Saturday, January 08, 2005

Alergia a Adrenalina



Dave diz que eu estou mal-humorada. Apesar de eu sempre querer negar esse tipo de coisa, devo confessar que talvez, quem sabe, de alguma forma, ele possa ter até um pouco de razão.



O que acontece é que desde que eu cheguei do Rio pouco fiz das coisas que realmente queria fazer e que me fazem ser uma criatura dócil e meiga na maior parte do tempo.



Não que eu tenha feito apenas coisas que me desagradassem, ou que eu tenha sido obrigada a fazer coisas horrendas nesse período, não é isso.



O que acontece é que eu acabei deixando de fazer coisas que me deixam tranquila, como escrever, passear nas lojas americanas, comprar coisas para o cabelo, ler, trabalhar no meu livro, assistir a um dvd legal, dormir, descansar, escrever (e receber) e-mail light, passear pelos blogs amigos, escrever em meu próprio blog decentemente, tirar minhas fotos inúteis, pintar as unhas e tantas outras coisas inúteis que fazem a Vanessa ser a Vanessa.



Some-se a isso acontecimentos estranhíssimos como os comentados no último post que me deram uma carga assassina de adrenalina (eu sou alérgica a adrenalina) e me deixaram como se tivesse sido atropelada por um caminhão desgovernado.



Sem contar que tudo tem sido feito com tempo contado, como se houvesse um cronômetro torturante sobre a minha cabeça. Eu, que detesto fazer qualquer coisa sob pressão, tenho me sentido um punhado de soja dentro da panela de pressão (não disse "feijão" porque não gosto muito de feijão, e eu não gostaria de me comparar a algo que não gosto muito).



Só que se falo essas coisas, parece que estou reclamando e deixo triste gente que quero ver alegre. Aí não falo nada e fico com essa cara de chuva.



E venho aqui, super mal-humorada, escrever um texto que nem texto é, coisa da qual acabarei me arrependendo em menos de três dias. Ah, essa vida é complicada quando a gente faz questão de não querer simplificar...



Ok. São oito e cinquenta e cinco da madrugada, meu cronômetro apita: "você tem apenas cinco minutos". Minha felicidade é que agora vou a Granela (de novo? Sim, de novo!) comer, comer, comer, comer :)



A melhor coisa que tem para se fazer lá é, depois que você já viu todas as paisagens quinhentas e cinquenta vezes, comer, comer, comer, comer, comer. Não há melhor lugar do que o Rio Grande do Sul para quem quer comer, comer, comer, comer e comer.



Eu, que já engordei dois quilos depois de ter engordado sete e emagrecido três, vou ao café colonial sem me importar se engordarei mais cinco, já que depois, em casa, posso queimar tudo o que comi. Ou não, tanto faz, não importa. Passei minha vida inteira querendo engordar, não vou reclamar disso agora.



Então, o cronômetro dispara, meu tempo acabou. Volto durante o final de semana, viajo na segunda para Campo Grande, fico uma semana e volto para essas terras quentes (como está calor em Porto Alegre nesses dias!!).



Só preciso de um tempo para pensar, digerir e voltar ao normal. Talvez comer como uma louca me ajude nesse processo todo :) Tentarei agir da forma mais lenta possível para ver se elimino toda a adrenalina da minha corrente sanguínea. E amanhã respondo comentários.