Monday, June 27, 2005

Até Logo, Rio



Então, o Rio de Janeiro ficou longe ontem. Depois da correria que foi a semana, quase não consegui ver ninguém, mas conseguimos arrumar as malas e resolver tudo a tempo. Os gatinhos foram castrados nove dias antes da viagem, o Tiggy no dia seguinte já estava correndo e brincando, mas a Ricota ainda não se recuperou 100% pelo seguinte: ela é a criaturinha mais alérgica que eu já vi na vida.

Teve uma reação estranha a alguma coisa e a pele da barriga ficou irritada e depois endureceu, formando uma crosta horrenda, que está descolando do resto da pele e me apavorou até a veterinária dizer que não é nada grave. É só passar uma pomadinha e vai ficar tudo bem. Ela teve alergia ao esparadrapo, tem alergia a poeira e teve uma reação à vacina, o líquido encapsulou sob a pele e formou uma bolinha.

Agora ela está aqui, ao meu lado, ainda não se habituou ao frio e resolveu hibernar. Liguei para a Varig durante duas semanas, para que me confirmassem o embarque dos gatinhos. Como só é permitido um animal por classe e como a Petrobras não comprou primeira classe para um e classe econômica para o outro, a Ricota iria na cabine e o Tiggy, pobrezinho, no porão, porque ele é maior, mais forte, mais resistente ao frio e mais relax.

Finalmente me confirmaram o embarque, mas me avisaram que minha poltrona teria que ser, obrigatoriamente, a da janela, na segunda fileira, porque - segundo a criatura que me atendeu- era a única com espaço para a caixa de transporte. Aceitei, e tive que trocar também o assento do Davison. Não tem nem graça, eu lá na frente e ele láááá atrás.

Tudo certo, no dia do embarque, pouco antes de sair, dei as gotinhas que a veterinária receitou (e que eu quase não consegui comprar, a mulher da pet shop me olhou como se eu tivesse pedido meio quilo de cocaína, fomos a outra pet shop e felizmente a dra Andrea estava comigo, porque eles só vendem o troço com receita): seis para ele e três para ela. É por peso, ele tem uns três quilos e alguma coisa e ela, quando muito, pouco mais de um quilo.

Ela ficou meio molinha, mas bem acordada e ele ficou meio tonto, mas bem atento, só parecia estar curtindo um barato, vendo elefantes cor-de-rosa, com a terceira pálpebra cobrindo a metade dos olhos. Na saída do hotel, nos despedimos dos funcionários (eu fiz amizade com todos eles, no final das contas, menos com a camareira do meu andar, que implicou com os gatos e me causou um problema com a protel) e acabamos chegando na hora certa do check-in, mesmo tendo acordado em cima da hora.

Chegando no aeroporto, a mulher do check-in disse que a Ricota teria que ir no porão porque para levar animal na cabine tem que estar na primeira fileira e eu estava na segunda. Como assim? Foram eles que me colocaram lá! Não tinha mais lugar na primeira fileira e como nenhum dos meus argumentos estava surtindo efeito, eu tive que apelar para um ditado que eu mesma inventei, há pouco tempo: "não há nada que uma mulher histérica não consiga".

Fiz um pequeno escândalo, dizendo que levaria a gata comigo de qualquer jeito, que bastava ele ter que ir no porão, que ela estava operada, era magrinha e frágil e que se ela fosse no porão eu iria também...risos... ela chamou a supervisora, disse para eu falar diretamente com ela. Ok, falei. Conversei com a mulher e ela acabou liberando (óbvio), eu disse que eu ia levar ela na cabine de qualquer jeito e consegui a autorização para levá-la.

Chegando no raio x, coloquei todas as minhas coisas lá e fui passando com a caixa de transporte no detector de metais (uma fila imensa atrás de mim), tranquila e normalmente. De repente, uma das mulheres que estava trabalhando ali me pediu para voltar e disse que eu teria que passar a gata no raio x. Ha-ha-ha... Imagina...aquele raio-x é fortíssimo, uma radiação violenta.

E mesmo se não fosse, eu jamais a colocaria em uma esteira que passasse por um lugar escuro e estranho, sendo que a pobre gata já estava apavorada e estressada. Eu disse que não passaria a gatinha de jeito nenhum, então uma outra funcionária (disputando o troféu de imbecil do ano com a primeira) sugeriu que eu pegasse a gata no colo e passasse a caixa pelo raio x. Eu disse que também não faria isso, ela insistiu.

- Você só vai poder passar se colocar a caixa no raio x.
- Eu não vou tirar a gata da caixa e não vou passar ela pelo raio x. E se eu tirar ela da caixa e ela fugir? A Varig se responsabiliza?
- Não, a responsabilidade é sua.
- Então, se a responsabilidade é minha, eu não quero assumir. Ninguém me obriga a assumir uma responsabilidade. Ela não passa pelo raio x, nem sai da caixa.

Bem, em vista daquele problema sem solução aparente, uma possível terrorista com uma gatinha-bomba, a polícia federal foi acionada (juro!) e chegaram dois agentes, um negão enorme e um branquelo baixinho. O grandalhão estava meio irritado e visivelmente mal educado. O baixinho entendeu o ridículo da coisa e pediu para que eu passasse com a gata pelo detector de metais, depois voltasse e passasse sozinha. Foi o que fiz. Deixei a gatinha do outro lado da esteira e passei novamente.

O grandão me pediu, irritado, o GTA e a autorização. Mostrei o GTA, mas ele ainda queria a autorização. Eu não achava o papel e procurei, lenta e calmamente, até encontrar. Ele leu, visivelmente frustrado, provavelmente queria me prender e confiscar a gata. Então fomos liberados. O vôo ainda atrasou meia hora por conta de uma orquestra americana que não quis despachar seus instrumentos no porão e superlotou o bagageiro do avião. Como a comissária falava um inglês terrible, demorou para se entender com a galera musical.

A Ricota foi no chão o tempo todo, com o edredon de bebê cobrindo a caixinha (meio edredon, na verdade, porque eu o cortei em dois, a metade foi dentro da caixa do Tiggy e a outra metade cobriu a caixa da Ricota), só assim ela não miava. Depois, quando fomos pegar a bagagem,o gatinho chegou antes, foi bem tranquilo.

O pessoal da orquestra se reuniu ao redor das caixas, achando os gatinhos fofos. Uma das meninas me contou que tem um casal de gatos adultos, têm uns quatro anos. A gata foi resgatada da rua, doente, maltratada, teve que tomar um monte de remédios, era magrelinha e minúscula, mas hoje está bonita e saudável. Olha só, isso acontece nas melhores famílias, ao redor do mundo :)

Felizmente não precisamos bater em ninguém para que o Tiggy fosse liberado e quando ele chegou já estava bem acordado, eu coloquei uma caixa em frente da outra para eles se verem. Foi muito fofo. Ela colocou a patinha para fora e acariciou o rostinho dele. Tive que ir para casa no banco de trás do carro assim, com uma caixa virada de frente para a outra, só assim eles ficaram tranquilos.

A nova casa, a princípio, foi assustadora e eles passaram boa parte do tempo debaixo da cama. Mas logo foram fazer uma expedição exploratória e passaram a madrugada brincando e fazendo bagunça, acharam o máximo. Ele já se adaptou completamente, ela ficou um tempo meio confusa, mas já entendeu que é nova casa (mais especificamente depois que eu dei a ração pastosa sabor salmão que ela adora e come uma vez por dia- Não que ela coma apenas isso, é uma guloseima, a ração seca fica à disposição o dia inteiro).

O apartamento foi um capítulo à parte. Os pais do Davison ficaram de procurar e acertar tudo por aqui antes da gente chegar. A mãe dele procurou por toda a zona norte (que é a zona sul daqui, por mais confusa que pareça essa informação...risos... ) e o melhor apartamento que ela encontrou fica praticamente na esquina da casa dela!!! Obviamente, foi pura coincidência...risos...pelo menos ela jura que foi. Acho que foi inconsciente.

Mas tudo bem, tudo bem, mães são assim mesmo. Se estivéssemos em Campo Grande, muito provavelmente minha mãe faria um pouco pior...risos... algo no estilo "Você não vai acreditar, rodei a cidade inteira, mas a melhor casa que encontrei fica bem ao lado da minha!! Todas as outras têm defeitos horríveis." hehehe...

Mas tudo bem, a região aqui é ótima, tem de tudo aqui por perto e eu estou planejando plantar algumas coisas na casa dela...hehehe... e roubar os abacates do abacateiro dela. Quem mandou inventar? Está tão pertinho...tenho que aproveitar :) (Sem esquecer que de vez em quando ela lê este blog. Oi, mamãe do Davison :))

Eu gostei do apartamento. Primeiro porque é maior do que todos os outros pelos quais passamos nos últimos quinze meses. Tem dois quartos amplos, uma sala também grande (maior que as outras, o que não é muito difícil), um banheiro, um lavabo, uma cozinha com porta (!!!) e uma pequena área de serviço, também com porta.

As janelas já estão com tela e trocamos a vista da lagoa pela vista da casa do vizinho e o barulho da construção do shopping pelos gritos de crianças e conversas out loud entre as mães das crianças. Além de latidos insistentes de um pastor alemão. Sinceramente, preferia a construção do shopping.

Trocamos também um casal de yorkshires que moravam do outro lado do andar por um salsichinha vizinho de porta. Jamais pensei que sentiria saudade daqueles yorkshires...

Imagino que o Tiggy esteja sentindo falta da vista, de ver aqueles homenzinhos trabalhando, aqueles carrinhos passando e tantas outras coisas que aconteciam no gerúndio e faziam com que ele ficasse horas prestando atenção e seguindo os movimentos das coisinhas lá embaixo.

Aqui ele ficou meio assustado ao ver as crianças e o cachorro, tão de perto (estamos no primeiro andar), mas gostou de ver um passarinho no muro, embora tenha sido meio frustrante não conseguir atravessar a rede da janela para comer aquele bichinho que, ciente disso, desfilava para lá e para cá.

Ele parece não se incomodar muito com o frio, a tolerância é bem maior. Ela estava até tremendo ontem, quase a levei a um veterinário, apavorada, achando que fosse algum problema neurológico. Ela virava de barriga para cima e a perninha tremia, coloquei-a debaixo das cobertas e ela ficou bem...risos...era só frio mesmo, lembrem-se que a barriguinha está peladinha, por causa da cirurgia.

Eu estou congelando. Saudades do Rio de Janeiro. Eu quero voltaaaaaaaaaar!!! A única coisa boa daqui é o carro. Como a gente não tinha levado, lá a locomoção era à base de ônibus, metrô, táxi e pés. Passear com carro próprio é muito mais fácil e tranquilo. E descobrimos, após viver esse tempo no Rio, que o trânsito de Porto Alegre é calmo e organizado...

Louca para que essa semana termine logo para a gente entrar em férias e poder colocar em prática os planos feitos no Rio. Antes de mais nada, um final de semana em Granela, para comer café colonial e entrar no fondue, achando tudo bem baratinho desta vez. E só o fato de passar alguns dias sem precisar fazer estritamente nada já é um alívio. Pegar uns vídeos na locadora e ficar embaixo do edredon comendo pizza cercados por dois gatinhos é, acredito, nossa programação de inverno e meu atual sonho de consumo.


Foto de abertura: Tiggy, fazendo o que ele mais gostava, além de caçar ratinhos de brinquedo pela casa (só embaixo do fogão o Davison encontrou dez ratinhos de brinquedo!!!): olhar a paisagem e as coisas incríveis que se mexiam nela.


Ricota, fazendo pose.





















Tiggy, indignado com a roupinha que insistimos em colocar nele para a viagem, depois que nos disseram o quão frio era o porão do avião
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Tiggy, observando os homenzinhos que constroem o Shopping Leblon



A família, no dia das fotos de um ano de casamento.























PS: Alexei, você está falando da época em que ameaçava aparecer em Campo Grande com um anel de noivado?...risos...sim, eu já contei. Fico feliz em saber que você está bem e apaixonado :) Torço muito por você, guri. E eu acabei vendo muito pouca gente, pergunte à Laly, ao Claudio e à Gerusa. Passei quatro meses no Rio e não conseguimos nos ver nem uma vez. Da outra vez vi mais gente, mas eu não sabia se você tinha algum interesse em me ver, então fiquei na minha. Mas não faltará oportunidade!

Ps2: Blanda, eu juro que gosto de limpar a casa. Sério, é legal...risos...talvez porque eu nunca tenha tido que fazer isso durante a infância, já que minha mãe foi obrigada a fazer serviços domésticos quando era pequena e decidiu que não deixaria suas filhas passarem por isso. Aprendi anos depois, lá pelos vinte, e hoje acho bem legal. Claro que pensar em passar pano na casa com esse frio não é lá uma idéia muito animadora...


Update 28 de Junho:

Ps3: A Cora colocou um post no blog dela, que eu li como a resposta do Rio ao título do meu post e me deixou bastante emocionada (sim, eu sou uma boba sentimentalóide). Juntando os dois:

- Até logo, Rio!
- Até à vista, amigos!

Admiro muito a Cora. Ela e a Claudia Letti são daquelas raras pessoas capazes de dizer muito com muito pouco. Eu, infelizmente, não tenho esse dom (como qualquer um pode notar, pelo tamanho dos posts deste blog). Da Claudia também não consegui me despedir decentemente antes da viagem, pela correria. Mando beijos. Estou com saudade de todo mundo...

Valeu, Cora!

Valeu mesmo!


PS4: Acho que vou iniciar uma campanha pró-atualização do Diário de um Lunático, antes que o Edmund resolva terminar com aquele lugar. O último post data do dia 08 de Abril!!! E aquele é um blog que NÃO PODE acabar. Vamos colocar o Edmund para trabalhar! Algo tem de ser feito.

Ps5: Os gatos dormem o dia inteiro e fazem bagunça durante a noite. Acho que estou criando felinos e, na verdade, crio morceguinhos.

Ps6: Hoje está menos frio!! Êba!!!

Ps7: Estou respondendo os comentários deste post na caixa de comentários.

Ps8: Descobrimos que o número deste prédio é o mesmo do Flat em que estávamos no Leblon e que o número do apartamento também é o mesmo, lido de cabeça para baixo. Sinistro...

Ps9: Laly , nós amamos seu comentário no post anterior. Sério mesmo. Vou responder, mas quero deixar registrado aqui o quanto é importante saber que acabamos sendo exemplo para alguém. Tenho certeza de que vocês serão tão felizes quanto nós somos :) E pode deixar, acredite, eu vou responder seu email gigantesco...risos...