Sunday, November 21, 2004

14 de Dezembro de 2003



Será que é Amor?
Vanessa Stella Lampert



Será que é amor? Não sei, não sei dizer, sinceramente, porque nunca soube o que era o amor, para definí-lo. Talvez não. É, talvez não seja amor o que sinto, talvez não seja nada disso, quem disse que isso é amor? Será que é amor?



Não sei, sentir o coração disparar ao ouvir aquela voz que toca fundo em minha alma, suspirar à simples menção daquele nome, sentir um leve formigamento nas pernas ao imaginar seu toque, seus beijos, seu carinho....quem disse que isso é amor?



Será que é amor? Querer estar junto o tempo todo, sentir uma necessidade extrema de conversar com aquela pessoa, a cada coisa que eu vejo na rua pensar no que ele acharia se visse também, querer compartilhar minha vida, os pensamentos, sonhos, segredos, desejos...quem disse que isso é amor?



Será que é amor? Gostar tanto de andar abraçada, de deitar a cabeça no peito daquele indivíduo que até tão pouco tempo eu nem sequer sabia que existia....ouvir as batidas do seu coração e sentir que são minhas, ouvir sua voz assim bem pertinho, suas mãos acariciando meus cabelos enquanto conversamos e guardar aquela sensação perfeita comigo, bem lá no fundo, onde ninguém mais pode alcançar. Quem disse que é amor? Será que é amor?



Querer passar os dedos por aqueles cabelos sedosos, acariciar aquele rosto que me parece tão familiar, como se sempre tivesse existido dentro de mim, sentir aquele olhar tocar o mais profundo de tudo o que sou, saber que ele pode saber de mim o que quiser, que nada há a esconder. Quem disse que é amor?



Será que é amor? Sentir-me completamente à vontade com uma pessoa, com vontade de rir, de falar bobagem, falar a sério, ser eu mesma, sem máscaras, sem disfarces, e saber que sou aceita assim. Gostar daquela pessoa exatamente pelo jeito que ela é, sem querer que nada se altere dentro dela, querendo beber de cada gota de sentimento, querer congelar aquele instante perfeito, sem medo do ridículo, vivendo, simplesmente, sentindo. Quem disse que é amor?



Será mesmo que é amor? Ficar tão triste quando não recebe notícias, ficar bem quando a pessoa está bem e solidária, querendo ajudar quando a pessoa não está assim tão bem? Preocupar-se com aquele que parece ser continuação de você, como se fossem apenas uma pessoa, dividida em dois corpos afim de se fundirem em um só, mais tarde. Quem disse que é amor?



Dizem, nada é mais forte do que o amor, não há nada que possa ser maior do que esse sentimento. Será mesmo amor? Sentir o cheiro dele quando penso em nós dois, ávida pelo aroma suave de seu pescoço junto ao meu rosto quando nos abraçamos, não hesitar em não dar ouvidos a quem fala que não vai dar certo, nem querer saber de quem quer nosso mal. Falar tudo na terceira pessoa do plural, como se eu não fosse mais uma, não sou mais singular, sou plural. Ser plural é amar? Como poderia não ser amor? E como poderia ser? Há algo maior do que o amor?



Tudo o que eu sinto é muito pouco para caber em quatro letras, não pode ser. Tem que ser uma palavra maior...alguém dirá "paixão?" Não, paixão é muito pouco para o que eu sinto. Não é o fogo que se alastra e apaga, ou destrói, mas a chama contínua que nunca se apaga e que serve para aquecer, iluminar, me fazer ver a beleza de viver, de crescer, de sonhar, a beleza de sentir tanta coisa e poder dizer, sem pensar duas vezes, que sou feliz.



Porque tenho você, meu amor, e nada pode ser maior do que isso.



Alguém duvida? :)





Escrevi este texto há onze meses e continua atual, ainda mais forte hoje do que naquele tempo. Cinco meses de casados. Cinco meses comemorando minha melhor escolha. Sim, te amo, meu menino.



PS: Não sou muito fã de posts do tipo "querido diário" (ainda que não pareça), mas até o próximo dia 21 de Junho não posso evitar de comemorar, mês a mês, o maior presente que Deus me deu.