A Revolução do Giz de Cera

Se as portas não se abrem, eu as arrombo. Se ainda assim não me obedecem, construo minhas próprias portas, com minhas próprias chaves e entro onde quiser. Alguém se lembra daqueles desenhos infantis nos quais um simples giz de cera era capaz de desenhar portas em paredes nuas, que se abriam ao girar da maçaneta?
Cada um de nós possui esse giz, ainda que não saiba. Que ninguém seja levado pela vida, a gente faz dela o que quiser. Minha mãe me ensinou que é a gente que faz a vida, que a gente escolhe os caminhos, a gente faz as escolhas, a gente decide com quais olhos quer ver.
Ando escrevendo um bocado, mas muito menos do que eu gostaria. O que importa é o que está mudando aqui dentro. De repente me dei conta de que eu só serei o que quiser ser, o que realmente decidir ser. Eu sei o que sou.
Preencho formulários colocando "escritora" no campo "profissão" ainda que meu senso de ridículo se descabele do lado de cá. Ouvi muito meu senso de ridículo, até perceber que ele é que é ridículo. Hoje eu o ignoro, porque me impediu de fazer o que eu queria por anos a fio. E virou meu inimigo.
Eu sou escritora, só não posso provar :) ainda. Em breve, em breve. Não sei quando, ninguém sabe, só sei que o tempo passa com uma rapidez desconcertante e qualquer tempo é breve. Em breve, em breve, quando eu derrubar minhas próprias portas e criar aquelas outras, com giz de cera.
Ando animada. Animadíssima, como se a vida me acenasse dizendo: "ei, você! Estou do seu lado outra vez." E isso só acontece quando a gente deixa claro para essa tal de vida que ela não nos leva de jeito nenhum, que somos sós que levamos a vida, que somos nós os responsáveis pelas escolhas.
Antigamente eu achava que a literatura brasileira estava abandonada porque os bons escritores estavam todos (ou quase todos) mortos. Agora eu descobri quantos brasileiros escrevem bem para caramba e estão fora do mercado literário, ou tendo que arranjar alternativas porque as grandes editoras não dão espaço.
Ontem, olhando o balcão de "mais vendidos", seção "Literatura" da livraria Siciliano do Shopping Botafogo, eu e Dave decidimos contar quantos dos autores expostos eram brasileiros. Contamos sessenta e cinco livros. Desses, apenas vinte eram de literatura nacional. Isso apenas entre os mais vendidos de uma mísera prateleira. Não é um absurdo?
Não desprestigio a literatura internacional. Aliás, a literatura internacional tem muito mais qualidade do que a nacional, mas não porque eles escrevem melhor do que nós, mas porque nossos brasileiros que escrevem bem estão representados por, digamos, 10% dos autores nacionais publicados, sendo otimista. Mas se nos conformarmos com isso, nunca vai mudar. Depende de nós.
O negócio é trabalhar, lutar, abrir nosso espaço para uma revolução literária, a ressurreição da literatura brasileira. Aos poucos, bem lentamente, a gente vê isso acontecendo. E arrisco dizer que a contribuição da blogosfera para esse movimento tem sido imensa.
Não vou desistir ou desanimar, nem mesmo me acovardar ou me acomodar com a situação atual. Estou com o meu giz de cera na mão. E o seu? Onde está?


Se as portas não se abrem, eu as arrombo. Se ainda assim não me obedecem, construo minhas próprias portas, com minhas próprias chaves e entro onde quiser. Alguém se lembra daqueles desenhos infantis nos quais um simples giz de cera era capaz de desenhar portas em paredes nuas, que se abriam ao girar da maçaneta?
Cada um de nós possui esse giz, ainda que não saiba. Que ninguém seja levado pela vida, a gente faz dela o que quiser. Minha mãe me ensinou que é a gente que faz a vida, que a gente escolhe os caminhos, a gente faz as escolhas, a gente decide com quais olhos quer ver.
Ando escrevendo um bocado, mas muito menos do que eu gostaria. O que importa é o que está mudando aqui dentro. De repente me dei conta de que eu só serei o que quiser ser, o que realmente decidir ser. Eu sei o que sou.
Preencho formulários colocando "escritora" no campo "profissão" ainda que meu senso de ridículo se descabele do lado de cá. Ouvi muito meu senso de ridículo, até perceber que ele é que é ridículo. Hoje eu o ignoro, porque me impediu de fazer o que eu queria por anos a fio. E virou meu inimigo.
Eu sou escritora, só não posso provar :) ainda. Em breve, em breve. Não sei quando, ninguém sabe, só sei que o tempo passa com uma rapidez desconcertante e qualquer tempo é breve. Em breve, em breve, quando eu derrubar minhas próprias portas e criar aquelas outras, com giz de cera.
Ando animada. Animadíssima, como se a vida me acenasse dizendo: "ei, você! Estou do seu lado outra vez." E isso só acontece quando a gente deixa claro para essa tal de vida que ela não nos leva de jeito nenhum, que somos sós que levamos a vida, que somos nós os responsáveis pelas escolhas.
Antigamente eu achava que a literatura brasileira estava abandonada porque os bons escritores estavam todos (ou quase todos) mortos. Agora eu descobri quantos brasileiros escrevem bem para caramba e estão fora do mercado literário, ou tendo que arranjar alternativas porque as grandes editoras não dão espaço.
Ontem, olhando o balcão de "mais vendidos", seção "Literatura" da livraria Siciliano do Shopping Botafogo, eu e Dave decidimos contar quantos dos autores expostos eram brasileiros. Contamos sessenta e cinco livros. Desses, apenas vinte eram de literatura nacional. Isso apenas entre os mais vendidos de uma mísera prateleira. Não é um absurdo?
Não desprestigio a literatura internacional. Aliás, a literatura internacional tem muito mais qualidade do que a nacional, mas não porque eles escrevem melhor do que nós, mas porque nossos brasileiros que escrevem bem estão representados por, digamos, 10% dos autores nacionais publicados, sendo otimista. Mas se nos conformarmos com isso, nunca vai mudar. Depende de nós.
O negócio é trabalhar, lutar, abrir nosso espaço para uma revolução literária, a ressurreição da literatura brasileira. Aos poucos, bem lentamente, a gente vê isso acontecendo. E arrisco dizer que a contribuição da blogosfera para esse movimento tem sido imensa.
Não vou desistir ou desanimar, nem mesmo me acovardar ou me acomodar com a situação atual. Estou com o meu giz de cera na mão. E o seu? Onde está?


<< Home