Monday, February 14, 2005


À minha amiga de infância :


Cinco anos mais velha do que eu, às vezes ela não estava lá muito interessada em brincar de boneca, enquanto eu estava no auge da infantilidade (faz tempo, faz tempo). Mas sempre brincava comigo, às vezes por livre e espontânea pressão materna, às vezes só por brincar mesmo.

Difícil encontrar uma foto minha em que ela também não esteja, até meados de 1996. Cuidava de mim e diz a lenda que ela pediu uma irmãzinha para a mamãe. Não pode nem reclamar, foi ela quem pediu :)

É uma diferença de idade esquisita, ao mesmo tempo que em certas épocas parecia muita, em outras parecia muito pouca. Agora, por exemplo, a diferença é mínima. Porém, a conexão caiu há algum tempo e eu espero conseguir reconectar, só falta descobrir o número exato.

Sinto falta, sinto muita falta da minha companheira de brincadeiras e bagunça, que me escrevia cartas divertidíssimas e com quem sempre gostei de conversar. Não a vejo há muito tempo, mas não me esqueço nunca.

A gente nunca sabe como é a história do lado de lá, como ela seria contada pela outra pessoa, mas acho que seria mais ou menos assim, também.

Eu sinto falta daquele sorriso. Do sorriso lindo e espontâneo que ela tem. Que só ela tem. E ela faz coisas incríveis com um pincel, tintas e tela.

Há dias em que me sinto uma velhinha de 97 anos, me lembrando da minha infância, da adolescência, da juventude....passando todas as minhas memórias na cabeça como um filme. Contando, mentalmente, para um interlocutor invisível, como era aquele tempo. Hoje eu estou assim.

E por coincidência hoje é aniversário da Claudia. Então este post era inevitável, ainda que ela fique brava comigo por tê-lo escrito e ainda ter postado foto :) A maior prejudicada sou eu, que estou horrível nas fotos....risos...

Ela sempre foi a mais próxima a mim, não apenas na idade, mas também nas afinidades. E, como nas fotos, não há lembrança minha da infância em que ela não esteja. Eu não passei a infância sozinha.

Inventávamos histórias, éramos agentes secretas, cantoras famosas, fazíamos revistas femininas e de informação (ela fazia tudo direitinho, eu sempre esculhambava tudo com minha letra horrorosa e minha total falta de noção de espaço...risos...), histórias em quadrinhos, tínhamos nossos personagens preferidos, inventados por nós mesmas, duas duplas de fantasmas (uma minha e uma dela), os coelhos astronautas criados por ela, enfim, era um mundo maluco à nossa disposição.

Mesmo à distância, ainda nos comunicávamos, as cartas que guardo comigo até hoje, a primeira visita minha ao Rio Grande do Sul, que foi memorável, eu amei cada segundo da viagem (principalmente os segundos nos quais devorava um pastel imenso. Imenso mesmo, chama-se pastelão e só tem em Santa Maria, é uma refeição...todo mundo sabe que minhas lembranças de viagem são gastronômicas :) ), tinha dezesseis anos e era minha primeira viagem longa de ônibus (na época gastava-se 32 horas para chegar a Santa Maria, porque tínhamos que atravessar o rio Paraná de balsa, a ponte ainda não estava pronta).

É mãe da menina mais linda do mundo, mais alegre, mais inteligente, mais fofinha e mais amada :) Foi a grávida mais bonita que eu já vi, a mais tranquila também. Mas não teve a nenê em uma maternidade, e sim em uma sala de xerox, tamanha a semelhança.

Faz a lasanha mais gostosa do mundo, me incentivou a usar lápis preto nos olhos em vez de marrom (isso mudou minha vida, tá?) e acima de todas as nossas diferenças, o amor permanece (ok, isso não tem nada a ver com a lasanha, nem com o lápis preto, eu sei).

Claudia, não pude evitar. Estou velhinha hoje, com noventa e sete anos e todas as minhas lembranças desta segunda convergem a você. Na minha cabeça está passando o "Especial Claudia Stella", programa recorrente por aqui, aliás.

É assim. Eu, a velhinha de noventa e sete anos, ela, sessenta e sete anos mais nova do que eu, hoje. Falaria dela mesmo que não fosse seu aniversário, mas já que é, não posso deixar de dizer o clássico "meus parabéns".

Pela juventude, por mais um ano de vida concedido por Deus e pelas vitórias que eu tenho certeza que acontecerão, uma após a outra, daqui para frente. Com toda a felicidade que Ele pode te dar, em todas as áreas da sua vida. :) Eu te amo muito, viu? Muito mesmo.






PS: Nas duas primeiras fotos eu tinha dezesseis anos e estava com aparelho metálico nos dentes, atravessando minha fase larval (um pouco melhor do que nos anos anteriores, em que eu estava em minha fase de patinho abominável).

As fotos que encerram o post são da infância. A criaturinha menor sou eu, a maior é a Claudia. Infelizmente roubei poucas fotos da minha mãe. Da próxima vez que for a Campo Grande, corrigirei essa grave falha roubando um pouco mais :)

PS2: Foi a Claudia quem deu a idéia da url deste blog. O nome horroroso (Another Monster) foi escolhido por mim, com uma explicação enorme atrás. Mas "maquinando" foi idéia dela, que estava comigo quando eu fiz meu cadastro no blogger.br . Portanto, ela tem parte da culpa. :)

Serei eternamente grata a ela por isso. E por ter me convencido a trocar o lápis marrom pelo preto também, claro. :)

PS3: As fotos foram escaneadas, por isso a qualidade estranha.