Thursday, October 14, 2004

O Rapaz do Capuccino





upload: Finalmente uma foto!! Essa foi tirada hoje (15), no segundo encontro entre eu e o Claudio. Na foto, Claudio, Daniel e eu no Fashion Mall, no momento do café...risos... ao menos uma prova de que eu conheci Claudio Téllez e que ele realmente existe. A propósito, ele conheceu o Dave. Posso garantir, ambos existem.



Vocês vão me achar insuportável. Sim, eu ando insuportável. Vão achar que escrevo esses textos por puro puxa-saquismo e eu garanto que não é verdade. Conheci Claudio Téllez. É fantástico conhecer, depois de tanto tempo, essas figuras que já fazem parte da minha vida e com quem sempre conversei muito mais do que converso com gente que me conheceu apenas ao vivo.



Conheci o Claudio acho que no começo do ano passado, no auge das conversas alucinadas sobre boicote à Coca-Cola onde eu me sentia um absoluto ET por não chamar os norte-americanos de estadunidenses e por achar uma baita hipocrisia toda aquela conversa anti-guerra no Iraque. Assim começou o Another Monster. Assim conheci Claudio Téllez.



Procurei no google: "Sou a favor da guerra no Iraque" blog e encontrei o blog do Giovanni, onde me deparei com um link para Señor Téllez e gostei do que dizia o rapaz. Depois ele me encontrou aqui e, como só acontece na blogosfera, ficamos amigos. Paleozóicos, adoramos trocar cartas via correio, o que é impensável para as cyber-pessoas da atualidade.



Guardo todas as correspondências, com cuidado (ou ao menos o máximo de cuidado que consigo ter), porque sei que esse cara algum dia vai ser presidente de algum lugar (ele ameaçou o Chile) ou o responsável por alguma alteração no pensamento da sociedade ou coisa que o valha.



Enfim, certamente irei publicar essas cartas no futuro, quando formos ambos famosos expoentes de algum movimento de alguma coisa que valha ser publicada :) Exatamente o que eu já havia previsto no post anterior.



Claro que a julgar pelo conteúdo de nossas correspondências seremos tratados como desequilibrados pelas gerações futuras, mas isso é um problema entre elas e a História e eu não tenho nada com isso. E esbarro em outro problema, a menos que o café traga danos irreversíveis que impeçam a longevidade de um indivíduo, Claudio Téllez durará muito.



Provavelmente teremos que negociar a publicação das correspondências, ambos velhinhos, e não poderei me aproveitar de sua fama póstuma. Porque, ainda que ele ache que morrerá antes dos 100 anos previstos pela Lei Vanessal de Qualidade e Duração de Vida de Escritores, eu tenho certeza que não.



Já vejo esse cara velhinho, andando com certa dificuldade, com os óculos descascados pintados com esmalte, escrevendo seus textos claros, daqueles que você não consegue nem refutar. Felizmente até hoje não tentei refutar, de qualquer forma...risos...mas até os 100 anos refuto. Dois velhinhos discutindo, pelo puro prazer de discordar de algo. Se bem que não tenho prazer em discutir e discordar, embora as críticas digam o contrário e me acusem de encrenqueira. Não sou.



Conversamos por horas. Normal. Fomos a uma loja de livros usados e, estranhamente, havia centenas de livros usados por lá. Olhamos livros (ele mais do que eu, para ser sincera), compramos livros e ganhei presente!! Como boa bisbilhoteira, amo dois tipos de livros em especial (não que não goste de outros tipos, compreendam): livros de correspondências e diários. Diário de Daniel Chisholm, um soldado da Pensilvânia, durante a guerra civil. Vai de 1864 a 1865. No original, em inglês. O que quero mais?



Café. Rodamos um bom tempo atrás de um lugar para sentar e tomar um café. Não sou muito chegada em café, mas esta bebida para mim funciona mais ou menos como o Tereré para os meus conterrâneos ou o Chimarrão para os conterrâneos do Dave: na verdade à maioria nem interessa tomar, mas é uma espécie de ritual-desculpa para sentar e conversar, apreciando boa companhia. Essa é, para mim, toda a essência do capuccino, uma coisa ritualística.



Me parece que o Capuccino é para o Claudio o que é para o Dave: Café com leite e chocolate, com creme por cima, às vezes e, em casos extremos, polvilhado com canela. Capuccino para eles é, estranhamente, capuccino. Mas enfim, não importa, o capuccino estava bom, embora os bolinhos estivessam sensivelmente melhores.



Conversar com o Claudio foi uma experiência única. Sim, porque sempre combinamos em uma porção de coisas, o que me leva a crer que se ele não é do mesmo planeta que eu, é de outro bem próximo. Infelizmente, ao contrário do relato sobre a Laly ou sobre aBlanda, não posso dizer, por exemplo, que ele tem um sorriso lindo, sob pena de ser mal interpretada, sobretudo pela Evelyn, namorada do Claudio, ou pelo Dave, meu marido. E ser vista como Góia (sorry, não há outro termo tão abrangente como esse. Góia é o diminutivo de "Lambisgóia", usado nos textos de Josephine ButterFly para referir-se às mulheres que se aproximam de seu namorado. Para ela, toda mulher é Góia até que se prove o contrário. Claro que não penso assim. Nem gosto de citá-la neste blog por motivos óbvios a mim, mas desta vez foi impossível não citar), eventualmente. Mas ele tem um sorriso lindo :) E parece ainda mais jovem do que é e do que parece pelas fotos.



Mas posso falar, por exemplo, da facilidade com a qual a conversa fluiu. Conversei com a Evelyn também e ela é ainda mais simpática do que eu imaginava, falamos em combinar um passeio em Niterói, onde ela está morando atualmente.



Passamos diversos assuntos e é infinitamente reconfortante trocar idéias inconformadas sobre a ignorância reinante neste país, sobre experiências na faculdade, comentários esparsos sobre a decadência da literatura brasileira contemporânea e, de quebra, descobri que ele reabriu o blog!!! Então, voem para http://claudiotellez.blogspot.com/.



Conversamos sobre um monte de coisa. É interessante conversar com alguém que entende o que você fala, atualmente consigo isso muito pouco. Conversar pessoalmente sobre qualquer coisa com alguém que me entenda, só com Dave e minha mãe. Felizmente, junto ao mar de ignorantes analfabetizados, existem Daves, Telitas e Claudios.



Felizmente conheço uma boa parte dos seres pensantes da net. Conheço também os seres não-pensantes, mas não tenho muito contato com eles. Meus leitores, por exemplo, costumam me dar feed-backs interessantes, coisa que não acontece em grande parte dos blogs por aí, o que me deixa feliz por mim e triste por grande parte dos autores de blogs por aí. Enfim...



Claudio é um intelectual, inteligentíssimo, com uma bagagem impressionante e uma característica raríssima em intelectuais inteligentíssimos com uma bagagem impressionante: a humildade. Sim, eu devo admitir que sou teimosa e birrenta em algumas coisas e admiro quem tem a capacidade de ter a capacidade e ao mesmo tempo abaixar as armas para captar mais informações. Ainda sou bastante verde em algumas coisas.



Claudio é maduro, divertidíssimo, uma pessoa extraordinária. Exatamente a mesma pessoa que conheci durante esse tempo todo de amizade. Me ajudou, enquanto este blog ainda engatinhava e eu não entendia nada de nada, a resolver um problema que tive com os links. Depois, eu estava sem photoshop e ele se dispôs a me mandar o Cd. Me ajudou sem saber quem eu era e sem pedir nada em troca.



Lembro de sua sensibilidade extrema diante de minha maior crise existencial quando fui conhecer Dave em Porto Alegre (aquela mesma com a qual a Blanda me ajudou): "Vanessa, larga de ser idiota". Ele não deu a mínima para o meu drama e funcionou, eu vi que era realmente uma idiotice e resolvi largar de ser idiota :)



Mas a idiota aqui esqueceu a máquina fotográfica sobre a mesa, devidamente dentro de uma sacolinha, para não esquecer. Esqueci. E olha que ainda deixei o rapaz esperando alguns minutos na recepção enquanto tirava as tralhas do caminho para facilitar o trabalho da camareira.



Estaria proibida de esquecer qualquer coisa depois do tempo todo que demorei, mas esqueci. Lembrem-se que encontrei a Larissa duas vezes, levei a câmera nas duas vezes e não tirei uma mísera foto porque...esqueci! paciência. Diz o Claudio que é assim mesmo com quem gasta muita energia com o trabalho intelectual. Vou acreditar nele. Gastei meu cérebro pensando, ele não serve para mais nada além disso...risos...



Aliás, Claudio é o tipo de pessoa que você não acha que existe. Aliás, por muito tempo eu realmente achei que ele não existisse. Talvez fosse uma lenda, cheguei mesmo a acreditar nisso depois de inúmeras tentativas frustradas de encontrá-lo com a Laly. Mas ele teve motivos para não aparecer antes, obviamente eu compreendo e só repito a reclamação para encher o saco mesmo. :)



Eu, que era tão cética em relação às pessoas, que não acreditava em amizade, detestava computador e abominava a internet, tenho que me curvar à inexorável verdade de que pessoas legais, inteligentes, altruístas, amigas, interessantes e divertidas realmente existem e eu as atraio!!! :) Ao menos uma coisa que a internet me ensinou. Consegui amigos de verdade, que combinam comigo (aproveitei e me casei com o mais fofinho deles :)), porque aqui a gente não faz amizade pela proximidade física, mas pela proximidade de idéias, o que garante um relacionamento muito mais duradouro, sólido e verdadeiro.



Não achava que teria oportunidade de conhecer o Claudio tão cedo. Nem a Laly, nem a Blanda. E, de uma certa forma, a gente sempre tem um certo medo de se decepcionar pessoalmente, conhecer uma pessoa pela net e ver outra cara-a-cara. Devo dizer que isso ainda não aconteceu. Até agora a realidade tem se mostrado até melhor do que no meio virtual.



Pena que conversas ao vivo se perdem, não há arquivo de mensagens, nem forma alguma de guardá-las senão no coração e na memória. Mas o audiovisual é tão bom que creio que, por mais terrível que seja minha memória (Claudio disse que meu problema não é a memória, mas a distração. Pode ser. Pode ser também que ambas as coisas estejam interligadas. Ou não.) isso não é o tipo de coisa que se esqueça. Não mesmo.



Enfim, espero que não se confirme minha teoria: as pessoas me conhecem, ficam apavoradas, nunca mais ligam, nem entram em contato.Eu aqui, toda deslumbrada, fazendo textos enormes do tipo "cara, meus amigos são o máximo" e os pobres seres fugindo de mim como o diabo fugiria da cruz, se ele fugisse realmente da cruz.



Adorei conhecer o Claudio e, sinceramente, espero que se confirme nossa grande reunião entre eu, ele e a Laly ou entre eu, o Dave, o Claudio, a Evelyn, a Laly , o Marcelo e a Gerusa :) Olha, nem sei se chegamos a mencionar isso, mas taí uma reunião que eu gostaria de ver. Enfim, Claudio, não suma. Não suma como a Larissa sumiu (sim, eu me acho o centro do universo e esqueço que as outras pessoas não são desocupadas como a que habita meu corpo desde que ele foi formado no ventre da minha querida mãe), como a Blanda ameaça sumir (antes que ela ameace, faço meu drama habitual), como sumiram os primos do Dave, a namorada do primo do Dave...



A propósito, falei em corpo, ia tentar encontrar um adjetivo como "meu magrelo corpo", "meu branquelo corpo", mas primeiro, depois de falar da Blanda e claramente bronzeada como estou seria risível dizer "meu branquelo corpo", depois, engordei no mínimo uns quatro, cinco quilos depois do casamento, o que invalida o "meu magrelo corpo". Há uma sala de ginástica no hotel e me trituro em culpa por só tê-la visitado uma vez. Falando sobre esse assunto com o Claudio, chegamos à conclusão de que o culto ao corpo desvia a atenção de áreas mais importantes, como o cérebro. Dieta é burra. Glicose é alimento para o cérebro.



Claro que ninguém vai sair por aí entupindo-se de frituras e lambuzando-se de doces sob esse pretexto, mas há de se ter certo equilíbrio nas coisas. Um matinho durante o almoço não faz mal a ninguém e eu adoro verdura. Evitamos frituras e excesso de gordura por questões de saúde e qualquer coisa em excesso é prejudicial.



Eu não fumo, nem bebo, então sou um ser saudável, mesmo que ligeiramente sedentária. Ando bastante e pretendo voltar à musculação. Menos pela saúde, mais pela estética, afinal de contas, no fundo, no fundo, eu sou superficial :) E não quero chegar, sei lá, aos quarenta, cinquenta, lamentando que meu mundo caiu, ou que alguma coisa minha caiu.



Mas é uma eterna crise de consciência. O trabalho braçal desvia a energia que poderia estar sendo usada pelo cérebro para o trabalho intelectual. Se não for verdade, ao menos é uma boa desculpa.