Ainda sobre marcas
Era uma ruga oportunista. ocorre que ela me incomodou, visivelmente instalada, até eu resolver escrever e publicar o texto anterior. Aí parei de fazer a careta que a reforçava e ela sumiu. Sim, desapareceu. Para me desmoralizar diante daqueles que leram a crônica e fazer com que eu parecesse uma idiota exagerada.
Pois bem, não foi uma alucinação, ela estava aqui, leu o texto e resolveu passear para voltar daqui a alguns anos, o que me leva a crer que a dona ruga entendeu o que escrevi. Não tenho nada contra ela, desde que tenha uma razão para aparecer.
Por exemplo, eu tenho uma cicatriz nas costas. Uns quarenta e cinco pontos que vão da lateral, junto ao seio esquerdo, até o meio das costas, resultado de uma cirurgia cardíaca, de PCA, para fechar o canal arterial, feita quando eu tinha quatro anos.
Lembro das minhas costas sem nenhuma marca e de quando vi pela primeira vez a cicatriz, que na época ia de um lado a outro das costas.Além dela, uma outra bem menor mais abaixo, uns três pontos, onde foi colocado o dreno no pulmão (eu já estava com hipertensão pulmonar).
A grande virou quelóide e chamava atenção nas aulas de natação ou quando eu estava de blusa regata. Ouvi a vida inteira histórias do médico fulano, que consertava cicatrizes, do remédio que diminuía o tamanho de quelóides, do tratamento que fazia qualquer marca praticamente desaparecer. Nunca me interessei.
Me adaptei rápido e gosto demais dela, porque é um registro histórico, de uma certa forma. Tenho também mais cinco pontos na base da perna direita, do cateterismo que fiz algum tempo antes da cirurgia para olhar com mais clareza o tal canal que ligava a artéria aorta à pulmonar. Também gosto dela.
As outras duas cicatrizes que tenho são imperceptíveis (sim, eu sou praticamente o Frankstein), cinco pontos no alto da cabeça, de um álbum de casamento que uma "amiga" deixou cair em mim e mais cinco atrás da orelha esquerda, resultado de um tombo no banheiro aos oito anos. Convivo pacificamente com todas e não tiraria nenhuma delas porque têm uma história.
As marcas de catapora no corpo também contam com minha simpatia, inclusive as do rosto, duas bem no meio da testa e uma na bochecha, do lado esquerdo. Ah, e tem a que atrapalha o começo da sobrancelha direita, também. As mulheres adoram reparar nelas como se eu as considerasse um defeito.
Não são defeitos, são marcas, registros. Tenho algumas linhas na testa, que ganhei aos 13 anos, resultado de uma superexposição ao sol que me trouxe uma insolação horrenda.
A preocupação com o risco horizontal estava longe de ser estética. E estava longe também de ser realmente séria. Não vou me incomodar com as rugas se elas chegarem junto com o tempo, a experiência, vivência, histórias... Porque marcas são registros do que se passou, quase tatuagens naturais.
A gente se cuida, come bem, não fuma, evita sol, passa cremes, mas as verdadeiras marcas do tempo aparecerão. Que venham as rugas, mas eu também quero a idade.
Era uma ruga oportunista. ocorre que ela me incomodou, visivelmente instalada, até eu resolver escrever e publicar o texto anterior. Aí parei de fazer a careta que a reforçava e ela sumiu. Sim, desapareceu. Para me desmoralizar diante daqueles que leram a crônica e fazer com que eu parecesse uma idiota exagerada.
Pois bem, não foi uma alucinação, ela estava aqui, leu o texto e resolveu passear para voltar daqui a alguns anos, o que me leva a crer que a dona ruga entendeu o que escrevi. Não tenho nada contra ela, desde que tenha uma razão para aparecer.
Por exemplo, eu tenho uma cicatriz nas costas. Uns quarenta e cinco pontos que vão da lateral, junto ao seio esquerdo, até o meio das costas, resultado de uma cirurgia cardíaca, de PCA, para fechar o canal arterial, feita quando eu tinha quatro anos.
Lembro das minhas costas sem nenhuma marca e de quando vi pela primeira vez a cicatriz, que na época ia de um lado a outro das costas.Além dela, uma outra bem menor mais abaixo, uns três pontos, onde foi colocado o dreno no pulmão (eu já estava com hipertensão pulmonar).
A grande virou quelóide e chamava atenção nas aulas de natação ou quando eu estava de blusa regata. Ouvi a vida inteira histórias do médico fulano, que consertava cicatrizes, do remédio que diminuía o tamanho de quelóides, do tratamento que fazia qualquer marca praticamente desaparecer. Nunca me interessei.
Me adaptei rápido e gosto demais dela, porque é um registro histórico, de uma certa forma. Tenho também mais cinco pontos na base da perna direita, do cateterismo que fiz algum tempo antes da cirurgia para olhar com mais clareza o tal canal que ligava a artéria aorta à pulmonar. Também gosto dela.
As outras duas cicatrizes que tenho são imperceptíveis (sim, eu sou praticamente o Frankstein), cinco pontos no alto da cabeça, de um álbum de casamento que uma "amiga" deixou cair em mim e mais cinco atrás da orelha esquerda, resultado de um tombo no banheiro aos oito anos. Convivo pacificamente com todas e não tiraria nenhuma delas porque têm uma história.
As marcas de catapora no corpo também contam com minha simpatia, inclusive as do rosto, duas bem no meio da testa e uma na bochecha, do lado esquerdo. Ah, e tem a que atrapalha o começo da sobrancelha direita, também. As mulheres adoram reparar nelas como se eu as considerasse um defeito.
Não são defeitos, são marcas, registros. Tenho algumas linhas na testa, que ganhei aos 13 anos, resultado de uma superexposição ao sol que me trouxe uma insolação horrenda.
A preocupação com o risco horizontal estava longe de ser estética. E estava longe também de ser realmente séria. Não vou me incomodar com as rugas se elas chegarem junto com o tempo, a experiência, vivência, histórias... Porque marcas são registros do que se passou, quase tatuagens naturais.
A gente se cuida, come bem, não fuma, evita sol, passa cremes, mas as verdadeiras marcas do tempo aparecerão. Que venham as rugas, mas eu também quero a idade.

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