Tuesday, December 05, 2006

Sinal de vida

Este blog anda congelado. Não é exclusividade dele, muitas outras coisas andam congeladas. Minhas colunas, na Paradoxo e no Focando, andam congeladas, o Autor Desconhecido anda congelado, o Save The Planctons, o Diário de um Lunático, o Flickr e o blog da faculdade andam congelados. Meus emails andam congelados. Meus cadernos andam congelados. Boa parte do meu cérebro está congelada. Tenho gasto os dias a perseguir alguns trabalhos da faculdade que precisam ser finalizados com certa urgência. Final de semestre. E aproveitei a falta de tempo para fazer o tal curso de aquarela do Edgar Vasques (anunciei em um post recente), que, aliás, estou adorando, meio viciada no troço.

No final das contas, chego em casa exausta, acordo exausta e passo o dia exausta. Faço algumas anotações em meu inseparável bloco, mas ele pouco me adianta. De nada vale anotar se as idéias não forem desenvolvidas posteriormente. E férias, queridos, só pertinho do natal. Antes de me deixar feliz, essa informação me deixa histérica, porque significa que tenho menos de vinte dias para concluir meus trabalhos. E duas apresentações de livros a fazer na semana que vem. Opero no automático, raciocínio é um luxo ao qual não tenho direito neste momento. Por isso o mundo anda congelado.

Ontem comi dormindo. Sério, eu estava de olhos abertos, conversando com o Davison, rindo dos gatinhos e comendo compulsivamente, fatias de bolo de laranja e pedaços de maçã argentina. Diz ele. Não me recordo de nada disso, estava dormindo. Mais um degrau em meu sonambulismo por stress. Até pouco tempo a única coisa que eu conseguia fazer dormindo era escrever. E falar, é claro. Em ambos os casos, apenas bobagens.

Começo a ficar ligeiramente assustada. Não devo conseguir descansar absolutamente nada desta forma. O que significa que meu corpo não consegue cumprir todas as suas etapas de regeneração celular. Isso explica a péssima memória, a pele opaca, o mau humor e a acidez dos últimos dias. E as rugas. Ah, as rugas que ameaçam se instalar permanentemente, assim como a bolsa de cansaço sob os olhos. Só me falta um cabelo branco para arrematar a desgraça.

Enquanto reclamo de falta de tempo, de sono insatisfatório e exaustão, escrevo, às duas da madrugada, tendo aula amanhã, das oito e meia até seis e meia da tarde. Desconfio que, com esse tipo de comportamento, a probabilidade de eu ser levada a sério fica um tanto quanto reduzida.

Sensato. Não me levem a sério, por favor. Uma das piores coisas que pode acontecer a uma pessoa é ser levada a sério, muito a sério e por muito tempo. A cobrança do perfeccionista é muito mais atroz quando ele é levado muito a sério. Corre o risco de ele perder o horário e invadir a madrugada divagando sobre o fato de não conseguir cumprir suas próprias imposições.

Tenho me desligado por alguns minutos, várias vezes ao dia. Buscado um pouco de silêncio. Quem está sempre por perto estranha, porque silêncio não é algo muito comum em mim, ao menos não quando estou acompanhada. Acabo externando o barulho que carrego em minha cabeça. Mas preciso do silêncio para sobreviver ao caos. Preciso sobreviver ao caos.

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