Impedimento Temporário
Eu tenho algumas coisas para escrever, algumas sobre a viagem, outras são coisas já escritas no caderno que eu quero passar para cá...mas quem disse que eu consigo fazer alguma dessas coisas?
Também tenho e-mails a responder, outros a escrever...mas se eu contar o que acontece comigo neste instante vocês me acharão a mais idiota das criaturas. Não importa. Vou contar mesmo assim.
Dave voltou ao trabalho ontem. Ficamos um mês de férias, grudados vinte e quatro horas por dia. Confesso que estava ansiosa para ele voltar a trabalhar e eu ter tempo de fazer algumas coisas que só faço decentemente sozinha, escrever, por exemplo. Mas agora...
Estou aqui, pateticamente apaixonada, ouvindo as duas músicas que tenho gravadas na voz dele aqui no computador (que ele me mandou antes de nos conhecermos pessoalmente), repetidas vezes..daqui a pouco um vizinho qualquer vai bater aqui na porta e perguntar se o disco está furado. Está, sinto muito.
Olhando fotos, lendo textos que ele escreveu, sentindo saudade, sofreeeeendo...caramba! Até parece que ainda há mil e quinhentos quilômetros entre nós.
Ele está logo ali, no trabalho, chega antes das seis da tarde, daqui a menos de cinco horas. E eu aqui não consigo fazer mais nada além de lembrar, ouvir as tais duas músicas repetidamente, ver fotos e mais fotos....coloco a primeira música, fecho os olhos e me vejo novamente em Campo Grande, setembro de 2003, sofreeeeendo porque ele morava em Porto Alegre e só podíamos conversar de madrugada...
A gente perde totalmente a noção de tempo quando está apaixonada. Dois dias viram dois anos, cinco horas são cinco meses, um ano é um século....
Isso tudo porque ele foi ali e já volta. E eu tinha que escrever, estudar e sair para comprar brilho labial (eu tenho o péssimo hábito de arrancar a pele dos lábios quando eles estão ressecados, então o jeito é mantê-los sempre bem hidratados para evitar a aparência de quem acabou de sair de uma luta de boxe)...mas como?? Me diga, como??
Sim, eu tenho total consciência do ridículo dessa situação, ninguém precisa me dizer isso. Mas o que é que eu posso fazer? Se é tão bom estar com ele, se a gente se dá tão bem, se eu tenho uma vontade horrenda de viver grudaaaaaada na criatura como um insuportável chiclete de morango...
Já sofri muitas vezes, de muitas maneiras, por diversos motivos. Mas não existe sofrimento mais ridículo e maravilhoso do que sofrer por amor (correspondido, de preferência). Por mais que a gente sofra, tem sempre aquela coisa boa alimentando o coração e isso é infinitamente melhor do que ter o coração vazio, amargo, desiludido, descrente. Eu tinha, por isso sei.
Assim, assumo que no momento estou impossibilitada de fazer qualquer coisa pois todos os ossos do meu corpo estão doendo porque aquela criatura despigmentada de um metro e oitenta e seis e um monte de cabelo na cabeça está a vinte minutos daqui. E eu não consigo me mover.
Acho que com os dias isso passa...ou atenua, sei lá. Acho que é só o tempo de me adaptar à nova vida velha. E preciso comer. Eu preciso comer? Tem certeza? Posso levar o computador para continuar ouvindo as tais duas músicas? Acho que pedirei a ele para gravar mais umas cinco, só para variar.
Posso ver as fotos? E borrifar o perfume dele por todos os lados para ter a ilusão de que ele está por perto? Acho que vou deitar e abraçar o ursinho que já está devidamente intoxicado com o tal perfume. Pode ser?
Amanhã eu volto...ou depois, quem sabe? Preciso conseguir fazer com que o tempo que fico longe dele seja novamente produtivo. Acho que aos poucos volta a ser. Embora a saudade esteja sempre presente porque, afinal de contas, um pedaço de mim foi ali e já volta...
Eu tenho algumas coisas para escrever, algumas sobre a viagem, outras são coisas já escritas no caderno que eu quero passar para cá...mas quem disse que eu consigo fazer alguma dessas coisas?
Também tenho e-mails a responder, outros a escrever...mas se eu contar o que acontece comigo neste instante vocês me acharão a mais idiota das criaturas. Não importa. Vou contar mesmo assim.
Dave voltou ao trabalho ontem. Ficamos um mês de férias, grudados vinte e quatro horas por dia. Confesso que estava ansiosa para ele voltar a trabalhar e eu ter tempo de fazer algumas coisas que só faço decentemente sozinha, escrever, por exemplo. Mas agora...
Estou aqui, pateticamente apaixonada, ouvindo as duas músicas que tenho gravadas na voz dele aqui no computador (que ele me mandou antes de nos conhecermos pessoalmente), repetidas vezes..daqui a pouco um vizinho qualquer vai bater aqui na porta e perguntar se o disco está furado. Está, sinto muito.
Olhando fotos, lendo textos que ele escreveu, sentindo saudade, sofreeeeendo...caramba! Até parece que ainda há mil e quinhentos quilômetros entre nós.
Ele está logo ali, no trabalho, chega antes das seis da tarde, daqui a menos de cinco horas. E eu aqui não consigo fazer mais nada além de lembrar, ouvir as tais duas músicas repetidamente, ver fotos e mais fotos....coloco a primeira música, fecho os olhos e me vejo novamente em Campo Grande, setembro de 2003, sofreeeeendo porque ele morava em Porto Alegre e só podíamos conversar de madrugada...
A gente perde totalmente a noção de tempo quando está apaixonada. Dois dias viram dois anos, cinco horas são cinco meses, um ano é um século....
Isso tudo porque ele foi ali e já volta. E eu tinha que escrever, estudar e sair para comprar brilho labial (eu tenho o péssimo hábito de arrancar a pele dos lábios quando eles estão ressecados, então o jeito é mantê-los sempre bem hidratados para evitar a aparência de quem acabou de sair de uma luta de boxe)...mas como?? Me diga, como??
Sim, eu tenho total consciência do ridículo dessa situação, ninguém precisa me dizer isso. Mas o que é que eu posso fazer? Se é tão bom estar com ele, se a gente se dá tão bem, se eu tenho uma vontade horrenda de viver grudaaaaaada na criatura como um insuportável chiclete de morango...
Já sofri muitas vezes, de muitas maneiras, por diversos motivos. Mas não existe sofrimento mais ridículo e maravilhoso do que sofrer por amor (correspondido, de preferência). Por mais que a gente sofra, tem sempre aquela coisa boa alimentando o coração e isso é infinitamente melhor do que ter o coração vazio, amargo, desiludido, descrente. Eu tinha, por isso sei.
Assim, assumo que no momento estou impossibilitada de fazer qualquer coisa pois todos os ossos do meu corpo estão doendo porque aquela criatura despigmentada de um metro e oitenta e seis e um monte de cabelo na cabeça está a vinte minutos daqui. E eu não consigo me mover.
Acho que com os dias isso passa...ou atenua, sei lá. Acho que é só o tempo de me adaptar à nova vida velha. E preciso comer. Eu preciso comer? Tem certeza? Posso levar o computador para continuar ouvindo as tais duas músicas? Acho que pedirei a ele para gravar mais umas cinco, só para variar.
Posso ver as fotos? E borrifar o perfume dele por todos os lados para ter a ilusão de que ele está por perto? Acho que vou deitar e abraçar o ursinho que já está devidamente intoxicado com o tal perfume. Pode ser?
Amanhã eu volto...ou depois, quem sabe? Preciso conseguir fazer com que o tempo que fico longe dele seja novamente produtivo. Acho que aos poucos volta a ser. Embora a saudade esteja sempre presente porque, afinal de contas, um pedaço de mim foi ali e já volta...

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