Mudando de Assunto
Cansei de escrever textos imensos, cansei de falar da minha vida. Talvez vontade de me desintoxicar de mim, talvez um pouco de interesse em ficar calada e ouvir um pouquinho do que o silêncio tem a me dizer. Estranhamente, o silêncio não costuma me dizer muita coisa, mas eu ouço, sempre ouço. Há muito tempo (ok, talvez nem tanto tempo assim) resolvi sair da concha, decidi viver de verdade, sem olhar para o passado ou lamentar sobre o futuro (e vice-versa), minha mãe estava me dizendo isso também hoje, finalmente decidiu que o legal é ter planos a longo prazo sim, mas não viver em função deles. Viver o agora, por mais apavorante que possa ser no início.
De vez em quando me desligo. Há algum tempo parei de acompanhar a televisão e faço minhas atualizações através da internet e veículos impressos. Confesso que é muito mais eficiente, mas acabo ficando com fama de ET entre aqueles que ainda vivem grudados ao televisor e suas novidades...e não deixo de ser, afinal de contas, isso tudo parece outro mundo para mim. Todo mundo assistiu ao Big Brother, menos eu. Para não me sentir um total alienígena, acompanhei um domingo em que tinha dois casais e o rapaz que ganhou. Aí comecei a me sentir um parcial alienígena, pois já sabia mais ou menos a cara das pessoas que participavam do troço :)
Minha felicidade foi que o Dave também ficou alienado do troço comigo, aí não me senti a única ET, tinha outro ser da minha espécie habitando em minha casa :) O mesmo aconteceu na época da novela "celebridades" e de todas as outras, já que parei de acompanhar novelas e afins desde que me mudei para Porto Alegre (mesmo porque não tinha TV) e descobri que não me faziam a mínima falta.
Não que eu seja contra novelas ou crucifique quem as assiste, muito pelo contrário, é bastante divertido acompanhar as histórias e nós temos bons atores e de vez em quando algum bom dramaturgo... mas há tempos as novelas não têm histórias de verdade, são construídas e modificadas única e exclusivamente para dar ibope. E ponto. Conteúdo é irrelevante. Aí, desculpe, tempo é algo precioso que não tenho intenção alguma de gastar à toa.
Mesma coisa em relação à morte do Papa. Tenho a impressão de que a televisão só fala disso, porque os jornais estão abarrotados de notícias sobre o velório e todo mundo escreve sobre. Ignoro. Nada contra, mas acho que fui a única pessoa que não se comoveu com a morte do homem. E não que eu não tenha nada a dizer sobre isso tudo, mas é que o que eu teria para dizer ninguém iria querer ouvir. Nem eu...risos...porque cansei desse assunto.
Sobre gatos...vejamos...estou com minhas crianças dodóis em casa, passando remedinho quatro vezes ao dia e lutando para que as coisinhas resolvam comer direito. Mas que ninguém se preocupe, eles estão bem, eu é que estou histérica.
Subitamente minha vontade desesperada de ter um filho acalmou-se, como era de se esperar. Agora meu negócio é cuidar desses dois peludinhos até que estejam fortes, saudáveis, adultos, enormes e eu pense em arranjar um bebê para que eles se divirtam.
Eu já disse que o jornalismo me persegue....ando pensando em retomar a faculdade. Não costumo contar meus planos com tanta antecedência, mas acho que estou contando na esperança de que acabe desistindo...risos... mas não, não mesmo. Estou decidida. Me falaram em fazer letras, mas sinceramente, acho que não se parece comigo. Não que jornalismo se pareça, mas o negócio é terminar o que comecei, coisa que não costumo fazer com muita frequência.
Enfim, cansei de falar da minha vida, eu disse. Talvez por isso tenha falado bastante. Minha idéia é dar uma sacudida neste blog...fazer uns testes. Escritores blogueiros costumam justificar seus blogs dizendo que usam o espaço para "fazer testes", testar textos (nossa, que estranho isso), para ver a reação dos leitores, saber o que funciona ou não, enfim, pura desculpa. Todo mundo diz isso, não acreditem. Eu já disse isso, inclusive...risos... Não faço testes coisa nenhuma, escrevo aqui porque gosto. Testar reações acaba sendo mera consequência e o aprimoramento do trabalho pela prática também.
Para mim isso sempre foi muito útil, visto que não tinha nem meia dúzia de leitores antes da internet, tamanho meu medo de rejeição, minha autocrítica exagerada (que algumas pessoas juram que eu não tenho) e minha vergonha de expôr o que se passava entre minhas orelhas. A vergonha se foi, desapareceu (como dá para notar), no processo a autocrítica foi suavizada, o medo disso e daquilo também desapareceu e surgiu uma imensa vontade de - agora sim - testar meus limites. E isso está além deste blog.
Ainda assim, o blog permanece, já disse, escrevo aqui porque gosto. E sei que não existe outro espaço com tamanha liberdade. Hoje eu sei quem sou, o que quero e tenho quase tudo bem definido. A expectativa de viver tudo o que está na minha cabeça é enorme, com todos os erros e acertos, as ilusões e desilusões que são absolutamente necessárias para qualquer crescimento.
Depois de um longo período de escuridão e cegueira, abro os olhos, engatinho, aprendo a falar, a escrever e agora...cara....dá a maior vontade de escrever "quero voar", mas meu senso crítico (sim, ele existe) me impede, pára em minha frente com os braços abertos e, desesperado, grita: "NÃO" Não, isso é demais, é muito brega, over, over.... piegas, brega, horrendo, apavorante, digno de blog fofo...aaaaaargh!!! Já vi gente que consegue escrever que quer voar como borboleta e não parecer piegas. Sorry, não tenho esse dom. Sinto informar, 90% dos seres deste planeta também não.
Não, eu não vou voar. Ou até vou, mas não nesses termos. Daqui a pouco estaria dizendo que "me vejo voando, uma borboleta de asas límpidas, multicoloridas, ao sabor do vento, procurando a mais bela flor.." ...até se espatifar no pára-brisa. Pára, pára que a gente tem que manter os pés no chão. Ou as patas, borboleta. Escrever é arte sim, acredito, mas é muito mais trabalho braçal (ou dedal) do que inspiração do infinito. Talento é talento, mas não basta. Trabalho, prática, cérebro funcionando, o resto é frescura.
Escritores que se acham "os iluminados" fazem de nossa literatura (real ou virtual) essa coisa ilegível que a gente vê por aí....e acabam formando leitores sem o mínimo senso crítico, sem a mínima noção de nada. Que um dia resolvem se juntar ao grupo dos escritores sem o mínimo senso crítico, sem a mínima noção de nada que "derramam a alma sobre o papel" (ok, eu já escrevi coisa parecida em um passado distante) e querem ser borboletas vagando pelo mundo com suas asas límpidas e multicoloridas. Cruzes!
Ps: Aos meus leitores paranóicos, devo avisar que não estou falando de ninguém especificamente. Há alguns dias não consigo parar para ler nada de ninguém, tamanha a minha preocupação com os felinos espirrantes da casa. Portanto, se alguém escreveu ultimamente que quer voar como uma borboleta multicolorida (caramba, seria muita coincidência, não?) Tenha certeza de que eu não fazia a mínima idéia disso quando escrevi este texto...risos...juro. E não se acanhe. Liberdade criativa é isso, você escrever sobre a borboleta multicolorida e eu imaginar a pobrezinha se espatifando contra um pára-brisa qualquer. A gente supera. :)
Ps2: Leitores são criaturas sensíveis. Alguns nem voltam mais ao blog simplesmente por terem sido chamados de criaturas. Outros se sentirão profundamente ofendidos por eu ter espatifado suas borboletas contra o pára-brisa. Mas não levem nada tão a sério. Não me levem a sério, não se levem a sério, não levem este mundo a sério, não levem esta vida a sério, muito menos este blog.
Cansei de escrever textos imensos, cansei de falar da minha vida. Talvez vontade de me desintoxicar de mim, talvez um pouco de interesse em ficar calada e ouvir um pouquinho do que o silêncio tem a me dizer. Estranhamente, o silêncio não costuma me dizer muita coisa, mas eu ouço, sempre ouço. Há muito tempo (ok, talvez nem tanto tempo assim) resolvi sair da concha, decidi viver de verdade, sem olhar para o passado ou lamentar sobre o futuro (e vice-versa), minha mãe estava me dizendo isso também hoje, finalmente decidiu que o legal é ter planos a longo prazo sim, mas não viver em função deles. Viver o agora, por mais apavorante que possa ser no início.
De vez em quando me desligo. Há algum tempo parei de acompanhar a televisão e faço minhas atualizações através da internet e veículos impressos. Confesso que é muito mais eficiente, mas acabo ficando com fama de ET entre aqueles que ainda vivem grudados ao televisor e suas novidades...e não deixo de ser, afinal de contas, isso tudo parece outro mundo para mim. Todo mundo assistiu ao Big Brother, menos eu. Para não me sentir um total alienígena, acompanhei um domingo em que tinha dois casais e o rapaz que ganhou. Aí comecei a me sentir um parcial alienígena, pois já sabia mais ou menos a cara das pessoas que participavam do troço :)
Minha felicidade foi que o Dave também ficou alienado do troço comigo, aí não me senti a única ET, tinha outro ser da minha espécie habitando em minha casa :) O mesmo aconteceu na época da novela "celebridades" e de todas as outras, já que parei de acompanhar novelas e afins desde que me mudei para Porto Alegre (mesmo porque não tinha TV) e descobri que não me faziam a mínima falta.
Não que eu seja contra novelas ou crucifique quem as assiste, muito pelo contrário, é bastante divertido acompanhar as histórias e nós temos bons atores e de vez em quando algum bom dramaturgo... mas há tempos as novelas não têm histórias de verdade, são construídas e modificadas única e exclusivamente para dar ibope. E ponto. Conteúdo é irrelevante. Aí, desculpe, tempo é algo precioso que não tenho intenção alguma de gastar à toa.
Mesma coisa em relação à morte do Papa. Tenho a impressão de que a televisão só fala disso, porque os jornais estão abarrotados de notícias sobre o velório e todo mundo escreve sobre. Ignoro. Nada contra, mas acho que fui a única pessoa que não se comoveu com a morte do homem. E não que eu não tenha nada a dizer sobre isso tudo, mas é que o que eu teria para dizer ninguém iria querer ouvir. Nem eu...risos...porque cansei desse assunto.
Sobre gatos...vejamos...estou com minhas crianças dodóis em casa, passando remedinho quatro vezes ao dia e lutando para que as coisinhas resolvam comer direito. Mas que ninguém se preocupe, eles estão bem, eu é que estou histérica.
Subitamente minha vontade desesperada de ter um filho acalmou-se, como era de se esperar. Agora meu negócio é cuidar desses dois peludinhos até que estejam fortes, saudáveis, adultos, enormes e eu pense em arranjar um bebê para que eles se divirtam.
Eu já disse que o jornalismo me persegue....ando pensando em retomar a faculdade. Não costumo contar meus planos com tanta antecedência, mas acho que estou contando na esperança de que acabe desistindo...risos... mas não, não mesmo. Estou decidida. Me falaram em fazer letras, mas sinceramente, acho que não se parece comigo. Não que jornalismo se pareça, mas o negócio é terminar o que comecei, coisa que não costumo fazer com muita frequência.
Enfim, cansei de falar da minha vida, eu disse. Talvez por isso tenha falado bastante. Minha idéia é dar uma sacudida neste blog...fazer uns testes. Escritores blogueiros costumam justificar seus blogs dizendo que usam o espaço para "fazer testes", testar textos (nossa, que estranho isso), para ver a reação dos leitores, saber o que funciona ou não, enfim, pura desculpa. Todo mundo diz isso, não acreditem. Eu já disse isso, inclusive...risos... Não faço testes coisa nenhuma, escrevo aqui porque gosto. Testar reações acaba sendo mera consequência e o aprimoramento do trabalho pela prática também.
Para mim isso sempre foi muito útil, visto que não tinha nem meia dúzia de leitores antes da internet, tamanho meu medo de rejeição, minha autocrítica exagerada (que algumas pessoas juram que eu não tenho) e minha vergonha de expôr o que se passava entre minhas orelhas. A vergonha se foi, desapareceu (como dá para notar), no processo a autocrítica foi suavizada, o medo disso e daquilo também desapareceu e surgiu uma imensa vontade de - agora sim - testar meus limites. E isso está além deste blog.
Ainda assim, o blog permanece, já disse, escrevo aqui porque gosto. E sei que não existe outro espaço com tamanha liberdade. Hoje eu sei quem sou, o que quero e tenho quase tudo bem definido. A expectativa de viver tudo o que está na minha cabeça é enorme, com todos os erros e acertos, as ilusões e desilusões que são absolutamente necessárias para qualquer crescimento.
Depois de um longo período de escuridão e cegueira, abro os olhos, engatinho, aprendo a falar, a escrever e agora...cara....dá a maior vontade de escrever "quero voar", mas meu senso crítico (sim, ele existe) me impede, pára em minha frente com os braços abertos e, desesperado, grita: "NÃO" Não, isso é demais, é muito brega, over, over.... piegas, brega, horrendo, apavorante, digno de blog fofo...aaaaaargh!!! Já vi gente que consegue escrever que quer voar como borboleta e não parecer piegas. Sorry, não tenho esse dom. Sinto informar, 90% dos seres deste planeta também não.
Não, eu não vou voar. Ou até vou, mas não nesses termos. Daqui a pouco estaria dizendo que "me vejo voando, uma borboleta de asas límpidas, multicoloridas, ao sabor do vento, procurando a mais bela flor.." ...até se espatifar no pára-brisa. Pára, pára que a gente tem que manter os pés no chão. Ou as patas, borboleta. Escrever é arte sim, acredito, mas é muito mais trabalho braçal (ou dedal) do que inspiração do infinito. Talento é talento, mas não basta. Trabalho, prática, cérebro funcionando, o resto é frescura.
Escritores que se acham "os iluminados" fazem de nossa literatura (real ou virtual) essa coisa ilegível que a gente vê por aí....e acabam formando leitores sem o mínimo senso crítico, sem a mínima noção de nada. Que um dia resolvem se juntar ao grupo dos escritores sem o mínimo senso crítico, sem a mínima noção de nada que "derramam a alma sobre o papel" (ok, eu já escrevi coisa parecida em um passado distante) e querem ser borboletas vagando pelo mundo com suas asas límpidas e multicoloridas. Cruzes!
Ps: Aos meus leitores paranóicos, devo avisar que não estou falando de ninguém especificamente. Há alguns dias não consigo parar para ler nada de ninguém, tamanha a minha preocupação com os felinos espirrantes da casa. Portanto, se alguém escreveu ultimamente que quer voar como uma borboleta multicolorida (caramba, seria muita coincidência, não?) Tenha certeza de que eu não fazia a mínima idéia disso quando escrevi este texto...risos...juro. E não se acanhe. Liberdade criativa é isso, você escrever sobre a borboleta multicolorida e eu imaginar a pobrezinha se espatifando contra um pára-brisa qualquer. A gente supera. :)
Ps2: Leitores são criaturas sensíveis. Alguns nem voltam mais ao blog simplesmente por terem sido chamados de criaturas. Outros se sentirão profundamente ofendidos por eu ter espatifado suas borboletas contra o pára-brisa. Mas não levem nada tão a sério. Não me levem a sério, não se levem a sério, não levem este mundo a sério, não levem esta vida a sério, muito menos este blog.

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