Friday, October 22, 2004

Parabéns para nós!!



Ontem comemoramos quatro meses de casamento!!! Ao nosso estilo, claro, saímos, fomos ao Shopping, compramos presentes, depois encontramos uma creperia maravilhosa com crepes enormes, que pareciam panqueconas quadradas, super recheadas, o máximo.



Posso dizer, seguramente, que não me arrependo nem um pouquinho da decisão que tomei. Acho mesmo que casar foi a melhor coisa que fiz na vida. Afinal de contas, agora eu tenho meu namorado só para mim!! Não preciso me despedir dele ao final do dia, não preciso acordar pela manhã sozinha, esperando que ele venha ou que marquemos alguma coisa.



E a vida continua cada vez melhor. Estou louca para fazer logo um ano, dois, cinco anos para parar de ouvir: "É, no começo é assim mesmo, tudo bonito, todo mundo feliz...depois..." Peraí, ao que eu saiba o "depois" é consequência do que se plantou no começo, não? Se a coisa for bem construída, as possibilidades de dar certo e de depois estar tão bom ou melhor do que o começo são altas.



O problema é exatamente achar que tudo é lindo e deixar passar uma ou outra coisinha que desagrada. Acontece que depois essas coisinhas crescem e se tornam monstros descontrolados, que acabam comendo toda a felicidade.



Não achamos que tudo é lindo (apesar de tudo ser, essencialmente, lindo :) ), estamos aparando arestas, construindo nossa vida, aprendendo a viver em dupla, descobrindo como é esse negócio de ser casal. Sem receita alheia, sem se preocupar, esperando o momento em que tudo desaba, como dizem as pessoas por aí.



Como se eu só tivesse visto casamentos felizes na vida... meus pais casaram-se apaixonados, depois de uns dez anos, meu pai traía a minha mãe com qualquer uma que cruzasse seu caminho (aliás, ele traiu todas as outras com qualquer uma que cruzasse seu caminho também) e eles se separaram quando eu tinha um ano de idade. Mas nada foi tão simples assim, houve uma história bem complexa, que se desenvolveu sutilmente desde o começo e culminou com a separação.



Acredito que as coisas sejam construídas. Tudo na vida, inclusive (e principalmente) relacionamentos amorosos. Um casamento é construído, não se pode descuidar dessa construção nem um dia. Ainda vou provar minha teoria. Acreditar que tudo está fadado a acabar em desgraça é acomodar-se com qualquer porcaria. Ah, tá ruim? Liga não, é assim mesmo.



Agora acreditar que não precisa ser ruim, que existe sim possibilidade de se construir direito as coisas, com amor, respeito, consertando bugs assim que aparecem, sem deixar nada para depois, com muito diálogo, amizade e carinho, eleva as possibilidades de se conseguir construir algo decente, algo que preste.



Minha mãe teve uma péssima primeira experiência, aprendeu o que fazer e, principalmente, o que não fazer. Passou da fase do trauma e agora acredita, firmemente, que pode casar de novo, fazer tudo direito e ser feliz.



Ela, ainda que não pareça (e vocês viram as fotos em Julho) tem 64 anos e, nessa idade em que muitas mulheres já desistiram e se conformaram com qualquer coisa (muitas delas, com a solidão), ela se prepara para uma nova vida. Conhecer alguém que valha a pena (o que, convenhamos, está difícil hoje em dia, em qualquer idade), se apaixonar, casar, ser feliz.



E muitas pessoas de trinta anos vêm me dizer que a gente deve se conformar com o que a vida nos dá. Ei, a gente é que deve lutar, buscar, resolver, não tem essa de esperar a vida nos dar alguma coisa ou se conformar com o que ela dá. O tal do "Vida, leva eu" é a maior babaquice conformista que alguém pode dizer.



Minha mãe é a prova de que as pessoas não precisam deixar-se amargar por uma experiência ruim (ou duas, ou três, ou cinco, ou vinte), mas sempre lutar por uma nova história, ou por consertar a história atual, que seja.



Aliás, uma vez disse para a minha mãe que faria uma campanha no blog para encontrar um cara legal...risos...alguém que tenha um pai, um tio ou um conhecido que valha a pena e que não seja nem velho nem novo demais...risos.. Se bem que o problema dela não é a falta de pretendentes, mas a baixa qualidade deles.



Mas vejam bem, eu achava que era impossível encontrar um cara do jeito que eu queria, com todas aquelas inúmeras qualidades e ainda por cima me apaixonar por ele. Isso, na verdade, parecia ainda mais impossível do que simplesmente encontrar o cara. E - vejam só- quando eu menos esperava, "O Cara" apareceu. E olha que minha mãe acredita muito mais do que eu acreditava.



E o resto da história vocês conhecem. Claro que temos nossso probleminhas de vez em quando, mas nada que fique para o dia seguinte. E a cada dia que passa o amor aumenta e a convivência melhora. Estamos acertando os ponteiros para essa nova vida. E que ninguém me diga que esse esforço é em vão.



Não é, não é, não é! Porque vemos resultados no dia-a-dia, porque já nos conhecemos há um ano e pouco e estamos apenas evoluindo. Porque quando os dois querem e trabalham em conjunto, quando coloca-se Deus no controle de tudo, nenhum esforço é vão.



Estamos construindo o nosso mundinho e planejando nossas coisas. O futuro a Deus pertence, mas a gente tem uma grande participação nele. Plantar direito, para colher depois. A quem me diz "não sou feliz, você, inevitavelmente, também não será" minha intenção não é dizer: "eu sou feliz, você não éé...", mas "se eu sou feliz, por que você não pode ser?" Depende de nós.



PS: Parabéns para nós, Dave, meu amigão, o cara por quem esperei séééééééculos e que finalmente veio, super especial, super divertido, que me coloca para cima e me fez acreditar ainda mais em mim. Te amo!!



PS2: Um beijo para a mamãe, se ela chegar a ler este post :) . Também te amo, mãe!