Mas...há quanto tempo?
Uma menina me fez uma pergunta dificílima dia desses: "Quando você começou a escrever?" Pensei. Respondi que foi aos nove anos, lembrando da primeira vez que enviei um poema para o suplemento infantil do Correio do Estado, jornal de maior circulação de Mato Grosso do Sul. Ao vê-lo selecionado e publicado, percebi que outras pessoas poderiam gostar do que eu fazia, só para a família, desde os seis anos. Mas o texto que enviei para o Correio Infantil era sério, em casa costumava escrever boletins quase diários, à máquina, em um papel cor-de-rosa, com tiradas humorísticas, que eu chamava de "jornal abobrinhal".
Antes disso já escrevia algumas historinhas para mim e ilustrava com desenhos textos que só eu entendia (minha letra sempre foi terrível). Muito provavelmente os cupins já deram cabo de grande parte dessa "produção" experimental. Mas tudo bem, bom para eles, alimentei alguma espécie :) Eles adoram livros, devoram livros (ok, a piadinha foi infame, mas eu não resisto a tiradas sem-graça). Aprendi a ler aos três anos, a coordenação motora eu não lembro quando veio (se é que veio).
Tinha vergonha de mostrar o que eu escrevia, lá pelos treze, quatorze anos. Aos quinze decidi que abandonaria a vergonha e seria escritora, um dia. Para isso teria de chegar a um nível técnico que eu considerasse perfeito. Comecei a escrever a sério. Escrevi horrores e já conseguia, aos dezessete, mostrar a uma amiga e àquele ex-quase-namorado. Acontece que o cara não entendia nada e eu achava que o problema estava no texto (na verdade o problema estava dentro da caixa craniana do rapaz). Reescrevi umas três vezes, percebi que o esforço de pesquisa para um romance histórico era hercúleo e meu lance na época era poesia. Escrevia milhares de poemas celebrando minha tristeza, sofrendo por um amor não correspondido (platônico) e chorando as pitangas, os morangos, as amoras e todas as outras frutinhas pequenas que houvesse no caminho.
Meu maior problema foi não ter tido coragem de assumir desde cedo que era aquilo que eu faria. Então decidi ser jornalista. Para escrever. E iniciei outros tantos romances inacabados, paralelos ao tal histórico, que ainda está engavetado por tempo indeterminado porque tem de ser todo refeito e eu não tenho saco para isso agora. Mas a depressão que já estava latente há alguns anos passou sobre mim feito um trator naquele ano e meus textos e poemas tornaram-se um refúgio no qual eu me escondia do mundo. Ao mesmo tempo, os poemas passaram a ser, junto com os desenhos, uma forma de entrar em contato com o mundo e mostrar um pouco de mim. Comecei a levá-los na faculdade e as pessoas gostavam!!!
Depois de um ano turbulento, decidi que não viveria mais com aquele peso nas costas, que me empurrava para baixo e passei o ano seguinte todo lutando contra a depressão de uma forma que eu nunca tinha feito, de verdade, de dentro para fora. Mudei toda a vida, larguei a faculdade, troquei de igreja, cortei o cabelo, sumi de todo mundo e fiz um ano inteiro de desconstrução e reconstrução de mim. Por muito tempo, durante o processo, não escrevi uma linha sequer.
Quando estava triste não escrevia para não alimentar o sentimento ruim e quando estava bem, simplesmente não tinha o que escrever. Tinha me habituado tanto a atrelar o escrever ao sofrimento que simplesmente travei, por meses seguidos. Percebi que escrever só quando estava triste e deprê era limitar minha criatividade.
Mas textos alegres para mim, eram sempre vazios e piegas. Texto denso mesmo era aquele cheio de lágrimas, dor, tristeza e solidão. Mas eu não queria mais nada daquilo na minha vida e teria que mudar ou deixar de escrever. Optei pela primeira opção e, quando comecei a usar a internet, com uns vinte e um anos, frequentando grupos de discussão, percebi que escrever alegre era mais fácil do que eu imaginava, era só estar alegre (isso faz toda a diferença) e sairia natural, não piegas (tudo bem às vezes sai piegas, mas não me incomodo). Voltei a escrever, já não me cobrando perfeição.
Em 2002 veio o primeiro blog e pela primeira vez arrisquei mostrar o que eu sabia fazer, com toda a minha insegurança. Por incrível que pareça só hoje posso dizer que sei o que quero e, consequentemente, lutar para que aconteça. E não me cobrar mais, saber que sou imperfeita mesmo e que é natural que meu texto também seja, ser um pouco menos crítica, um pouco mais segura e ainda mais maluca.
Então....quando comecei a escrever? Não sei. Agora, talvez. Há um ano, dois, três, dez, dezesseis ou vinte e dois. Não sei. Foi todo um processo de construção do que eu sou hoje. Escrevo desde sempre, mas nunca escrevi. Hoje me assumo escritora, mesmo sem um mísero livro lançado. Porque as coisas acontecem antes de acontecerem realmente, acontecem primeiro dentro da gente, quando a gente acredita, quando usa a fé, quando coloca em prática o "Ter certeza de coisas que se esperam", agir como se algo que ainda não existe já existisse, enfim, é loucura mesmo, mas é só assim que funciona.
Por isso estou fechando mais um ciclo da minha vida, para dar lugar a outro, mais seguro, mais maluco, mais certo. Estou gravitando em torno de algo que quero há séculos, mas sem coragem de assumir, com medo de dar o passo errado, ou o passo certo na hora errada. A hora é a gente que faz. E eu decidi que é agora.
Ps: Algumas respostas rápidas a alguns comentários
"Exorcizar velhos "fantasmas" faz bem pacas, não é?
É, eu sei, faz muito tempo mesmo que não apareço por aqui...Coisas da vida, mas, se vc me autorizar, volto a frequentar...Dá pra ser? rsrsrs
Outra coisa: Vida de celebridade é um negócio estranho...Domingo agora, vc e Dave, chegando ao Barra Shopping, e eu lá, saindo...Fiquei emocionado em ver uma das minhas escritoras favoritas pessoalmente...Só não falei com vcs pq, além da pressa que estava, eu sou tímido, viu???
Gde bjz pra vcs, do fã longamente ausente..."
Claudio Freitas
Sério, Claudio? Achei que você tinha mudado de idéia a meu respeito e decidido que o melhor a fazer era manter distância deste blog... Que legal, fiquei feliz ao saber que você nos viu domingo no Barra Shopping, apesar de você não ter vindo falar comigo (pôxa vida, ignora a timidez e se me encontrar de novo, se apresente!). Ao que eu me lembre, entrei no Barra Shopping fazendo birra com o Dave porque ele estava enrolando para me responder uma pergunta...risos... então se você tivesse falado comigo, provavelmente eu ficaria feliz e me esqueceria de fazer drama...seria um serviço de utilidade pública :) E acho mesmo que se eu enxergasse direito teria te reconhecido, já vi foto sua no orkut, foi não? E não tem essa de autorizar, guri, já está mais do que autorizado, faça o favor de puxar a cadeira e sentar novamente :) Beijos!!
Alexandre França: Não, infelizmente não consegui resolver o mal-entendido com a sua amiga porque ela só quer acreditar no que ela quer acreditar, então, se ela fica feliz em entender tudo errado, paciência, né? Mas seja sempre bem-vindo!
Luana, você é um ser cruel. Como é que me privou tanto tempo de seus comentários??...risos...eu estou sempre aqui, escrevendo textos, pôxa vida, mereço saber que tem gente que gosta do que lê!! :) Valeu, viu?
Lucas, que pena que sua mãe não aceitou o Atum :( Mas liga não, logo, logo você vai poder ter seu gatinho.
Uma menina me fez uma pergunta dificílima dia desses: "Quando você começou a escrever?" Pensei. Respondi que foi aos nove anos, lembrando da primeira vez que enviei um poema para o suplemento infantil do Correio do Estado, jornal de maior circulação de Mato Grosso do Sul. Ao vê-lo selecionado e publicado, percebi que outras pessoas poderiam gostar do que eu fazia, só para a família, desde os seis anos. Mas o texto que enviei para o Correio Infantil era sério, em casa costumava escrever boletins quase diários, à máquina, em um papel cor-de-rosa, com tiradas humorísticas, que eu chamava de "jornal abobrinhal".
Antes disso já escrevia algumas historinhas para mim e ilustrava com desenhos textos que só eu entendia (minha letra sempre foi terrível). Muito provavelmente os cupins já deram cabo de grande parte dessa "produção" experimental. Mas tudo bem, bom para eles, alimentei alguma espécie :) Eles adoram livros, devoram livros (ok, a piadinha foi infame, mas eu não resisto a tiradas sem-graça). Aprendi a ler aos três anos, a coordenação motora eu não lembro quando veio (se é que veio).
Tinha vergonha de mostrar o que eu escrevia, lá pelos treze, quatorze anos. Aos quinze decidi que abandonaria a vergonha e seria escritora, um dia. Para isso teria de chegar a um nível técnico que eu considerasse perfeito. Comecei a escrever a sério. Escrevi horrores e já conseguia, aos dezessete, mostrar a uma amiga e àquele ex-quase-namorado. Acontece que o cara não entendia nada e eu achava que o problema estava no texto (na verdade o problema estava dentro da caixa craniana do rapaz). Reescrevi umas três vezes, percebi que o esforço de pesquisa para um romance histórico era hercúleo e meu lance na época era poesia. Escrevia milhares de poemas celebrando minha tristeza, sofrendo por um amor não correspondido (platônico) e chorando as pitangas, os morangos, as amoras e todas as outras frutinhas pequenas que houvesse no caminho.
Meu maior problema foi não ter tido coragem de assumir desde cedo que era aquilo que eu faria. Então decidi ser jornalista. Para escrever. E iniciei outros tantos romances inacabados, paralelos ao tal histórico, que ainda está engavetado por tempo indeterminado porque tem de ser todo refeito e eu não tenho saco para isso agora. Mas a depressão que já estava latente há alguns anos passou sobre mim feito um trator naquele ano e meus textos e poemas tornaram-se um refúgio no qual eu me escondia do mundo. Ao mesmo tempo, os poemas passaram a ser, junto com os desenhos, uma forma de entrar em contato com o mundo e mostrar um pouco de mim. Comecei a levá-los na faculdade e as pessoas gostavam!!!
Depois de um ano turbulento, decidi que não viveria mais com aquele peso nas costas, que me empurrava para baixo e passei o ano seguinte todo lutando contra a depressão de uma forma que eu nunca tinha feito, de verdade, de dentro para fora. Mudei toda a vida, larguei a faculdade, troquei de igreja, cortei o cabelo, sumi de todo mundo e fiz um ano inteiro de desconstrução e reconstrução de mim. Por muito tempo, durante o processo, não escrevi uma linha sequer.
Quando estava triste não escrevia para não alimentar o sentimento ruim e quando estava bem, simplesmente não tinha o que escrever. Tinha me habituado tanto a atrelar o escrever ao sofrimento que simplesmente travei, por meses seguidos. Percebi que escrever só quando estava triste e deprê era limitar minha criatividade.
Mas textos alegres para mim, eram sempre vazios e piegas. Texto denso mesmo era aquele cheio de lágrimas, dor, tristeza e solidão. Mas eu não queria mais nada daquilo na minha vida e teria que mudar ou deixar de escrever. Optei pela primeira opção e, quando comecei a usar a internet, com uns vinte e um anos, frequentando grupos de discussão, percebi que escrever alegre era mais fácil do que eu imaginava, era só estar alegre (isso faz toda a diferença) e sairia natural, não piegas (tudo bem às vezes sai piegas, mas não me incomodo). Voltei a escrever, já não me cobrando perfeição.
Em 2002 veio o primeiro blog e pela primeira vez arrisquei mostrar o que eu sabia fazer, com toda a minha insegurança. Por incrível que pareça só hoje posso dizer que sei o que quero e, consequentemente, lutar para que aconteça. E não me cobrar mais, saber que sou imperfeita mesmo e que é natural que meu texto também seja, ser um pouco menos crítica, um pouco mais segura e ainda mais maluca.
Então....quando comecei a escrever? Não sei. Agora, talvez. Há um ano, dois, três, dez, dezesseis ou vinte e dois. Não sei. Foi todo um processo de construção do que eu sou hoje. Escrevo desde sempre, mas nunca escrevi. Hoje me assumo escritora, mesmo sem um mísero livro lançado. Porque as coisas acontecem antes de acontecerem realmente, acontecem primeiro dentro da gente, quando a gente acredita, quando usa a fé, quando coloca em prática o "Ter certeza de coisas que se esperam", agir como se algo que ainda não existe já existisse, enfim, é loucura mesmo, mas é só assim que funciona.
Por isso estou fechando mais um ciclo da minha vida, para dar lugar a outro, mais seguro, mais maluco, mais certo. Estou gravitando em torno de algo que quero há séculos, mas sem coragem de assumir, com medo de dar o passo errado, ou o passo certo na hora errada. A hora é a gente que faz. E eu decidi que é agora.
Ps: Algumas respostas rápidas a alguns comentários
"Exorcizar velhos "fantasmas" faz bem pacas, não é?
É, eu sei, faz muito tempo mesmo que não apareço por aqui...Coisas da vida, mas, se vc me autorizar, volto a frequentar...Dá pra ser? rsrsrs
Outra coisa: Vida de celebridade é um negócio estranho...Domingo agora, vc e Dave, chegando ao Barra Shopping, e eu lá, saindo...Fiquei emocionado em ver uma das minhas escritoras favoritas pessoalmente...Só não falei com vcs pq, além da pressa que estava, eu sou tímido, viu???
Gde bjz pra vcs, do fã longamente ausente..."
Claudio Freitas
Sério, Claudio? Achei que você tinha mudado de idéia a meu respeito e decidido que o melhor a fazer era manter distância deste blog... Que legal, fiquei feliz ao saber que você nos viu domingo no Barra Shopping, apesar de você não ter vindo falar comigo (pôxa vida, ignora a timidez e se me encontrar de novo, se apresente!). Ao que eu me lembre, entrei no Barra Shopping fazendo birra com o Dave porque ele estava enrolando para me responder uma pergunta...risos... então se você tivesse falado comigo, provavelmente eu ficaria feliz e me esqueceria de fazer drama...seria um serviço de utilidade pública :) E acho mesmo que se eu enxergasse direito teria te reconhecido, já vi foto sua no orkut, foi não? E não tem essa de autorizar, guri, já está mais do que autorizado, faça o favor de puxar a cadeira e sentar novamente :) Beijos!!
Alexandre França: Não, infelizmente não consegui resolver o mal-entendido com a sua amiga porque ela só quer acreditar no que ela quer acreditar, então, se ela fica feliz em entender tudo errado, paciência, né? Mas seja sempre bem-vindo!
Luana, você é um ser cruel. Como é que me privou tanto tempo de seus comentários??...risos...eu estou sempre aqui, escrevendo textos, pôxa vida, mereço saber que tem gente que gosta do que lê!! :) Valeu, viu?
Lucas, que pena que sua mãe não aceitou o Atum :( Mas liga não, logo, logo você vai poder ter seu gatinho.

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