Leitura Obrigatória Para Quem Escreve (ou acha que)

Não costumo comentar os livros que leio. Leio consideravelmente e tenho lido menos do que eu gostaria. Detesto dar uma de crítica literária (mesmo porque eu sou um saco e costumo criticar negativamente até meu próprio trabalho), sem contar que escrevo tanto que acabaria escrevendo outro livro sobre o livro. E odeio listar os livros que li durante a semana, o mês, o ano, a década ou a vida inteira porque, veja bem, sem saber disso já há quem me ache arrogante, imagina se soubessem! :)
Então recolho-me à minha falsa insignificância e finjo ser normal. De vez em quando consigo enganar alguém. Nem sempre. Quase nunca. Mas hoje foi impossível deixar de escrever e comentar, um pouco que seja, "O Cabotino", de Paulo Polzonoff Jr.
A princípio, com minha eterna mania de perseguição e o complexo de inferioridade que me persegue, ao ler, ainda no prefácio "Tenho a esperança - e é preciso dizer, não sem medo de cair na pieguice, que a esperança é a tônica deste livro- de que um - ao menos um, unzinho - escritor desprezível desista da empreitada ao terminar a leitura. Já terei cumprido o meu propósito e, portanto, poderei fechar os olhos e morrer em paz. Daqui a cem anos, claro".
Fechei o livro. Sim, fechei o livro ainda no prefácio, apavorada, com medo de ser descoberta. Leio ou não leio? Será que me descobrirei a escritora desprezível que temo ser e desistirei do ofício literário antes mesmo do primeiro livro publicado?
Confesso, tive medo. Muito medo. Pavor. Quase não dormi à noite e tive pesadelos com o Polzonoff rasgando meu proto-livro tão logo ele saísse da minha impressora, dizendo: "Leia, leia, enfrente a realidade!!".
Já me imaginei, ao descobrir-me embuste, a farsa que, no fundo, sempre soube que era, tendo que seguir outro caminho menos letrado, longe igualmente daqueles outros dotes artísticos que julgo ter e que foram relegados a quinquagésimo plano simplesmente porque nunca tive saco para eles.
Nunca fui apaixonada pelo desenho, nunca desenhei com grande prazer, pela música até que me apaixonei, mas nunca nos envolvemos profundamente. Teatro? Eu teria que fazer alguma coisa completamente diferente. Mas eu não tive nenhuma idéia. Nenhuma idéia! E o pesadelo acabou. Finalmente. Acordei.
O livro olhou para mim e eu para ele. Em um ímpeto de coragem, comecei o primeiro capítulo, intitulado "Proto-escritor". Era eu. Respirei fundo. "Então você decidiu que quer ser escritor, não é?" Balancei a cabeça positivamente, em resposta. "Posso até adivinhar sua cara". Ah, acredite, querido, não pode. A cara aterrorizada com a qual eu lia cada palavra simplesmente não pode ser descrita, muito menos adivinhada.
Então o neurônio número dois resolveu funcionar e eu revisitei a primeira pergunta. Não, não decidi que quero ser escritora. Eu descobri que sou escritora e decidi não esconder mais. Pior do que você imaginava, muito pior. Sou uma proto-escritora em fase terminal. Sem salvação.
Logo no primeiro parágrafo, relaxei. Ma non troppo. Me analisei até a última página do livro, ao mesmo tempo em que identificava tipos hilários de proto-escritores que passaram por mim ao longo desses 21 anos em que sei ler. Alguns conheci pessoalmente, outros tive a infelicidade de ler.
Alguns nomes minha mente bloqueou eternamente, outros decorei para facilitar a identificação do indivíduo e a minha fuga, caso cruze o meu caminho. O livro tem sub-título: "Um guia de anti-ajuda para literatos". E poucas páginas, porque escrevinhadores não gostam de ler.
Extremamente bem humorado, Polzonoff é, sobretudo, um sonhador. Acredita poder, de alguma forma, trazer o proto-escritor à sensatez e fazê-lo desistir de lançar mais um lixo no mercado.
Ao mesmo tempo, ao final do livro, sente-se uma ligeira melancolia porque, todos sabem, escrevinhadores não são seres sensatos, não se importam com os pobres eucaliptos e, caso se importem, imprimirão seus livros em papel reciclado e, assim, além de pseudo-intelectualóides, ainda poderão proclamar sua "conscientização enquanto indivíduo que respeita o meio-ambiente".
Alguns seres acham que podem se transformar em escritores, colocam uma aura de "artista" e não se cansam de exaltar sua "escrita", que os move, os impulsiona, porque a literatura corre em suas veias. Desde ontem.
Uma vez escrevi aqui que ninguém se torna escritor, ou o indivíduo nasce escritor ou será, para sempre, um impostor. Teve gente que não gostou, discordou, bateu o pé. Respondi que, se ele fosse escritor saberia do que estou falando.
Outra coisa que é importante salientar é que escritor é escritor, jornalista é jornalista. Alguns são as duas coisas, por mero acaso, mas são poucos. Muitos que fazem faculdade de jornalismo (acreditem) sequer gostam de ler. A gente nasce escritor, lê, estuda, aprimora o texto, mas nasce escritor.
Eu não sou arrogante. Mas não vamos banalizar a literatura, não mais do que ela já está banalizada. Não notei também nenhuma arrogância agressiva em "O Cabotino", apenas a verdade- a mais pura verdade.
Algumas coisas me trouxeram grande alívio. Por exemplo, ler: "Se em meados do século XX já era difícil escrever poesia, depois do lixo-luxo ficou ainda mais complicado. Escrever um poema com versos legíveis passou a ser um crime lesa-intelectualidade e um soneto era passível de morte", me lembro o porquê de ter desistido de escrever poemas.
Acontece que isso (o primado da desordem mental) há muito já contaminou a literatura em prosa. Mas desta vez, ao invés de desistir, revisto-me de meus delírios messiânicos e agora quero ajudar a salvar a literatura nacional, fazendo parte de um movimento que - pressinto- há de surgir e fazer uma revolução literária, para ressuscitar nossa literatura (como houve com o cinema. Quer dizer, mais ou menos. Um pouco melhor, espero) e pretendo juntar-me a outros escritores brilhantes (e modestos), para entulhar (no bom sentido) o mercado de bons livros e jogar as porcarias mal-escritas por escrevinhadores no ostracismo. Sim, minha megalomania me impulsiona.
"O Cabotino" me surpreendeu. Não posso deixar de citar (mais uma vez) o autor, quando diz: "A impressão que tenho às vezes é a de estar vivendo num mundo completamente cego. É um desespero tremendo este de se descobrir um Copérnico, tendo a certeza de que a Terra é redonda, a despeito de todas as opiniões contrárias (...) No caso da crítica literária, às vezes converso com pessoas, olho para os lados, leio textos e me pergunto: Serei eu o único a ver que isso é enganação? Que isso é impostura? Que isso é política?"
Não, meu caro, eu também vejo. E não só eu, meu marido e minha mãe também vêem (embora eles pareçam suspeitos ao concordar comigo). A Terra é redonda. E algum dia alguém conseguirá provar isso e nos libertar da escravidão da falta de regras, de razão, de sentido e de talento da literatura contemporânea. Aliás, da arte contemporânea em geral.
Descobri que minhas técnicas de enganação de leitores para que acreditem que escrevo bem já foram todas descobertas e destrinchadas por este livro. Tenho, urgentemente, que arranjar técnicas novas.
Por fim, algo que todo mundo deveria saber: "Para mim, uma pessoa inteligente deve ter senso de humor. Não adianta. Não consigo acreditar em pessoas inteligentes, mas chatas. Pessoas que franzem a testa ao dizerem uma piada. Que torcem o nariz para uma tirada que se pretende a espirituosa. Não acredito que literatura, que boa literatura, esteja isenta de humor".
Quem não sabe, aprenda.
Apesar de tudo o que li, não desisti do meu livro, nem da foto na orelha, muito menos da noite de autógrafos que, aliás, não vai ter vinho branco, nem nenhum outro tipo de bebida alcólica porque eu não bebo e não quero meu livro ligado à indústria do álcool.
Serviremos refrigerantes e sucos porque detesto ser a única criatura sóbria ao final da festa. Também não teremos nenhum tipo de peixe ou criatura marinha, porque sou alérgica e se comer alguma coisa dessas a comemoração se transformará no lançamento de uma obra póstuma.
Trocaremos as flores por samambaias e arbustos decorativos, farei cara de pena para que todos os presentes comprem meu livro e escreverei dedicatórias imensas e personalizadas para cada um da fila, ainda que nunca tenha visto o indivíduo na vida. Tirarei milhões de fotos e depois publicarei no blog. Voltarei para casa feliz e dormirei tranquila. No dia seguinte, começarei um novo livro.
Definitivamente, ler "O Cabotino" não me surtiu o efeito desejado, ao contrário, me deu vontade de escrever ainda mais, só para ignorar os críticos depois e provar que sou, sim, uma escritora de verdade. :)
PS: Momento propaganda: O livro "Onde não se responde", da
Claudia Letti já está em pré-venda no seguinte site: www.lojacultural.com.br. Lembrando a todos que o lançamento será no dia 25 deste mês, a partir das 19 horas, na Arteclara, que fica na Rua Lopes Quintas (que é continuação da Saturnino de Brito), 180, Jardim Botânico. Aqui no Rio de Janeiro. Leitores amigos residentes nesta cidade estão convocados...digo, convidados a ir :) Fiquem tranquilos, não os deixarei esquecer.

Não costumo comentar os livros que leio. Leio consideravelmente e tenho lido menos do que eu gostaria. Detesto dar uma de crítica literária (mesmo porque eu sou um saco e costumo criticar negativamente até meu próprio trabalho), sem contar que escrevo tanto que acabaria escrevendo outro livro sobre o livro. E odeio listar os livros que li durante a semana, o mês, o ano, a década ou a vida inteira porque, veja bem, sem saber disso já há quem me ache arrogante, imagina se soubessem! :)
Então recolho-me à minha falsa insignificância e finjo ser normal. De vez em quando consigo enganar alguém. Nem sempre. Quase nunca. Mas hoje foi impossível deixar de escrever e comentar, um pouco que seja, "O Cabotino", de Paulo Polzonoff Jr.
A princípio, com minha eterna mania de perseguição e o complexo de inferioridade que me persegue, ao ler, ainda no prefácio "Tenho a esperança - e é preciso dizer, não sem medo de cair na pieguice, que a esperança é a tônica deste livro- de que um - ao menos um, unzinho - escritor desprezível desista da empreitada ao terminar a leitura. Já terei cumprido o meu propósito e, portanto, poderei fechar os olhos e morrer em paz. Daqui a cem anos, claro".
Fechei o livro. Sim, fechei o livro ainda no prefácio, apavorada, com medo de ser descoberta. Leio ou não leio? Será que me descobrirei a escritora desprezível que temo ser e desistirei do ofício literário antes mesmo do primeiro livro publicado?
Confesso, tive medo. Muito medo. Pavor. Quase não dormi à noite e tive pesadelos com o Polzonoff rasgando meu proto-livro tão logo ele saísse da minha impressora, dizendo: "Leia, leia, enfrente a realidade!!".
Já me imaginei, ao descobrir-me embuste, a farsa que, no fundo, sempre soube que era, tendo que seguir outro caminho menos letrado, longe igualmente daqueles outros dotes artísticos que julgo ter e que foram relegados a quinquagésimo plano simplesmente porque nunca tive saco para eles.
Nunca fui apaixonada pelo desenho, nunca desenhei com grande prazer, pela música até que me apaixonei, mas nunca nos envolvemos profundamente. Teatro? Eu teria que fazer alguma coisa completamente diferente. Mas eu não tive nenhuma idéia. Nenhuma idéia! E o pesadelo acabou. Finalmente. Acordei.
O livro olhou para mim e eu para ele. Em um ímpeto de coragem, comecei o primeiro capítulo, intitulado "Proto-escritor". Era eu. Respirei fundo. "Então você decidiu que quer ser escritor, não é?" Balancei a cabeça positivamente, em resposta. "Posso até adivinhar sua cara". Ah, acredite, querido, não pode. A cara aterrorizada com a qual eu lia cada palavra simplesmente não pode ser descrita, muito menos adivinhada.
Então o neurônio número dois resolveu funcionar e eu revisitei a primeira pergunta. Não, não decidi que quero ser escritora. Eu descobri que sou escritora e decidi não esconder mais. Pior do que você imaginava, muito pior. Sou uma proto-escritora em fase terminal. Sem salvação.
Logo no primeiro parágrafo, relaxei. Ma non troppo. Me analisei até a última página do livro, ao mesmo tempo em que identificava tipos hilários de proto-escritores que passaram por mim ao longo desses 21 anos em que sei ler. Alguns conheci pessoalmente, outros tive a infelicidade de ler.
Alguns nomes minha mente bloqueou eternamente, outros decorei para facilitar a identificação do indivíduo e a minha fuga, caso cruze o meu caminho. O livro tem sub-título: "Um guia de anti-ajuda para literatos". E poucas páginas, porque escrevinhadores não gostam de ler.
Extremamente bem humorado, Polzonoff é, sobretudo, um sonhador. Acredita poder, de alguma forma, trazer o proto-escritor à sensatez e fazê-lo desistir de lançar mais um lixo no mercado.
Ao mesmo tempo, ao final do livro, sente-se uma ligeira melancolia porque, todos sabem, escrevinhadores não são seres sensatos, não se importam com os pobres eucaliptos e, caso se importem, imprimirão seus livros em papel reciclado e, assim, além de pseudo-intelectualóides, ainda poderão proclamar sua "conscientização enquanto indivíduo que respeita o meio-ambiente".
Alguns seres acham que podem se transformar em escritores, colocam uma aura de "artista" e não se cansam de exaltar sua "escrita", que os move, os impulsiona, porque a literatura corre em suas veias. Desde ontem.
Uma vez escrevi aqui que ninguém se torna escritor, ou o indivíduo nasce escritor ou será, para sempre, um impostor. Teve gente que não gostou, discordou, bateu o pé. Respondi que, se ele fosse escritor saberia do que estou falando.
Outra coisa que é importante salientar é que escritor é escritor, jornalista é jornalista. Alguns são as duas coisas, por mero acaso, mas são poucos. Muitos que fazem faculdade de jornalismo (acreditem) sequer gostam de ler. A gente nasce escritor, lê, estuda, aprimora o texto, mas nasce escritor.
Eu não sou arrogante. Mas não vamos banalizar a literatura, não mais do que ela já está banalizada. Não notei também nenhuma arrogância agressiva em "O Cabotino", apenas a verdade- a mais pura verdade.
Algumas coisas me trouxeram grande alívio. Por exemplo, ler: "Se em meados do século XX já era difícil escrever poesia, depois do lixo-luxo ficou ainda mais complicado. Escrever um poema com versos legíveis passou a ser um crime lesa-intelectualidade e um soneto era passível de morte", me lembro o porquê de ter desistido de escrever poemas.
Acontece que isso (o primado da desordem mental) há muito já contaminou a literatura em prosa. Mas desta vez, ao invés de desistir, revisto-me de meus delírios messiânicos e agora quero ajudar a salvar a literatura nacional, fazendo parte de um movimento que - pressinto- há de surgir e fazer uma revolução literária, para ressuscitar nossa literatura (como houve com o cinema. Quer dizer, mais ou menos. Um pouco melhor, espero) e pretendo juntar-me a outros escritores brilhantes (e modestos), para entulhar (no bom sentido) o mercado de bons livros e jogar as porcarias mal-escritas por escrevinhadores no ostracismo. Sim, minha megalomania me impulsiona.
"O Cabotino" me surpreendeu. Não posso deixar de citar (mais uma vez) o autor, quando diz: "A impressão que tenho às vezes é a de estar vivendo num mundo completamente cego. É um desespero tremendo este de se descobrir um Copérnico, tendo a certeza de que a Terra é redonda, a despeito de todas as opiniões contrárias (...) No caso da crítica literária, às vezes converso com pessoas, olho para os lados, leio textos e me pergunto: Serei eu o único a ver que isso é enganação? Que isso é impostura? Que isso é política?"
Não, meu caro, eu também vejo. E não só eu, meu marido e minha mãe também vêem (embora eles pareçam suspeitos ao concordar comigo). A Terra é redonda. E algum dia alguém conseguirá provar isso e nos libertar da escravidão da falta de regras, de razão, de sentido e de talento da literatura contemporânea. Aliás, da arte contemporânea em geral.
Descobri que minhas técnicas de enganação de leitores para que acreditem que escrevo bem já foram todas descobertas e destrinchadas por este livro. Tenho, urgentemente, que arranjar técnicas novas.
Por fim, algo que todo mundo deveria saber: "Para mim, uma pessoa inteligente deve ter senso de humor. Não adianta. Não consigo acreditar em pessoas inteligentes, mas chatas. Pessoas que franzem a testa ao dizerem uma piada. Que torcem o nariz para uma tirada que se pretende a espirituosa. Não acredito que literatura, que boa literatura, esteja isenta de humor".
Quem não sabe, aprenda.
Apesar de tudo o que li, não desisti do meu livro, nem da foto na orelha, muito menos da noite de autógrafos que, aliás, não vai ter vinho branco, nem nenhum outro tipo de bebida alcólica porque eu não bebo e não quero meu livro ligado à indústria do álcool.
Serviremos refrigerantes e sucos porque detesto ser a única criatura sóbria ao final da festa. Também não teremos nenhum tipo de peixe ou criatura marinha, porque sou alérgica e se comer alguma coisa dessas a comemoração se transformará no lançamento de uma obra póstuma.
Trocaremos as flores por samambaias e arbustos decorativos, farei cara de pena para que todos os presentes comprem meu livro e escreverei dedicatórias imensas e personalizadas para cada um da fila, ainda que nunca tenha visto o indivíduo na vida. Tirarei milhões de fotos e depois publicarei no blog. Voltarei para casa feliz e dormirei tranquila. No dia seguinte, começarei um novo livro.
Definitivamente, ler "O Cabotino" não me surtiu o efeito desejado, ao contrário, me deu vontade de escrever ainda mais, só para ignorar os críticos depois e provar que sou, sim, uma escritora de verdade. :)
PS: Momento propaganda: O livro "Onde não se responde", da
Claudia Letti já está em pré-venda no seguinte site: www.lojacultural.com.br. Lembrando a todos que o lançamento será no dia 25 deste mês, a partir das 19 horas, na Arteclara, que fica na Rua Lopes Quintas (que é continuação da Saturnino de Brito), 180, Jardim Botânico. Aqui no Rio de Janeiro. Leitores amigos residentes nesta cidade estão convocados...digo, convidados a ir :) Fiquem tranquilos, não os deixarei esquecer.

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