Natal
Detesto datas obrigatórias. O natal deveria ser facultativo. Esqueço de comprar presentes, esqueço de escrever cartões, não me lembro de telefonar, não tenho árvore de natal, não enfeitei a minha casa, não como panetone, não bebo champagne e tenho verdadeiro pavor de ver aquela ave morta decapitada, em decúbito dorsal em cima da mesa. Sou um alienígena em festas de final de ano.
Não telefonei para ninguém, não enviei cartões, não respondi mensagens de felicitações. Acredito em boa parte delas, mas ainda estou em fase de recuperação da correria de final de ano. Meus amigos estão acostumados a não receber notícias. Deixo sempre para depois, para mais tarde. Natal, para mim, é um dia qualquer, uma data que esqueço de comemorar. Jesus não nasceu em dezembro, não tive tempo de comprar presentes e não houve clima para comemoração alguma este ano, por razões internas.
A infância teve natais memoráveis, eu fazia contagem regressiva para o dia 24. Fechei o livro e abri uma nova fase, sem as noites com meus tios e primos, sem a ansiedade pelos presentes. Só reúne a família quem tem família.
Não gosto de comemorações arranjadas, quero minha própria data, com meus próprios rituais, sem corpos assados para comer, sem felicitações decoradas, sem telefonemas obrigatórios, sem abraços falsificados, sem sorrisos amarelos, sem punhaladas pelas costas, sem amor made in Paraguay. Minha data será autêntica. Não exigirá feriado. E dela só participará quem quiser. Nenhuma obrigação de presentes. Abraços sinceros à vontade. Uma oração de agradecimento antes da refeição, sem palavras decoradas.
Que Deus ouça cada uma de nossas frases, vindas do fundo do que quisermos chamar de alma. Que Ele recolha nossas lágrimas e nossos medos e nos permita a sinceridade, o arrancar de máscaras, a cara limpa, demonstrações de amor, carinho e solidariedade, que nos conceda tranqüilidade, saúde e relacionamentos honestos, independente de data, de número de pessoas em torno da mesa, de pinheiro, de panetone, de castanhas, frutas específicas, calcinha branca, amarela, rosa ou vermelha, de pulinhos sobre ondas, de brindes à meia-noite. Que os convidados venham sem disfarces, ou nem venham. Me deixe sozinha em minha data quem não tiver algo de original a oferecer.
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Detesto datas obrigatórias. O natal deveria ser facultativo. Esqueço de comprar presentes, esqueço de escrever cartões, não me lembro de telefonar, não tenho árvore de natal, não enfeitei a minha casa, não como panetone, não bebo champagne e tenho verdadeiro pavor de ver aquela ave morta decapitada, em decúbito dorsal em cima da mesa. Sou um alienígena em festas de final de ano.
Não telefonei para ninguém, não enviei cartões, não respondi mensagens de felicitações. Acredito em boa parte delas, mas ainda estou em fase de recuperação da correria de final de ano. Meus amigos estão acostumados a não receber notícias. Deixo sempre para depois, para mais tarde. Natal, para mim, é um dia qualquer, uma data que esqueço de comemorar. Jesus não nasceu em dezembro, não tive tempo de comprar presentes e não houve clima para comemoração alguma este ano, por razões internas.
A infância teve natais memoráveis, eu fazia contagem regressiva para o dia 24. Fechei o livro e abri uma nova fase, sem as noites com meus tios e primos, sem a ansiedade pelos presentes. Só reúne a família quem tem família.
Não gosto de comemorações arranjadas, quero minha própria data, com meus próprios rituais, sem corpos assados para comer, sem felicitações decoradas, sem telefonemas obrigatórios, sem abraços falsificados, sem sorrisos amarelos, sem punhaladas pelas costas, sem amor made in Paraguay. Minha data será autêntica. Não exigirá feriado. E dela só participará quem quiser. Nenhuma obrigação de presentes. Abraços sinceros à vontade. Uma oração de agradecimento antes da refeição, sem palavras decoradas.
Que Deus ouça cada uma de nossas frases, vindas do fundo do que quisermos chamar de alma. Que Ele recolha nossas lágrimas e nossos medos e nos permita a sinceridade, o arrancar de máscaras, a cara limpa, demonstrações de amor, carinho e solidariedade, que nos conceda tranqüilidade, saúde e relacionamentos honestos, independente de data, de número de pessoas em torno da mesa, de pinheiro, de panetone, de castanhas, frutas específicas, calcinha branca, amarela, rosa ou vermelha, de pulinhos sobre ondas, de brindes à meia-noite. Que os convidados venham sem disfarces, ou nem venham. Me deixe sozinha em minha data quem não tiver algo de original a oferecer.
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