Complementando, para encerrar:
Bem, o texto anterior, como já era de se esperar, gerou alguma polêmica. A intenção era apenas fazer um comentário, não gerar polêmica alguma. Embora seja até saudável e interessante estimular a discussão, a reflexão sobre o tema, não tenho lá muita disposição para usar esse espaço para debate. Porque sou chata mesmo e não gosto de estresse, só isso, sem nenhum outro motivo mais nobre...risos...
Não abordei o assunto de forma científica, mas como uma pessoa que convive e já conviveu com doentes, pessoas que poderiam ter uma chance à vida, mas que definham a cada dia, tendo sobre suas cabeças sentenças de morte. Abordei pelo lado humano, conhecendo pessoas que têm pais, filhos, sobrinhos, avós, irmãos que não podem andar, não comem direito, vivem à base de remédios, esperando pela morte. Dificilmente abordo temas polêmicos mais de uma vez, mas me vi obrigada a fazer este texto, respondendo a um leitor calado que resolveu (é sempre bom) se manifestar:
"Bom, primeiro, adoro seu blog, o jeito como você escreve. Nunca havia comentado aqui, porém,como biólogo molecular me vejo inserido no contexto que vc apresentou.Não são apenas empecilhos de cunho religioso que proíbem provisoriamente o uso de embriões humanos. É um debate bioético muito mais amplo, sendo simplista analisar o problema desta maneira.Discordo quando você declara que limites são fáceis de serem definidos, principalmente com a fraca vigilância estatal em assuntos relacionados com a biossegurança."
Paulo
Paulo, primeiro, agradeço seu comentário. Sinta-se à vontade para dar sua opinião mesmo em assuntos nos quais você não esteja inserido. :)Afinal de contas, estamos aqui para isso...risos...
Agora, respondendo, eu não disse em momento algum que o uso de embriões humanos era proibido apenas por pressão da Igreja Católica. O que eu disse, e que realmente aconteceu, foi que o governo americano deixou de investir dinheiro público em pesquisas com células-tronco por interferência da Igreja Católica e a interferência religiosa é o principal motivo da relutância de alguns parlamentares em aprovar ou não a tal da lei de biossegurança, aqui no Brasil a bancada religiosa, incluindo parte da bancada evangélica, pressionou também para que fosse proibida a pesquisa com células embrionárias.
De maneira nenhuma eu ignoro que existe o "debate bioético muito mais amplo" e talvez tivesse sido até interessante que você o expusesse, já que está inserido no contexto. Não era a minha intenção escrever um tratado de biossegurança, mesmo porque eu me dispus a abordar apenas um lado do problema, o de quem convive com pessoas que sofrem com determinada doença e sabe que se houvesse a liberação das pesquisas, haveria esperança.
É importante que haja uma regulamentação para a pesquisa, a vigilância estatal é fraca, existem pesquisadores mal-intencionados? Pode ser, mas eles deixariam de agir, tendo meios para isso, se não houvesse a lei? O problema não é apenas estabelecer limites, mas fazê-los cumprir.
Não apenas em relação a isso, mas a diversas outras práticas. Até hoje muita gente tem medo da doação de órgãos, por exemplo, acreditando que se autorizar corre o risco de ter sua vida interrompida em um CTI para que seus órgãos sejam retirados, enquanto poderia ser salva. Lembre-se que na época em que a doação de órgãos entrou em pauta, a celeuma foi semelhante.
Adiar ou evitar pesquisas com células-tronco por não conseguir garantir o cumprimento de certas regras claras pré-estabelecidas não é, a meu ver, a maneira mais inteligente de lidar com a situação. É, repito, sacrificar vidas e esperanças à toa. Não se trata de aborto, nem de clonagem reprodutiva, é cultivar células para salvar vidas.
Outros países já estão fazendo pesquisas e, segundo Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, um grupo de coreanos pediu patente porque conseguiu fazer linhagens de células-tronco embrionárias.Quer dizer que teremos que pagar royalties caso não consegamos fazer pesquisas a tempo, no Brasil. E, pior, quando a tecnologia estiver disponível, só poderá se beneficiar dela quem tiver dinheiro - e muito dinheiro- para bancar. Isso, a meu ver, é um retrocesso.
Comentando a questão que o Claudio levantou, que há a possibilidade de utilização de células-tronco adultas, estudos demonstram que as células-tronco adultas são possuem a mesma eficácia que as embrionárias. Além disso, em alguns casos, o uso de células adultas está totalmente descartado. Por exemplo, em doenças genéticas, nesse caso, segundo Mayana Zatz, uso de células-tronco da medula dos próprios pacientes não tem nenhuma utilidade terapêutica.
Agora não sejamos ingênuos em pensar que apenas ética científica impediria que um projeto desses fosse aprovado, o que realmente conta, na hora de barrar ou não um projeto desses, são convicções morais e religiosas. Se estamos falando de embriões que serão descartados, isto é, que não têm mais potencial de vida, não é justo que impeçamos a continuidade da vida de outra pessoa por eles.
A propósito, alguns links:
Trechos da entrevista com Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP
"A ciência tem uma visão, que eu acho bastante interessante, segundo a qual não existe começo ou fim: a vida seria um ciclo. Ou seja, um embrião se forma, se desenvolve e um dia vai produzir células germinativas que vão originar um novo ser. Levando em conta esta filosofia, para um embrião congelado, que não tem qualidade para formar uma vida, o ciclo acabou. Mas se, a partir deste embrião, forem extraídas células-tronco que podem curar, por exemplo, uma criança acometida por uma doença letal, estaremos mantendo o ciclo da vida.(...)
A legislação atual não é muito definida. Mas hoje a gente não pode fazer pesquisas com células embrionárias. As clínicas de fertilização jogam os embriões no lixo, mas não cedem para pesquisa porque podem ser punidas."
Entrevista completa com Mayana Zatz à Folha Online
Entrevista com Leila Oda, Presidente da Associação Nacional de Biossegurança
Artigo-Drauzio Varella
Estudos contestam eficácia de células-tronco adultas
Trechos da Carta ao Senado, de Célio Levyman, Neurologista do Corpo Clínico e da Unidade Avançada Alphaville e ex-Membro da Comissão de Ética Médica do Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo:
"Tais células também podem ser obtidas do cordão umbilical, cujo destino após o nascimento de uma criança é o lixo, mas tais elementos são mais limitados: os pesquisadores atualmente já conseguiram transferir para os médicos as linhas de tratamento, por ora praticamente limitadas a doenças hematológicas.Essas células-tronco de cordão umbilical são limitadas, portando, para possível utilidade em outras doenças.
(...)
Os resultados mais promissores provem do uso de células-tronco que se originam em embriões, e os achados com tais células são altamente relevantes e positivos, constituindo-se na revolução médica acima citada com uma probabilidade muito alta.
Contudo, o posicionamento da Igreja Católica é contrário ao uso das mesmas, como D. Luciano Mendes de Almeida escreveu recentemente na Folha de São Paulo, por considerarem que um embrião com 100 (cem) células já é um ser vivo, pois a alma já teria penetrado nesse pequeno ser.
Aí está o dogma religioso contra a posição científica: não se discute em que momento a alma entra em um embrião, ou quando se pode considerar o mesmo um ser vivo, como nas discussões sobre o aborto.
Mas no presente caso a posição da Igreja, influindo sobre o Senado, não leva em conta um dado altamente relevante: a utilização de células-tronco a partir de embriões com cem células se faz com aqueles congelados em clínicas de fertilização e descartados, seja por não serem considerados úteis para provocar uma gravidez, seja porque outro lote de embriões da mesma pessoa já foi usado com resultados positivos.
Resultado: esses embriões de clínicas de fertilização, mesmo que se considere como seres vivos pela Igreja, caso não sejam usados para pesquisa e tratamento das doenças com a terapia celular descrita, terão o mesmo destino daqueles cordões umbilicais: serão descartados e irão para o lixo!
Considerar um homicídio o uso de tais embriões e deixar em intenso sofrimento e a caminho de uma morte lenta uma pessoa já formada, de crianças com doenças musculares a adultos com o coração quase totalmente destruído por um infarto, além de não ter lógica, atenta contra o bom senso, pois a não se fazer nada com eles, como quer a CNBB, irão ser descartados, morrerão também e não auxiliarão ninguém."
Carta ao Senado, de Célio Levyman, na íntegra.
Deixo claro aqui não é apenas a Igreja Católica, mas outros segmentos religiosos, inclusive alguns evangélicos. Só citei a Igreja Católica pela clara pressão que ela exerce internacionalmente e por ser um tanto óbvio que ela tem muito mais poder político do que nós ou qualquer outro segmento religioso.
De outra forma, já teríamos um programa forte de conscientização sobre controle de natalidade, por exemplo. O que não ocorre, por motivos religiosos e políticos, obviamente. Aliás, ainda que toda a comunidade evangélica estivesse a com a igreja católica nessa opinião, eu não seria obrigada a estar. Para isso a gente tem liberdade de escolha, não é mesmo?
A propósito, li o depoimento de uma menina (não aqui, felizmente!!) que se dizia contra a pesquisa em células-tronco porque, segundo ela, se continuarmos pesquisando até encontrar a cura para 70% das doenças fatais, não haverá mais espaço para a humanidade no planeta Terra. As doenças, para ela, seriam uma forma de controle populacional, uma forma de "seleção natural". Pois é, as ditaduras também, não?
A título de curiosidade, apenas sete países autorizam as experiências com células-tronco de embriões humanos: Inglaterra, Austrália, Japão, Coréia do Sul, Cingapura, China e Israel.
Como as pesquisas ainda estão engatinhando, tirar alguma conclusão agora é precipitar-se, mas pelo menos a pesquisa deve ser liberada, exatamente para que saibamos qual é o terreno no qual estamos pisando. Apenas isso.
Bem, o texto anterior, como já era de se esperar, gerou alguma polêmica. A intenção era apenas fazer um comentário, não gerar polêmica alguma. Embora seja até saudável e interessante estimular a discussão, a reflexão sobre o tema, não tenho lá muita disposição para usar esse espaço para debate. Porque sou chata mesmo e não gosto de estresse, só isso, sem nenhum outro motivo mais nobre...risos...
Não abordei o assunto de forma científica, mas como uma pessoa que convive e já conviveu com doentes, pessoas que poderiam ter uma chance à vida, mas que definham a cada dia, tendo sobre suas cabeças sentenças de morte. Abordei pelo lado humano, conhecendo pessoas que têm pais, filhos, sobrinhos, avós, irmãos que não podem andar, não comem direito, vivem à base de remédios, esperando pela morte. Dificilmente abordo temas polêmicos mais de uma vez, mas me vi obrigada a fazer este texto, respondendo a um leitor calado que resolveu (é sempre bom) se manifestar:
"Bom, primeiro, adoro seu blog, o jeito como você escreve. Nunca havia comentado aqui, porém,como biólogo molecular me vejo inserido no contexto que vc apresentou.Não são apenas empecilhos de cunho religioso que proíbem provisoriamente o uso de embriões humanos. É um debate bioético muito mais amplo, sendo simplista analisar o problema desta maneira.Discordo quando você declara que limites são fáceis de serem definidos, principalmente com a fraca vigilância estatal em assuntos relacionados com a biossegurança."
Paulo
Paulo, primeiro, agradeço seu comentário. Sinta-se à vontade para dar sua opinião mesmo em assuntos nos quais você não esteja inserido. :)Afinal de contas, estamos aqui para isso...risos...
Agora, respondendo, eu não disse em momento algum que o uso de embriões humanos era proibido apenas por pressão da Igreja Católica. O que eu disse, e que realmente aconteceu, foi que o governo americano deixou de investir dinheiro público em pesquisas com células-tronco por interferência da Igreja Católica e a interferência religiosa é o principal motivo da relutância de alguns parlamentares em aprovar ou não a tal da lei de biossegurança, aqui no Brasil a bancada religiosa, incluindo parte da bancada evangélica, pressionou também para que fosse proibida a pesquisa com células embrionárias.
De maneira nenhuma eu ignoro que existe o "debate bioético muito mais amplo" e talvez tivesse sido até interessante que você o expusesse, já que está inserido no contexto. Não era a minha intenção escrever um tratado de biossegurança, mesmo porque eu me dispus a abordar apenas um lado do problema, o de quem convive com pessoas que sofrem com determinada doença e sabe que se houvesse a liberação das pesquisas, haveria esperança.
É importante que haja uma regulamentação para a pesquisa, a vigilância estatal é fraca, existem pesquisadores mal-intencionados? Pode ser, mas eles deixariam de agir, tendo meios para isso, se não houvesse a lei? O problema não é apenas estabelecer limites, mas fazê-los cumprir.
Não apenas em relação a isso, mas a diversas outras práticas. Até hoje muita gente tem medo da doação de órgãos, por exemplo, acreditando que se autorizar corre o risco de ter sua vida interrompida em um CTI para que seus órgãos sejam retirados, enquanto poderia ser salva. Lembre-se que na época em que a doação de órgãos entrou em pauta, a celeuma foi semelhante.
Adiar ou evitar pesquisas com células-tronco por não conseguir garantir o cumprimento de certas regras claras pré-estabelecidas não é, a meu ver, a maneira mais inteligente de lidar com a situação. É, repito, sacrificar vidas e esperanças à toa. Não se trata de aborto, nem de clonagem reprodutiva, é cultivar células para salvar vidas.
Outros países já estão fazendo pesquisas e, segundo Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, um grupo de coreanos pediu patente porque conseguiu fazer linhagens de células-tronco embrionárias.Quer dizer que teremos que pagar royalties caso não consegamos fazer pesquisas a tempo, no Brasil. E, pior, quando a tecnologia estiver disponível, só poderá se beneficiar dela quem tiver dinheiro - e muito dinheiro- para bancar. Isso, a meu ver, é um retrocesso.
Comentando a questão que o Claudio levantou, que há a possibilidade de utilização de células-tronco adultas, estudos demonstram que as células-tronco adultas são possuem a mesma eficácia que as embrionárias. Além disso, em alguns casos, o uso de células adultas está totalmente descartado. Por exemplo, em doenças genéticas, nesse caso, segundo Mayana Zatz, uso de células-tronco da medula dos próprios pacientes não tem nenhuma utilidade terapêutica.
Agora não sejamos ingênuos em pensar que apenas ética científica impediria que um projeto desses fosse aprovado, o que realmente conta, na hora de barrar ou não um projeto desses, são convicções morais e religiosas. Se estamos falando de embriões que serão descartados, isto é, que não têm mais potencial de vida, não é justo que impeçamos a continuidade da vida de outra pessoa por eles.
A propósito, alguns links:
Trechos da entrevista com Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP
"A ciência tem uma visão, que eu acho bastante interessante, segundo a qual não existe começo ou fim: a vida seria um ciclo. Ou seja, um embrião se forma, se desenvolve e um dia vai produzir células germinativas que vão originar um novo ser. Levando em conta esta filosofia, para um embrião congelado, que não tem qualidade para formar uma vida, o ciclo acabou. Mas se, a partir deste embrião, forem extraídas células-tronco que podem curar, por exemplo, uma criança acometida por uma doença letal, estaremos mantendo o ciclo da vida.(...)
A legislação atual não é muito definida. Mas hoje a gente não pode fazer pesquisas com células embrionárias. As clínicas de fertilização jogam os embriões no lixo, mas não cedem para pesquisa porque podem ser punidas."
Entrevista completa com Mayana Zatz à Folha Online
Entrevista com Leila Oda, Presidente da Associação Nacional de Biossegurança
Artigo-Drauzio Varella
Estudos contestam eficácia de células-tronco adultas
Trechos da Carta ao Senado, de Célio Levyman, Neurologista do Corpo Clínico e da Unidade Avançada Alphaville e ex-Membro da Comissão de Ética Médica do Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo:
"Tais células também podem ser obtidas do cordão umbilical, cujo destino após o nascimento de uma criança é o lixo, mas tais elementos são mais limitados: os pesquisadores atualmente já conseguiram transferir para os médicos as linhas de tratamento, por ora praticamente limitadas a doenças hematológicas.Essas células-tronco de cordão umbilical são limitadas, portando, para possível utilidade em outras doenças.
(...)
Os resultados mais promissores provem do uso de células-tronco que se originam em embriões, e os achados com tais células são altamente relevantes e positivos, constituindo-se na revolução médica acima citada com uma probabilidade muito alta.
Contudo, o posicionamento da Igreja Católica é contrário ao uso das mesmas, como D. Luciano Mendes de Almeida escreveu recentemente na Folha de São Paulo, por considerarem que um embrião com 100 (cem) células já é um ser vivo, pois a alma já teria penetrado nesse pequeno ser.
Aí está o dogma religioso contra a posição científica: não se discute em que momento a alma entra em um embrião, ou quando se pode considerar o mesmo um ser vivo, como nas discussões sobre o aborto.
Mas no presente caso a posição da Igreja, influindo sobre o Senado, não leva em conta um dado altamente relevante: a utilização de células-tronco a partir de embriões com cem células se faz com aqueles congelados em clínicas de fertilização e descartados, seja por não serem considerados úteis para provocar uma gravidez, seja porque outro lote de embriões da mesma pessoa já foi usado com resultados positivos.
Resultado: esses embriões de clínicas de fertilização, mesmo que se considere como seres vivos pela Igreja, caso não sejam usados para pesquisa e tratamento das doenças com a terapia celular descrita, terão o mesmo destino daqueles cordões umbilicais: serão descartados e irão para o lixo!
Considerar um homicídio o uso de tais embriões e deixar em intenso sofrimento e a caminho de uma morte lenta uma pessoa já formada, de crianças com doenças musculares a adultos com o coração quase totalmente destruído por um infarto, além de não ter lógica, atenta contra o bom senso, pois a não se fazer nada com eles, como quer a CNBB, irão ser descartados, morrerão também e não auxiliarão ninguém."
Carta ao Senado, de Célio Levyman, na íntegra.
Deixo claro aqui não é apenas a Igreja Católica, mas outros segmentos religiosos, inclusive alguns evangélicos. Só citei a Igreja Católica pela clara pressão que ela exerce internacionalmente e por ser um tanto óbvio que ela tem muito mais poder político do que nós ou qualquer outro segmento religioso.
De outra forma, já teríamos um programa forte de conscientização sobre controle de natalidade, por exemplo. O que não ocorre, por motivos religiosos e políticos, obviamente. Aliás, ainda que toda a comunidade evangélica estivesse a com a igreja católica nessa opinião, eu não seria obrigada a estar. Para isso a gente tem liberdade de escolha, não é mesmo?
A propósito, li o depoimento de uma menina (não aqui, felizmente!!) que se dizia contra a pesquisa em células-tronco porque, segundo ela, se continuarmos pesquisando até encontrar a cura para 70% das doenças fatais, não haverá mais espaço para a humanidade no planeta Terra. As doenças, para ela, seriam uma forma de controle populacional, uma forma de "seleção natural". Pois é, as ditaduras também, não?
A título de curiosidade, apenas sete países autorizam as experiências com células-tronco de embriões humanos: Inglaterra, Austrália, Japão, Coréia do Sul, Cingapura, China e Israel.
Como as pesquisas ainda estão engatinhando, tirar alguma conclusão agora é precipitar-se, mas pelo menos a pesquisa deve ser liberada, exatamente para que saibamos qual é o terreno no qual estamos pisando. Apenas isso.

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