Pause
Então vem a chuva. As nuvens, o frio. Sou muito ruim com metáforas desde o dia em que resolvi ser clara. Sou muito ruim com disfarces desde quando decidi ser autêntica. Sou muito ruim com palavras, desde que comecei a escrever. Algumas coisas são ruins comigo e isso eu realmente não sei explicar.
A verdade é que sei muito pouco e muito pouco faço do que me comprometo a fazer. Perdi algumas capacidades de direcionamento de olhar há muito tempo, mas recuperei algumas cores, o que é parcialmente bom. Mas quando o mundo aqui de dentro chama, desculpem, eu tenho que me fechar. A concha é apertada, mas necessária. Lutar contra mim e terminar coisas inacabadas. Coisas que me chamam. Coisas que não ouço.
Não sou prepotente, não sou pretensiosa. Sempre soube que eu era um embuste. Na verdade acho que todo mundo pensa isso de si mesmo, vez ou outra. Porque só nós sabemos o tamanho das nossas fraquezas, dos nossos medos, da nossa insegurança, dos nossos erros... O olho humano vem com uma lente de aumento para as coisas ruins e as coisas boas estão todas escritas em letras miúdas.
Então, eu sou a ostra. Sempre fui, tento me enganar. E te enganar também, na verdade. Por mais que eu mostre aí fora, aqui dentro estou sempre segura. Quando quero, fecho a porta e ninguém entra. Eu, as portas, as chaves, os dedos. Eu nunca sei quanto tempo demora, nem quando irei abrir a concha novamente. Só o que sei é que de vez em quando fecho. E não sei mais nada.
Uma música baixa, cores diferentes, novas formas. Eu me desafio, me forço, me espremo. É mais difícil dentro da concha do que fora dela, por mais complicado que seja explicar isso. Todas as vozes são minhas, todas as lutas, os conflitos, os medos, a força que sempre busco tirar, eu sei de onde. A cabeça acaba doendo, tonta, gasta, mas é uma luta contra mim e desta vez só saio com toda a história pronta. Ou mais de uma, se for o caso.
Não decifre, não é um enigma. Não há metáforas, nem nada claro. São contradições, sou cheia delas. Sou a própria contradição ambulante, como tantas outras pessoas. Alterno as blusas, mas uso quase sempre a mesma roupa, ontem saí sem maquiagem, hoje coloquei a saia. Para variar, às vezes, se mostrar, se esconder, mudar um pouco a direção, o foco. Agora a luz está aqui dentro. Apago. Um pouco de escuro, um pouco de silêncio, o som das teclas que tanto amo.
Hoje não sei o que dizer, por isso não digo nada. Me escondo um pouco, descanso os olhos. Deixo de lado a minha vida para viver outras vidas, por alguns instantes. Gostaria que os pensamentos e sentimentos que borbulham dentro de mim agora conseguissem ser impressos em palavras sem precisar passar pela mente, que os filtra. Um poço de contradições, fundo o suficiente para que elas se misturem e tornem-se emaranhados confusos.
Fecho a porta da concha, mas a caixa de correio continua aberta. Quero um pouco de ar, um pouco de silêncio, um pouco de tudo o que vivi e observei até hoje. Quero um pouco do trabalho mais difícil do mundo, fazer com que exista onde não existe nada.
Calo-me, então. Não é a primeira vez, não será última. Mas realmente espero conseguir concluir meu intento, seja ele qual for. Não sei por quanto tempo, mas por tempo o suficiente. Volto, em breve.
PS: Quem acompanha este blog há algum tempo sabe que meus hiatus podem durar um mês, uma semana, dois dias, nunca se sabe. Mas neste caso, me afasto para trabalhar com um pouco mais de concentração em algumas coisas. E pretendo voltar com novidades. Só não me abandonem. E, sei lá, tirem o tempo para ler textos desta página que vocês ainda não leram. Sempre tem, não?
PS2: Respondi todos os comentários, exceto os que já tinha respondido nas caixas. E quem nao leu o post sobre a Raíssa, que fiz ontem, role a barra e veja a fofura da titia :) Se quiserem, podem comentar nos posts antigos que identifico comentários novos no haloscan, sem problemas.
Comentários deste post:
A Raíssa é linda e putz...a sua cara. Mostrei para o meu namorado e ele também achou. Ela é sua miniatura. Muito linda com o cabelinho todo colorido de enfeite. Espero que a pausa seja produtiva e boa para deixar para lá o que é para lá.Meu Book ficou pronto, falei, né? Coloquei foto no Blog! Espero que goste!Bjinhos.
Tammy 05.03.05 - 11:21 am #
Então vem a chuva. As nuvens, o frio. Sou muito ruim com metáforas desde o dia em que resolvi ser clara. Sou muito ruim com disfarces desde quando decidi ser autêntica. Sou muito ruim com palavras, desde que comecei a escrever. Algumas coisas são ruins comigo e isso eu realmente não sei explicar.
A verdade é que sei muito pouco e muito pouco faço do que me comprometo a fazer. Perdi algumas capacidades de direcionamento de olhar há muito tempo, mas recuperei algumas cores, o que é parcialmente bom. Mas quando o mundo aqui de dentro chama, desculpem, eu tenho que me fechar. A concha é apertada, mas necessária. Lutar contra mim e terminar coisas inacabadas. Coisas que me chamam. Coisas que não ouço.
Não sou prepotente, não sou pretensiosa. Sempre soube que eu era um embuste. Na verdade acho que todo mundo pensa isso de si mesmo, vez ou outra. Porque só nós sabemos o tamanho das nossas fraquezas, dos nossos medos, da nossa insegurança, dos nossos erros... O olho humano vem com uma lente de aumento para as coisas ruins e as coisas boas estão todas escritas em letras miúdas.
Então, eu sou a ostra. Sempre fui, tento me enganar. E te enganar também, na verdade. Por mais que eu mostre aí fora, aqui dentro estou sempre segura. Quando quero, fecho a porta e ninguém entra. Eu, as portas, as chaves, os dedos. Eu nunca sei quanto tempo demora, nem quando irei abrir a concha novamente. Só o que sei é que de vez em quando fecho. E não sei mais nada.
Uma música baixa, cores diferentes, novas formas. Eu me desafio, me forço, me espremo. É mais difícil dentro da concha do que fora dela, por mais complicado que seja explicar isso. Todas as vozes são minhas, todas as lutas, os conflitos, os medos, a força que sempre busco tirar, eu sei de onde. A cabeça acaba doendo, tonta, gasta, mas é uma luta contra mim e desta vez só saio com toda a história pronta. Ou mais de uma, se for o caso.
Não decifre, não é um enigma. Não há metáforas, nem nada claro. São contradições, sou cheia delas. Sou a própria contradição ambulante, como tantas outras pessoas. Alterno as blusas, mas uso quase sempre a mesma roupa, ontem saí sem maquiagem, hoje coloquei a saia. Para variar, às vezes, se mostrar, se esconder, mudar um pouco a direção, o foco. Agora a luz está aqui dentro. Apago. Um pouco de escuro, um pouco de silêncio, o som das teclas que tanto amo.
Hoje não sei o que dizer, por isso não digo nada. Me escondo um pouco, descanso os olhos. Deixo de lado a minha vida para viver outras vidas, por alguns instantes. Gostaria que os pensamentos e sentimentos que borbulham dentro de mim agora conseguissem ser impressos em palavras sem precisar passar pela mente, que os filtra. Um poço de contradições, fundo o suficiente para que elas se misturem e tornem-se emaranhados confusos.
Fecho a porta da concha, mas a caixa de correio continua aberta. Quero um pouco de ar, um pouco de silêncio, um pouco de tudo o que vivi e observei até hoje. Quero um pouco do trabalho mais difícil do mundo, fazer com que exista onde não existe nada.
Calo-me, então. Não é a primeira vez, não será última. Mas realmente espero conseguir concluir meu intento, seja ele qual for. Não sei por quanto tempo, mas por tempo o suficiente. Volto, em breve.
PS: Quem acompanha este blog há algum tempo sabe que meus hiatus podem durar um mês, uma semana, dois dias, nunca se sabe. Mas neste caso, me afasto para trabalhar com um pouco mais de concentração em algumas coisas. E pretendo voltar com novidades. Só não me abandonem. E, sei lá, tirem o tempo para ler textos desta página que vocês ainda não leram. Sempre tem, não?
PS2: Respondi todos os comentários, exceto os que já tinha respondido nas caixas. E quem nao leu o post sobre a Raíssa, que fiz ontem, role a barra e veja a fofura da titia :) Se quiserem, podem comentar nos posts antigos que identifico comentários novos no haloscan, sem problemas.
Comentários deste post:
A Raíssa é linda e putz...a sua cara. Mostrei para o meu namorado e ele também achou. Ela é sua miniatura. Muito linda com o cabelinho todo colorido de enfeite. Espero que a pausa seja produtiva e boa para deixar para lá o que é para lá.Meu Book ficou pronto, falei, né? Coloquei foto no Blog! Espero que goste!Bjinhos.
Tammy 05.03.05 - 11:21 am #

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