Estou chocada. Chocadíssima. Mudaram o layout do orkut, estão alterando lentamente, apenas alguns usuários tem o "novo orkut", grande parte ainda está com o simpático e antigo azulzinho. Pavor, pavor: eu sou uma das "eleitas". Passei alguns dias apreensiva, porque não queria, não queria, não queria, e o Google me torturando, mudando o layout do Gatão, mudando o layout do Davison...até que chegou a mim.
Juro que nunca mais uso o orkut, ficou horroroso! Ver aquelas linhas arredondadas e aquele azul pálido desmaiado e à beira da morte fez com que meus neurônios, enlutados, parassem suas atividades em sinal de respeito. Provavelmente agora eu reduza minha já reduzida participação na rede de relacionamentos a quase zero.
Que mania o povo tem de achar que é legal mudar. Nem tive tempo de me adaptar! Quando descobri que já estava acontecendo com algumas pessoas encontrei o Blog oficial do orkut, me choquei com a informação de que todos os usuários teriam o layout trocado e não haveria como mudar para a carinha anterior. Eu quero o layout velho!!!!
Tá, eu sei, mudei todo o meu blog e devo ter chocado algumas pessoas tão avessas a mudanças quanto eu, mas eu tenho uma relação de amor e ódio antiqüíssima com meu blog, desde a época do falecido-extinto-que-deus-o-tenha Vansblog. De tempos em tempos simplesmente enjôo e quero entrar em hiatus. Isso desde 2002, caros amigos, é um problema jurássico. Como eu nunca, jamais, em hipótese alguma o deletaria (afinal de contas, sou uma velhinha apegada a registros históricos), resolvi marcar minha nova fase com um novo nome, só isso. Só mudou o nome e a URL, alguém percebeu? Troquei a foto lá em cima pela simpática caixa de texto, mas por motivos de força maior, e o post vai ficar ainda mais longo se eu tentar explicar.
Como não resisto, vou explicar. Eu virei uma pessoa muito chique e famosa e ganhei um fake no orkut. Uma leitora muito simpática que eu ainda não conhecia, a Luciana, me deixou um scrap perguntando se eu tinha dois perfis no orkut. Lá fui eu fazer egosearch para ver do que se tratava. Lá estava outra Vanessa Lampert, extremamente parecida comigo, por sinal. Com uma dúzia de amigos e dezenas de comunidades, entrara no orkut há algumas semanas.
O álbum, com doze fotos cuidadosamente selecionadas, era muito, mas muito melhor do que o meu, devo reconhecer. E a foto do perfil, apesar de já ter quase dois anos, também foi muito bem escolhida. Diante de tanto bom gosto, fui obrigada a deixar um scrap parabenizando quem quer que tenha feito a coisa. Denunciei ao orkut e avisei aos amigos do fake e aos donos das comunidades que se tratava de um fake. Dois dias depois o orkut deletou o lindo perfil e eu voltei a ser a única Vanessa Lampert, porque eu quero exclusividade, tá?
Uma das fotos era exatamente a montagem que havia no alto do blog até semana passada, eu escrevendo, o Gatão e o Tiggy por perto. A criatura colocou isso no álbum, com a legenda: "Paixão". Hein???? Queísso??? Como assim "paixão"? Que coisa mais piegas, mais brega de se dizer...quem me conhece de verdade sabe que eu jamais escreveria uma coisa ridícula dessas.
Então, sempre que eu via a tal montagem no alto do Maquinando, uma voz feminina melosa dizia, retumbante: "Paixããããããuuummmm" ARGH! Eu não poderia suportar aquilo por muito tempo. Bastou ter algumas horas disponíveis para pensar em quais mudanças seriam úteis por aqui e deletei aquela foto. Ela ainda está salva em algum lugar de minha bagunçada máquina, mas pelo menos não preciso vê-la todos os dias e ouvir aquela voz insuportável dizendo aquela palavra que se tornou insuportável pelo contexto ao qual foi aplicada. Coitada da palavra.
Somos torturadores de palavras, pensando bem. A palavrinha está lá, na dela, bem feliz, e de repente alguém resolve colocá-la em um contexto estapafúrdio para que ela se torne ainda mais estapafúrdia que a própria palavra "estapafúrdio". Temos o poder de transformar as palavras em qualquer coisa que quisermos, dependendo de como resolvemos usá-las e isso deve apavorar as coitadas.
Aliás, retiro o que disse. Na verdade, nenhuma palavrinha pode estar na dela, feliz e saltitante, isso é impossível! As palavras vivem em constante estado de tensão, pois raramente são bem utilizadas. Sabem do poder do ser humano (aquele monstro) sobre elas e estão sempre de sobreaviso, apavoradas, não esperando menos do que o pior. Há quem diga que palavras são esperançosas. Não são. Elas se reinventam para renovar o disfarce, só isso. Mas vivem sempre assustadinhas, sem motivo aparente, antevendo o que nem existe.
Como a gatinha da minha mãe, a Lili, preta-e-branca. Nunca esteve na rua, nunca foi ameaçada, nunca foi maltratada, mas se esgueira pelos cantos, neurótica, esperando um ataque que nunca virá. Lili é uma palavrinha felina. A outra gatinha, Bianca, vive brincando e aproveitando a vida, descobrindo novas coisas dentro de casa há cinco anos. Se enrosca nos fios do computador e se diverte quando eu ou minha mãe chamamos sua atenção, sai correndo, se engalfinha em um ratinho de brinquedo no meio da sala e vive em um grande playground interessante, até cansar e dormir, em cima da cama, enquanto a Lili, na varanda, mia dramaticamente chamando a Bianca, que a ignora, sabendo que não é para tanto.
Lili vive em um constante stress. Palavras são estressadas. Minha mãe levantou a hipótese de ela ter desenvolvido um problema de visão e se assustar porque vê tudo distorcido. Campo Grande é uma cidade desprovida de oftalmologista veterinário, portanto, só saberemos o dia em que a Lili, rica e famosa, resolver viajar para uma consulta no Rio de Janeiro.
Talvez as palavras não enxerguem bem em seu estado normal, precisam ser guiadas, pois vêem borrões distorcidos (um borrão distorcido é um troço bem borrado mesmo). Devem ser tratadas com carinho e paciência e devidamente orientadas pelos caminhos mais seguros. Palavras são tão sensíveis, delicadas, frágeis e expostas quanto gatos. Infelizmente, é impossível castrá-las e não dar acesso à rua. Se telássemos as janelas e não deixássemos as palavras na rua precisaríamos delas na saída, dos gatos não precisamos lá fora. E as palavras, mesmo assustadas, precisam sair e encontrar outras palavras, os gatos só saem por curiosidade, vivem bem felizes dentro de casa.
E palavras nunca morrem. Um gato na rua pode ser atropelado, envenenado, torturado, maltratado, atacado, e nunca voltará. Uma palavra na rua pode ser atropelada, envenenada, torturada, maltratada, atacada e continuará, higlander, sua jornada milenar e sem descanso, esgueirando-se pelos becos ou sem esperança, sem alma, em bocas rasas, ou mesmo escondida, nas entrelinhas. Entrelinhas são submundos das palavras, sociedade paralela na qual palavrinhas sujas e esfarrapadas reúnem-se em redor de fogueiras, esquentando nojentas salsichas, cercadas de cinza e sombras. Não há luz solar nas entrelinhas, e vive-se reptilianamente, trogloditando pelos dias. Vida difícil.
Juro que nunca mais uso o orkut, ficou horroroso! Ver aquelas linhas arredondadas e aquele azul pálido desmaiado e à beira da morte fez com que meus neurônios, enlutados, parassem suas atividades em sinal de respeito. Provavelmente agora eu reduza minha já reduzida participação na rede de relacionamentos a quase zero.
Que mania o povo tem de achar que é legal mudar. Nem tive tempo de me adaptar! Quando descobri que já estava acontecendo com algumas pessoas encontrei o Blog oficial do orkut, me choquei com a informação de que todos os usuários teriam o layout trocado e não haveria como mudar para a carinha anterior. Eu quero o layout velho!!!!
Tá, eu sei, mudei todo o meu blog e devo ter chocado algumas pessoas tão avessas a mudanças quanto eu, mas eu tenho uma relação de amor e ódio antiqüíssima com meu blog, desde a época do falecido-extinto-que-deus-o-tenha Vansblog. De tempos em tempos simplesmente enjôo e quero entrar em hiatus. Isso desde 2002, caros amigos, é um problema jurássico. Como eu nunca, jamais, em hipótese alguma o deletaria (afinal de contas, sou uma velhinha apegada a registros históricos), resolvi marcar minha nova fase com um novo nome, só isso. Só mudou o nome e a URL, alguém percebeu? Troquei a foto lá em cima pela simpática caixa de texto, mas por motivos de força maior, e o post vai ficar ainda mais longo se eu tentar explicar.
Como não resisto, vou explicar. Eu virei uma pessoa muito chique e famosa e ganhei um fake no orkut. Uma leitora muito simpática que eu ainda não conhecia, a Luciana, me deixou um scrap perguntando se eu tinha dois perfis no orkut. Lá fui eu fazer egosearch para ver do que se tratava. Lá estava outra Vanessa Lampert, extremamente parecida comigo, por sinal. Com uma dúzia de amigos e dezenas de comunidades, entrara no orkut há algumas semanas.
O álbum, com doze fotos cuidadosamente selecionadas, era muito, mas muito melhor do que o meu, devo reconhecer. E a foto do perfil, apesar de já ter quase dois anos, também foi muito bem escolhida. Diante de tanto bom gosto, fui obrigada a deixar um scrap parabenizando quem quer que tenha feito a coisa. Denunciei ao orkut e avisei aos amigos do fake e aos donos das comunidades que se tratava de um fake. Dois dias depois o orkut deletou o lindo perfil e eu voltei a ser a única Vanessa Lampert, porque eu quero exclusividade, tá?
Uma das fotos era exatamente a montagem que havia no alto do blog até semana passada, eu escrevendo, o Gatão e o Tiggy por perto. A criatura colocou isso no álbum, com a legenda: "Paixão". Hein???? Queísso??? Como assim "paixão"? Que coisa mais piegas, mais brega de se dizer...quem me conhece de verdade sabe que eu jamais escreveria uma coisa ridícula dessas.
Então, sempre que eu via a tal montagem no alto do Maquinando, uma voz feminina melosa dizia, retumbante: "Paixããããããuuummmm" ARGH! Eu não poderia suportar aquilo por muito tempo. Bastou ter algumas horas disponíveis para pensar em quais mudanças seriam úteis por aqui e deletei aquela foto. Ela ainda está salva em algum lugar de minha bagunçada máquina, mas pelo menos não preciso vê-la todos os dias e ouvir aquela voz insuportável dizendo aquela palavra que se tornou insuportável pelo contexto ao qual foi aplicada. Coitada da palavra.
Somos torturadores de palavras, pensando bem. A palavrinha está lá, na dela, bem feliz, e de repente alguém resolve colocá-la em um contexto estapafúrdio para que ela se torne ainda mais estapafúrdia que a própria palavra "estapafúrdio". Temos o poder de transformar as palavras em qualquer coisa que quisermos, dependendo de como resolvemos usá-las e isso deve apavorar as coitadas.
Aliás, retiro o que disse. Na verdade, nenhuma palavrinha pode estar na dela, feliz e saltitante, isso é impossível! As palavras vivem em constante estado de tensão, pois raramente são bem utilizadas. Sabem do poder do ser humano (aquele monstro) sobre elas e estão sempre de sobreaviso, apavoradas, não esperando menos do que o pior. Há quem diga que palavras são esperançosas. Não são. Elas se reinventam para renovar o disfarce, só isso. Mas vivem sempre assustadinhas, sem motivo aparente, antevendo o que nem existe.
Como a gatinha da minha mãe, a Lili, preta-e-branca. Nunca esteve na rua, nunca foi ameaçada, nunca foi maltratada, mas se esgueira pelos cantos, neurótica, esperando um ataque que nunca virá. Lili é uma palavrinha felina. A outra gatinha, Bianca, vive brincando e aproveitando a vida, descobrindo novas coisas dentro de casa há cinco anos. Se enrosca nos fios do computador e se diverte quando eu ou minha mãe chamamos sua atenção, sai correndo, se engalfinha em um ratinho de brinquedo no meio da sala e vive em um grande playground interessante, até cansar e dormir, em cima da cama, enquanto a Lili, na varanda, mia dramaticamente chamando a Bianca, que a ignora, sabendo que não é para tanto.
Lili vive em um constante stress. Palavras são estressadas. Minha mãe levantou a hipótese de ela ter desenvolvido um problema de visão e se assustar porque vê tudo distorcido. Campo Grande é uma cidade desprovida de oftalmologista veterinário, portanto, só saberemos o dia em que a Lili, rica e famosa, resolver viajar para uma consulta no Rio de Janeiro.
Talvez as palavras não enxerguem bem em seu estado normal, precisam ser guiadas, pois vêem borrões distorcidos (um borrão distorcido é um troço bem borrado mesmo). Devem ser tratadas com carinho e paciência e devidamente orientadas pelos caminhos mais seguros. Palavras são tão sensíveis, delicadas, frágeis e expostas quanto gatos. Infelizmente, é impossível castrá-las e não dar acesso à rua. Se telássemos as janelas e não deixássemos as palavras na rua precisaríamos delas na saída, dos gatos não precisamos lá fora. E as palavras, mesmo assustadas, precisam sair e encontrar outras palavras, os gatos só saem por curiosidade, vivem bem felizes dentro de casa.
E palavras nunca morrem. Um gato na rua pode ser atropelado, envenenado, torturado, maltratado, atacado, e nunca voltará. Uma palavra na rua pode ser atropelada, envenenada, torturada, maltratada, atacada e continuará, higlander, sua jornada milenar e sem descanso, esgueirando-se pelos becos ou sem esperança, sem alma, em bocas rasas, ou mesmo escondida, nas entrelinhas. Entrelinhas são submundos das palavras, sociedade paralela na qual palavrinhas sujas e esfarrapadas reúnem-se em redor de fogueiras, esquentando nojentas salsichas, cercadas de cinza e sombras. Não há luz solar nas entrelinhas, e vive-se reptilianamente, trogloditando pelos dias. Vida difícil.

<< Home