On the Road
Disse que não viria, mas acabei vindo. Passei o final da semana aqui em Campo Grande e volto amanhã para Porto Alegre. Ainda acho que as coisas se resolverão comigo ou sem migo, mas esse negócio de deixar que os outros façam tudo sem que você saiba de nada, definitivamente, não funciona. Já testei várias vezes, só dá problema. Então vim, vi e agora, voltarei.
Não tenho ficado muito tempo (nem pouco tempo) online, por isso a ausência de posts, emails, scraps, comentários e todas as outras formas de comunicação via internet.
Volto correndo porque estou com saudade do Dave (mesmo ele sendo um chato dramático) e das minhas crianças. A Ricota andou tendo sérios problemas, detalho assim que chegarmos, já que amanhã ela vai novamente ao veterinário e terei mais novidades.
Eu quero ir para casaaaaaa.... definitivamente, não consigo ficar muito (nem pouco) tempo longe daquele branquelo cabeludo. Meu único problema com ir para casaaaaa é que lá está muito frio. E o frio não gosta de mim. Aqui está pouco frio e até mesmo esse pouco frio não vai com a minha cara.
Encontrei alguns nativos da região (ok, Polzonoff) e eles mostraram-se surpresos:
1- Por eu estar morando fora - Acharam, certamente, que eu tinha sido desintegrada por forças do mal ou abduzida por alienígenas. Ou, quem sabe, que estaria vivendo com meu manto de invisibilidade, circulando por Campo Grande sem ser vista. Ou quem sabe eu mesma não faça tanta falta assim que alguém note a minha ausência
2- Por eu ter casado - Essa sempre vem acompanhada por uma exclamação interrogativa: "O quêêê??? Casooooooou?????" E olhos arregalados. Tá bom. Eu nunca namorei ninguém e - ao contrário de boa parte das mulheres deste lugar (e de outros) - não saía por aí me atirando sobre os rapazes e costumava cortar todos aqueles que se aproximavam com interesse. Sabendo disso não me sinto tão mal ao ouvir tal expressão de espanto, mesmo quando parece que a pessoa vai ter um ataque cardíaco. Ainda diz a lenda que eu costumava dizer que não iria me casar. Eu realmente não me lembro de ter dito isso algum dia, mas não tenho como provar)
3- Por eu ter conhecido meu marido pela internet. - Todo mundo pergunta como nos conhecemos. E todo mundo diz, com aquela mesma cara de espanto: "Pela internet?????" Geralmente isso vem seguido de um xingamento de surpresa e admiração como, por exemplo: "Você é maluca!!" E sempre me perguntam se eu não fiquei com medo, se eu não achei que ele pudesse ser um psicopata, porque tem tanta história... e se espantam mais ainda quando eu conto que tem mais história que dá certo do que histórias horrendas. Essas só saem mais na televisão.
4- Por eu estar bonita. - Sinceramente, eu devia ser um monstro. Eu realmente não conseguia enxergar a pele verde ou o segundo nariz, no meio da testa. As pessoas podem estar tentando ser agradáveis e eu adoro ser elogiada, mas a expressão que elas fazem quando dizem: "Puxa, como você está linda!" Me faz quase ouvir: "Cruzes, você era horrenda!!". Isso sempre vem seguido de um "Os ares do Sul estão te fazendo bem, hein?" Com aquela piscadinha e às vezes uma cutucadinha nada discreta.
Algumas pessoas foram sinceramente simpáticas, naturalmente surpresas, disseram que eu estava bonita, ouviram atentamente as novidades, se surpreenderam normalmente, ficaram felizes e desejaram tudo de bom e ainda disseram que estranharam meu desaparecimento, mas outras seguiram o script acima, padronizadamente, como se tivessem engolido o mesmo software. Achei estranho.
Talvez eu esteja mal-humorada e não deveria escrever nada mal-humorada, fico intragável. O que me leva a crer que eu fico intragável e mal-humorada longe do Davison. O que me faz pensar que a Ricota é muito parecida comigo. Quando está sentindo algum desconforto, seja físico ou emocional, ela fica mal-humorada e intragável. O Tiggy tenta brincar com ela e ela responde com um rosnado longo, uma cara de poucos amigos e nem mesmo olha para ele. Ignora o pobre gato amarelo feliz. Que, por sua vez, tem a personalidade muito parecida com a do Davison.
Não que eu tenha rosnado para ele, mesmo porque ele nem quis brincar comigo. Mas estar longe dele me traz um desconforto físico e emocional que me faz ficar tão chata que nem eu me aguento. Coitada da minha mãe...risos...
Amanhã estarei de volta, enfrentarei o frio bravamente debaixo das cobertas, comendo pizza e assistindo filme, cercada pelos meus três gatinhos. O amarelo, a rajada e o branquelo cabeludo, mesmo ele sendo um chato dramático.
Espero que tenham sentido a minha falta, mas sem sofrer muito. :)
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Disse que não viria, mas acabei vindo. Passei o final da semana aqui em Campo Grande e volto amanhã para Porto Alegre. Ainda acho que as coisas se resolverão comigo ou sem migo, mas esse negócio de deixar que os outros façam tudo sem que você saiba de nada, definitivamente, não funciona. Já testei várias vezes, só dá problema. Então vim, vi e agora, voltarei.
Não tenho ficado muito tempo (nem pouco tempo) online, por isso a ausência de posts, emails, scraps, comentários e todas as outras formas de comunicação via internet.
Volto correndo porque estou com saudade do Dave (mesmo ele sendo um chato dramático) e das minhas crianças. A Ricota andou tendo sérios problemas, detalho assim que chegarmos, já que amanhã ela vai novamente ao veterinário e terei mais novidades.
Eu quero ir para casaaaaaa.... definitivamente, não consigo ficar muito (nem pouco) tempo longe daquele branquelo cabeludo. Meu único problema com ir para casaaaaa é que lá está muito frio. E o frio não gosta de mim. Aqui está pouco frio e até mesmo esse pouco frio não vai com a minha cara.
Encontrei alguns nativos da região (ok, Polzonoff) e eles mostraram-se surpresos:
1- Por eu estar morando fora - Acharam, certamente, que eu tinha sido desintegrada por forças do mal ou abduzida por alienígenas. Ou, quem sabe, que estaria vivendo com meu manto de invisibilidade, circulando por Campo Grande sem ser vista. Ou quem sabe eu mesma não faça tanta falta assim que alguém note a minha ausência
2- Por eu ter casado - Essa sempre vem acompanhada por uma exclamação interrogativa: "O quêêê??? Casooooooou?????" E olhos arregalados. Tá bom. Eu nunca namorei ninguém e - ao contrário de boa parte das mulheres deste lugar (e de outros) - não saía por aí me atirando sobre os rapazes e costumava cortar todos aqueles que se aproximavam com interesse. Sabendo disso não me sinto tão mal ao ouvir tal expressão de espanto, mesmo quando parece que a pessoa vai ter um ataque cardíaco. Ainda diz a lenda que eu costumava dizer que não iria me casar. Eu realmente não me lembro de ter dito isso algum dia, mas não tenho como provar)
3- Por eu ter conhecido meu marido pela internet. - Todo mundo pergunta como nos conhecemos. E todo mundo diz, com aquela mesma cara de espanto: "Pela internet?????" Geralmente isso vem seguido de um xingamento de surpresa e admiração como, por exemplo: "Você é maluca!!" E sempre me perguntam se eu não fiquei com medo, se eu não achei que ele pudesse ser um psicopata, porque tem tanta história... e se espantam mais ainda quando eu conto que tem mais história que dá certo do que histórias horrendas. Essas só saem mais na televisão.
4- Por eu estar bonita. - Sinceramente, eu devia ser um monstro. Eu realmente não conseguia enxergar a pele verde ou o segundo nariz, no meio da testa. As pessoas podem estar tentando ser agradáveis e eu adoro ser elogiada, mas a expressão que elas fazem quando dizem: "Puxa, como você está linda!" Me faz quase ouvir: "Cruzes, você era horrenda!!". Isso sempre vem seguido de um "Os ares do Sul estão te fazendo bem, hein?" Com aquela piscadinha e às vezes uma cutucadinha nada discreta.
Algumas pessoas foram sinceramente simpáticas, naturalmente surpresas, disseram que eu estava bonita, ouviram atentamente as novidades, se surpreenderam normalmente, ficaram felizes e desejaram tudo de bom e ainda disseram que estranharam meu desaparecimento, mas outras seguiram o script acima, padronizadamente, como se tivessem engolido o mesmo software. Achei estranho.
Talvez eu esteja mal-humorada e não deveria escrever nada mal-humorada, fico intragável. O que me leva a crer que eu fico intragável e mal-humorada longe do Davison. O que me faz pensar que a Ricota é muito parecida comigo. Quando está sentindo algum desconforto, seja físico ou emocional, ela fica mal-humorada e intragável. O Tiggy tenta brincar com ela e ela responde com um rosnado longo, uma cara de poucos amigos e nem mesmo olha para ele. Ignora o pobre gato amarelo feliz. Que, por sua vez, tem a personalidade muito parecida com a do Davison.
Não que eu tenha rosnado para ele, mesmo porque ele nem quis brincar comigo. Mas estar longe dele me traz um desconforto físico e emocional que me faz ficar tão chata que nem eu me aguento. Coitada da minha mãe...risos...
Amanhã estarei de volta, enfrentarei o frio bravamente debaixo das cobertas, comendo pizza e assistindo filme, cercada pelos meus três gatinhos. O amarelo, a rajada e o branquelo cabeludo, mesmo ele sendo um chato dramático.
Espero que tenham sentido a minha falta, mas sem sofrer muito. :)
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