Wednesday, July 16, 2008

Parabéns, mamãe!!!



Minha mãe completa neste dia 17 de julho seus 68 anos. Sua mente jovem acompanha o corpo super conservado em uma constante e irrefutável prova de que idade é apenas número, o que importa é a cabeça. O número que acompanha sua certidão de nascimento não define quem você é, muito menos deve arbitrar como você deve se parecer, o que deve fazer e em que precisa acreditar. Com minha mãe eu aprendo a cada dia e todos os dias ela cresce diante de mim como pessoa, me ensina a olhar para a frente, a dar a volta por cima, a ter coragem.

Aprendo com sua força, com seu caráter, com seu senso de humor, sua leveza, com sua capacidade de perdoar, de aprender, de crescer, de brincar e de falar sério, rápida e direta, sem toda essa prolixidade que me é peculiar. Minha mãe tem uma energia que poucas pessoas conseguem acompanhar (aí eu me incluo), e é, ao mesmo tempo, agitada e serena, frágil e forte (ok, eu sei o quanto isso é lugar-comum, mas grande coisa, o mundo é um imenso e redondo lugar-comum e todas as cartas de amor são ridículas, já dizia um certo Pessoa), com uma capacidade extraordinária de agrupar pessoas ao seu redor e de ser especial em cada uma dessas vidas.

Temos algumas coisas em comum, é claro, mas até mesmo nessas coisas eu tenho muito a aprender com ela. Assim como acontece comigo, ninguém que conheça minha mãe consegue ser indiferente a ela. Ou ama, quando a conhece de verdade, ou a detesta, por ver nela algo que gostaria de ter consigo, ou por burrice mesmo, por nem se interessar em conhecer a dona daquela postura impecável. O mais engraçado é quando tentam adivinhar como ela é baseando-se apenas na aparência: enganam-se feio. Mamãe é simples, divertida, inteligente, culta, sem preconceitos, sincera, direta e com um coração maravilhoso, foi capaz de criar seus cinco filhos sozinha de uma maneira tão extraordinária a ponto de meu pai, depois de todos nós já crescidos, tê-la elogiado e agradecido pela forma como ela nos criou. Ele recebia elogios pelos filhos e sabia que se não fosse ela, não seríamos assim.

É claro que depois de adultos, cada um faz suas próprias escolhas. Nem sempre os pais têm controle ou responsabilidade sobre o que os filhos se tornam. Minha mãe nos deu o seu melhor, e eu hoje dou o meu melhor para ela, sabendo que nada do que um filho possa fazer retribui o amor e esforço de uma boa mãe. Mesmo sem ser mãe eu sei disso.

Não sei quanto tempo temos neste mundo, ninguém sabe, na verdade. Hoje você está aqui, amanhã pode não estar mais, você pode morrer esta noite. O que realmente vale a pena? O que levamos desta terra? O que realmente faz diferença? A única coisa deste mundo que realmente pode ser considerada válida é o amor, o relacionamento que temos com aqueles que amamos, o que dizemos e, sobretudo, o que fazemos para e por aqueles que dizemos amar. O que fazemos com o tempo que Deus nos permitiu viver ao lado dessas pessoas é o que conta, no final.

Me esforço para que minha mãe sinta meu amor através das minhas atitudes, para que ela tenha certeza de que pode contar comigo em todos os momentos e para que Deus saiba que eu valorizo, honro e cuido da mãe que Ele me deu. O que eu não tive maturidade e condições para fazer por meu pai enquanto ele estava comigo, faço por minha mãe, até porque tenho certeza de que ele jamais concordaria com o contrário. Agradeço a Deus todos os dias por ter a oportunidade de fazer minha mãe ter momentos agradáveis ao meu lado e, quando estamos longe, através dos telefonemas freqüentes.

Gostaria que todos os filhos pensassem e agissem assim com seus pais (os dois, ou o que lhes sobrou), sem perder tempo. Só Deus é perfeito, seu pai pode não ser perfeito, sua mãe também não, mas eu te garanto que você também não é. E na maioria das vezes, na balança, ao final, nossos erros pesam muito mais do que os deles, não é à toa que um dos dez mandamentos é "Honra a teu pai e a tua mãe, para que te prolonguem seus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá".

Minha mãe, como filha, tem sido um grande exemplo para mim. O cuidado que ela tem com a minha avó, a preocupação, o amor, a entrega, só me fazem admirá-la ainda mais e também me incentivam a ter com ela o mesmo cuidado, o mesmo amor, pois certamente, se eu fosse mãe, gostaria de receber isso de meus filhos.

Mas minha mãe não é apenas mãe, ela é uma mulher, uma pessoa com vida própria, com amigos, com trabalho, com seus hobbies, a pessoa que ela redescobriu ser após os filhos saírem de casa, e que eu espero que seja a cada dia mais feliz e realizada. Porque merece e porque tem se esforçado para isso. Admiro sua força, sua beleza, sua alegria, sua inteligência, sua sabedoria, sua jovialidade, sua tranqüilidade e sua paz, que só Deus dá. E Ele tem se mostrado cada vez mais presente e atuante em nossa vida, à medida em que minha mãe entrega tudo em Suas mãos, Ele a fortalece, dá direção aos seus caminhos e dirige seus passos para a vitória.

É a essa estrela iluminada e vitoriosa que eu parabenizo por mais um ano de vida. Tenho certeza de que será uma vida muito longa e feliz, teremos ainda dezenas de aniversários a comemorar pela frente, e que a cada um deles tenhamos mais motivos para celebrar.

Te amo, mãe!


PS: A foto que abre este post é de antes de eu sequer pensar em nascer, antes mesmo de ela se casar com meu pai. Data do início da década de 60, a Dona Estela era simplesmente a Telita...que, aliás, ela não deixou de ser. O gurizinho ao seu lado é o Ben-Hur, seu irmão e seu grande amigo, que faleceu em 1984.

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Mais algumas:


Para quem não me reconheceu, eu sou esta barriga redonda, escondida sob o vestido. O menino na foto é um de meus irmãos, Vladmir (que hoje ganha para abrir a cabeça dos outros com um objeto cortante...risos...ele é neurocirurgião e estou certa de que já ouviu piadinhas bem melhores a respeito). Em 1979.


Nesta foto, mamãe e eu, há vinte e quatro curtos anos, praticamente ontem. Eu era pequenininha, do tamanho de um botão. :-)



Aqui, em 2005, uma de minhas fotos preferidas, de quanto eu ainda conseguia me manter na faixa dos 58 Kg (não, eu não vou reclamar...hahahaha...)



Mamãe e vovó, este ano.



Para encerrar o post-homenagem, mamãe no lançamento do livro "Meu filho, minha filha", do meu querido Fabrício Carpinejar, que é a figura a quem ela abraça.

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Tuesday, July 17, 2007

Parabéns, mamãe!



Depois de quatro anos de blog eu realmente acho que não tenho mais nada a dizer sobre ela, mas mamãe e eu ficamos mal acostumadas com esse negócio de post de aniversário. Se eu não escrevo nada, sinto que ficou faltando alguma coisa. Então peço licença para me repetir.

Acredito que minha mãe tenha sido uma das influências mais fortes em minha vida, responsável por tudo o que eu tenho de melhor. Porém, ela não pode ser responsabilizada pelo que tenho de ruim, isso é culpa minha, assumo. Minha mãe é uma pessoa maravilhosa, eu, nem tanto; minha mãe tem um ótimo coração e acredita que as pessoas sempre podem melhorar; eu desconfio de todo mundo e não acredito na possibilidade de melhora de quem não tem o menor interesse em mudar. Minha mãe tem uma facilidade enorme de jogar fora o que houve de ruim no passado e recomeçar; eu tenho tentado aprender isso com ela, embora ainda me agarre, vez ou outra, a registros históricos do que deveria esquecer. Herdei do meu pai uma nostalgia burra e não quero que ela seja tão inútil em mim quanto foi nele.

Minha mãe é animada e divertida, eu sou quase sempre rabugenta, extremamente crítica e caseira demais, costumo dizer que sou mais velha do que ela, e acho que sou mesmo. Trocamos as idades, na verdade ela tem 27 e eu tenho 67. Não leve em conta meu jeito despachado em público, sou extremamente extrovertida e gosto de brincar, mas dentro de mim tem uma velhinha de oitenta anos. Obrigada por achar que tenho apenas 67.

Minha mãe costuma dar segundas, terceiras e quartas chances às pessoas que a ferem, eu, mesmo também não guardando mágoa, prefiro guardar distância e - quando muito - dou segunda chance. Minha mãe é uma lady, elegante no vestir, no andar, nos gestos...eu gostaria de ter sua postura, mas precisarei de muitas e muitas aulas de pilates para evitar a coluna torta dos Resende (por que raios eu só puxei coisas ruins da família do meu pai? Os pêlos nos braços, a falta de cor, a coluna esquisita...bem, não reclamo...tem gente que puxou coisa pior ainda). Minha mãe tem uma cor maravilhosa, eu nasci desprovida de melanina; minha mãe tem 67 anos e eu, aos 27, tenho mais rugas do que ela.

Listo as diferenças porque posso garantir que são menores do que as semelhanças. Acima de tudo, construí com ela um canal de diálogo por conta de minha personalidade mais aberta, por querer e insistir em estreitar esse canal. Fico feliz por ter conseguido isso.

Ela foi muitas mulheres nesses vinte e sete anos que a conheço, tem se reinventado e aprimorado tudo o que aprendeu, tudo aquilo em que acredita, rejuvenesce a cada nova descoberta, não tem medo de novidades, ou, quando tem, as encara de frente. Se permitiu a fragilidade depois de anos de fortaleza, mas sobe no salto e acelera o trator quando é necessário.

Nunca escondeu sua humanidade, nunca escondeu a dificuldade que sentiu ao criar sozinha os cinco filhos. Sempre me mostrou a importância de valorizar o que eu tinha por dentro e não permitiu que eu alimentasse os complexos sobre a minha aparência física em minha fase larval...todos os complexos que eu tinha a maior razão em alimentar quando os colegas da escola me enchiam dos piores apelidos.

Esteve do meu lado nos momentos mais importantes da minha vida, e nos mais difíceis. Orou por mim e me deu conselhos valiosos, que carregarei comigo para sempre. Me ensinou o caminho por onde eu deveria andar, e, como bem previa a Bíblia, jamais me desviarei dele.

Nutro profunda admiração por sua inteligência, por seu senso de humor, por sua sabedoria, por sua capacidade de se renovar, por sua disposição (inclusive física, porque a pessoa faz ginástica há cinqüenta anos, sabe o que é isso?), aprendeu a usar o computador e a internet, voltou a trabalhar e a estudar depois de anos dedicados aos filhos, decidiu que vai se casar novamente, faz musculação e dança, e cozinha maravilhosamente bem (sim, eu estou fazendo propaganda da minha mãe...risos...). Quero ser igualzinha a ela quando crescer.

Mãe, agradeço a Deus todos os dias pela oportunidade de conviver contigo, com uma pessoa tão maravilhosa que só me fez bem. E você merece ser muito, mas muito feliz, em todas as áreas da sua vida. E teremos muitos e muitos e muitos e muuuuuuitos anos de vida juntas, aprendendo a cada dia mais, crescendo, nos divertindo, aproveitando bastante o tempo que Deus nos dá por aqui, sem desperdício de energia com coisas ruins. Obrigada por tudo, pode estar certa de que tem em mim um apoio para qualquer situação. Não sabe o quanto me ajuda e me ensina, ainda hoje. Te amo, mãe, e espero que isso fique bem claro todos os dias, em todas as minhas atitudes.

Sem desmerecer o resto do pessoal, você e o Junior fazem essa família valer a pena. Como ele também fez aniversário recentemente, estendo a ele os parabéns e os desejos de muitas felicidades, saúde e muuuuuitos anos de vida. Com uma mãe como você, um irmão como o Junior e um marido como o Davison, a pessoa não precisa de mais nada na vida. E isso não é puxa-saquismo, eu juro! É a mais pura verdade. :-)

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