Tuesday, December 26, 2006

Penso, logo, canso.




Algumas coisas urgentes gritam para serem feitas. Ignoro. Tomo um copo de vitamina C e desconverso. O aspirador de pó está espirrando. Rinite, provavelmente. Alérgica. A pia da cozinha é tóxica. É incrível a rapidez com a qual as coisas se acumulam. Os gatos se escovam sozinhos, cansaram de esperar. Mas ainda me obrigam a lhes escovar os dentes, alucinados que ficam com o creme dental CET, da Virbac. (Não, não me pagam nada por essa propaganda)

Esta semana, em meio ao turbilhão, passaram por minha cabeça dezenas de boas idéias para textos. Na pressa e na preguiça, esqueci de anotar. Agora que parei mais ou menos, as idéias fugiram de casa. Cabeça vazia. O-ca. Toc, toc, toc...ninguém.

Passei uns dias acreditando piamente que não deveria mais escrever. Nunca mais. Coloquei na cabeça que tinha de escrever o texto perfeito. Obviamente, não consegui chegar nem perto de algo que considerasse satisfatório. Sofria horrores para colocar um parágrafo no papel. Desisti. Claro que eu quero fazer uma coisa de qualidade, mas se não tiver prazer, se não for um trabalho agradável, prefiro passar dez anos em uma faculdade e abrir um consultório médico. Estou certa de que ficaria mais feliz. Ou então, escrever livros de auto-ajuda. Às favas com a literatura (eu sou uma criatura antiquada que ainda manda coisas e pessoas "às favas")!

Entrei de férias e resolvi voltar a escrever meus textos imperfeitos. Perfeccionismo é uma porcaria que dá gastrite. Não quero pensar em nada hoje, não quero pensar. Deixe eu escrever sem pensar, por favor. Fiz, em um mês, as sinapses de um ano todo. Esgotei a cota.

Passo a última semana do ano com a cabeça semi-desligada, fazendo apenas os movimentos involuntários, trabalhando no automático. Recarrego minhas baterias, não quero briga. Devo me reconciliar com o aspirador de pó e com a máquina de lavar roupas, com urgência. Antes do final do ano, pretendo colocar minhas engrenagens mentais para trabalhar, novamente. Até lá, perdoem meus excessos.