Saturday, June 11, 2005

Vivendo o hoje

Séculos sem escrever, sem acessar a internet, já preparando as coisas para a viagem (sairemos daqui no dia 25). Fiquei oito dias em Campo Grande, minha avó está estranha. Nos deu um susto dia desses, foi parar no hospital, colocou marcapasso, parou novamente no hospital, ajustou o marcapasso, agora anda com um comportamento esquisito, mas ao menos está bem feliz. De algumas coisas se lembra, de outras já se esqueceu, mas não se apega mais a nada do que passou, não se preocupa com o que virá. Vive o dia de hoje, se diverte com qualquer coisa e não esquenta com mais nada.

Quem dera pudéssemos aprender a viver assim sem precisar desligar alguma área do cérebro. Claro, pensar no futuro é sempre bom, fazer planos, projetos...mas viver em função do depois, ansioso pelo que há de vir, ou se prendendo ao que já foi e não tem mais volta só faz mal.

Vivi muito tempo presa a um passado que quando era presente nem era tão bom assim. Também esperava por um futuro que eu queria mas que me parecia extremamente impossível, porque eu me sentia completamente atada, me movendo em slow motion, quando me movia.

O presente, aquele que é o único que temos de verdade, de onde o tão esperado futuro deve se alimentar, esse era um poço de lamentações, um buraco negro, uma grande lacuna entre o que já tinha passado e o tal futuro do pretérito, que chegaria, se minha vida não tivesse virado um abismo de desgraça. Uma novidade: a gente só sai dessa quando enche o saco do papel de coitadinho e resolve deixar o orgulho de lado e assumir a vida que a gente quer, lutando para alcançá-la.

Depois que aprendi a virar a primeira página, arquivar o passado e perceber que a vida -felizmente- é dinâmica, virar páginas não tem sido tarefa muito difícil. A mesma Vanessa que costuma guardar papéis inúteis e junta tranqueiras com uma facilidade absurda, não tem dificuldade de se adaptar a novas situações e entender que algumas coisas passam e que a vida muda muito, o tempo todo.

Só que de vez em quando dá aquela vontadezinha de bancar a coitadinha, achando que vai ser por pouco tempo e que, afinal de contas, eu mereço um pouco de piedade. O mais importante é abrir os olhos para não cair nessa cilada. Não se engane. Quando a vontadezinha se instala, se alastra e consegue nos manter inertes, minúsculos, do tamanho de uma ervilha, com o mundo girando em torno do nosso umbigo, pesadamente.

Sorry, não perco mais meu tempo. Perdi muitos anos da minha vida nessa e não admito perder nem mais um dia. A vida passa depressa e eu quero aproveitar o máximo que puder dela.

Fazer o melhor possível, aprender com os erros (meus e dos outros), tentar ser a cada dia uma pessoa melhor, ajudar a quem eu puder, buscar realizar meus sonhos e aproveitar cada instante do hoje, cada momento, cada oportunidade, cada momento de atividade e de descanso. Viver em círculos pode até ser mais fácil, mas não é nada emocionante, muito menos inteligente.


Comentários deste post:

Muito bacana o que ecsreveu. Seguir, seguir pensando em hoje. A vida dá mais certo assim. Cara, desejo muitas alegrias em mais essa etapa da sua vida.Tenho novidade. Mostro depois no Blog!!!Bjinhos.
Tammy 06.12.05 - 6:19 pm #

Oie, nem li ainda o que escreveu, mas FINALMENTE voltou!!! Espero que a viagem tenha sido show e que o Dia dos Namorados esteja especial. Saudades. Muita coisa para contar.
Tammy 06.12.05 - 6:11 pm #