Tuesday, December 21, 2004



Seis Meses



Eu disse que vocês leriam um post meloso por mês, no dia 21. Afinal de contas, nunca casei na vida, estou deslumbrada e acho que é algo que se deve comemorar sempre. Seis meses é meio ano. Seis meses de convivência diária, aprendendo que um bom relacionamento se constrói dia após dia. Continuamos namorando e acredito que nunca nos tornaremos um daqueles casais chatos que mal falam um com o outro e têm um monte de problema acumulado, mesmo porque não deixamos nada acumular.



Às vezes acho que acabou o repertório, que já disse tudo o que tinha a dizer sobre o meu amor. Aí percebo que não acaba nunca. Ainda que a gente se repita, ainda que fique ridículo, sempre há algo a se dizer para declarar um sentimento assim tão grande a uma pessoa especial. Passei a vida inteira sentindo como se faltasse uma parte de mim, sempre incompleta, sempre esperando, esperando, esperando algo que nem eu sabia o que era ou se iria chegar. Um presente que eu não achava que merecia ganhar.

Agora eu sinto que todos os espacinhos que faltavam se fecharam, a vida está redondinha, mas nem por isso a gente age displicentemente, achando que o "Felizes para sempre" já está garantido pelo simples fato de nos amarmos hoje. Não está. Nunca está. A gente tem que lutar para que o sentimento permaneça vivo, para que o relacionamento seja sempre de namoro, cuidar das pequenas coisas e não cultivar mágoas e chateações.

A gente tem que cuidar, assumir e não ficar achando que estará sempre ali a pessoa que hoje te ama. Ela permanecerá se você fizer por onde, se não fizer, certamente alguém fará. Tudo o que a gente não cuida, morre. Tudo o que a gente despreza, se entristece. Nós temos sempre que saber quais são nossas prioridades e a importância que um sentimento desses tem que ter na nossa vida.

Eu tenho a consciência de que nosso amor é uma raridade. Conversamos sobre tudo, brincamos, nos divertimos, crescemos com as brigas e nunca deixamos algo que incomoda um dos dois sem uma boa conversa, por mais insignificante que pareça. Acima de tudo, amigos, depois, namorados. Casamos para ter uma boa desculpa para passear em lua-de-mel, acho, porque pouca coisa mudou. Acredito que se a gente continuar construindo o relacionamento assim vai dar para ser feliz até os cento e vinte anos. :)



Todo mundo poderia ter um relacionamento assim, mas começa com uma escolha certa. Uma pessoa com quem você tenha afinidades, com quem você possa passar dias inteiros junto sem se cansar e sem acabar o assunto, independente de beijos e abraços, alguém com quem se possa conversar. Sempre há como construir um casamento legal, mas nem todo mundo se empenha, nem todo mundo presta atenção no dia-a-dia.

Ouvi, certa vez, uma criatura burra que tinha acho que uns seis meses de casada dizer que brigava com o marido todos os dias, tratava ele mal porque, segundo ela, "se a gente trata bem, fica mimando, depois vai ter que virar escrava do cara o resto da vida. Eu vou tratar ele mal durante o primeiro ano, depois eu começo a tratar ele melhor, aí ele vai ficar bem bonzinho no resto do casamento".

Sim, o resto do casamento mesmo, porque essa é a técnica mais infalível para destruir um relacionamento. Ao final do primeiro ano, maltratado, magoado, carente e desiludido o cara estará tão distante dela que o casamento começará a esfarelar antes mesmo do segundo ano se completar. O ideal é cuidar do outro e de si, sabendo que a felicidade de um também depende da felicidade do outro.



No começo a gente constrói as bases, o que vai te garantir um relacionamento estável, a segurança no amor do outro. Não tenho medo de mimar, de tratar bem, de fazê-lo feliz, porque ele retribui com carinho, amor e mimos, do mesmo jeito.

A gente recebe aquilo que dá, se eu der desprezo, não receberei amor. E se eu o vejo feliz, também fico feliz e ele fica feliz porque me vê feliz já que o vi feliz. Não entendo por que as pessoas se transformam assim que casam, por isso muita gente tem medo de casar. O casamento deve ser continuação do namoro, não o enterro dele.

Saímos, vamos ao cinema, passeamos, alugamos um filme e assistimos, deitados na cama, comendo castanha de caju, nos surpreendemos com bilhetinhos, presentinhos, e-mails e declarações de amor, conversamos muito, muito mesmo, sobre tudo e compartilhamos interesses. Isso não cai do céu, é a gente que tem que fazer. Brincamos, rimos, eu coloco uma roupa bem bonita para a gente sair e passear e ele me elogia. Isso não é namoro? Não é assim que tem que ser?

PS: Dave, parabéns para nós, que seja sempre assim (e a gente vai fazer ser, não é mesmo?). Te amo hoje muito mais do que há seis meses, quando começamos essa caminhada. Tenho certeza de que a tendência, seguindo assim, é crescer cada vez mais. E isso é uma ameaça :)



PS2: Quanto ao teatro, acho que quase ninguém sabia mesmo. Para vocês verem que eu não conto toooda a minha vida aqui neste blog...risos... Algumas coisas eu não vejo por que contar antes e só conto depois, outras não conto nunca. Me sobra um certo "senso de noção" para saber o que realmente interessa a quem não me conhece e o que seria simplesmente enjoativo. E olha que mesmo assim às vezes canso vocês, não? :)