Friday, July 29, 2005

Tec, Tec, Tec

Esta cidade só tem um shopping. Muito chato isso. Uma cidade desse tamanho com um mísero shopping, onde você encontra toda a população de Campo Grande aglomerada.

Essa cidade me cansa.

Mamãe encontrou uma antiga máquina de escrever, minha amiga de longa data, azul, Remington (acho), que está com o mesmo defeito que me fez abandoná-la há uns cinco anos. Resgatada das profundezas do quarto da Bianca (a gata), irá para o conserto e de lá diretamente para a minha casa.

Eu sempre gostei de máquinas de escrever. Foram minhas companheiras desde os cinco anos de idade. Relutei a entrar na era digital por conta do meu amor profundo e incondicional pelo Tec, tec, tec que atrapalhava o sono da casa inteira e causava em mim uma vontade enorme de continuar escrevendo só para ouvir o "tec, tec, tec"

Tudo bem que errar em máquina de escrever é um saco, mas como eu me recusava a conhecer outra coisa que não fosse aquilo, não sofria por isso. Depois fiz meu pai me dar dinheiro para comprar uma máquina eletrônica portátil, com fita de polietileno corrigível e fita corretora. O máximo!!! Foram doze meses para conseguir que ele me desse os benditos 99 Reais que a Mesbla pedia pela máquina. E era a última. Da marca "Brother", branquinha, bonitinha, meu sonho de consumo.

Quando finalmente consegui a máquina, além de descobrir que a letra dela era diferente daquela jurássica com fita bicolor de nylon, descobri que ela não fazia tec, tec, tec, mas ratatátátátátátátá.... parecia um pelotão de fuzilamento. Mas era legal, dava uma certa adrenalina. Mas ainda dividia os louros dos meus textos escondidos e poemas espalhados com a máquina tec, tec.

Em 1999, na faculdade, fui obrigada a ter contato com o computador, mas detestava. Continuei detestando, mesmo quando a máquina estragou, a eletrônica foi praticamente proibida de trbalhar durante a madrugada e eu fui obrigada a usar o computador que havia em casa (e que não era meu).

Só comecei a gostar mesmo de computador o ano passado, quando ele me apresentou um rapaz muito legal, inteligente, simpático, sensível, educado, bonito, amigo e fofo que se apaixonou por mim. Então fizemos as pazes, eu e o computador. Já estava com um modelo mais rápido do que a geringonça que usava anteriormente e logo comecei a gostar de aprender coisas sobre esse mundo que era tão "misteriouso".

E eis-me aqui. E não só aqui. Fiquei viciada em fotografia digital, principalmente da minha própria cara, tenho um montão de arquivos de texto, o que me faz ver a desvantagem de uma máquina de escrever, hoje em dia, em que cada texto é único, só podendo ser copiado por uma máquina de xerox.

Mas ainda assim, memória afetiva, eu quero aquela máquina. Na verdade eu queria uma máquina igual à do layout da Paula, cor-de-rosa, mas me contento com minha amiga de infância azul (que já está verde)

Eu quero ouvir tec, tec, tec!!! Tem algum programa que faça o teclado do laptop (ou do computador) fazer tec, tec, tec? Falando nisso, o Lampertop (o Laptop Lampert) ficou lá em casa, estou postando do computador da minha mãe, com saudade do nosso Lampertop, que parece extensão da minha cabeça.

Falando em cabeça, hora de dormir. Aos poucos minha cabeça vai voltando ao normal e este blog também. :) Don't worry, be happy!!!

Ps: Depois eu li novamente o post "A verdadeira história de Cinderela". Pôxa, o texto até ficou legal :) Valeu o comentário, Rogério B., realmente, do jeito que as coisas vão, terapeuta de Ursinhos Carinhosos é a profissão do futuro :)

PS2: Muito obrigada pela solidariedade nos comentários do post abaixo. Tenho me mantido firme na fé e não fujo de batalha, a impressão é que as coisas caminham para se resolver, mas meu relacionamento com minhas irmãs foi quebrado irreversivelmente, porque agora eu sei quem elas realmente são e o que realmente sentem por mim. Garanto que não é nada bom...

Mas quem perde? Elas, obviamente. Não guardo nada em meu coração, estava brava ontem, mas hoje meu coração está limpo, tranquilo, minhas forças são renovadas em Deus e - repito- não fujo de guerra. Ontem o saldo geral - apesar dos pesares- foi positivo. Estamos assim, vivendo um dia após o outro.

Meu irmão disse que isso é um jogo de xadrez. Eu sei como se movem as peças, mas xadrez não é meu forte. Meu forte é escrever e observar pessoas, meu forte é fazer investigação, pensar, contestar, meu forte é questionar, não formular estratégias. Meu forte é jogar limpo. Tem funcionado.



---------
Comentários (o haloscan apaga os comentários após quatro meses e eu já perdi os dos posts anteriores, por isso prefiro colar aqui, antes que eles desapareçam)


Eu me lembro qdo fui fazer um curso de datilografia, credo, isso entega a idade, mas td bem, fiz mesmo, e como era difícil escrever sem olhar as teclas, nunca consegui e hoje faço isso brincando no computador, bendita evolução )
Beijos e bom domingo!!

Gravatar Amiga, que bom que está melhor. Aos poucos, a mente fica mais leve. Não se estresse além do normal. Eu sou igual você, fico fora de mim depois me acalmo.
Eu tenho uma máquina aqui de 1880. Meu xodó! Vou tirar foto depois para mostrar. Minha avó recebeu como parte de um aluguel atrasado...risos... acabou aceitando e deu de presente para a neta jornalista.
Aquela máquina da Paula é demais mesmo. Eu andei vendo para comprar uma para mim, é que ainda não achei uma bacaninha, todas destruídas...risos...
No mais, tenho novidade, depois conto.
Bjinhos. Tammy