costuma acontecer) ou vai entender que não faço isso por mal, compreender o que estou dizendo e quem sabe até se interesse em me conhecer melhor e fazer uma amizadezinha básica.

Ou então eu contrario minhas próprias regras e comento a resposta lá nos comentários dela. Talvez assim ela ache esquisito e entenda melhor essa minha neurose. :)

A propósito, já que não vou responder ao comentário dela agora, colo um pedaço aqui, que acho de extrema importância ser esclarecido:

"Sobre "ser para sempre", eu não sei, vc não sabe, ninguém sabe! São sempre as nossas expectativas de q tudo corra bem. Mas no fundo é arriscado afirmar q algo é definitivo sob pena de ter um sofrimento ainda maior. Isso sim precisa se ter cuidado! No mais, q venham as grandes paixões, com ou sem açúcar e q "sejam eternas enquanto durem"

Se quiser paixão, tudo bem, é mais cômodo. Eu quero amor. E reafirmo o que sempre digo: relacionamento a gente faz dar certo. Desde a hora da escolha do parceiro até o último segundo de vida, relacionamento amoroso é construção eterna. Por isso eu afirmo que é definitivo sim, para a vida toda e todas aquelas bobagens que a gente aprende que não deve dizer.

E não tem essa de ser expectativa de que tudo corra bem. E aqui eu relembro as palavas da Laly , nos comentários do post de nove meses:

"o amor de vocês é lindo... E não vou dizer que espero que continue assim porque não espero nada, eu SEI que vai continuar assim porque vocês têm a consciência de que a beleza e a leveza de um relacionamento são coisas construídas."

É isso. Achar que tudo é por acaso, que o amor depende do destino para dar ou não certo é tirar a responsabilidade de cima dos nossos ombros e colocá-la sobre um unicórnio. Então, eu sei que é para sempre enquanto quero que seja para sempre e trabalho para isso. Se eu ficar esperando o "para sempre" cair do céu, o relacionamento acaba na primeira curva.

A vida toda é construção, batalha, luta, mudança, desconstrução, reconstrução, aparar arestas. Viver ao sabor do vento, do destino, dos acontecimentos é desperdiçar todas as mínimas chances de ser feliz. É jogar vida pela janela.

Achar que um relacionamento deve durar o tempo que o acaso quiser é jogá-lo pela janela. E não afirmar que é definitivo (quando se luta para isso) por medo de sofrer é garantir um sofrimento ainda mais certo. Aliás, tudo o que se faz ou que se deixa de fazer por medo de sofrer nos garante sofrimento. Isso eu aprendi a duras penas.

Acho que vivi uns oitenta anos nesses vinte e cinco, porque quero aprender rápido para não errar mais. Aprender com os meus erros, com os erros dos outros...

Sei que posso mudar, posso mudar de idéia, posso reconsiderar algumas coisas. Mas coisas que aprendi e confirmei se tornam absolutas simplesmente por provarem sua eficácia. Acredite, se eu dependesse do acaso, jamais conseguiria ter um relacionamento duradouro com alguém, porque sou uma pessoa difícil, de espírito livre, temperamento forte e variações bruscas de humor.

Saber que a solidez do amor, sua longuíssima duração e manutenção de um relacionamento saudável são coisas que se conquista por esforço (dos dois, é claro) é uma das verdades absolutas das quais não abro mão. Porque funciona.

E daqui a setenta anos a gente conversa :)

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Saturday, April 16, 2005

Manhê, eu tô no Rio!!!


Davison Lampert

Não gosto de altura. Não sou das melhores apreciadoras de paisagens (ao contrário do meu digníssimo esposo). Não fui ao corcovado, nem ao Pão de Açúcar (que a partir de agora chamarei de Pão d'assucar, após vê-lo com essa denominação em um mapa pré-histórico do Rio de Janeiro). Conheci alguns museus históricos e mergulhei, encantada, em cada objeto exposto (aprecio melhor registros históricos do que paisagens). Aos poucos aprendi a apreciar as paisagens, desde que eu estivesse bem firme no chão, ao nível do mar. O mar.

Passo horas observando o mar. Não gosto muito dele, nem ele de mim. Tenho para mim que ele não gosta de pessoa nenhuma, apenas as atura e de vez em quando externa sua fúria contra nós. Gosto de olhar os bichinhos minúsculos que vivem sob a areia ou sobre ela. Para mim o microcosmo é muito mais interessante do que o macro.

Eu gosto deste lugar. Apesar da violência que a gente vê nos jornais, da antipatia da moça da loja, da miséria empoleirada nos morros ou espalhada entre casas não acabadas, amontoados de blocos cor de tijolo, tortos, com telhado improvisado e roupas de criança penduradas em varais igualmente improvisados.

Apesar das mulheres mendigando com bebês nos braços que me fazem crer piamente que, crescida aquela criança, elas tratarão de conceber outras, apenas para garantir sua fonte de renda torta e povoar esta cidade de pessoas sem cuidado, sem esperança, sem futuro. A pesar delas e apesar de tantas outras coisas ruins, eu gosto deste lugar.

Porque o que tem de ruim aqui a gente encontra em muitas outras cidades deste país, mas o que tem de bom neste lugar, dificilmente se encontra, reunido, em outra cidade. O povo aberto e simpático (desde que não estejam trabalhando), as belezas naturais, os museus, os amigos, a história, as manifestações culturais, os livros, as livrarias, os escritores, os eventos, as peças, os mistérios... Eu tenho a nítida impressão de que esta cidade é feita para ser escavada. Como se por baixo desta superfície houvesse ainda muito a se descobrir.

Embora São Paulo tenha melhores shoppings e parques, o Rio tem aquele algo mais que a gente nem sabe o que é, mas nos faz fascinados ao primeiro olhar. Porque é lindo, eu sei, mas não só por isso. Embora eu ache, sinceramente, que qualquer lugar tem essa mágica quando a gente se dispõe a olhar e descobrir o que se esconde sob sua máscara. Mas o Rio...eu nem sei dizer, hoje passei por algumas ruas no centro, impregnadas de história, discretamente, sob a fachada da modernidade. Estreitas, me levaram a caminhos trilhados por homens de bengala e bigodes e mulheres de saias longas e cabelos arrumados.

Vi charretes, vi carros à manivela, tudo dentro dos meus olhos. Senti o ar fresco e pude ver a paisagem que os prédios enormes hoje escondem. Sim, o Rio de Janeiro sempre foi lindo. Era mais, mas não deixou de ser. Vi um rapaz de chapéu branco, vi uma moça de sombrinha. Vi uma poça d'água na beira da rua e cavalos trotando perto dela. As paredes estavam impregnadas de história. As ruas, calçadas, sob uma camada grossa de poeira contemporânea, escondem o passado, que sutilmente se mostra a um discreto soprar do vento.

O Rio de Janeiro é um baú escondido no porão de alguém. Eu sou curiosa, do tipo de ama cartas antigas, amareladas, viola a correspondência alheia sem perceber, mergulha em fotos pré-históricas e passa horas imaginando como era a vida daquelas pessoas, se eram felizes ou tristes, só pelo olhar.

O Rio de Janeiro é um baú de fotos antigas, é uma caixa de cartas de muitos séculos, uma série de documentos históricos, anotações da história política e cultural deste país. É um velho baú escondido, coberto por coisas novas, brilhantes e outras que ninguém quer ver. Esquecido, abandonado, largado às traças, para se desfazer lentamente. Mas resiste. Esta cidade é fantástica, que me desculpem as outras.

Não conheço tanta coisa deste país e conheci muitas cidades fantásticas, todas têm uma história. Outras, exclusivamente históricas, infelizmente ainda não conheço. Mas no Rio de Janeiro tudo é muito óbvio, o tempo, a passagem dele, o contraste entre a miséria e a opulência, entre a beleza e a sujeira. Tudo neste lugar faz pensar, faz repensar. Tudo me faz querer saber pelo menos um pouco mais.





PS: Dave quer conhecer o Corcovado e o Pão d'assucar...temo que terei de enfrentar essas terríveis alturas para ver de cima uma paisagem que estou cansada de olhar em fotos, filmes, etc... E aquele bondinho me assusta.

Sombra, água fresca e algumas garrafas da água fresca dos outros espalhadas pelo chão...


Davison Lampert

* Fotos: Davison Lampert

PS2: Para quem ainda não viu, tem crônica nova no Crônica do Dia. Link no post anterior :)

Ps3: As respostas aos comentários do post do aniversário de nove meses de casamento estão logo abaixo do post anterior :)

PS4: Já que a coloquei no título deste post, quero mandar um beijão para a minha mãe, que está dodói, mas que, se tudo der certo, estará comigo aqui na semana que vem :)
Crônica Nova:

Olhei em uma vitrine qualquer, indo para o supermercado, meu reflexo e notei que balançava os braços desordenadamente e exibia uma postura digna de um orangotango. Rapidamente endireitei a coluna e controlei o movimento dos braços. Neste momento tive uma lembrança da infância, de quando comecei a notar que todo mundo balançava os braços ao andar. Daí tirei que princesas, sendo diferentes do resto da humanidade, não deveriam mover os braços enquanto caminhavam. Teci algumas considerações durante as compras, voltei para casa e escrevi a crônica que está publicada hoje no Crônica do Dia: "Contos de Fugas".

Friday, April 15, 2005

Comentários

Nove meses:

"Que post lindo e inspirador!! Inspira a sonhar, e a acreditar na realização dos sonhos... e vivê-los. Enquanto o mundo inteiro pode tentar nos convencer de todo jeito de que nossos sonhos são impossíveis, e tentar jogar vários baldes de água fria, nós podemos simplesmente dizer pra eles "é mesmo? vocês ainda não viram nada." E ser a prova viva de que nada é impossível, nada mesmo.
Mas a porta só abre quando você bate.

Nove meses é quase uma vida. ^^

Fico feliz por vcs!!"
Carol
É isso aí, Carol. E o maior segredo para viver bem é não acreditar em quem diz que o que você espera não existe, nunca vai acontecer ou não é para você. Jamais acredite nessas pessoas e continue seguindo o seu caminho, perseguindo seus sonhos (nossa, que papo de auto-ajuda...risos...mas é verdade) Obrigada :) Beijos!

"Parabéns, vcs merecem... e eu acompanhei tuuuuudo desde o começo ;) Adorei esse PS hahahahahaha"
Blanda
Pois é, Blanda, você já pode escrever uma biografia não-autorizada do meu romance...risos...assim eu já tenho a quem processar...hehehe... Beijos!

"Muito lindo o que você escreveu. Desejo que vocês dois tenham sempre essa sintonia e esse encontro. E olha, não quero assustar você, mas acho que gatinhos dão menos trabalho que neném...risos...

Assim como a Blanda, adorei o final com você autorizando a foto por ele... nunca tive coragem de colocar foto minha beijando porque meu pai lê meu Blog todo dia... :O)

Se cuida! E aí sua leitura anda boa? Assim que tiver lido, me diz.
Mais uma vez, feliz 9 meses e depois passa no meu Blog que amanhã é meu dia!!!
Bjinhos."
Tammy
Ah, Tammy, minha mãe lê meu blog, meus irmãos, minhas irmãs e sei lá mais quem...risos...desencana, seu pai já deve saber que você beija o seu namorado. :)

Quanto aos gatinhos, acho que dão mais trabalho do que neném...risos...crianças crescem, aprendem a falar, casam, ficam independentes...risos...mas essa dupla aplacou meu desejo desesperado de ter bebê e acho mesmo que morro de medo de ter uma criancinha totalmente dependente de mim. Vai demorar um pouco mais agora...risos... Beijos!

"Ahh,você vai me fazer chorar qualquer dia desses!! ;)"
Cami
Cami, é minha intenção secreta :)

"E eu que hoje postei um sucinto comentário sobre o "meu" dia 22, e me preocupei se não é estranho comemorar até hoje o 21º mês de namoro, como se fosse o 1º...
Nem é! Vc deixa isso claro, comemorando a sua alegria por estar casada e feliz a cada mês!
Isso é lindo!

Parabens! E feliz proximos 9 meses!

Beijos"
Angel
Obrigada, Angel :) Acho que a gente só deixa de comemorar quando não tem nada a comemorar. Quando você ama e está feliz, todo dia é dia de comemoração, ainda mais datas-desculpa para fazer festa :) Beijão e obrigada.

"Vanessa,

o amor de vocês é lindo... E não vou dizer que espero que continue assim porque não espero nada, eu SEI que vai continuar assim porque vocês têm a consciência de que a beleza e a leveza de um relacionamento são coisas construídas.

Beijos e parabéns!"
Laly
:) Laly, você está certa. A partir do momento em que a gente toma consciência de que tudo é construído, nenhuma felicidade acontece ao acaso, a possibilidade de dar errado é praticamente nula :) Obrigada. Beijos!

"Cheguei aqui meio por acaso, muito provavelmente clicando lá nos links do Branco Leone. Achei lindo ler uma baita declaração como essa - que não é de renda - é de amor! E eu que estava me achando um OVNI com os meus 34 anos de casado...com a mesma (!) mulher, a quem adoro!!!"
Ordisi Raluz
Eita, que legal! Eu, sinceramente, adoro ouvir histórias de casais que se amam e que têm relacionamentos felizes mesmo com muitos anos de convivência, contrariando o senso comum e as pragas que ele diariamente nos roga, do tipo "Ah, vocês estão assim porque têm seis meses de casados...espera só até fazer um ano, dois, cinco, dez..." E aí está você, com trinta e quatro anos de casado, feliz e amando sua mulher. Parabéns a vocês também! Beijos. :)

"Parabéns pelos nove meses de amor. Foto bonita, ainda mais sendo preto e branco.

Vc já consegui uma gatinho? Hoje me lembrei de vc. É o seguinte: estava saindo de casa e quase pisei em um gatinho que estava perto do portão. Me deu um dó daquela coisinha peluda e com medo da chuva que vc não tem noção (logo eu que sempre disse que não gosto de gato.

Na verdade, percebi hoje que só falo que não gosto de gato pq as pessoas dizem que eles são do mal e eu quero fazer parte da massa, risos). Só não o coloquei pra dentro pq eu tenho dois amores da minha vida (pode ler cachorras) e vc sabe o que poderia acontecer, né? Mas claro que eu não iria deixá-lo ali, né!? Chamei uma vizinha que ama gatos e mostrei pra ela. E ele (o gatinho) ficou feliz, pois ganhou um dono e uma amiga - a gata dessa minha vizinha ."
Túlio

"Oooops, esqueci do beijos, ehehehe."
Túlio

Túlio, eu adorei essa história, nossa, fiquei muito feliz mesmo ao saber que você ajudou esse bichinho. E você realmente não pode dizer que não gosta de gato porque não conhece gato, não é mesmo? Só teve cachorros até hoje e não sabe que todos os animais domésticos, na verdade, são amáveis e leais quando bem cuidados, amados e criados com atenção e carinho. E eu gosto de pensar que talvez tenha sido parcialmente responsável por você começar a ver os gatos com outros olhos :) Fiquei bem feliz por você e pelo gatinho, que encontrou um novo lar. Obrigada, viu? Beijos!

Monday, April 11, 2005

Algo precisa ser feito.



Há cerca de dez dias fui levar a Ricota para vacinar e o taxista estava assistindo a um Dvd do Zeca Pagodinho. Não é bem meu estilo de música, mas como estava ali, fui obrigada a escutar. Por curiosidade, fiquei lendo as legendas e saí do carro com o refrão da música "Alto lá" em minha cabeça. Natural. O que não é natural é estar há dez dias com o mesmo trecho batucando em meu cérebro.

Aconteceu algo semelhante quando voltei para Porto Alegre e passei quase um mês (é sério), com uma seleção de quatro trechos de música do Roupa Nova alternando-se em minha mente. Devo ter algum problema.

As músicas do tal Dvd contam sempre a mesma história. Ela fez milhares de promessas de amor eterno, iludiu o pobre cara e depois o abandonou. Mas a música em questão fala de um momento pós-separação. Peço lincença aos meus leitores para transcrever o trecho que me tortura, na esperança de que, grudado na tela, ele saia da minha cabeça:

"Eu soube que você anda falando que eu vivo implorando pra voltar pro nosso lar. Alto lá! Guarde essa língua na boca, sua verdade é tão pouca, como pode ter razão? Se foi você quem me pediu perdão. Se foi vocêê quem me pediu perdão" Neste momento, a voz do Zeca Pagodinho, em minha mente, avisa: "Eu soube!", naquele tom sambista para que o trecho seja reprisado. Ad infinitum. Argh!!!!

Me lembrei, porém, de um texto de Josephine ButterFly e o caçei nos arquivos do Diário de um Lunático. Não costumava gostar do que ela escrevia na época em que escrevia, agora, lendo nos arquivos textos dos quais nem me lembrava, a achei ligeiramente divertida.

Nada que se compare com Edmund, obviamente, mas aos poucos vou simpatizando com a moça, principalmente por ela ter inventado o termo ideal para esse tipo de música: Glue Music.
Não existe outro nome que defina de forma tão perfeita a adesividade desse tipo de canção.

E o fenômeno tem se repetido mais seguidamente comigo. Talvez seja um teste de paciência, talvez seja uma espécie de arma biológica param e auto-destruir. Peço licença (novamente) aos meus leitores para colar o texto que copiei do Diário, que complementa este em suas considerações e prefiro colar aqui a copiar com outras palavras (porque isso é feio, feio, feio):


"Há dias estou com uma música na cabeça. Na verdade nem é uma música propriamente dita, são quatro acordes de uma composição de Beethoven. É, que droga, o troço colou na minha cabeça e não consigo tirar. Sempre que consigo colocar outra coisa no lugar, sem que eu perceba os acordes acabam voltando.


Estou certa de que essa repetitividade acaba por estressar o cérebro e causa alguma espécie de fadiga crônica que faz com que boa parte dos neurônios perca sua função.

Particularmente nunca consigo ficar sem trilha sonora em minha mente, o tempo inteiro tenho uma música na cabeça, mas sempre varia, nunca aconteceu de ficar uma semana com a mesma música na cabeça, muito menos com apenas quatro acordes da dita-cuja, repetindo-se à exaustão, como em uma sessão de tortura nazista.

Não sei quem grudou Beethoven em meu córtex, nem mesmo sabia que Beethoven era assim tão colável. Sabia que coisas como a Kelly Key, É o Tchan, Bonde do Tigrão e outras anomalias fazem músicas do tipo "adesivo", algo que chamarei de "Glue-Music", mas jamais imaginei tal coisa do sempre tão erudito Bee (Ok, desculpe a initmidade apicutural, posso Chamá-lo de Thoven ou, quem sabe, de Lud).

Estou exausta, cansada mesmo, a tal melodia repetitiva está levando meus nervos ao completo esfrangalhamento, preciso, urgentemente, de algo que retire para sempre os tais acordes de meus ouvidos cerebrais. Quem sabe Vivaldi ou Chopin possam me ajudar....sei não, talvez eles possam piorar, doando mais uns dois acordes cada um, completamente dissonantes do resquício de Beethoven que ouço dentro de minha caixa craniana.

PRECISO mandar Beethoven calar-se, se Edmund reclamava dos sons que ele escuta em silêncio, estou aqui reclamando das músicas que não escuto, mas que ouço em minha mente.....aaaaaaaaaarrrrgghhhh!!!! Isto é, no mínimo, angustiante.

Josephine ButterFly
"

Sunday, April 10, 2005

Lentamente...mais alguns comentários

Update e Gatos fumantes:

"OIE! Ninguém merece ficar sem comentário, por isso estou aqui. Apesar de ter certeza que muita gente entra aqui e não comenta. Essa é terrível sina dos Blogs. Sinceramente, não tenho muito para dizer, hoje estou meio na linha daquele seu texto que não dizia nada e na verdade disse um monte de coisa.

E aí, está querendo ou não um gato? Digo gato bicho, claro...
Ah, obrigada pelo comentário no meu Blog. Fiz o que o coração mandou, sou assim mesmo, queria pelo menos falar meus sentimentos. Se é que eu deveria falar...vá entender...
Sobre a maquiagem, bem, eu fico mesmo com cara de pirralha sem nada na cara, mas adoro me maquiar...vou refletir mais sobre o tema.
Bjinhos. "
Tammy
Tammy, realmente, nem dez por cento das pessoas que passam por aqui comentam, o que é muito triste. Felizmente eu não tenho um número excepcionalmente alto de visitas, ou então essa porcentagem seria ainda menor, o que me deixaria ainda mais triste e intrigada...risos...

"Olha eu aqui!
Nossa, interessante essa história dos gatos fumantes passivos. Detesto cigarro, nem preciso dizer, né?
Beijos."
Blanda
Pois é. Idem.

"Van, queridinha
Minha vida está um caos, mas a memória, feliz ou infelizmete, tem a severidade de um super_ego ;))) So, eu confesso que devo inúmeras respostas a várias pessoas bacanas como vc, linda.
Minha inadimplência é democrática - shame on me!

Por isso quero dizer publicamente que você comigo é toda atenções e cuidados o que me torna ainda mais inadimplente, Dio mio! e vc é de uma incrível e compreensiva tolerância com as minhas faltas.
Como dizer suficientemente obrigada?
Você é uma linda, uma fofa, uma querida. Íssima :) Beijos,
Meguita.
(blink e *pisc) hohoho.

P.S Que bonita você é."
Meg
Eita, Meg, obrigada :) Não tem problema, eu mesma demoro séculos para conseguir responder todo mundo e olha que recebo bem menos comentários do que você. Por isso eu não cobro nada de ninguém e fico feliz apenas em saber que a pessoa leu o que eu escrevi, ainda que não responda. Não se torture...risos... Tenho depoimentos o suficiente para saber que você é uma pessoa especial, super atenciosa e simpática. Nem preciso de provas...risos... Beijos!!!

"Nossa,eu jamais imaginei uma coisa dessas!Eu não suporto cigarro...e que bom que os gatos daqui de casa jamais estiveram expostos a esse mal!"
Cami
Pois é, Cami, isso é sério. Os bichinhos são vítimas inocentes, não têm nada a ver com a coisa e acabam pagando.

Sobre a crônica
"Cedo Para Falar em Páscoa?" Publicada no site Crônica do Dia


"Fui lá, li e assino embaixo. Também estou na espera dos ovos quebrados em liquidação. Os preços estão absurdos!!!
Só uma dica, se quiser provar um chocolate delicioso,vá a Cacau Show, é uma lojinha que tem em alguns bairros do Rio. O chocolate é uma coisa de doce... seja a barra, o bombom ou o ovo.
E eu de dieta... rs
Beijos."
Patrícia
Ainda não encontrei a loja, mas continuo procurando. Sou louca por chocolate...e comprei, depois da páscoa, um ovo por menos da metade do preço...e para a minha surpresa, ele estava inteiro!! Condição que não durou muito, claro...risos... Beijos.

"Ó-ti-ma, parabéns Van!
Você foi direto ao ponto, não estamos comprando simples chocolates ou comemorando data religiosa alguma. Estamos competindo, nos exibindo e esmagando. Bem do jeito que estamos acostumados/programados a fazer todos os dias. Uma vitória da irracionalidade, um tédio!

Parabéns!"
Gerusa.
Gerusa, não é por nada não, mas recolho-me à minha insignificância. Acho que seu comentário ficou melhor do que o texto...risos... beijos!

"Ótima,ótima!
É tudo o que eu penso a respeito de algumas outras datas do nosso calendário.
Van,minha fia,hehe,quando é que vai ser lançado seu livro,ahn,ahn?? ;D
Beijo."
Cami
Cami, assim que eu conseguir terminá-lo...risos... estava em um ritmo bom, mas o final do ano me atrapalhou toda...já disse que sou enrolada, estou fazendo de tudo para deixar de ser porque tenho que provar a mim mesma minha capacidade de terminar algo que comecei (se bem que já fiz isso uma vez, com aquele ex-meio-namoro :)) Pior é que comecei outro sem ter terminado aquele...argh!!! Beijos!


Friday, April 08, 2005

Mudando de Assunto

Cansei de escrever textos imensos, cansei de falar da minha vida. Talvez vontade de me desintoxicar de mim, talvez um pouco de interesse em ficar calada e ouvir um pouquinho do que o silêncio tem a me dizer. Estranhamente, o silêncio não costuma me dizer muita coisa, mas eu ouço, sempre ouço. Há muito tempo (ok, talvez nem tanto tempo assim) resolvi sair da concha, decidi viver de verdade, sem olhar para o passado ou lamentar sobre o futuro (e vice-versa), minha mãe estava me dizendo isso também hoje, finalmente decidiu que o legal é ter planos a longo prazo sim, mas não viver em função deles. Viver o agora, por mais apavorante que possa ser no início.

De vez em quando me desligo. Há algum tempo parei de acompanhar a televisão e faço minhas atualizações através da internet e veículos impressos. Confesso que é muito mais eficiente, mas acabo ficando com fama de ET entre aqueles que ainda vivem grudados ao televisor e suas novidades...e não deixo de ser, afinal de contas, isso tudo parece outro mundo para mim. Todo mundo assistiu ao Big Brother, menos eu. Para não me sentir um total alienígena, acompanhei um domingo em que tinha dois casais e o rapaz que ganhou. Aí comecei a me sentir um parcial alienígena, pois já sabia mais ou menos a cara das pessoas que participavam do troço :)

Minha felicidade foi que o Dave também ficou alienado do troço comigo, aí não me senti a única ET, tinha outro ser da minha espécie habitando em minha casa :) O mesmo aconteceu na época da novela "celebridades" e de todas as outras, já que parei de acompanhar novelas e afins desde que me mudei para Porto Alegre (mesmo porque não tinha TV) e descobri que não me faziam a mínima falta.

Não que eu seja contra novelas ou crucifique quem as assiste, muito pelo contrário, é bastante divertido acompanhar as histórias e nós temos bons atores e de vez em quando algum bom dramaturgo... mas há tempos as novelas não têm histórias de verdade, são construídas e modificadas única e exclusivamente para dar ibope. E ponto. Conteúdo é irrelevante. Aí, desculpe, tempo é algo precioso que não tenho intenção alguma de gastar à toa.

Mesma coisa em relação à morte do Papa. Tenho a impressão de que a televisão só fala disso, porque os jornais estão abarrotados de notícias sobre o velório e todo mundo escreve sobre. Ignoro. Nada contra, mas acho que fui a única pessoa que não se comoveu com a morte do homem. E não que eu não tenha nada a dizer sobre isso tudo, mas é que o que eu teria para dizer ninguém iria querer ouvir. Nem eu...risos...porque cansei desse assunto.

Sobre gatos...vejamos...estou com minhas crianças dodóis em casa, passando remedinho quatro vezes ao dia e lutando para que as coisinhas resolvam comer direito. Mas que ninguém se preocupe, eles estão bem, eu é que estou histérica.

Subitamente minha vontade desesperada de ter um filho acalmou-se, como era de se esperar. Agora meu negócio é cuidar desses dois peludinhos até que estejam fortes, saudáveis, adultos, enormes e eu pense em arranjar um bebê para que eles se divirtam.

Eu já disse que o jornalismo me persegue....ando pensando em retomar a faculdade. Não costumo contar meus planos com tanta antecedência, mas acho que estou contando na esperança de que acabe desistindo...risos... mas não, não mesmo. Estou decidida. Me falaram em fazer letras, mas sinceramente, acho que não se parece comigo. Não que jornalismo se pareça, mas o negócio é terminar o que comecei, coisa que não costumo fazer com muita frequência.

Enfim, cansei de falar da minha vida, eu disse. Talvez por isso tenha falado bastante. Minha idéia é dar uma sacudida neste blog...fazer uns testes. Escritores blogueiros costumam justificar seus blogs dizendo que usam o espaço para "fazer testes", testar textos (nossa, que estranho isso), para ver a reação dos leitores, saber o que funciona ou não, enfim, pura desculpa. Todo mundo diz isso, não acreditem. Eu já disse isso, inclusive...risos... Não faço testes coisa nenhuma, escrevo aqui porque gosto. Testar reações acaba sendo mera consequência e o aprimoramento do trabalho pela prática também.

Para mim isso sempre foi muito útil, visto que não tinha nem meia dúzia de leitores antes da internet, tamanho meu medo de rejeição, minha autocrítica exagerada (que algumas pessoas juram que eu não tenho) e minha vergonha de expôr o que se passava entre minhas orelhas. A vergonha se foi, desapareceu (como dá para notar), no processo a autocrítica foi suavizada, o medo disso e daquilo também desapareceu e surgiu uma imensa vontade de - agora sim - testar meus limites. E isso está além deste blog.

Ainda assim, o blog permanece, já disse, escrevo aqui porque gosto. E sei que não existe outro espaço com tamanha liberdade. Hoje eu sei quem sou, o que quero e tenho quase tudo bem definido. A expectativa de viver tudo o que está na minha cabeça é enorme, com todos os erros e acertos, as ilusões e desilusões que são absolutamente necessárias para qualquer crescimento.

Depois de um longo período de escuridão e cegueira, abro os olhos, engatinho, aprendo a falar, a escrever e agora...cara....dá a maior vontade de escrever "quero voar", mas meu senso crítico (sim, ele existe) me impede, pára em minha frente com os braços abertos e, desesperado, grita: "NÃO" Não, isso é demais, é muito brega, over, over.... piegas, brega, horrendo, apavorante, digno de blog fofo...aaaaaargh!!! Já vi gente que consegue escrever que quer voar como borboleta e não parecer piegas. Sorry, não tenho esse dom. Sinto informar, 90% dos seres deste planeta também não.

Não, eu não vou voar. Ou até vou, mas não nesses termos. Daqui a pouco estaria dizendo que "me vejo voando, uma borboleta de asas límpidas, multicoloridas, ao sabor do vento, procurando a mais bela flor.." ...até se espatifar no pára-brisa. Pára, pára que a gente tem que manter os pés no chão. Ou as patas, borboleta. Escrever é arte sim, acredito, mas é muito mais trabalho braçal (ou dedal) do que inspiração do infinito. Talento é talento, mas não basta. Trabalho, prática, cérebro funcionando, o resto é frescura.

Escritores que se acham "os iluminados" fazem de nossa literatura (real ou virtual) essa coisa ilegível que a gente vê por aí....e acabam formando leitores sem o mínimo senso crítico, sem a mínima noção de nada. Que um dia resolvem se juntar ao grupo dos escritores sem o mínimo senso crítico, sem a mínima noção de nada que "derramam a alma sobre o papel" (ok, eu já escrevi coisa parecida em um passado distante) e querem ser borboletas vagando pelo mundo com suas asas límpidas e multicoloridas. Cruzes!



Ps: Aos meus leitores paranóicos, devo avisar que não estou falando de ninguém especificamente. Há alguns dias não consigo parar para ler nada de ninguém, tamanha a minha preocupação com os felinos espirrantes da casa. Portanto, se alguém escreveu ultimamente que quer voar como uma borboleta multicolorida (caramba, seria muita coincidência, não?) Tenha certeza de que eu não fazia a mínima idéia disso quando escrevi este texto...risos...juro. E não se acanhe. Liberdade criativa é isso, você escrever sobre a borboleta multicolorida e eu imaginar a pobrezinha se espatifando contra um pára-brisa qualquer. A gente supera. :)

Ps2: Leitores são criaturas sensíveis. Alguns nem voltam mais ao blog simplesmente por terem sido chamados de criaturas. Outros se sentirão profundamente ofendidos por eu ter espatifado suas borboletas contra o pára-brisa. Mas não levem nada tão a sério. Não me levem a sério, não se levem a sério, não levem este mundo a sério, não levem esta vida a sério, muito menos este blog.

Tuesday, April 05, 2005

Digo isso porque é patético (ou: Melhora que vai ser melhor)

Algumas Críticas a este blog

Acabo de descobrir alguns comentários que passaram despercebidos, perdidos nos arquivos do Another Monster. Muito possivelmente essas pessoas entraram pelo Google e nem se deram conta da data do post em que estavam comentando.

Colocaram suas opiniões pessoais mais profundas sobre o que deve ser um blog para me ajudar, com toda a certeza, já que viram que todos os posts estavam completamente sem comentários (o haloscan apaga os comentários depois de um tempo).

São duas críticas à forma deste blog, isto é, essa coisa cheia de texto e com tão poucas imagens...sem um mísero gif animado, nem aquelas imagens com texto inserido, nem dolls, gifs piscantes, estrelinhas que perseguem o mouse, nada!!! Só texto, texto, texto...que falta de respeito com o leitor fazer com que ele leia!

O mais interessante é a perda de tempo. Porque quando eu não gosto de um blog não perco tempo dando conselhos ou sugestões ao dono do troço, simplesmente saio e esqueço o endereço.

No post de 21 de Agosto de 2004

"acho que vc deveria melhorar esse blog,não tem nada a ver,melhora que vai ser melhor,mais ate que ele é legal só precisas de um reforma como por exemplo,imagens legais"
dani 30.12.04 - 8:44 pm

E no post de primeiro de Abril de 2004

"que blog idiota, não sei para que coclocar tanta historia. Se ninguem vai ler, eu nem li mas digo isso por que é patetico"
Samara do filme chamado 04.04.05 - 9:39 pm

Lembro de uma menina que colocou, recentemente (sim, porque já li vários comentários como aquele nesses dois anos em que leio o blog) o seguinte comentário no Diário de um Lunático:

"achei esse blog uma porcaria pelo nome parece divertido mais quando vc entra nele vc ve que vc so perdeu seu tempo,fala serio,a gente te que ficar lendo e lendo,isso irrita,cara eu nao te conheço mais se eu fosse vc melhorava esse blog "
Daniela 30-12-2004 21:36:17

E a resposta da Josephine:

"Daniela, lamento muito que você não tenha gostado porque aqui você tem que ficar "lendo, lendo, lendo" e você se irrita com isso. Muito triste. Da próxima vez, além de ler e ler, tente entender o que leu, deve ajudar. Infelizmente, nada podemos fazer, o blog continuará tendo textos (bons textos), cheios de letrinhas e pontinhos. E não há outra forma, como não dá para comer, o jeito é ler mesmo. =) Edmund, por favor, não mude nada neste lugar. Feliz 2005 a todos!! "
Josephine ButterFly 31-12-2004 12:25:59

Uau...agora que me toquei, mesmo dia, mesmo nome, mesmo conselho....deve ser a mesma pessoa...o ruim é que ela disse que meu blog é "até legal" e que só precisava de uma reforma, enquanto esculhambou o do Edmund...fiquei preocupada...risos...mas enfim, enquanto ambos precisarmos melhorar, está ótimo.

Me desculpem, mas a gente convive com gente assim diariamente sem saber? Triste ver pessoas que não se contentam com sua própria ignorância, querem espalhá-la pelo universo. Não Têm a mínima vergonha de assumir que não gostam de ler e preferiam ver figuras e ainda querem nos convencer a fazer o mesmo... Enquanto minhas críticas recebidas estiverem nesse nível, fico feliz...

Friday, April 01, 2005

Meu Tigre



A primeira vez que o vi foi no blog da Cora, em um recado da Dra Andrea Lambert sobre um gatinho que tinha sido encontrado atropelado, com a patinha quebrada e a pele do queixo descolada. Um gatinho de dois meses e pouco!!!

Dra Andrea pedia alguém que o apadrinhasse para ajudar nas despesas com o bichinho. Entrei em contato, já faz um mês, era um valor acessível, resolvi "amadrinhar" o gatinho. Dra Andrea pediu que eu desse um nome a ele e como somos péssimos com nomes (vocês já perceberam), chamamos o pobrezinho de Marajá...risos...isso foi uma brincadeira do Dave que eu levei a sério.

Falando sobre o gatinho, Dave viu a foto e decidiu que ele seria nosso. Isso bem antes de a Ricota chegar no pedaço. Mas ele ainda estava enfaixadinho, com pontos, etc e achei que demoraria séculos para que estivesse disponível para adoção. Quando ele apareceu no fotolog da Andrea para adoção, avisei ao Dave, que tratou de me pedir para mandar um e-mail para a veterinária e combinar de ir buscá-lo.

Demorei um pouquinho para escrever, confesso, e quinta-feira então combinei que iria buscá-lo na quarta seguinte. Na sexta veio a Ricota...como já havia me comprometido, não voltaria atrás.

Fiquei meio apavorada no início, por pegar duas crianças, mas lá fui eu na quarta-feira ver o dito-cujo. Logo que cheguei (atrasada, as always) na casa da Andrea, fui recepcionada por uma gatinha linda tricolor que já tinha dona. Em seguida chegou o Marajá, como se soubesse quem eu era, se esfregando em minha perna, ronronando. Cadê a dúvida ? Se na hora eu não sabia onde ela estava, a encontraria depois.

Andrea me perguntou se eu queria conhecer os outros gatinhos. Entrei na casa. Um corredor de filhotes, adolescentes e alguns adultos me obrigou a andar com cuidado e pedir licença. Chegando na sala, ouvi miados repetidos e insistentes, olhei, era uma outra gatinha tricolor, do tamanho do Marajá, olhava para mim e miava, como se dissesse "me leva, me leva". Levantou da cadeira e veio em minha direção, subiu no meu colo, ronronando, acariciou minha mão, com um olhar muito doce e passou o maior tempo em meu colo, enquanto ele se divertia mastigando a orelha de uma sialata (siamês com vira-lata) minúscula e escandalosa.

Confesso que por alguns instantes, acariciando aquele pêlo macio, brilhante e colorido pensei em levar a gatinha e deixar o amarelinho. Conversei com o Davison pelo celular e ele disse para levar o gatinho e depois "estudaríamos o caso da gatinha"...risos... sim, me internem, tirei fotos da gata e de outros gatos (me arrependi de não ter tirado foto de todos, mas depois volto lá), quando o Dave viu as fotos em casa, também se apaixonou...Mas como é que a gente carrega três gatos para Porto Alegre? Ai, Senhor...

Impossível ir até a casa da Andrea e não ficar com vontade de levar todo mundo para casa, todos eles são muito especiais. Outra gata muito carinhosa e meiga se aproximou de mim, tem o que se chama de "pelagem vaquinha", base branca e manchas pretas. Linda, linda, linda, pêlo semi-longo, muito, mas muito macio, as partes brancas são tão brancas que parece chantilly. Também me apaixonei. Tirei fotos, mas não consegui fazer nenhuma foto que mostrasse a beleza dela.

Outra muito interessante é uma rajada clara, forte, de corpo esguio, olhos altivos, uma verdadeira dama da sociedade britânica.

Ela é uma pessoa. Sim, ela está certa de que é uma pessoa. Super carinhosa e simpática com seus semelhantes (as pessoas), subiu no meu colo, fez carinho e o maior charme, já com os outros gatos ela é uma fera. Fica na dela, tranquila, mas assim que topa com um felino, fica indignadíssima por aquela criatura estar invadindo o seu espaço, grita, expulsando o invasor :)

Resolveu deitar na poltrona ao meu lado, mas não notou que tinha um filhotinho preto dormindo ali perto. Toda vez que o bichinho espreguiçava, ela reclamava, gritando. Não atacou o gatinho, ela não é agressiva, só ligeiramente histérica com essas situações. É do tipo que deve ser adotada por alguém que queira apenas um gato e com certeza será uma companheira leal, dedicada e muito carinhosa.

Tinha ainda uma tigrada muito parecida com a mãe da Ricota. Sabe aqueles rajadinhos que foram promovidos a raça ? Pois é. Muito educada também, meiga e simpática, linda, com um porte de princesa. Conheci também o Tarzan, um velhinho preto que parece um boi de tão forte.

Não tem mais elasticidade o suficiente para girar o corpo e lamber as costas, por exemplo, e tem o maior jeito de velhinho. Estava no Campo de Santana, abandonado e certamente não teria resistido se a Andrea não o tivesse resgatado. Havia também uma gata amarela linda, adulta, gordinha, ceguinha de um olho, com rinite crônica, roncando o tempo todo. Me aproximei dela e fiz carinho, também muito carinhosa, carente como todos os outros ali.

Uma filhotinha bem pequena escaminha de tartaruga magrinha, magrinha, magrinha resgatada há pouco, está em tratamento, para ficar mais fortinha e enfrentar uma cirurgia para remoção de um olhinho, ou o que restou dele depois dos maus-tratos que sofreu na rua. Tem gente ruim para tudo, meus amigos.

Mas também tinha uma porção de gatos super saudáveis e bonitos, como a preto-e-branca que falei, a tricolorzinha, uma outra tricolor maior, linda, que encurralava os gatinhos menores para se divertir, dois filhotes amarelinhos menores que a Ricota, a sialata pequenininha, branquinha com manchas em um tom marrom-claro, olhos azuis e focinho rosa.

Uma siamesa dormiu o tempo todo da minha visita, já tem dono interessado. O maior problema é que o pessoal costuma querer adotar apenas filhotes.

Ironia do destino, eu, que tentei no início do mês passado, adotar um trio de idosos de Porto Alegre, estou com dois filhotes em casa. É divertido, sim, mas eles são ativos demais e bobinhos demais.

Muito mais tranquilo seria adotar um adulto, que já sabe, por exemplo, enterrar o cocô sem pisar em cima (Ricota fez isso esses dias e lá fui eu lavar a patinha da gata....ela é extremamente nenê), é bem mais independente e já tem personalidade definida.

E sofreu por mais tempo o abandono, merece um lar, uma família, amor, carinho e muita ração :) Vou fazer cartazes com as fotos que tenho e espalhar pelos pet shops, também coloco aqui porque alguém pode se interessar em ter uma dessas fofuras em casa.

Ricota e ele não se estranharam nem um pouco, ela não fez "fuss" para ele, ficou super feliz, logo quis brincar, achou interessantíssimo. Ele estava com um pouco de medo, escondido atrás do bidê, no banheiro. Logo fizeram amizade e ela o persegue pela casa toda. Se ele vai tomar água, ela vai também, se vai comer, lá vai ela atrás, se resolve ir ao banheiro, ela, indiscreta, também vai.

Como ele é um pouco maior (tem quase quatro meses), é mais evoluído, uma criança. Ela ainda é um bebê, chatíssima, fica pulando ao redor dele, que a ignora. Puxa o rabinho dele, morde a orelha, incomoda tanto, tanto, tanto que ele não resiste e morde ela também, ficam brincando de luta horas e horas, até que cansam e desmaiam...risos...

Ele é ruivo, tigrado, de focinho e almofadinhas rosa, olhos amarelos, forte, tem a maior cara de macho, ninguém confunde com uma menininha, ganhou novo nome (também provisório, no estilo "se colar, colou"), Tigre. Ela adorou o presente e não fica mais tentando pegar a gatinha do espelho...risos....agora tem seu próprio gatinho para brincar.

Aí vão algumas fotos, no decorrer dos dias, posto outras.

A Gatinha aristocrata que acha que é gente (se você quer um gatinho amável e carinhoso e não pode adotar mais do que um, ela é perfeita):


A P&B mais linda, macia e carinhosa do mundo:




A tricolor maior, tomando banho:


A Sialata, vítima do tigrinho:




Tigre, quando foi resgatado, ainda com a pata quebrada, andando de cabeça baixa porque a pele descolada devia doer para caramba:


Tigre, ainda sem madrinha, esperando um lar:


Tigre, em casa, feliz da vida, abraçado ao meu braço:


Com sua nova irmãzinha e companheira de brincadeiras, Ricota:



PS: Post novo no Autor Desconhecido.

Ps2: Para quem gosta tanto dele quanto eu, uma dica:
Edmund está voltando a postar com frequência!!! Êba!!!

Ps3: Tom, não era o Zózimo que era desconhecido para mim, mas a sua estátua. Eu não fazia idéia que ela existia, nem que era ele o homenageado, mas já conhecia seu trabalho, sim, e como não? Mas ao gari nada disse, preferi escutá-lo, com ar importante, contar o que sabia sobre o jornalista. E a idéia do post, confesso, não foi minha, cheguei em casa chateada porque meu texto sobre a estátua do Autor Desconhecido tinha ido para o brejo, ele me disse: "ué, você descobriu que se procurar, descobre quem é o autor e que realmente o autor desconhecido não existe, altera o texto nessa linha". Ok, ele é o gênio, créditos ao Davison...risos...

Ps4: Vejo se consigo colocar os comentários em dia, mas não precisam me deixar falando com as paredes por conta disso.

PS5: Cora, muito obrigada, afinal de contas você foi co-responsável por essa fofurinha estar aqui em casa, alegrando meus dias hoje. :) Se não fosse aquele anúncio...

Ps6: Agradeço à Dra Andrea é claro, que faz um trabalho maravilhoso com esses bichinhos resgatando-os da rua, abrigando em sua casa até encontrar um dono.

Ps7: Já que estou agradecendo a todo mundo, não posso esquecer da minha amiga Claudia que me deu minha bebezinha, a Ricota. :)

Ps8: E ao Davison que topou na hora essa história maluca de ser pai de dois bebês de uma vez só...risos...esse cara é muito especial mesmo :) (e eu sou uma boba apaixonada, sim...risos...)
Alguns Comentários:

TIC-TAC

"Van,


Bacana o texto. Olha, fiz uma página no meu site sobre bichinhos carentes, tentando alertar um pouco para a situação de cachorrinhos abandonados e que acabam sendo sacrificados por puro abandono. Depois dá uma ohadinha.
A foto ficou muito bem tirada. A imagem não perdeu nada. O relógio ficou dez, seu rosto atrás perfeito de ver.
Bem, é isso...sobre o tempo nem me fale...o meu anda maluquinho, indo e vindo sem tempo certo...risos...
Se cuida...
Você já está no Rio?
Bjinhos. "
Tammy
Tammy, legal a iniciativa de colocar uma página em seu site para conscientizar a respeito do abandono. Espero um dia ver revertida a triste situação pela qual passam esses bichinhos. Por mais impossível que pareça, a esperança não pode acabar.

"Nossa, amiga, muita coincidência o texto do Gateira... deixei um comentário lá, tá?
Beijos!"
Blanda
Blanda, parece que os bichinhos abandonados resolveram dizer, ao mesmo tempo "eu estou aqui". Espero que mais gente ouça. Beijos

"Vanessaaaaaaaaaaaaaa,

me mande um email ou me ligue... eu quero o seu telefone para que a gente combine de sair...

pára de sumir, sua pessoa suminte!"
Laly
Laly, o telefone é o mesmo, vcoê já perdeu?...risos...só o apartamento mudou, é o número seguinte. E o celular também é o mesmo. Assim como o e-mail, querem fazer o favor de marcar logo esse troço?...risos...

"welcome back. beijocas"
Ronize Aline
Thank's...risos... :)


PERDAS E GATOS


"Esses seus posts falando dos gatinhos da sua vida sempre me emocionam.
Beijos, Vanessa."
Túlio
Túlio, você ainda vai ter um gato :)

"Van, nunca agradeceremos o bastante pela amizade de vocês numa hora dessas. Obrigada por terem passado por esse momento difícil do nosso lado."
Paula Foschia
Paula, nós sempre estaremos aí para o que vocês precisarem. Vocês já fazem parte da nossa vida e não se livrarão de nós tão cedo :) E queremos compartilhar grandes alegrias também, tenho certeza de que elas serão muitas. :) Beijos!


"Van
,

É sempre bom ler o que você escreve sobre gatos. Você sabe, os gatinhos são uma parte fundamental na minha vida, são amigos sinceros e incondicionais que me acompanham em todos os momentos.

Ah, estou de volta. O demônio do meio-dia já foi embora. Posso dizer que foi uma das piores crises depressivas que já tive, mas agora está tudo em ordem novamente. Até reabri o blog, desta vez espero que definitivamente.

Beijos!"
Claudio Téllez
Claudio, mande esse demônio embora de uma vez, não o deixe chegar. Ele é mentiroso quando te faz pensar que é mais forte do que você, não é. Comece determinando as coisas (positivas, please), tipo "Até reabri o blog, desta vez, definitivamente". :) Beijos.

"Eu entendo essa dor, pois perdi a Cherry... e nunca chorei tanto como naquele dia. E hoje outra gatinha (a Polly) enfeita meus dias, e o meu amado Tovy, com 11 anos, e Pretinho, tb recém-chegado. Esses bichos são muito especiais mesmo."
Blanda
Pois é, Blanda, eles são parte da nossa vida. Eu que escrevi que não queria mais um gato (mesmo porque sei que eles adoram companhia felina e que um acabaria sendo dois) estou agora com dois, já pensando no terceiro (e definitivo). Sofri bastante, hoje guardo as lembranças felizes, que jamais me sairão da memória. Beijos


O TEXTO INÚTIL

"Excelente texto inútil. Já escrevi VÁAARIOS desses também no merelyanotherplayer, inclusive um altamente descarado.

Você está linda na foto :)
Ah, sim: cadê você?!?"
Laly
Hehehehe....bem, esse foi meu primeiro texto inútil descarado :) (os outros eram todos disfarçados). Sobre a foto...bem, eu detesto tirar foto de frente sorrindo...risos...acho que fico horrível (séria talvez fique mais horrível ainda), mas se eu fosse uma pessoa realmente complexada jamais riria na vida e andaria apenas de lado, como os desenhos egípcios. O que, você pôde constatar, não acontece. E.....estou aqui, ué, como assim "cadê você?"

"Mesmo quando nada queremos dizer, dizemos alguma coisa. Como dizem os "teóricos" da comunicação: "é impossível não comunicar". Às vezes, a utilidade do texto se deduz de sua aparente inocênica/vacuidade (!).
Quanto ao Flickr, já sucumbi à sua facilidade: bloga-se fotos e textos imediatamente; as fotos podem ser vistas em slide-show; o limite de fotos por mês é bem razoável... etc. Confira lá no PrasCabecas como tenho utilizado. Abraços."
Cláudio
Cláudio, não corte o meu barato, eu não queria dizer nada com aquele texto...quer dizer, que queria dizer que não queria dizer nada...oh, céus, talvez você tenha razão. Quanto ao Flickr, aos poucos vou aprendendo. Coloquei fotos da Ricota por lá mas esqueço de voltar para ver ou postar mais coisa...risos...aos poucos, aos poucos.

"Hummmm profundo (risos)...."
Blanda
Era para ser. :)

LOVE=COUVE

"Nossa, couve? Hahahaha... tá maus, hein? rsrsrsrsrs..."
Blanda
História verídica, juro.

"haha!!Adorei este post!
Ah Van,bom,relaxa...couve=love,tudo a ver! ¬¬"
Cami
Mesma coisa, não? :) Ambos fazem bem à saúde :)

"Oi Van Lam, adorei sua disposição para a briga. 'Tá contratada.

Tudo de bom p/vc.

Obrigado,

:)"
Tom Taborda
Tom, diz a lenda que sou encrenqueira. Mas só quando a encrenca é mesmo justa, como neste caso.

"Oiê, Van! Eu ando meio relaxada para comentar e visitar blogs! Mereço um paxãozaço de orelha (ai!), mas... Esse assunto também me deixa indignada, ainda mais porque parece que não vai ter fim, não é mesmo? A gente se sente até um pouco impotente em relação a isso... Ah, eu lembrei que você escreveu um texto em algum lugar sobre analfabetismo funcional, estou errada? Eu gostaria de publicá-lo lá no Idéias Pedagógicas, o http://ideiaspedagogicas.blogspot.com. O que me diz? Com os devidos créditos, claro! Bjs!"
Bia
Bia, vou te mandar o texto por e-mail, pode ser? Aí é que está o ponto, vê? Ninguém impede ninguém de copiar textos e até de repassar, desde que não se esqueça de incluir o nome do autor. Coisa que gente decente, como você, costuma fazer :) Valeu. Beijos!!