Atrasada
As luzes apagadas, as coisas espalhadas pelo chão, pensamentos remexidos, o quadro torto na parede. Odeio esse quadro. Não o escolhi. Na verdade nenhum enfeite, móvel ou objeto de arte deste lugar foi escolhido por mim. A camareira vem todos os dias e muda tudo de lugar.
Chego no final da tarde e tenho que tentar adivinhar onde está o frasco das vitaminas, onde foi parar meu pote de hidratante, o fortalecedor de unhas, a réplica da Arca da Aliança que deixo sobre o criado mudo...ela tira absolutamente tudo do lugar.
Na verdade a vida anda provisória há tempos e tenho um pouco de medo de vê-la tornar-se definitiva. Ter uma casa que será a minha casa, escolher móveis, decoração, cuidar da manutenção e colocar meus projetos no modo "on".
Colocar tudo para funcionar... dá medo. Mas é aquele medo bom, se é que me faço entender, aquele friozinho na barriga que te faz ter vontade de arriscar para ver no que vai dar, para ver acontecer. Estou fazendo estágio.
Voltar definitivamente para Porto Alegre será tomar o controle nas mãos e passar a administrar de verdade a minha vida, o meu casamento. Acaba-se a colônia de férias, mas continua a lua-de-mel, que não sou besta.
Sábado fiquei com vontade de tirar fotos e acabei não tirando. Combinamos de sair e acabamos em casa, novamente. Muito, muito, muito bom. Conversar, comer chocolate na cama, olhar a internet, ler um pouco, conversar mais.
Nossa sociedade acha que ficar em casa é perda de tempo e nos sentimos culpados quando não preenchemos nosso tempo vago com uma saída, uma ida ao shopping, à praia, à lanchonete, barzinho, festas, parques, qualquer coisa que nos tire de casa e que nos dê a sensação de estar "aproveitando".
Não que não seja válido, mas já consegui deixar de me sentir culpada quando fico mais tempo em casa do que planejava. E são minutos preciosos, já que ficamos juntos pouco tempo durante a semana.
O quadro do hotel é muito feio. Juro, muito, muito feio. Espero logo poder ir para casa, colocar o lindo quadro da minha irmã na parede. Quadro que escolhi e comprei.
Aquele tipo de imagem que te transporta para dentro da tela, que tem o mesmo efeito de ouvir uma boa música, de ler um texto harmonioso, muito bem escrito, com o ritmo certo, as cores certas, que te leva a fazer parte da cena, arte é arte, em todas as suas formas. E minha irmã é uma ótima artista. Sim, sou suspeita de dizer, mas, acreditem, nem tão suspeita. Se não fosse, eu não diria que não era, mas também não diria nada.
Sobre o post anterior, falo mês que vem. É que contei para a Aldy e ela não deu a mínima "Achei que você ia me contar alguma novidade"...risos...e minha mãe também não mostrou grande entusiasmo. Vamos deixar a árvore crescer para eu avisar que plantei, ok? Dá mais impacto. E não se preocupem, vocês não morrerão de curiosidade, a gente sobrevive...risos...
PS: Sejam sinceros, o tamanho da fonte está legal?

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