Saturday, July 23, 2005

Post Desequilibrado

Entramos no shopping junto da Elke Maravilha (eu disse ontem que ela faria uma apresentação na boate vizinha hoje à noite), minha mãe quis tirar uma foto com ela, que estava junto de um rapaz que trabalhou com minha tia Amelinha quando ela tinha uma academia de dança (confuso?). Tirei a foto (máquina jurássica, de filme, ainda tem que revelar), ela é extremamente simpática, não aquela simpatia forçada, mas natural. Uma surpresa agradável. Distribuiu autógrafos, tirou fotos com fãs, sempre muito educada e sorridente. Deu um beijo no rosto da minha mãe e não ficou marquinha! O batom deve ser muito bom...risos...

Tive um pesadelo. Sonhei que o shopping estava fechando, eu estava com minha mãe e o Davison na praça da alimentação e tinha uma loja com tortas maravilhosas que não estavam mais inteiras. Percebi então que o freezer estava desligado e que elas iriam estragar. A torta de chocolate e a de doce de leite ficaram olhando para mim, desesperadas. E eu, desesperada do outro lado. Não comi as tortas, o que foi uma pena, porque eu sinto o gosto de tudo o que como nos sonhos.

Estou sentindo falta da máquina fotográfica. Fico olhando a minha cara no espelho e imaginando o que eu posso fazer com ela. Faria uma plástica no nariz, se ele não ficasse com cara de nariz de plástica. Se eu tivesse um nariz, faria plástica. Como eu não tenho, a probabilidade de estragar é muito grande. Ele é larguinho e se espalha quando eu sorrio, e daí?

Camila Morgado fez plástica, Kate Winslet fez plástica (o nariz dela era melhor antes), Katie Holmes fez plástica (e ficou noiva do Tom Cruise), até Toni Braxton fez plástica!!! Gisele Bündchen fez plástica (ela diz que não, mas eu lembro dela na época da Capricho). Mas eu tenho a infelicidade ou a felicidade, sei lá, de ter uma noção geral da minha cara. Não somos feitos de pedaços isolados. O rosto é um conjunto de coisas que sozinhas podem não ser lá muito legais, mas combinadas ficam harmoniosas.

No meu caso, se eu ficasse quieta e séria não haveria problema algum com a minha cara. Mas eu faço careta demais, rio muito (e o nariz espalha), enfim, o conjunto parado é legal, mas em movimento é esquisto.

Sim, eu sou super crítica comigo. Eu não sou modesta, como todo mundo já percebeu, assumo as coisas que sei que sou, mas quando chega nessa parte, frequentemente sou acusada de falsa modéstia para conseguir elogios. Não preciso disso.

Só não posso dizer que sou bonita, porque não acho que sou. Sei que não sou feia, mas seria hipocrisia da minha parte dizer que sou bonita, já que conheço todos os inúmeros defeitos da minha cara, corpo e cabelo, me vejo todos os dias sem maquiagem, com a cara inchada pela manhã, a perna pipocada de alergia, os poros abertos do rosto, duas marquinhas de catapora bem no meio da testa, uma na bochecha e outra no início da sobrancelha (sim, eu fui uma catapórica rebelde).

Sei que estou errada, deveria fazer propaganda de mim mesma e estudar melhor marketing pessoal, vendendo uma imagem mais próxima àquilo que as pessoas acham de mim, escondendo meus defeitos para não ser descobertas. Mas aí me sentiria um embuste.

Minha felicidade é amar maquiagem e saber desenhar, aí eu consigo realçar o que tenho de legal na minha cara e fazer um estilo. Se eu fizesse a tal cirurgia no nariz, minha cara ficaria totalmente desorganizada. Meus olhos pareceriam ainda mais separados, minha testa ainda mais enorme, a boca perderia totalmente seu contexto e muito provavelmente eu ficaria com uma cenourinha baby no meio do rosto.

Então, recolho-me à minha insignificância, eu sou daqueles pobres seres que não nasceram com a sorte de ter algo realmente estragado para arrumar e com quem a natureza foi bastante ditatorial. Se eu arrumar o que acho esquisito, todo o resto que eu acho legal ficará igualmente esquisito e com uma mísera cirurgia eu viro clone do Michael Jackson.

Resta-me relembrar meus antepassados egípcios, aqueles que ficaram grudados nos papiros para melhor apreciação da posteridade, e andar de lado, ou melhor, andar de lado, já que meu perfil, eu assumo, é bonito.

Se choro, a cara incha. Os olhos, a boca, o nariz. Fico com a cara da Angelina Jolie depois de uma surra na qual seus dois olhos foram socados e seu nariz foi quebrado por algum cara muito, muito mau. Quase uma cara de pós-operatório geral, como se eu tivesse feito um superlifting há um dia. Eu só diria "eu sou bonita" se jamais me olhasse no espelho. Como eu sou muito narcisista, olho o tempo inteiro. E por ter me visto de todos os jeitos possíveis, não posso dizer isso, embora goste do que vejo. Sim, eu sou meio maluca.

Fui uma criança bonitinha, que depois ficou esquisitinha, magrela, dentuça e cabeluda; mais tarde virei uma adolescente muito feia. O que eu sou se formou aqui dentro, a parte de fora sempre foi uma casca pouco importante. Quando a embalagem começou a melhorar, achei legal, fiz musculação, aprendi a me maquiar, tingi o cabelo duzentas vezes (já me livrei desse vício), virei minha boneca preferida, é como se não fosse eu.

Na verdade eu estou escondida dentro dessa boneca (e ainda falando mal dela...risos...), me divertindo ao ver que algumas pessoas realmente acreditam que essa sou eu, que eu sou assim. Não pretendo mudar, entendam bem, quero cuidar muito bem daquilo que recebi. Faço exercícios, procuro ter uma alimentação decente, sou viciada em hidratantes e vitaminas, bebo um monte de água e valorizo o que tenho de melhor. Não vou ficar gorda, não vou ficar feia, não vou ficar flácida, gosto de elogios, mas não quero que vejam só a embalagem porque ela é maquiada (literalmente...risos...)

Por isso me casei com o Davison, porque o que ele viu em mim primeiro foi o que eu realmente sou, o que está aqui dentro, que é o que importa. Ele se casou com um cérebro e ganhou um corpo de brinde :) Acho que é assim que tem de ser.

Ok, cansei de falar de mim. Aliás, cansei de falar. Eu falo demais. Falo muita bobagem, falo o tempo todo, sou uma tagarela insuportável. E não agüento mais ouvir minha voz (estou treinando outras vozes, para variar). Tenho que atualizar meu álbum de fotos. Não agüento mais ver a minha cara (mas espero vê-la por muito tempo ainda).

Obrigada pela infinta paciência. A melhor coisa de manter este blog é a sensação de que tenho a melhor cartela de leitores da internet. Sou coruja com meus leitores, mesmo eles não sendo muito numerosos, a qualidade é que conta. Mesmo. Alguns de vocês ainda devem se lembrar da época em que eu estava no blogger.br e fui parar no Blogs of Note. Fiquei indignada. A semana seguinte foi de puro alívio, me livrando dos duzentos comentários inúteis por post, de gente que nem lia o que eu escrevia e só queria fazer propaganda de blog fofo.

No final das contas, só gosta de mim quem realmente gosta de mim, porque eu realmente não faço questão de fazer gênero. E quando sou amiga, sou amiga mesmo. Pode contar comigo para o que for e quando me atraso ou demoro a responder ou a encontrar é porque sou enrolada e desorganizada, não por má-vontade.

Desculpem, meu cérebro não está normal. Estou meio pirada e espero a próxima semana para voltar a Porto Alegre e retomar meu equilíbrio. Estou desequilibrada. Não liguem, passa.



Ps1: Dave!!! Te amo, amei ver seu comentário no último post, espero que eu não precise fazer textos dramáticos para merecer um alôzinho aqui de vez em quando.

Ps2: Tammy e Mauricéia, agradeço muito por vocês estarem sempre por aqui, me dando força. Claudio, Laly e Cath: please, não me abandonem. Fico muito feliz quando vocês vêm aqui, mas ultimamente não estou podendo responder comentários.

Ps3: Quando vi "Luly", achei que a Larissa havia cometido um erro de digitação e entrei no haloscan para editar, mas o e-mail era outro. Você mudou de nick ou é daquele tipo de "leitor oculto" que nunca tinha comentado por aqui? Em todo caso, gostei de ver seu comentário, volte sempre! :)



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Comentários (o haloscan apaga os comentários após quatro meses e eu perdi os dos posts anteriores).

Amiga, lendo seu texto, lembrei de duas histórias. A primeira, dizem, que Clarisse Lispector teria operado sua língua presa, odiado, e pedido ao médico que revertesse a operação e a colocasse para falar errado como antes. Afinal, ela falando certo não era ela.
Depois Cindy Crawford, numa entrevista, disse que até ela gostaria de se parecer com Cindy Crawford, porque aquela mulher perfeita, maquiada, linda, sem nenhum defeito não era ela.
Então, nossos defeitos nos fazem nós. Eu também adoro maquiagem, amo estar bonita, mas é bom mesmo a gente sempre cuidar do interior.
Bjinhos. Tammy