Wednesday, February 08, 2006

Vizinho, novamente



Aí está a carinha do respeitável senhor que mora aqui na rua. Decidimos levá-lo ao consultório do Dr Antônio Carlos Uhr, "nosso" veterinário (não vou arriscar levá-lo a um açougueiro. E existem mais açougueiros do que veterinários no mercado, believe me. Assim que encontrar um veterinário de verdade, agarre-se a ele e não desgrude nunca mais). O problema é que o consultório é lá na conchinchina e o carro ainda não está "utilizável".

Enquanto isso, troquei a Cat Chow normal pela Cat Chow para gatos com mais de 7 anos, a Purina garante que fortalece o sistema imunológico. Parece estar funcionando, os machucados de briga que ele tinha estão desaparecendo, ele está gordo e bem disposto.

Vai ao vet só pelo básico: avaliação, vacina, desverminar, castrar, ver eventuais fungos e fazer limpeza. Enfim, tudo o que for necessário para que ele esteja pronto para ter uma casa, uma família. Enquanto isso, tirei umas fotinhos para, assim que ele estiver 100% fazer um "antes e depois". Ele vai ficar mais bonito do que o gatinho da propaganda da Whiskas, tá?

Ele já é conhecido do pessoal da rua e, como não incomoda ninguém, ninguém incomoda ele. O tal garoto que ia levá-lo para casa já me avisou que a mãe mudou de idéia porque comprou um Beagle. Sem comentários.

Ele é super tranquilo, carinhoso, mansinho, calado. Só quer um lugarzinho para dormir em paz e comer uma ração bem gostosa. Ele só quer viver, tranquilo. Não é pedir demais, acredito. Estou ansiosa por levá-lo ao dr Antônio e fazer um "Extreme Makeover" versão felina. Aí ele vai ficar bonitão e poderá competir de igual para igual com qualquer Beaglezinho da vida.

Coisa séria. Bem, mas mesmo antes da transformação, se algum gateiro de Porto Alegre tiver espaço disponível em sua casa, favor entrar em contato comigo.

Aí vão mais fotos do meu amigo:


Repare no corte sobre o focinho. Foi um arranhão e tanto, mas hoje só sobrou uma casquinha de nada.



Desisti dos potinhos para ração, eles sempre somem ou amanhecem molhados, estragando os grãos. O pote de água consegui com o cara da borracharia do outro lado da rua, estranhamente não tenho esses potinhos em casa. Coloco esse monte de ração todos os dias. Ele come o que quiser e deixa o resto para depois, como qualquer gato, aliás. Dura para o dia inteiro.

Monday, February 06, 2006

Dave's Birthday

Ele nasceu imenso. Foi nervoso e irritado durante dois anos e desde então tem sido a criatura mais tranquila da face da Terra. Escreve muito bem, desenha muito bem, é incrivelmente criativo e assustadoramente inteligente.

Tem um senso de humor apuradíssimo e uma maneira toda especial de ver a vida. Positivo, alegre, tem um olhar sincero e calmo que transmite paz, uma voz suave que transmite paz, uma risada pura, que transmite paz. Enfim, tudo nele transborda paz, alegria e simplicidade. Eu o admiro demais.

Um de nossos amigos disse, assim que o conheceu, que compraria um carro usado dele. Davison é assim, desperta até em quem acabou de conhecê-lo uma confiança genuína. É transparente. E está fazendo aniversário. Parabéns, menino, pelos 32 aninhos. Gostaria de ter feito uma homenagem que estivesse à altura da felicidade que sinto em ter você aqui ao meu lado. Desejo que você seja muito, mas muito feliz. E estou trabalhando para isso. :)

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Thursday, February 02, 2006

Vizinho

Há cerca de dois meses apareceu um gato aqui na minha rua. Rajado, cara grande, ele parece já ter alguns muitos anos. Extremamente manso e tranquilo, vivia correndo riscos, dormindo, tranquilamente, na calçada, se aproximando de pessoas e de carros. Aquele gato nunca viu uma rua na vida, isso é óbvio. Muito provavelmente os donos se mudaram e o abandonaram ali, acreditando na lenda burra de que "gato não muda de casa" ou "gato se apega à casa, não ao dono". Ou então o dono o jogou fora, deliberadamente, por ele ter ficado velho, como se fosse um objeto.

Um garoto de onze anos disse que se mudaria para uma casa e o levaria junto. De lá para cá, porém, muita coisa mudou. Os gatões da vizinhança descobriram o velhinho e ele já apanhou um bocado deles. Está machucado e aparenta cansaço. Desse jeito, ninguém mais falou em levá-lo para casa alguma.

Penso em levá-lo a um veterinário, mas estamos um bocado longe do "Nosso" veterinário dr Antônio Carlos Uhr e nosso carro está temporariamente de férias. Tem um veterinário aqui perto, mas sou desconfiadíssima. Primeiro tenho que saber se o cara gosta de gatos. Aliás, tenho que saber se ele gosta de animais, porque, sinceramente, já vi muito veterinário por aqui que não parece gostar nem um pouco de bichos.

Depois, o cara tem que ter mais de dois neurônios e saber o que está fazendo, o que é raro mesmo entre médicos de humanos. Depois, ele tem que ter apreço pela vida e interesse em manter seus clientes vivos e saudáveis. Por último, não pode enfiar a faca. Óbvio que sei que todo mundo merece receber por seu trabalho, mas existem valores justos e valores extorsivos. Já encontrei profissionais que cobram o justo e profissionais que cobram o extorsivo.

Enfim, vou ver se na segunda ou terça decido onde levar o Jack (é esse o nome do vizinho) para ver seus arranhões e machucados e providenciar uma castração. Depois, saio à caça de um dono. Sei que é difícil, afinal de contas, trata-se de um gato idoso. Mas bem cuidadinho, sem machucados, vacinado, desverminado e castrado, suas chances aumentam. E ele merece ter essa chance.


Ps: Pensem bem, o pessoal que achou aquele bebê na lagoa só retirou o saco plástico da água porque achou que se tratava de um gato. Se fossem seres ignorantes que não gostam de animais, que abandonam, matam e desprezam, teriam deixado a criança morrer, achando que o que estava dentro daquele saco preto era um felino e não valia o trabalho. Vida é vida. No final das contas, a idéia de um gato salvou a vida da menina. : )

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